quarta-feira, setembro 10, 2025

O astrónomo Ernst Opik morreu há quarenta anos

     
    
Educação
Öpik estudou na Universidade de Moscovo, onde se especializou no estudo de corpos menores do sistema solar, tais como asteroides, cometasmeteoroides. Concluiu o seu doutoramento já na Universidade de Tartu, na Estónia.
   
Astronomia
Öpik foi um destacado astrofísico, com ampla gama de interesses. De entre as suas descobertas está o primeiro cálculo da densidade de uma matéria degenerada (a anã branca 40 Eri B), em 1915, a primeira determinação precisa da distância de um objeto extragalático (a Galáxia de Andrómeda), em 1922. No mesmo ano ele registou corretamente o número de crateras em Marte, antes mesmo delas serem detetadas pelas sondas espaciais. Em 1932 apresentou uma teoria relativa à origem dos cometas no sistema solar. Ele acreditava que eles se originavam na órbita de uma nuvem distante, além da órbita de Plutão. Esta nuvem é hoje conhecida por nuvem de Oort, ou alternativamente, nuvem de Öpik-Oort, em sua homenagem. Ele também inventou uma câmara especial para o estudo de meteoros.
        
Exílio
Öpik fugiu do seu país natal em 1944, a quando da aproximação do Exército Vermelho. Primeiro foi para Hamburgo e, por último, em 1948, para o Observatório de Armagh, na Irlanda do Norte, onde permaneceu ativo até 1981.
     
Condecorações e títulos
Öpik recebeu medalhas da National Academy of Sciences (1960), da Meteoritical Society (1968), da American Association for the Advancement of Science (1972), a Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society em 1975, a mais alta condecoração outorgada pela Royal Astronomical Society (Sociedade Astronómica Real) do Reino Unido e a Medalha Bruce em 1976, concedida pela Astronomical Society of the Pacific com sede em San Francisco, Califórnia. Recebeu doutoramentos honoríficos das Universidades de Belfast (1968) e de Sheffield (1977).
   
Legado
O asteróide 2099 Öpik recebeu o seu nome. O seu neto, Lembit Öpik, que é atualmente um membro do partido liberal-democrata, foi membro do Parlamento Britânico por Montgomeryshire, País de Gales, de 1997 a 2010. Ele também possui alguma ligação com a astronomia, uma vez que ele é um grande apoiante da pesquisa de asteroides que possam vir a colidir com a Terra.
    

Henry Purcell nasceu há 366 anos

         
Henry Purcell (Londres, 10 de setembro de 1659 – Londres, 21 de novembro de 1695) foi um compositor britânico. Apesar de uma vida relativamente breve, Henry Purcell permanece um dos mais importantes compositores ingleses. Sua facilidade em compor para todos os géneros e públicos, sua popularidade na corte durante os reinados de três monarcas e a sua vasta produção de odes cortesãs, música cénica, anthems' sacros, canções e catches' seculares, música de câmara e voluntaries para órgão são uma prova clara do seu prodigioso talento.
    
 

António Reis, cineasta e poeta, morreu há 34 anos...

(imagem daqui)

  

António Ferreira Gonçalves dos Reis (Valadares, Vila Nova de Gaia, 27 de agosto de 1927 - Lisboa, 10 de setembro de 1991) foi um cineasta e poeta português que se distingue pelo sentido poético da sua obra. É um dos representantes no filme documentário do movimento do Novo Cinema, que explora as técnicas do cinema direto. Com contemporâneos seus, usando esses meios, empenha-se na prática da etnografia de salvaguarda.

