domingo, outubro 18, 2026

Gomes Freire de Andrade foi enforcado há 209 anos...

   
Gomes Freire de Andrade e Castro (Viena, 27 de janeiro de 1757 - Forte de São Julião da Barra, 18 de outubro de 1817) foi um general português.
     
Biografia
Teve a educação que na época se costumava dar aos filhos da nobreza. O seu pai, António Ambrósio Pereira Freire de Andrade e Castro, fora um ótimo colaborador do marquês de Pombal na campanha contra a Companhia de Jesus, sendo o filho Gomes Freire enviado para Portugal com 24 anos de idade, em fevereiro de 1781, já com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.
Destinado à carreira militar, assentou praça de cadete no regimento de Peniche, sendo em 1782 promovido a alferes. Passou à Armada Real, embarcando em 1784 na esquadra que foi auxiliar as forças navais espanholas de Carlos III de Espanha no bombardeamento de Argel.
Regressou a Lisboa em setembro, promovido a tenente do mar da Armada Real, e em abril de 1788 voltou ao antigo regimento no posto de sargento-mor.
Tendo alcançado licença para servir no exército de Catarina II, em guerra contra a Turquia, partiu para a Rússia. Em São Petersburgo terá conquistado as maiores simpatias na corte e da própria imperatriz. Na campanha de 1788-1789, comandada pelo príncipe Potemkin, ter-se-á distinguido nas planícies do rio Danúbio, na Guerra da Crimeia e sobretudo no cerco de Oczakow, alegadamente o primeiro a entrar na frente do regimento quando a praça se rendeu em 17 de outubro de 1788 depois de cerco prolongado. Na hora das condecorações esqueceram-se dele, negando-lhe a Comenda de São Jorge. Mas ele protesta, pede atestados de heroísmo ao coronel Markoff , e a imperatriz condescende atribuindo-lhe o posto de coronel do seu exército, que em 1790 lhe foi confirmado no exército português, mesmo ausente.
Foi iniciado na Maçonaria antes de 1785, provavelmente em Viena, na Loja Zur gekrönten Hoffnung (À Esperança Coroada), a cujo quadro pertencia, juntamente com Wolfgang Amadeus Mozart, em 1790. Tinha então o grau de Mestre. Ocupa o cargo de Venerável da Loja Regeneração.
Depois, na esquadra do príncipe de Nassau, salva-se milagrosamente durante a batalha naval de Schwensk, quando os canhões suecos fazem ir a pique a "bateria flutuante" que ele comandava. Perdeu-se toda a tripulação, mas Gomes Freire conseguiu salvar-se, acabando por receber o hábito de São Jorge, uma das Ordens mais importantes da Rússia, não das mãos da imperatriz, como se tem dito, mas sim das do príncipe de Nassau, em nome da imperatriz. Houve rumores de simpatia e entusiasmo da imperatriz por Freire de Andrade, aparentemente confirmado pelas desinteligências entre ele e o príncipe de Potemkin, favorito conhecido.
Voltou a Lisboa, nomeado coronel do regimento do marquês das Minas, prestes a embarcar para a Catalunha, na divisão que Portugal enviava auxiliar a Espanha contra a república francesa e a que chegou em 11 de novembro de 1793, seguindo por terra. Nesta expedição iam estrangeiros no Estado-Maior: o duque de Northumberland, general e par de Inglaterra, o príncipe de Luxemburgo Montmorency, o conde de Chalons, o conde de Liautaud. O Regimento de Freire de Andrade e o de Cascais ocuparam a povoação de Rebós, na sua linha de batalha, correndo logo às trincheiras da ponte de Ceret, onde o exército espanhol estava a ponto de capitular. A ação do Regimento terá sido brilhante, apesar do mau desempenho de Gomes Freire de Andrade, carregando os franceses com brio em combate a 26 de novembro de 1793. Em Arles, acampou em quartéis de inverno o seu Regimento e o de Cascais, que constituíam a 2° Brigada, comandada por ele. Segundo Latino Coelho, começa aí a evidenciar-se o espírito indisciplinado e irrequieto de Gomes Freire; desordeiro e intrigante, "o animo altivo do coronel, avesso, como era a toda a sujeição, difundia na divisão auxiliar o fermento da indisciplina".
Mas apesar das vitórias do exército hispano-português sobre os republicanos da Convenção, a guerra do Roussillon ia-se tornar armadilha, os espanhóis tinham 18 mil feridos em hospitais e os portugueses mil homens fora de combate, enquanto os franceses recebiam constantes reforços. Em 29 de abril de 1794 o general Dugommier atacou a esquerda do exército espanhol, composta de corpos da divisão portuguesa, que sustentou o fogo do romper da manhã às 14.00 horas, salvando o exército espanhol.
Em 1801 reúne-se em sua casa a assembleia que levou à organização definitiva da Maçonaria Portuguesa, com a posterior criação do Grande Oriente Lusitano em 1802, sendo eleito como um dos seus principais dignitários.
Regressado a Portugal, veio a integrar a "Legião Portuguesa" criada por Jean-Andoche Junot e que, sob o comando do marquês de Alorna, partiu para França em abril de 1808, onde vem a ser recebida por Napoleão Bonaparte no dia 1 de junho. Participou na campanha da Rússia.
Entretanto, fez parte da Loja Militar Portuguesa Chevaliers de la Croix (Cavaleiros da Cruz), em Grenoble, entre 1808 e 1813, onde vem a ser o 5.º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, de 1815 ou 1816 a 1817.
   
