segunda-feira, agosto 17, 2026
Marcello Caetano, o último primeiro-ministro da II república, nasceu há cento e vinte anos
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segunda-feira, agosto 03, 2026
Salazar caiu (da cadeira...) há 58 anos
(...)
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domingo, agosto 02, 2026
D. Manuel Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa, morreu há 49 anos...
Manuel Gonçalves Cerejeira (Vila Nova de Famalicão, Lousado, Santa Marinha, 29 de novembro de 1888 – Amadora, Buraca, 2 de agosto de 1977), cardeal da Igreja Católica, foi o décimo-quarto Patriarca de Lisboa com o nome de D. Manuel II (nomeado em 18 de novembro de 1929).
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segunda-feira, julho 27, 2026
O ex-ditador António de Oliveira Salazar morreu há cinquenta e seis anos

- 1889: Nasce em Vimieiro, Santa Comba Dão.
- 1914: Em Coimbra, conclui o curso de Direito.
- 1918: Professor de Ciência Económica.
- 1926: Após o golpe de 28 de maio é convidado para Ministro das Finanças; ao fim de 13 dias renuncia ao cargo.
- 1928: É novamente convidado para Ministro das Finanças; nunca mais abandonará o poder.
- 1930: Nasce a União Nacional.
- 1932: Presidente do Ministério.
- 1933: É plebiscitada uma nova constituição que dá início ao Estado Novo. Fim da ditadura militar. É posto um fim ao nome "presidente do Ministério", passando-se a suar "presidente do Conselho de Ministros".
- 1936: Na Guerra Civil de Espanha apoia Franco; cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa; abre as colónias penais do Tarrafal e de Peniche.
- 1937: Escapa a um atentado dos anarquistas.
- 1939: Iniciada a II Guerra Mundial, Salazar conseguirá manter a neutralidade do país.
- 1940: Exposição do Mundo Português.
- 1943: Cede aos Aliados uma base militar nos Açores.
- 1945: A PIDE substitui a PVDE.
- 1949: Contra Norton de Matos, Carmona é reeleito Presidente da República; Portugal é admitido como membro da NATO.
- 1951: Contra Quintão Meireles, Craveiro Lopes é eleito Presidente da República.
- 1958: Contra Humberto Delgado, Américo Tomás é eleito Presidente da República; o Bispo do Porto, António Ferreira Gomes critica a política salazarista.
- 1960: Portugal celebra a adesão ao Fundo Monetário Internacional.
- 1961: 22/01, ataque ao navio Santa Maria por anti-salazaristas, que se asilam no Brasil logo após a posse de Janio Quadros; 04/02, assalto às prisões de Luanda; 11/03, tentativa de golpe de Botelho Moniz; 21.04, resolução da ONU condenando a política africana de Portugal; 19/12, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu; 31 de dezembro de 1961 para 1 de janeiro de 1962, revolta de Beja.
- 1963: O PAIGC abre nova frente de batalha na Guiné.
- 1964: A FRELIMO inicia a luta pela independência, em Moçambique.
- 1965: Crise académica; a PIDE assassina Humberto Delgado.
- 1966: Salazar inaugura a ponte sobre o Tejo.
- 1968: Na sequência de um acidente (queda de uma cadeira), Salazar fica fisicamente incapacitado para governar.
- 1970: Morte de Salazar.
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quarta-feira, julho 22, 2026
Alfredo Rodrigues de Matos, o homenageado por Zeca em Por trás daquela janela, nasceu há 92 anos...
Alfredo Rodrigues de Matos
Militante ativo na Resistência contra o fascismo, sofreu a repressão do regime sem nunca vacilar na determinação com que o enfrentou. Em democracia tem-se mantido um cidadão ativo e interveniente no campo autárquico, sindical e político.
Alfredo Rodrigues de Matos nasceu em S. Pedro do Sul, a 22 de julho de
1934, mas foi para o Barreiro em 1939 e aí fez o curso industrial, o
curso de guarda-livros e completou o 3º ciclo do liceu. Aderiu então ao
MUD Juvenil e, em 1952, começou a trabalhar na CUF, primeiro como
operário, depois como empregado de escritório. Em janeiro de 1957, foi
preso pela PIDE e julgado no Tribunal Plenário, tendo sido condenado a
18 meses de prisão correcional a que se juntaram 3 anos de medidas de
segurança, pelo que cumpriu 4 anos e seis meses de prisão (no Aljube, no
Forte de Caxias e na cadeia da PIDE no Porto).
