Figura de destaque e promotor do Estado Novo (1933–1974) e da sua organização política, a
União Nacional, Salazar dirigiu os destinos de Portugal como
presidente do Ministério de forma ditatorial entre 1932 e 1933 e, como
Presidente do Conselho de Ministros
entre 1933 e 1968. Os autoritarismos e nacionalismos que surgiam na
Europa foram uma fonte de inspiração para Salazar em duas frentes
complementares: a da propaganda e a da repressão. Com a criação da
Censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores
FNAT e da
Mocidade Portuguesa, o Estado Novo procurava assegurar a doutrinação de largas massas da população portuguesa ao estilo do
fascismo, enquanto que a sua polícia política (
PVDE, posteriormente
PIDE e mais tarde ainda
DGS), em conjunto com a
Legião Portuguesa, combatiam os opositores do regime que, eram julgados em tribunais especiais (
Tribunais Militares Especiais e, posteriormente,
Tribunais Plenários).
(...)
O princípio do fim de Salazar começou a
3 de agosto de
1968, no
Forte de Santo António, no Estoril. A queda de uma cadeira de lona, deixada em segredo primeiro, acabou por ditar o seu afastamento do Governo.
António de Oliveira Salazar preparava-se para ser tratado pelo
calista Hilário, quando se deixou cair para uma cadeira de lona. Com o
peso, a cadeira cedeu e o chefe do Governo caiu com violência, sofrendo
uma pancada na cabeça, nas lajes do terraço do forte, onde anualmente
passava as férias, acompanhado pela governanta D. Maria de Jesus.
Levantou-se atordoado, queixou-se de dores no corpo, mas pediu segredo
sobre a queda e não quis que fossem chamados médicos, segundo conta
Franco Nogueira.
Outra testemunha, o barbeiro Manuel Marques, contraria esta tese.
Segundo ele, Salazar não caiu na cadeira, que estava fora do lugar, mas
tombou no chão desamparado. Segundo Marques, Salazar costumava ser
distraído e tinha o hábito de «saltar para as cadeiras». Nesse dia,
preparando-se para ler o jornal, caiu onde habitualmente estava uma
cadeira, mas que nesse dia tinha sido movida.
Ainda outra testemunha diz que Salazar não caiu de uma cadeira, e sim
de uma banheira, testemunha essa que acompanhou Salazar da casa de banho
até ao quarto no dia do sucedido.
A vida de António de Oliveira Salazar prosseguiu normalmente e só
três dias depois é que o médico do Presidente do Conselho, Eduardo
Coelho, soube do sucedido.
Só 16 dias depois, a 4 de setembro, Salazar admite que se sente doente:
«Não sei o que tenho». A 6 de setembro, à noite, sai um carro de São
Bento. Com o médico, Salazar e, no lugar da frente, o diretor da PIDE,
Silva Pais. Salazar é internado no
Hospital de São José
e os médicos não se entendem quanto ao diagnóstico − hematoma
intra-craniano ou trombose cerebral −, mas concordam que é preciso
operar, o que acontece a 7 de setembro.
Salazar foi afastado do governo em 27 de setembro de 1968, quando o então presidente da república,
Américo Tomás, chamou Marcello Caetano para substituí-lo.
A 4 de outubro desse ano (na véspera do 58.º aniversário da implantação da república) recebeu o grande-colar da
Ordem do Infante D. Henrique.
Até morrer, em
1970,
continuou a receber visitas como se fosse ainda Presidente do Conselho,
nunca manifestando sequer a suspeita de que já o não era − no que não
era contrariado pelos que o rodeavam.