             (imagem daqui)

   
Acusação 
Libertado Portugal da ocupação das tropas francesas, e após a derrota de Napoleão, Freire de Andrade, ao regressar a Portugal, veio a ser implicado e acusado de liderar uma conspiração em 1817 contra a monarquia de D. João VI, em Portugal continental, representada pela Regência, então sob o governo militar britânico do marechal William Carr Beresford. Foi detido, preso, condenado à morte e enforcado (embora tenha pedido para ser fuzilado) junto ao Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, por crime de traição à Pátria, junto com outras onze pessoas: o coronel Manuel Monteiro de Carvalho, os majores José Campelo de Miranda e José da Fonseca Neves e mais oito oficiais do Exército. Essa data, 18 de outubro, foi, durante mais de um século, dia de luto na Maçonaria Portuguesa. Ainda hoje o seu nome é venerado como um dos grandes maçons e mártires da Liberdade de todos os tempos, tendo sido numerosas as lojas crismadas com o seu nome e abundantes os iniciados que o escolheram como nome simbólico.
  
(imagem daqui)
  
Após o julgamento e execução do tenente-general e outros, Beresford deslocou-se ao Brasil para pedir mais poderes. Havia pretendido suspender a execução da sentença até que fosse confirmada pelo soberano mas a Regência, "melindrando-se de semelhante insinuação como se sentisse intuito de diminuir-se-lhe a autoridade, imperiosa e arrogante ordena que se proceda à execução imediatamente".
Este procedimento da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, o que conduziu o país à Revolução do Porto e à queda de Beresford (1820), impedido de desembarcar em Lisboa ao regressar do Brasil, onde conseguira de D. João VI maiores poderes.
 

 

O Alasca passou a ser território norte-americano há 159 anos

O Alasca, à esquerda, em vermelho, com a sua localização na América do Norte

Em 1867, os Estados Unidos da América compraram o território do Alasca ao Império Russo. A operação foi conduzida pelo Secretário de Estado norte-americano, William Henry Seward.
À época, a transação foi considerada absurda e era referida como "a loucura de Seward" (William H. Seward's folly). O território comprado, com área aproximada de 1.600.000 km² constitui o atual estado norte-americano do Alasca.

O Império Russo estava em dificuldades financeiras e em vias de perder o território do Alasca sem compensação, em algum futuro conflito, sobretudo para o rival da época, o Império Britânico, que detinha o vizinho Canadá e cuja possante Royal Navy poderia facilmente tomar o controle da costa, de defesa difícil para a Rússia. O Czar Alexandre II decidiu então vender o território aos Estados Unidos e encarregou o seu embaixador, o barão Edouard de Stoeckl, de abrir negociações com o Secretário de Estado William Seward, de quem era amigo, no início de março de 1867.
As negociações concluíram-se após discussões que duraram uma noite inteira e a assinatura do tratado foi feita às 4 horas da manhã de 30 de março com um preço de compra de 7.200.000 dólares americanos. A opinião pública americana foi muitíssimo desfavorável a esta compra.
O Senado dos Estados Unidos da América ratificou o tratado a 9 de abril de 1867, por 37 votos a favor e 2 contra.
Estima-se que o Alasca contava na altura com 2.500 russos ou mestiços e 8.000 aborígenes, no total mais de 10.000 habitantes, sob o comando direto da companhia russa das peles, e cerca de 50.000 esquimós viviam sob essa jurisdição.
Os europeus viviam em 23 povoações em ilhas ou na costa. Em pequenos postos, havia quatro ou cinco russos que se encarregavam da compra e armazenamento de peles trazidas pelos nativos e do reabastecimento de navios que vinham buscar a mercadoria. Havia duas vilas principais. A primeira, New Archangel, atualmente Sitka, foi fundada em 1804, como base de apoio ao rentável negócio de peles de leão marinho. Tinha cerca de 116 barracões que abrigavam 968 habitantes. A segunda era Saint-Paul, na ilha Kodiak, que, com 100 barracões e 283 habitantes, era o centro da indústria de peles de foca.
O nome aleúte Alasca foi escolhido pelos americanos. A cerimónia de transferência teve lugar em Sitka, em 18 de outubro de 1867. Soldados russos e americanos desfilaram junto à casa do governador; a bandeira russa foi arriada e a americana hasteada e saudada por salvas de artilharia. O capitão Alexis Pestchouroff disse "General Rousseau, pela autoridade de sua Majestade, o Imperador da Rússia, transfiro para os Estados Unidos da América o território do Alasca". Em retribuição, o general Lovell Rousseau aceitou o território. Numerosos fortes e fortins, construções de madeira, foram cedidos aos americanos. As tropas ocuparam as casernas e o general Jefferson C. Davis estabeleceu a sua residência na casa do governador. A maior parte dos russos voltou ao seu país, salvo alguns comerciantes e homens do clero ortodoxo.
O Alaska Day celebra a transferência formal do Alasca, que ocorreu a 18 de outubro de 1867. Hoje em dia, o Alasca celebra o dia da compra, o Seward's Day, na última segunda de março.
A data de 18 de outubro de 1867 é do calendário gregoriano, e a hora, 9:01:20, hora de Greenwich, teve efeito no dia seguinte no Alasca para substituir o calendário juliano e a hora de 14:58:40 "de avanço" sobre a hora de Greenwich. Para os russos, a transferência teve lugar a 7 de outubro de 1867 do seu calendário juliano.