Em 1961, na cadeia, aderiu ao Partido Comunista Português. Libertado em
janeiro de 1962, passou a desenvolver atividades políticas na margem
sul, com funções específicas na CUF, aonde regressara. Colaborava então
na redação do Boletim dos Trabalhadores.
Em 1969 fez parte da Comissão Distrital de Setúbal da CDE, integrando a
comissão de recenseamento eleitoral e participando nas ações da campanha
eleitoral, com vista às legislativas desse ano. Depois, participou na
criação do Movimento MDP/CDE, de cujo secretariado nacional fez parte.
Voltou a ser preso após as comemorações do 1º de Maio de 1970 e, após um
mês na cadeia da PIDE no Porto a ser interrogado e torturado, foi
transferido para Caxias, onde esteve até ser julgado, em dezembro, no
Tribunal Plenário de Lisboa. Foi absolvido, mas nesse mesmo mês foi
despedido do Hospital da CUF, no qual era chefe do economato.
A 22 de julho de 1970, José Afonso dedicou-lhe «Por Trás Daquela
Janela», um poema que posteriormente seria editado em disco sob o título
Eu Vou Ser Como a Toupeira.
Trabalhou depois noutras empresas e, em 1973, entrou no Sindicato dos
Bancários do Sul e Ilhas, como adjunto do secretário-geral. Nesse mesmo
ano, esteve na preparação do III Congresso da Oposição Democrática,
realizado em Aveiro, fazendo parte das comissões nacional e
coordenadora. Nesse congresso apresentou a tese «Situação e Perspetivas
dos Trabalhadores do Distrito de Setúbal». Ainda em 1973 desenvolveu
intensa atividade política em todo o distrito de Setúbal, pelo qual foi
candidato a deputado nas eleições para a Assembleia Nacional, na lista
da Oposição Democrática.
Em março de 1974, participou em reuniões das secções sindicais da CGTP
Intersindical e nas sedes dos principais bancos, em Paris, deu a
conhecer a situação política e social de Portugal.
Em 27 de abril de 1974, foi designado para discursar no Barreiro, em
nome do MDP/CDE, e logo em maio passou a fazer parte da comissão
administrativa que dirigiu a Câmara Municipal do Barreiro até às
eleições de 1976, ano em que foi eleito para a Assembleia Municipal
dessa autarquia. Em 1975, fora escolhido para adjunto do secretariado da
Intersindical, funções que desempenhou até 1979, quando foi eleito
vereador (iria substituir o presidente da CMB). Foi presidente dos
Serviços Municipalizados da Câmara Municipal do Barreiro, cargo este que
desempenhou em sucessivos mandatos, até dezembro de 1985. Em 1986
voltou à CGTP.
De fevereiro a setembro de 2002, foi colunista do semanário Voz do
Barreiro (de que viria a ser diretor entre setembro de 2006 e junho de
2007) e, entre outubro de 2002 e junho de 2004, foi diretor do jornal
Concelho de Palmela. Como dirigente associativo, fez parte dos corpos
gerentes do Cineclube do Barreiro, nos anos de 1971 e 1972.
Em 1993, Alfredo Matos recebeu a Medalha de Ouro da Cidade «Barreiro Reconhecido».
A 22 de julho de 1970, José Afonso dedicou-lhe Por Trás Daquela Janela, um poema que posteriormente lhe entregou manuscrito. Pelo Natal de 1972, este poema, também com música de Zeca Afonso, foi editado em disco, sob o título, Eu Vou Ser Como a Toupeira, que incluiu igualmente a canção A Morte Saiu à Rua, dedicada ao escultor José Dias Coelho, dirigente do PCP, assassinado pela PIDE em 19 de dezembro de 1961.
in Memória Comum - Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos
Por trás daquela janela - Zeca Afonso
Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão
Se aquela parede andasse
Se aquela parede andasse
Eu não sei o que faria
Não sei
Se o mundo agora acordasse
Se aquela parede andasse
Se um grito enorme se ouvisse
Duma criança ao nascer
Talvez o tempo corresse
Talvez o tempo corresse
E a tua voz me ajudasse
A cantar
Mais dura a pedra moleira
E a fé, tua companheira
Mais pode a flecha certeira
E os rios que vão pró mar
Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Na noite que segue ao dia
Na noite que segue ao dia
O meu amigo lá dorme
De pé
E o seu perfil anuncia
Naquela parede fria
Uma canção de alegria
No vai e vem da maré
Postado por Fernando Martins às 09:20 0 comentários
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domingo, julho 05, 2026
Salazar chegou a primeiro-ministro há 94 anos...
