domingo, junho 14, 2026
Hoje é dia de ouvir The Zombies...!
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Marcadores: música, órgão, piano, pop, Rock, Rock Progressivo, rock psicadélico, Rod Argent, Tell Her No, The Zombies
Donald Trump - oitenta anos...
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Best Friends Forever, uma estátua de 2025 criada por ativistas em protesto contra a relação entre Trump e Jeffrey Epstein
Donald John Trump (Nova Iorque, 14 de junho de 1946) é um empresário, personalidade televisiva e político americano. Filiado ao Partido Republicano, é o atual presidente dos Estados Unidos. Venceu as eleições de 2016 contra Hillary Clinton no número de delegados do colégio eleitoral, apesar de ter sofrido a maior derrota no voto popular de um presidente que conseguiu ser eleito no país. Foi empossado para o cargo em 20 de janeiro de 2017 e presidiu até 20 de janeiro de 2021, após perder as eleições de 2020 para Joe Biden e encerrar seu primeiro mandato com níveis históricos de impopularidade. Nas eleições de 2024, no entanto, venceu Kamala Harris e tornou-se o segundo presidente americano, depois de Grover Cleveland em 1892, a exercer mandatos não consecutivos.
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Postado por Fernando Martins às 00:08 0 comentários
Marcadores: Donald Trump, presidente, USA
Gianna Nannini comemora hoje setenta anos...!
Nasceu em Siena e é irmã mais velha do ex-piloto de Fórmula 1 Alessandro Nannini. Estudou piano em Lucca e composição em Milão.
O seu primeiro sucesso foi em 1979, com o single America e o álbum California que foi um sucesso em vários países europeus. O auge do sucesso foi alcançado em 1984, com a publicação do sexto álbum Puzzle. Este álbum atingiu o top 10 na Itália, Alemanha, Áustria e Suíça. Ela cantou para o videoclip Fotoromanza (realizado por Michelangelo Antonioni), venceu vários prémios e iniciou uma tournée pela Europa, incluindo uma participação no Festival de Jazz de Montreux. Em 1986, o seu sucesso Bello e impossible foi um enorme sucesso e venceu vários prémios em Itália, Alemanha, Áustria e Suíça. A sua compilação Maschi e altri vendeu mais de um milhão de cópias.
Em 1990 ela cantou Un'estate italiana, a canção oficial do Campeonato do Mundo de 1990, com Edoardo Bennato.
Nannini licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Siena em 1994. No ano seguinte participou num protesto do Greenpeace junto à embaixada francesa contra a decisão do governo francês de prosseguir com as experiências nucleares no Atol de Moruroa.
Em 2004, publicou uma compilação com os seus sucessos, mas as suas canções foram regravadas na ocasião. O CD Perle contém um número de antigos êxitos com novos arranjos..
Em fevereiro de 2006, foi publicado o álbum Grazie que alcançou o número um no top italiano com o single Sei nell'anima. Durante o verão de 2006, Nannini fez uma digressão por toda a Itália. O single IO, uma das faixas daquele CD, foi um enorme sucesso.
Em setembro de 2006, gravou em dueto com Andrea Bocelli. Nannini participou também num álbum de Alexander Hacke (membro da banda Einstürzende Neubauten) Sanctuary na faixa Per Sempre Butterfly.
Em 2007, gravou o álbum Pia come la canto io, uma coleção de canções cantadas em estilo ópera pop que seria interpretado em 2008. Este trabalho levou 11 anos a ser concebido e baseou-se na personagem medieval toscana Pia de'Tolomei (mencionada em Dante). Este álbum foi produzido por Wil Malone que também produzira Grazie.
Postado por Fernando Martins às 00:07 0 comentários
Marcadores: Gianna Nannini, homossexuais, Itália, música, Sei nell'anima
Do You Really Want To Hurt Me...?
Postado por Pedro Luna às 00:06 0 comentários
Marcadores: anos 80, Boy George, Culture Club, DJ's, Do You Really Want To Hurt Me, música, música eletrónica, pop, reggae, rythm and blues
sábado, junho 13, 2026
Saudades de Eugénio de Andrade...
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
Postado por Pedro Luna às 21:00 0 comentários
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Hoje é dia de recordar Álvaro Cunhal...
I
El puerto color de cielo
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
II
La cítara olvidada
Oh Portugal hermoso,
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes y tormentas.
III
Los presidios
Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?
Reconoces la ausencia
del valiente
Militão?
Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles
rosadas de Lisboa,
pero,
sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar y de tu arena?