Cheque utilizado pelo governo dos Estados Unidos para a compra do Alasca
  
  
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Charles Gounod morreu há 133 anos...

     
Charles Gounod (Paris, 17 de junho de 1818 – Saint-Cloud, 18 de outubro de 1893) foi um compositor francês famoso, sobretudo pelas suas óperas e música religiosa.
 
Gounod era filho de um pintor e uma pianista. Muito jovem, entrou para o Conservatório de Paris, onde foi aluno de Jacques Fromental Halévy e Lesueur. Em 1839, compôs uma cantata (Ferdinand) e ganhou o Prix de Rome, um prémio famoso para jovens compositores, que dava direito a uma bolsa de estudos na Itália. Naquele país, ele entrou em contacto com a música polifónica do século XVI, que o fascinou. Tomado por ideias místicas (que nunca o abandonaram completamente), pensou em ser sacerdote e começou a compor música religiosa. Terminados os seus estudos em Itália, regressou a França, mas não sem antes passar por Viena, e assumiu o cargo de organista na Igreja das Missões Estrangeiras, em Paris, que ocupou durante três anos. Nessa época, ficou a conhecer duas mulheres que tiveram grande influência na sua vida: uma foi a cantora Pauline Viardot, que o introduziu no mundo da ópera, e a outra foi Fanny Hensel, que apresentou a Gounod o seu irmão, o célebre compositor Felix Mendelssohn. Através de Mendelssohn, Gounod entrou em contacto com a música de Bach, então pouco conhecida.
A primeira ópera de Gounod, Sapho, estreou em 1851. Várias óperas se seguiram, mas as mais importantes são Fausto (1859), Mireille (1864), Roméo et Juliette (1867) - e todas as três estão entre as mais populares do repertório operístico francês.
Ao rebentar a Guerra Franco-Prussiana (1870), Gounod refugiou-se na Inglaterra, onde permaneceu até 1875. Lá, ele teve uma amante inglesa, Georgina Weldon, e a sua música fez grande sucesso na Inglaterra vitoriana.
Nos últimos anos de vida, Gounod só compôs música religiosa.

 

Melina Mercouri nasceu há cento e seis anos...

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Melina Amalia Mercouri (Atenas, 18 de outubro de 1920 - Nova Iorque, 6 de março de 1994), mais conhecida como Melina Mercouri, foi uma atriz, cantora e ativista política grega. Fez parte do parlamento helénico e, em 1981, tornou-se a primeira mulher a ser Ministra da Cultura na Grécia.
O seu avô, Spyros Merkouris, foi Presidente da Câmara de Atenas durante muitos anos. O seu pai era membro do Parlamento. O seu tio era George S. Mercouris, líder do Partido Socialista Nacional da Grécia e que se tornou presidente do Banco da Grécia durante a ocupação da Grécia pelo Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial.
O seu primeiro filme, Stella (1955), foi dirigido por Michael Cacoyannis, o diretor de Zorba, o grego. Foi ele que a levou para Cannes, onde o filme foi nomeado para a Palma de Ouro. Lá, Melina conheceu o diretor Jules Dassin, com quem viveria até morrer. O casal não teve filhos.
Melina tornou-se conhecida mundialmente quando participou, em 1960, no filme Never on Sunday, de Jules Dassin, que lhe rendeu o prémio de Melhor Atriz no Festival de Cannes e uma nomeação para o Óscar de melhor atriz. Em 1978, Melina encerrou a sua carreira no cinema, para se dedicar à política.
Durante o período da ditadura militar na Grécia, Melina viveu em França. Quando tornou a haver democracia no  país, ela primeiro foi eleita para o Parlamento; depois tornou-se a primeira mulher a ser Ministra da Cultura no país, em dois mandatos consecutivos. Como Ministra da Cultura, lutou, sem o conseguir, para fazer voltar os famosos Mármores de Elgin, que foram roubados do Partenon grego e estão no Museu Britânico, em Londres.
Morreu em Nova Iorque, de cancro do pulmão, aos 73 anos. O seu corpo foi trazido para Atenas, onde teve funeral de estado.
  