O 8.º governo da Ditadura portuguesa, nomeado a 5 de julho de 1932 e exonerado a 11 de abril de 1933, com a adoção da Constituição de 1933, que instituiu o Estado Novo, foi o primeiro dos três governos, consecutivos, liderados por António de Oliveira Salazar.
Postado por Fernando Martins às 09:40 0 comentários
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segunda-feira, junho 29, 2026
José Leitão de Barros morreu há 59 anos...
Com o documentário Nazaré (1927), retomando um tema já explorado pelo francês Roger Lion em 1923, registou aspetos de rude beleza plástica e de aguda observação humana, tal como no filme Lisboa, Crónica Anedótica de uma Capital (1930), em que misturou atores conhecidos com a gente da rua, antecipando assim tendências modernas. No mesmo ano, rodou ainda na Nazaré a Maria do Mar. Depois filmou A Severa (1931), o primeiro filme sonoro português. Ala Arriba! (1942), escrito por Alfredo Cortês, apresentava os pescadores da Póvoa de Varzim com uma força dramática pouco vulgares. A Bienal de Veneza deu-lhe um dos seus prémios. Seria, a partir dos anos sessenta, um dos cineastas preferidos do regime. Publicou também Elementos de História de Arte e, em livro, Os Corvos (crónicas publicadas no jornal Diário de Notícias).
A 4 de setembro de 1935 foi feito Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 4 de março de 1941 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo.
Uma vasta obra e fervilhantes décadas de produção marcaram a vida deste homem, desde a aguarela ao cinema, passando pelo ensino e arquitetura. Aos 70 anos, viria a falecer, de um tumor retroperitoneal, na sempre sua cidade, em 1967, estando sepultado no Cemitério dos Prazeres.

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terça-feira, junho 23, 2026
A Exposição do Mundo Português começou há 86 anos
A Exposição do Mundo Português (23 de junho de 1940 - 2 de dezembro de 1940) foi um evento realizado em Lisboa na época do Estado Novo, com o propósito de comemorar simultaneamente as datas da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640), constituiu-se na maior de seu género realizada no país até à Expo 98.
A exposição foi inaugurada em 23 de junho de 1940 pelo chefe de estado, Marechal Carmona, acompanhado pelo Presidente do Conselho, Oliveira Salazar e pelo Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco.
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sábado, junho 13, 2026
Hoje é dia de recordar Álvaro Cunhal...
I
El puerto color de cielo
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
II
La cítara olvidada
Oh Portugal hermoso,
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes y tormentas.
III
Los presidios
Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?
Reconoces la ausencia
del valiente
Militão?
Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles
rosadas de Lisboa,
pero,
sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar y de tu arena?
Sabes
que existe
una isla,
la Isla de la Sal,
y Tarrafal en ella
vierte sombra?
Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.
En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.
Sí sabemos,
en remotos países,
que hace treinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.
IV
El mar y los jazmines
De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografía.
Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.
La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.
Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieran grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.
Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.
El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.
V
La lámpara marina
Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas del Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipiélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.
Cómo es esto?
Cómo puedes negarte
al cielo de la luz tú, que mostraste
caminos a los ciegos?
Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?
Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telarañas
que cubren tu fragante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atraversar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llegó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.
Postado por Pedro Luna às 21:00 0 comentários
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Álvaro Cunhal morreu há 21 anos...
Postado por Fernando Martins às 00:21 0 comentários
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quinta-feira, maio 28, 2026
A I república acabou há um século...
A Primeira República Portuguesa (também referida como república parlamentar) e cujo nome oficial era apenas República Portuguesa, foi o sistema político vigente em Portugal após a queda da Monarquia Portuguesa, entre a revolução republicana de 5 de outubro de 1910 e o golpe de 28 de maio de 1926, que deu origem à Ditadura Militar, mais tarde Ditadura Nacional e posteriormente Estado Novo.
Foi caracterizada lutas entre o Governo e a Igreja católica, assim como, por divergências internas entre os mesmos republicanos, maçons e carbonários, que originaram a revolução de 5 de outubro.