Sabes
que existe
una isla,
la Isla de la Sal,
y Tarrafal en ella
vierte sombra?
Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.
En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.
Sí sabemos,
en remotos países,
que hace treinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.
IV
El mar y los jazmines
De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografía.
Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.
La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.
Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieran grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.
Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.
El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.
V
La lámpara marina
Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas del Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipiélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.
Cómo es esto?
Cómo puedes negarte
al cielo de la luz tú, que mostraste
caminos a los ciegos?
Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?
Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telarañas
que cubren tu fragante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atraversar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llegó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.
Postado por Pedro Luna às 21:00 0 comentários
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William Butler Yeats nasceu há 161 anos...
A speckled cat and a tame hare
Eat at my hearthstone
And sleep there;
And both look up to me alone
For learning and defence
As I look up to Providence.
I start out of my sleep to think
Some day I may forget
Their food and drink;
Or, the house door left unshut,
The hare may run till it’s found
The horn’s sweet note and the tooth of the hound.
I bear a burden that might well try
Men that do all by rule,
And what can I
That am a wandering witted fool
But pray to God that He ease
My great responsibilities?
I slept on my three-legged stool by the fire,
The speckled cat slept on my knee;
We never thought to enquire
Where the brown hare might be,
And whether the door were shut.
Who knows how she drank the wind
Stretched up on two legs from the mat,
Before she had settled her mind
To drum with her heel and to leap:
Had I but awakened from sleep
And called her name she had heard,
It may be, and had not stirred,
That now, it may be, has found
The horn’s sweet note and the tooth of the hound.
William Butler Yeats
Postado por Fernando Martins às 16:10 0 comentários
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Hoje é dia de celebrar o aniversário de um Poeta...

Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é.
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem 'do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
Postado por Pedro Luna às 13:08 0 comentários
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Luis Walter Alvarez nasceu há 115 anos...
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Alvarez with a magnetic monopole detector in 1969
Luis Walter Alvarez (San Francisco, California, June 13, 1911 – Berkeley, California, September 1, 1988) was an American experimental physicist, inventor, and professor who was awarded the Nobel Prize in Physics in 1968 for his discovery of resonance states in particle physics using the hydrogen bubble chamber. In 2007 the American Journal of Physics commented, "Luis Alvarez was one of the most brilliant and productive experimental physicists of the twentieth century."
After receiving his PhD from the University of Chicago in 1936, Alvarez went to work for Ernest Lawrence at the Radiation Laboratory at the University of California, Berkeley. Alvarez devised a set of experiments to observe K-electron capture in radioactive nuclei, predicted by the beta decay theory but never before observed. He produced tritium using the cyclotron and measured its lifetime. In collaboration with Felix Bloch, he measured the magnetic moment of the neutron.
In 1940, Alvarez joined the MIT Radiation Laboratory, where he contributed to a number of World War II radar projects, from early improvements to Identification friend or foe (IFF) radar beacons, now called transponders, to a system known as VIXEN for preventing enemy submarines from realizing that they had been found by the new airborne microwave radars. The radar system for which Alvarez is best known and which has played a major role in aviation, most particularly in the post war Berlin airlift, was Ground Controlled Approach (GCA). Alvarez spent a few months at the University of Chicago working on nuclear reactors for Enrico Fermi before coming to Los Alamos to work for Robert Oppenheimer on the Manhattan Project. Alvarez worked on the design of explosive lenses, and the development of exploding-bridgewire detonators. As a member of Project Alberta, he observed the Trinity nuclear test from a B-29 Superfortress, and later the bombing of Hiroshima from the B-29 The Great Artiste.
After the war Alvarez was involved in the design of a liquid hydrogen bubble chamber that allowed his team to take millions of photographs of particle interactions, develop complex computer systems to measure and analyze these interactions, and discover entire families of new particles and resonance states. This work resulted in his being awarded the Nobel Prize in 1968. He was involved in a project to x-ray the Egyptian pyramids to search for unknown chambers. With his son, geologist Walter Alvarez, he developed the Alvarez hypothesis which proposes that the extinction event that wiped out the non-avian dinosaurs was the result of an asteroid impact.
Luis and Walter Alvarez at the K-Pg Boundary in Gubbio, Italy, 1981
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 11:50 0 comentários
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Joaquim Manuel Magalhães celebra hoje oitenta e um anos
(imagem daqui)
Joaquim Manuel Correia de Magalhães (Peso da Régua, 13 de junho de 1945) é um poeta, ensaísta e professor catedrático na Faculdade de Letras de Lisboa.