 

Saudades de Chuck Berry... (II)

A sonda Venera 4 poisou em Vénus há 59 anos

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A Venera 4 (em russo: Венера-4) foi uma sonda espacial soviética do Programa Venera.
Esta foi lançada a partir de um Sputnik Tyazheliy (67-058B) em direção ao planeta Vénus, com a missão de estudar a atmosfera local. A 18 de outubro de 1967, a sonda espacial entrou na atmosfera venusiana e libertou dois termómetros, um barómetro, um rádio-altímetro, um indicador da densidade atmosférica, 11 analisadores de gases e dois rádio-transmissores que operavam na banda DM.
O módulo principal, que transportou a cápsula para Vénus, incluía um magnetómetro, detetores de raios cósmicos, indicadores de hidrogénio e oxigénio e aparelhos para recolha de partículas carregadas. Foram enviados sinais da sonda espacial, que abrandou e libertou um sistema de paraquedas depois de entrar na atmosfera venusiana, a uma altitude de 24,96 quilómetros. Venera-4 foi a primeira sonda a realizar com sucesso a análise do ambiente de outro planeta e foi também a primeira sonda a pousar noutro planeta.
Venera 4 realizou a primeira análise química da atmosfera venusiana, mostrando que Vénus tem principalmente dióxido de carbono com uma pequena percentagem de azoto e abaixo de um por cento de oxigénio e vapor de água. Também foi ela que detetou que Vénus tinha um campo magnético muito fraco e sem radiação. A camada atmosférica exterior continha muito pouco hidrogénio e oxigénio não atómico. A sonda enviou as primeiras medições diretas provando que Vénus é extremamente quente, que a atmosfera era muito mais densa do que a esperada e que Vénus tinha perdido a maior parte da sua água há muito tempo.

O terrorista Andreas Baader foi assassinado há quarenta e nove anos

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Andreas Bernd Baader (Munique, 6 de maio de 1943 - Estugarda, 18 de outubro de 1977) foi um dos fundadores e líderes do grupo guerrilheiro de esquerda alemão Fração do Exército Vermelho, denominado pelo governo e pela imprensa de Baader-Meinhof. O grupo foi responsável por uma série de ações armadas - assaltos a bancos, sequestros e mortes - na RFA, na década de 70.
O seu pai era o historiador Berndt Philipp Baader, que, em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, servia o exército alemão quando foi feito prisioneiro pelas forças soviéticas, sendo posteriormente dado como desaparecido. A sua mãe, Anneliese Baader não voltou a casar. Andreas foi criado com carinho pela mãe, juntamente com a avó e uma tia. Na opinião dos seus professores, era uma criança inteligente, mas também voluntariosa, um tanto imprevisível, e não se empenhava nos estudos quando as matérias não o atraíam. Ao mesmo tempo que era generoso, capaz de tirar o seu próprio agasalho e dá-lo a alguém que estivesse com frio, também era capaz de roubar, se estivesse a precisar de dinheiro. Também se envolvia frequentemente em lutas, nem sempre em defesa dos próprios interesses.
Na adolescência considerado como um jovem desajustado, na conservadora sociedade alemã de após guerra; no final dos anos 60 Baader gravitou para o movimento estudantil de esquerda e para os protestos contra o capitalismo, a pobreza no Terceiro Mundo, o nuclear, a ocupação norte-americana do país, que agitavam a Alemanha Ocidental na altura, embora ele próprio não fosse estudante universitário.
No dia 2 de abril de 1968 Baader e a sua namorada, Gudrun Ensslin, incendiaram dois estabelecimentos comerciais em Frankfurt, que não provocaram nenhuma morte. De acordo com Gudrun, o acto seria uma forma de protesto contra a Guerra no Vietname. No mesmo ano, Baader foi condenado a quatro anos de prisão.
Na manhã de 14 de maio de 1970 Baader escapou da prisão, graças a um plano elaborado pela sua namorada, que contou com a participação da conhecida jornalista Ulrike Meinhof. Sob o pretexto de estar a trabalhar num livro sobre a juventude alemã, Ulrike Meinhof conseguiu que Andreas Baader fosse conduzido para a biblioteca do Instituto de Estudos Sociais em Berlim Ocidental onde seria entrevistado pela jornalista. Embora o plano não tenha sido executado exactamente como se pretendia, Baader conseguiria escapar pela janela da biblioteca. No dia seguinte a fuga foi noticiada pelos meios de comunicação social e o grupo ficou conhecido como Grupo Baader-Meinhof, em função das duas figuras mais conhecidas do grupo, Andreas Baader e Ulrike Meinhof.
Nos dois anos seguintes Baader dedicou-se a acções de guerrilha urbana até que foi capturado pela polícia, a 1 de junho de 1972, em Frankfurt, juntamente com outros militantes da Fração do Exército Vermelho, Jan-Carl Raspe e Holger Meins.
Baader foi depois julgado e condenado, naquele que foi um dos julgamentos mais caros da história da justiça alemã.
Na noite de 8 para 9 de maio de 1976, a jornalista Ulrike Meinhof foi encontrada morta na sua cela. A versão oficial a respeito da morte de Meinhof é que cometeu suicídio por enforcamento, mas há discordâncias sobre o tema, havendo alegações de que foi assassinada. Em 5 de setembro, membros da Fração do Exército Vermelho sequestraram o presidente da confederação da indústria alemã e, a seguir, militantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina sequestraram um avião da Lufthansa, com passageiros a bordo, e levaram-no para Mogadíscio, na Somália. As autoridades alemãs não aceitaram a troca e, em 18 de outubro, uma operação da GSG 9 libertou os passageiros e executou os militantes palestinianos. A seguir, Andreas Baader, Jan-Carl Raspe e Gudrun Ensslin foram encontrados mortos, nas suas celas de máxima segurança - os dois primeiros com tiros na nuca, à distância, com pistolas comummente usadas nas forças armadas da Alemanha. O Estado alemão não reconheceu o caso como execução dos prisioneiros.
     