Neste período, de quase 16 anos, houve sete parlamentos, oito presidentes da República, trinta e nove governos, quarenta chefias de governo (um presidente do Governo Provisório e 38 presidentes do Ministério), duas presidências do Ministério que não chegaram a tomar posse, dois presidentes do Ministério interinos, 1 junta constitucional, 1 junta revolucionária e 1 ministério investido na totalidade do poder executivo. Foi pródiga em convulsões sociais e crimes públicos e políticos.
ADENDA - a I república foi má, muito má. Mas não estamos a dizer que a II república, vulgo estado novo, pelo menos no seu estertor pós II Guerra Mundial, fosse melhor...
Postado por Fernando Martins às 00:01 0 comentários
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terça-feira, maio 19, 2026
Poema para recordar uma camponesa...
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AO RETRATO DE CATARINA
Esses teus olhos enxutos
Num fundo cavo de olheiras
Esses lábios resolutos
Boca de falas inteiras
Essa fronte aonde os brutos
Vararam balas certeiras
Contam certa a tua vida
Vida de lida e de luta
De fome tão sem medida
Que os campos todos enluta
Ceifou-te ceifeira a morte
Antes da própria sazão
Quando o teu altivo porte
Fazia sombra ao patrão
Sua lei ditou-te a sorte
Negra bala foi teu pão
E o pão por nós semeado
Com nosso suor colhido
Pelo pobre é amassado
Pelo rico só repartido
Tanta seara continhas
Visível já nas entranhas
Em teu ventre a vida tinhas
Na morte certeza tenhas
Malditas ervas daninhas
Hão-de ter mondas tamanhas
Searas de grã estatura
De raiva surda e vingança
Crescerão da tua esperança
Ceifada sem ser madura
Teus destinos Catarina
Não findaram sem renovo
Tiveram morte assassina
Hão-de ter vida de novo
Na semente que germina
Dos destinos do teu povo
E na noite negra negra
Do teu cabelo revolto
nasce a Manhã do teu rosto
No futuro de olhos posto
Carlos Aboim Inglez
Postado por Pedro Luna às 11:11 0 comentários
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Catarina Eufémia foi assassinada há 72 anos...
Na sequência dos distúrbios do funeral, nove camponeses foram acusados de desrespeito à autoridade; a maioria destes foi condenada a dois anos de prisão com pena suspensa. O tenente Carrajola foi transferido para Aljustrel, mas nunca veio a ser sequer julgado em tribunal. Faleceu em 1964.
Ao torná-la numa lenda da resistência antifascista, o PCP teria adulterado alguns pormenores da vida e morte de Catarina Eufémia. Designadamente, fez-se crer que Catarina era militante do Partido Comunista, no comité local de Baleizão, desde 1953, o que é, possivelmente, falso. A escolha de Catarina para porta-voz das ceifeiras terá sido mesmo influenciada pelo facto de não existirem as mínimas suspeitas de ser comunista. Aliás, Mariana Janeiro, uma militante comunista várias vezes presa pela PIDE, sempre rejeitou a hipótese de que Catarina estivesse ao serviço do partido. Por seu lado, António Gervásio, antigo dirigente do PCP no Alentejo, afirma que Catarina era de facto membro do comité local de Baleizão do PCP desde 1953. Também a União Democrática Popular reivindicou a militância de Catarina (embora a UDP só tenha surgido em 1974, tentou reclamar Catarina como um dois exemplos da linha comunista não-estalinista e comunista não-interclassista, que antecedeu a União Democrática Popular e o seu precursor, o PC-R), tendo, mesmo, erigido um pequeno monumento em sua memória, que foi destruído por apoiantes do PCP em 23 de maio de 1976. Os familiares de Catarina, especialmente os filhos, chegaram a apoiar ou filiar-se na UDP. UDP e PCP continuam a disputar Catarina (que segundo conhecidos não seria militante comunista, mas sendo altamente politizada, seria simpatizante com bastante certeza).
Afirmou-se também que Catarina Eufémia estaria grávida de alguns meses no momento em que foi assassinada. Aparentemente, essa informação teria vindo de outras ceifeiras, a quem Catarina alguns dias antes de ser assassinada teria revelado o seu estado amenorreico. Durante a autópsia, o povo de Baleizão juntou-se no largo da Sé de Beja, a poucos metros do Hospital da Misericórdia, clamando em desespero e revolta: "Não foi uma, foram duas mortes!". No entanto, o médico legista que a autopsiou, Henriques Pinheiro, afirmou repetidamente, inclusive depois da revolução de 1974, que as referências a uma gravidez eram falsas.
Postado por Fernando Martins às 07:20 0 comentários
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