No segundo período, em que foi eleito por
voto direto,
Getúlio governou o Brasil como presidente da república, por 3 anos e
meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando
suicidou.
A sua
doutrina
e seu estilo político foram denominados de "getulismo" ou "varguismo".
Os seus seguidores, até hoje existentes, são denominados "getulistas".
As pessoas próximas o tratavam por "Doutor Getúlio", e as pessoas do
povo o chamavam de "O Getúlio", e não de "Vargas".
(...)
Por causa do crime da rua Tonelero Getúlio foi pressionado, pela
imprensa e por militares, a renunciar ou, ao menos, licenciar-se da
presidência. O
Manifesto dos Generais, de 22 de agosto de 1954, pede a renúncia de Getúlio. Foi assinado por 19 generais de exército, entre eles,
Castelo Branco, Juarez Távora e
Henrique Lott e dizia: "
Os
abaixo-assinados, oficiais generais do Exército...solidarizando com o
pensamento dos camaradas da Aeronáutica e da Marinha, declaram julgar,
como melhor caminho para tranquilizar o povo e manter unidas as forças
armadas, a renúncia do atual presidente da República, processando sua substituição de acordo com os preceitos constitucionais".
Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para
24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na
qual fora aconselhado, por ministros, a se licenciar da presidência. Getúlio registou na sua
agenda de compromissos, na página do dia 23 de agosto de 1954, segunda-feira: "
Já
que o ministério não chegou a uma conclusão, eu vou decidir: determino
que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for
mantida, entrarei com pedido de licença. Em caso contrário, os
revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver."
Getúlio concordou em se licenciar sob condições, que constavam da
nota oficial da presidência da república divulgada naquela madrugada: "Deliberou
o Presidente Getúlio Vargas.... entrar em licença, desde que seja
mantida a ordem e os poderes constituídos..., em caso contrário,
persistirá inabalável no propósito de defender suas prerrogativas
constitucionais, com sacrifício, se necessário, de sua própria vida".
Getúlio,
no final da reunião ministerial, assina um papel, que os ministros não
sabiam o que era, nem ousaram perguntar. Encerrada a reunião
ministerial, sobe as escadas para ir ao seu apartamento. Vira-se e
despede-se do ministro da Justiça
Tancredo Neves, dando a ele uma
caneta Parker 21 de
ouro e diz:
"Para o amigo certo das horas incertas"!
A data não poderia ser mais emblemática: Getúlio, que se sentia
massacrado pela oposição, pela "República do Galeão" e pela imprensa,
escolheu a
noite de São Bartolomeu para a sua morte. Getúlio Vargas cometeu suicídio com um tiro no coração nos seus aposentos no
Palácio do Catete, na madrugada de 24 de agosto de 1954.