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Ne-Yo faz hoje 47 anos

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Shaffer Chimere Smith (Camden, 18 de outubro de 1979), mais conhecido pelo seu nome artístico Ne-Yo, é um cantor de pop/R&B, compositor, produtor, dançarino e ator norte-americano. Ne-Yo lançou o seu primeiro disco em 2006 com 27 anos de idade, chamado In My Own Words. 
 
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São Pedro de Alcântara morreu há 464 anos

     
São Pedro de Alcântara, de nome de batismo Juan de Garabito y Vilela de Sanabria (Alcântara, 1499 - Arenas de San Pedro, 18 de outubro de 1562), foi um frade franciscano espanhol que fez grandes reformas na sua ordem religiosa, a Ordem dos Capuchinhos, no Reino de Portugal.
Nascido no seio de uma família nobre, estudou direito na Universidade de Salamanca, mas abandonou os estudos e seguiu uma vida religiosa em 1515, no Convento de San Francisco de los Majarretes, perto de Valência de Alcântara, onde tomou o nome de frade Pedro de Alcântara. Foi ordenado em 1524, com 25 anos.
Viajou até Portugal em 1539 para ajudar o seu familiar, Martín de Santa Maria Benavides, a reformar uma das províncias franciscanas. De 1542 a 1544, foi guardião e mestre de noviços em Palhais. Com a morte de Martín, em 1546, foi Pedro de Alcântara quem deu seguimento ao seu trabalho, sendo, por isso, muito apreciado pelo rei D. João III.
Logo foi estabelecer-se na Serra da Arrábida e, aí, ajudou a fundar uma série de mosteiros para os chamados Arrábidos (ou Capuchos, noutras zonas do país), nomeadamente o chamado Convento de Nossa Senhora da Arrábida. Escreveu toda a regra da comunidade lá perto, em Azeitão.
Em 1555, iniciou a reforma da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos mediante as regras "alcantarinas", hoje conhecidas como de "Estrita Observância". Mais tarde, foram os Arrábidos que foram colocados no Convento de Mafra por D. João V. Acabaram por ser expulsos de Portugal quando da implantação do liberalismo no país, sendo, então, reintegrados na Ordem de São Francisco.
Em 1557, estava no Reino de Portugal que tanto amava.
Era notável pregador e místico, amigo e confessor de Santa Teresa de Jesus, a quem terá ajudado, em 1559, na tarefa de reforma da Ordem dos Carmelitas, a par de São João da Cruz. Escreveu o "Tratado da Oração e Meditação" que terá sido lido por São Francisco de Sales.
     
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Zac Efron - 39 anos

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Zachary David Alexander Efron, mais conhecido como Zac Efron (San Luis Obispo, 18 de outubro de 1987) é um ator, cantor e produtor executivo norte-americano. Tornou-se conhecido mundialmente por protagonizar a série juvenil High School Musical e também por ter participado de filmes como Hairspray, 17 Again, Charlie St. Cloud, Vizinhos e séries como Summerland e CSI: Miami. Recentemente ele fez o filme The Greatest Showman.

Manuel Vázquez Montalbán, o criador do detetive Pepe Carvalho, morreu há vinte e três anos...