Doutorou-se em 1979 com uma tese principal sobre "A Consequência da Literatura e do Real na Poesia de Dylan Thomas" e uma segunda tese sobre Frank O'Hara. A sua prova de Agregação consistiu numa proposta de estudo sobre a poesia inglesa posterior a 1945 e sobre «The Waste Land» de T. S. Eliot. (A sua tese de licenciatura foi sobre E. E. Cummings). Co-dirigiu a revista "As Escadas Não Têm Degraus" (1989), organizou a edição da "Obra Poética" de Ruy Belo, da "Antologia Poética" de Ruy Cinatti e de uma antologia de João Miguel Fernandes Jorge. Tem publicadas traduções de Anna Akhmatova (1992), Yorgos Seferis (1993) e Konstandinos Kavafis (2005), bem como vários volumes de poetas espanhóis contemporâneos, tanto traduzidos como, maioritariamente, anotados.
Autor de obras (iniciadas em 1974) de poesia, reuniu essa obra poética em 2010 no volume «Um Toldo Vermelho». Em 2014 seguiu-se uma 2ª edição, com novas alterações, intitulada com o mesmo nome. Um volume de «derivas», sobretudo em prosa, «Do Corvo a Santa Maria», foi publicado em 1993. Acerca de poesia, publicou os seguintes volumes: «Os dois crepúsculos» (1981); «Dylan Thomas» (1982); «Um pouco da morte» (1989); «Rima Pobre» (1999).
Extraordinariamente versátil e límpida, a poesia de Joaquim Manuel Magalhães impõe-se, segundo David Mourão Ferreira, "de livro para livro, pela convocação de inúmeros aspectos do mundo natural e do mundo social, através de um discurso que estabelece, entre ambos, os mais inesperados nexos de cumplicidade ou recíprocos processos de rejeição, em que "figuras" como a lítotes, a antífrase, a alusão e a catacrese desempenham papéis preponderantes, em contextos só talvez aparentemente regidos pelos princípios de uma livre associação de imagens ou de um suposto automatismo verbal (…)"
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Acendimento
Seria bom sentir no quarto qualquer música
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detrás das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.
Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que não cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.
Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
É isso que te levo, isso que me dás
quando dizes, já sem o dizeres, eu amo-te.
Pela berma da humidade cerrada
um risco de mercúrio trespassa.
Na gravilha passos que não há
esmagam a música que ninguém escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,
a insónia repentina, o entorpecimento.
Ouve a espessura dos nervos, a sua câmara
de conchas escavadas, a roseira azul do vime,
pastos químicos que transformam
o gradeamento acolhedor detrás do cérebro
na fauce lacerada
por onde o alibi imóvel parece fugir.
Ao lado cantam os arpões.
Eu passo com as mãos no seu cabelo.
E o passado é um tempo que não passa
em cada uma das dores que me pertence
e me roubaram.
Aquele que tem fome desconhece
o alimento, pede apenas folhas,
a farinha de um vestuário com uso
e desmedido.
Mas o que sempre comeu
não sabe os caminhos que sangram
e um dia a morte só lhe trará terror.
Acordei cansado com os sonhos.
O rosto que foi amado e se perdeu
cintilava na roldana de corrente cega,
a floresta em carvão acorrentava
o pavor agrícola da pobreza,
e dentro do sonho um sonho mais disforme
mãos que sabiam sempre agarrar tudo
o que não fosse qualquer outra mão.
Sorria para o asfalto. Com o casaco
desabotoado e o embrulho em cima da carrinha.
As nuvens corriam pelo chão de aguaceiro.
Findavam para si minúsculas assombrações.
Correu a mão sobre a testa, ergueu
o cabelo que fervia.
Vi-o inclinado sobre nada,
o pó fazia goma nos seus pés,
estava eu defrontado com um vulto
entregue à felicidade.
Quando me viu levou o embrulho
para o banco de trás e trancou as portas.
Tinha a cara azul, os olhos de vinho antigo,
fez-me um sinal desconhecido
antes de reabrir a porta e me fechar
na cidade inteira onde já não existia.
Um fato de flanela cai muito bem
numa tez esguia, batida pela neblina.
Cortei-lhe as calças com a lâmina pequena
e guardei a maior para a suavidade tardia
junto do empedrado
onde num clamor sem verdade
o morto caminho de volta diz
tristes de todas as coisas.
Os braços por cima do seu tronco
a lua nova as constelações o ruído da terra
um vivo círculo mortal em seu redor.
