quarta-feira, abril 24, 2024

Novidades sobre o maior primata de todos os tempos geológicos...

Foi o maior primata de todos os tempos. Cientistas descobrem por que se extinguiu

 

 

Conceito artístico de um Gigantopithecus blacki

 

Um estudo recente lançou luz sobre as causas da extinção do Gigantopithecus blacki, o maior primata conhecido até hoje.

Com um peso aproximado de 250 quilogramas e uma altura de 3 metros, o Gigantopithecus blacki foi o maior primata que se conhece.

O gigantesco primo afastado dos humanos, que habitou as florestas do que é hoje o sul da China durante milhões de anos, extinguiu-se há cerca de 300.000 anos.

Ninguém sabia porquê.

Um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Nature, proporciona agora uma compreensão abrangente da forma como as mudanças ambientais e as limitações dietéticas contribuíram para o desaparecimento do G. blacki.

O Gigantopithecus blacki foi trazido à atenção da ciência pela primeira vez em 1935, depois de o antropólogo Gustav von Koenigswald ter descoberto um enorme dente numa loja de medicina em Hong Kong.

Inicialmente, os cientistas acreditaram que a espécie tivesse laços com os gorilas, mas um estudo de 2019 revelou que o G. blacki estava geneticamente mais próximo dos orangotangos.

Apesar de o enorme primata partilhar o seu habitat com uma espécie de orangotango, o Pongo weidenreichi, apenas o G. blacki se extinguiu - e a sua extinção é um mistério de longa data na paleontologia.

O novo estudo, liderado por Yingqi Zhang , investigador da Academia Chinesa de Ciências, e Kira Westaway, paleontóloga da Universidade de Macquarie, na Austrália, usou seis técnicas de datação independentes em fósseis provenientes de 22 cavernas.

Os resultados do estudo permitiram concluir que, entre 295.000 e 215.000 anos atrás, a população de G. blacki diminuiu de uma área outrora vasta para uma pequena região na Região Autónoma de Guangxi Zhuang.

A análise das condições ambientais da região durante este período mostrou mudanças significativas, nomeadamente uma escassez de água.

Estudos de pólen revelaram também ter ocorrido, há cerca de 700.000 a 600.000 anos, uma transição de florestas densas para áreas de arbustos e pastagens, levando à escassez da dieta preferida de frutas do G. blacki e de fontes de água.

À medida que as florestas que constituíam o seu habitat diminuíam, o G. blacki recorreu a uma dieta menos nutritiva de casca e ramos. E, ao contrário do P. weidenreichi, que se adaptou expandindo sua dieta para incluir folhas, insetos e pequenos animais, o grande tamanho do G. blacki impediu-o de se adaptar a essas mudanças.

A incapacidade de escalar ou perseguir pequenas presas, combinada com o stress de uma dieta limitada, levou finalmente à extinção do maior primata de todos os tempos.

 

Conceito artístico de um Gigantopithecus blacki

 

Apesar do progresso significativo na compreensão das razões da extinção do G. blacki que o estudo nos trás, a sua aparência exata continua a ser um mistério, pois até agora foram encontrados muito poucos registos fósseis da espécie.

Tendo apenas ossos da mandíbula e dentes para estudar, a aparência real deste enorme macaco ainda é um enigma para resolvermos’, diz Zhang, citado pela revista Science.

“Assim, a busca continua. Estamos a ficar melhores a encontrar cavernas com vestígios do G. blacki‘, afirma o investigador. “Ainda não encontrámos ossos, mas acho que estamos a chegar mais perto”.


in ZAP

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