(imagem daqui)
 
Manuel Vázquez Montalbán (Barcelona, 14 de junho de 1939 - Banguecoque, Tailândia, 18 de outubro de 2003) foi um escritor, jornalista espanhol, poeta e novelista espanhol, de orientação política comunista e adepto do F. C. Barcelona.
O seu pai, Evaristo Vázquez, republicano exilado em França, entrou clandestinamente em Espanha para conhecer o filho recém-nascido e foi preso. Enquanto estudava jornalismo, Montalbán trabalhou como cobrador de uma casa funerária e deu aulas no seu bairro. Estudou Filosofia e Letras na Universidade Autónoma de Barcelona.
O seu primeiro trabalho profissional foi uma biografia de El-Cid. Em 1960 foi chefe nacional de propaganda do Servicio Universitário del Trabajo e depois colaborador interno da imprensa do Movimiento. Em 1961 casou com Ana Sallés e depois passou um ano e meio na prisão por ter participado numa manifestação. Ali escreveu o seu ensaio Informe sobre la información (1963). Entre 1963 e 1969 foi-lhe proibido o acesso aos meios de comunicação, e foi-lhe retirado o passaporte até 1972.
Participou na revista CAU (1970-74) e foi colaborador fixo da Triunfo e animador indiscutível das revistas Mundo Obrero, La Calle e Interviú. Em 1977 ingressou no Comité Central do Partido Socialista Unificado da Catalunha.
Montalbán é o criador do detetive galego Pepe Carvalho, protagonista de uma série policial que se passa em Barcelona. Escreveu ainda livros de poesia e vários ensaios. Publicou também a Autobiografia do General Franco (1992).
     
Pepe Carvalho (daqui)
     

 

Si se supiera

Si se supiera
lo que se presiente y no se dice
desde que Hiroshima
nos dejó sin habla
que la tercera guerra mundial
se ha declarado
que se muere
en los cuatro puntos cardinados
que crucifican la tierra en cruz gamada
lejos del parking amortizable
del supermercado de leches descremadas
de los lugares de vacaciones invernales
de las familias de hijos únicos
desplegables
lejos del Louvre y de la poesía tónica
lejos
muy lejos de la Plaza Roja y de la Casa Blanca
si se supiera
que a los vietnamitas del Líbano les abren en canal en Guatemala
más no se inventó el napalm para Le Bois de Boulogne
ni la violada de El Salvador será Miss Play Boy
en abril
aunque abril siga siendo el mes más cruel
en ésta guerra sólo se mata en los arrabales
el centro es ciudad abierta por mutuo acuerdo
entre el Bien y el Mal, mientras la ciencia
del alma calcula como calcular lo incalculable
por ejemplo
cuántos deben morir cada día en Etiopía
para que nos salga social
de pronto
la poesía.
 
  
in
Una educación sentimental (1967) - Manuel Vázquez Montalbán

Lucky Dube, cantor de reggae sul-africano, foi assassinado há dezanove anos...

(imagem daqui)

 

Lucky Philip Dube (Ermelo, 3 de agosto de 1964 - Rosettenville, 18 de outubro de 2007) foi um cantor de reggae sul-africano.

Gravou 22 álbuns em zulu, inglês e afrikaans, num período de vinte e cinco anos de carreira, e foi o artista sul-africano que mais vendeu disco na história do reggae.
 
(...)
   
Em 18 de outubro de 2007, Dube foi assassinado no subúrbio de Joanesburgo, em Rosettenville logo após ter largado dois dos seus sete filhos e o seu tio nas suas casas. Dube estava a dirigir o seu Chrysler 300C, que os assaltantes perseguiram. Os relatórios da polícia sugerem que ele foi morto a tiros pelos carjackers. Cinco homens foram presos com ligação com o assassinato. Três homens foram julgados e considerados culpados, em 31 de março de 2009, dois dos homens tentaram fugir e foram capturados. Os homens foram condenados à prisão perpétua.

Ele deixou a sua esposa, Zanele, e sete filhos.

 
 

Saudades de Chuck Berry...

Chuck Berry nasceu há um século...

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Chuck Berry, nome artístico de Charles Edward Anderson Berry (Saint Louis, 18 de outubro de 1926 – St. Charles, 18 de março de 2017), foi um compositor, cantor e guitarrista americano. É apontado por muitos como o inventor do rock and roll. Apesar de ninguém poder garantir que criou o rock and roll sozinho, já que o estilo é produto de um contexto do pós-guerra nos EUA e da mistura de blues, country, música gospel e folk que era feita por vários músicos durante a época, Chuck Berry é considerado, e correctamente, um dos pioneiros do estilo justamente por ter feito a mistura funcionar. De um forma geral só se pode afirmar que o rock and roll foi criado pelos seus pioneiros, o que inclui vários músicos.
Foi eleito pela revista Rolling Stone o 5º maior artista da música de todos os tempos, e foi considerado o quinto melhor guitarrista do mundo pela mesma revista.
 
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sábado, outubro 17, 2026

Música adequada à data...

Hoje é o Dia Nacional da Música Popular Brasileira - Chiquinha Gonzaga nasceu há 179 anos...

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Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 - Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora, pianista e maestrina brasileira.
Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca com letra ("Ó Abre Alas", 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público do Rio de Janeiro, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha. Em maio de 2012 foi sancionada a Lei 12.624 que instituiu o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, a ser comemorado no dia do seu aniversário.
   