Joaquim Manuel Magalhães
Postado por Fernando Martins às 08:10 0 comentários
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Vasco Santana morreu há 68 anos...
Postado por Fernando Martins às 06:08 0 comentários
Marcadores: cinema, música, Portugal, Vasco Santana
Saudades de António Variações...
Postado por Pedro Luna às 04:20 0 comentários
Marcadores: António Variações, Canção do Engate, homossexuais, música, pop, Rock, SIDA, world music
Música duplamente adequada à data...
Postado por Pedro Luna às 03:30 0 comentários
Marcadores: cinema, Fado, Hermínia Silva, música, Santo António de Lisboa, teatro, Teatro de Revista
Eugénio de Andrade morreu há 21 anos
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Postado por Fernando Martins às 02:10 0 comentários
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Fernando Pessoa nasceu há 138 anos...
Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou ’spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.
Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.
in Mensagem (1934) - Fernando Pessoa
Postado por Fernando Martins às 01:38 0 comentários
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Vieira da Silva nasceu há 118 anos...
Autorretrato (1942)
Maria Helena Vieira da Silva (Lisboa, 13 de junho de 1908 - Paris, 6 de março de 1992) foi uma pintora portuguesa, naturalizada francesa em 1956.
Postado por Fernando Martins às 01:18 0 comentários
Marcadores: Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, pintura, Vieira da Silva
Rivers Cuomo, vocalista dos Weezer, nasceu há 56 anos
Rivers Cuomo (New York City, June 13, 1970) is an American singer, songwriter, and musician. He is the lead vocalist, guitarist, pianist, songwriter, and frontman of the rock band Weezer.
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 00:56 0 comentários
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António Variações morreu há 42 anos...
Em 1984 lançou o seu segundo trabalho, intitulado Dar e Receber. Era fevereiro e, dois meses depois, a 22 de abril, Variações daria um concerto, na aldeia de Viatodos, concelho de Barcelos, durante as festas da "Isabelinha". Depois disso, aparece pela última vez em público no programa televisivo "A Festa Continua" de Júlio Isidro. Será a única interpretação no pequeno ecrã das faixas do novo disco, usando o mesmo pijama com ursinhos e coelhinhos que usou na sua primeira aparição televisiva. Variações cantou em Coimbra, na Queima das Fitas de 1984, no dia 17 de maio, na Noite da Psicologia, já gravemente doente, sendo que os seus amigos e familiares deixaram de receber notícias do cantor, que ficou hospedado por alguns dias em casa de um amigo até ter sido levado para o Hospital Pulido Valente no dia 18 de maio, devido a um problema brônquico-asmático.
Quando Canção de Engate invadiu as rádios, já António Variações se encontrava internado no hospital. Transferido para a Clínica da Cruz Vermelha, morreu a 13 de junho, vítima de uma broncopneumonia, especula-se que provavelmente foi causada pelo VIH, mas por causa do estigma que essa doença envolvia, o mistério permanece até hoje. Foi sepultado no cemitério da terra natal, em Fiscal, Amares.
Postado por Fernando Martins às 00:42 0 comentários
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Hermínia Silva morreu há trinta e três anos...
Postado por Fernando Martins às 00:33 0 comentários
Marcadores: cinema, Fado, Fado da Sina, Hermínia Silva, música, teatro, Teatro de Revista
Al Berto morreu há vinte e nove anos...
Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (Coimbra, 11 de janeiro de 1948 - Lisboa, 13 de junho de 1997), foi um poeta, pintor, editor e animador cultural português.
Vincent Van Gogh, La Nuit Etoilée
se te nomeasse cintilarias
se te nomeasse cintilarias
no beco de uma cidade desfeita
e o chumbo dos labirintos derreter-se-ia
na veia branca da noite uma estátua
de areia talvez um barco sulcasse
a cabeleira aquática da fala e
nenhuma porta se abriria sob teus passos
onde estamos? onde vivemos?
no desaguar tenebroso deste rio de penumbra
não beberemos ao futuro do homem
nem festejaremos o rugido triste da fera
moribunda
mas se te nomeasse
que desejo de sexo e da mente a medrosa alegria
em mim permaneceria?
in Transumâncias - O Medo - Al Berto
Postado por Fernando Martins às 00:29 0 comentários
Marcadores: Al Berto, homossexuais, pintura, poesia
José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu há 263 anos
Postado por Fernando Martins às 00:26 0 comentários
Marcadores: Brasil, Imperador D. Pedro I, Imperador D. Pedro II, José Bonifácio de Andrada e Silva, mineralogia, Universidade de Coimbra