    

Chopin morreu há 177 anos...

    
Frédéric François Chopin, com o nome de batismo Fryderyk Franciszek Chopin (Żelazowa Wola, 1 de março de 1810 - Paris, 17 de outubro de 1849), foi um pianista polaco, radicado na França, e o maior compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. A sua técnica refinada e a sua elaboração harmónica são comparadas historicamente com as de outros grandes compositores, como Mozart e Beethoven, assim como a sua duradoura influência na música até aos dias de hoje.
  
(...)
  
Em 1848, Chopin deu o seu último concerto em Paris, além de visitar a Inglaterra e a Escócia com a sua aluna e admiradora Jane Stirling. Eles chegaram a Londres em novembro, e ainda conseguiu dar alguns concertos e apresentações de salão.
Ele voltou a Paris, onde em 1849 ficou incapaz de ensinar e se apresentar.
A sua irmã, Ludwika, que tinha dado a ele as primeiras lições de piano, cuidou dele no seu apartamento na Praça Vendôme, nº 12. Às primeiras horas de 17 de outubro Chopin morreu.
Chopin morreu rodeado de amigos e, como gostava muito de flores, logo depois da morte recebeu tal quantidade que parecia repousar num jardim. Como era costume na época, foi feita uma máscara mortuária, por Auguste Clesinger. A máscara foi rejeitada pela família, pois demonstrava claramente a expressão de sofrimento (Chopin morreu sufocado), mas o escultor remodelou a peça, dando assim uma aparência mais tranquila.
Antes do funeral de Chopin, de acordo com seu desejo ao morrer, o seu coração foi retirado, devido ao seu medo de ser enterrado vivo. Ele foi posto pela sua irmã numa urna de cristal selada, com cognac, destinada a Varsóvia. O coração permanece até hoje lacrado dentro de um pilar da Igreja da Santa Cruz (Kościół Świętego Krzyża), em Krakowskie Przedmieście, debaixo de uma inscrição do Evangelho de Mateus: "onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mt 6:21), que, curiosamente, seria salvo da destruição de Varsóvia pelos nazis, em 1944, pelo general das SS, Erich von dem Bach-Zelewski.
     
 

Sylvia Kristel morreu há catorze anos...

  
Sylvia Kristel (Utrecht, 28 de setembro de 1952 - Amesterdão, 17 de outubro de 2012) foi uma atriz, diretora e modelo holandesa, mais conhecida pelo filme erótico Emmanuelle.
 
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Um notícia interessante sobre Paleontologia...

Algumas aves sobreviveram ao asteroide que extinguiu os dinossauros. Fezes fossilizadas podem ajudar a explicar porquê

 

 

Vestígios de dinossauros

 

Pequenas penas preservadas em fezes fossilizadas estão a ajudar os cientistas a compreender por que razão algumas aves sobreviveram à extinção em massa que eliminou os dinossauros e outras não.

Desenterrado no Montana, o achado de penas pertencia a uma ave que tinha sido devorada e posteriormente excretada por um dinossauro predador — possivelmente um Tyrannosaurus rex ou um parente mais pequeno — pouco antes do impacto do asteroide que desencadeou o evento de extinção, há 66 milhões de anos, segundo um novo estudo publicado na revista Current Biology. Os restos incluem a pena mais bem preservada alguma vez extraída de depósitos do Mesozoico, ou rochas da era dos dinossauros, e a descoberta oferece um raro vislumbre de um momento decisivo para muitas espécies.

“É uma pena tão bonita e bem preservada, proveniente de uma fonte tão inesperada, e é emocionante pensar que pode ajudar-nos a responder a esta enorme questão da paleontologia”, afirmou a principal autora do estudo, Jingmai O’Connor, curadora associada de répteis fósseis no Field Museum de Chicago, num comunicado de imprensa.

No entanto, o impressionante espécime representa provavelmente uma espécie que não sobreviveu ao impacto do asteroide, de acordo com a equipa responsável pela nova investigação. Com base na análise dos ossos encontrados juntamente com as penas dentro do coprólito - o termo científico para fezes fossilizadas - os autores do estudo acreditam que as penas pertenciam a uma pequena ave mergulhadora que não voava, semelhante aos atuais mergulhões, que faziam parte de um grupo atualmente extinto conhecido como Hesperornithiformes.

Os paleontólogos estabeleceram há décadas que as aves evoluíram a partir dos dinossauros. Isso significa que as espécies de aves que hoje esvoaçam pelos quintais são, na prática, os únicos dinossauros sobreviventes. No entanto, de forma intrigante, todas as aves atuais descendem de apenas um grupo de aves da era dos dinossauros, os Neornithes, um parente próximo dos Hesperornithiformes.

As condições infernais desencadeadas pela colisão do planeta com a rocha espacial do tamanho de uma cidade extinguiram todas as outras aves e dinossauros, observou O’Connor. As penas agora descobertas podem conter uma pista para o desaparecimento dos Hesperornithiformes.


O coprólito foi desenterrado num local do Montana, na Formação Hell Creek

 

Penas primitivas

O’Connor afirmou que algumas das penas eram muito semelhantes às que existem atualmente nas aves modernas, com uma haste central de secção quadrada que teria ajudado a tornar a pena rígida, mas leve. No entanto, outras apresentavam uma estrutura mais primitiva - eram mais pequenas e felpudas - e não seriam tão eficazes no isolamento térmico como as penas corporais das aves modernas, acrescentou.

“As penas corporais primitivas dos hesperornitiformes não eram um problema para estas aves durante o mundo de efeito de estufa do Mesozoico, mas o impacto do asteroide desencadeou um inverno de impacto e as temperaturas globais desceram significativamente”, explicou por email.

Os cientistas acreditam que a colisão libertou milhares de milhões de toneladas de poeiras, enxofre e outros gases para a atmosfera, bloqueando o sol e provocando um arrefecimento dramático do clima da Terra. As plantas foram incapazes de realizar a fotossíntese, um processo biológico fundamental para a vida, durante quase dois anos depois do impacto, sugerem investigações.

“Agora, as penas corporais primitivas e o seu isolamento menos eficaz são um problema - é necessária mais energia para se manterem quentes, mas há menos alimento disponível através do qual possam obter essa energia.”

 

Um grande plano de uma pena fossilizada encontrada preservada em fezes de dinossauro

 

A investigadora afirmou que um padrão semelhante tinha sido observado noutras aves do Cretácico, chamadas enantiornithines. A sua plumagem foi preservada em pedaços de âmbar - resina de árvores pré-históricas.

O’Connor considera que uma das principais razões pelas quais o ramo Neornithes da família das aves sobreviveu à extinção em massa se deve às diferenças existentes nas suas penas. Outros cientistas tinham concluído que, como as espécies de Neornithes viviam perto da água, algo relacionado com este habitat as ajudou a proteger dos efeitos devastadores da extinção em massa. No entanto, os Hesperornithiformes também viviam junto à água e desapareceram.

Para confirmar a sua hipótese, os paleontólogos teriam de encontrar um fóssil de Neornithes de pouco antes do impacto do asteroide e analisar a sua plumagem para confirmar que não conserva penas com características primitivas, afirmou O’Connor.

“Teria de estar preservado em âmbar ou noutro coprólito excecionalmente preservado, para que as penas fossem preservadas em três dimensões e com osso suficiente para termos a certeza da identificação”, observou.

“Quem sabe, talvez alguém já tenha encontrado um coprólito com estes vestígios no seu interior.”

 

Uma ilustração de um tiranossauro a atacar uma antiga ave mergulhadora

 

Achado raro

Espécimes de penas tão bem preservados não aparecem com frequência, e mesmo os que foram estudados na nova investigação não eram imediatamente evidentes. David DeMar Jr., paleontólogo da Universidade de Washington, em Seattle, encontrou em 2016 o coprólito que as preservava, enquanto recolhia fósseis de peixes no Montana, na Formação Hell Creek.

Como nunca tinham sido encontradas penas na Hell Creek, apesar de 150 anos de procura de fósseis no local, O’Connor afirmou que o primeiro pensamento de DeMar foi que talvez a fissura no nódulo castanho-avermelhado que encontrou num afloramento rochoso contivesse uma planta. Mas uma observação mais atenta revelou que se tratava de uma pena.

“Peguei nela e examinei a sua superfície através da minha lupa de mão e foi então que não consegui acreditar no que estava a ver: uma pequena pena fossilizada”, afirmou DeMar, coautor do estudo, no comunicado de imprensa.

No entanto, só quando os investigadores obtiveram imagens das fezes fossilizadas num scanner de micro-TC perceberam que o espécime continha várias penas, ossos das pernas e até vestígios do conteúdo do estômago da ave. Muitos dos restos estavam excecionalmente preservados em três dimensões.

As fezes fossilizadas do dinossauro também preservaram duas minúsculas escamas em forma de diamante de um peixe conhecido como peixe-agulha, que ainda existe atualmente. O peixe seria demasiado pequeno para satisfazer um dinossauro predador e, por isso, terá provavelmente constituído a última refeição da ave antes de ser devorada pelo T. rex, segundo o estudo.

“Se não fosse a fratura que expôs as penas, continuaríamos sem saber que os coprólitos podem ser uma fonte deste tipo de informação”, afirmou O’Connor.

“Continuo maravilhado com os tipos de coisas que encontramos no registo fóssil e que nunca se pensou serem possíveis”, afirmou Anthony Fiorillo, professor adjunto de investigação na Southern Methodist University e diretor executivo do New Mexico Museum of Natural History & Science, que não esteve envolvido na investigação.

 

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Saudades de António Ramos Rosa...

(imagem daqui)

 

Uma Voz na Pedra

  

Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

   

António Ramos Rosa