Trás-os-Montes (1976) é, com as longas-metragens Gente da Praia da Vieira, de António Campos, e Mau Tempo, Marés e Mudança, de Ricardo Costa (cineasta), uma das primeiras docuficções do cinema português. Obras do mesmo ano, tendo como precursoras o O Ato da Primavera (1962), realizado por Manoel de Oliveira e co-realizado por Reis, e Ala-Arriba! (filme) (1948), de Leitão de Barros, caracterizam-se ainda como sendo etnoficções, explorando de modo original os métodos do filme etnográfico

 

Biografia

Tendo sido membro ativo do Cineclube do Porto, iniciou-se na atividade cinematográfica como assistente, nomeadamente no filme Ato da Primavera, de Manoel de Oliveira (1962). Um ano depois, em 1963, realizou o seu primeiro documentário, encomendado pela Câmara Municipal do Porto, Painéis do Porto. Manteve-se no documentário com Alto do Rabagão (1966), ano em que assinou o argumento de Mudar de Vida, filme de Paulo Rocha.

A curta-metragem Jaime (1974) viria a chamar a atenção para a sua atividade de realizador, ao ser premiada no Festival de Cinema de Locarno desse ano como o melhor filme de curtas-metragens (ver filmografia). Após a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, António Reis e a sua mulher, a psiquiatra Margarida Cordeiro, co-realizadora de uma parte importante dos seus filmes, enveredaram por um cinema não convencional, de vertente lírica, baseado em elementos da cultura popular de locais isolados do interior do país, como Trás-os-Montes. Trás-os-Montes (1976), que participou em catorze festivais internacionais, incluindo o de Roterdão e o de Veneza, foi a primeira dessas obras, a que se seguiu Ana (Veneza, 1982). António Reis e Margarida Cordeiro retratam nestes filmes locais em que o 25 de abril de 1974 não impediu o êxodo rural. Rosa de Areia (1989), estreado no Festival de Berlim, de carácter mais ficcional, foi o seu último trabalho.

Tal como António Campos, Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Ricardo Costa ou Pedro Costa, é um dos cineastas portugueses que se inspiraram no conceito de antropologia visual para criar obras de forte expressão poética.

António Reis deu-se também a conhecer como poeta, pintor e escultor.

A 9 de junho de 2004, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
 
 Filmografia
 
 Poesia
  • Poemas Quotidianos (1957)
  • Novos Poemas Quotidianos (1959)
  • Poemas Quotidianos - Coleção Poetas de Hoje (1967; reeditado em 2017 pela Tinta-da-China)

 

in Wikipédia

 

É domingo hoje



É domingo hoje
mas nós não saímos

é o único dia
que não repetimos

e que dura menos

Mas põe o teu rouge
que eu mudo a camisa

não como quem
de ilusão
precisa

Tomaremos chá
leremos um pouco

e iremos à varanda
absortos



António Reis

Nicolau Tolentino de Almeida nasceu há 285 anos

Frontispício de uma peça de teatro "de cordel" de Tolentino
        
Nicolau Tolentino de Almeida (Lisboa, 10 de setembro de 1740 - Lisboa, 23 de junho de 1811) foi um poeta português que pertenceu ao movimento da Nova Arcádia (1790-1794).
Aos vinte anos ingressou em Leis na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, mas ao invés dos estudos tinha vida boémia e de poeta. No ano de 1765 tornou-se professor de retórica, numa das cátedras criadas pelo Marquês de Pombal, após a expulsão dos jesuítas.
Os seus versos continham muitas vezes pedidos, pleiteando um cargo na secretaria de estado, até que este foi satisfeito, com a nomeação como oficial de secretaria.
Foi um professor durante quinze anos, mas esta vida desagradava-lhe, pois era inadaptado e descontente até conseguir o posto na Secretaria dos Negócios do Reino. Obteve tudo quanto pretendeu, o que não o fez deixar de deplorar uma suposta miséria.
Bom metrificador, compôs sátiras descritivas e caricaturais, sonetos e odes, que reuniu em 1801 num volume chamado Obras Poéticas. Ficou pela superfície, mas apreendeu bem os erros e ridículos da época. O seu cómico consistia no agravamento das proporções, hipertrofiando o exagero que encontrava.
     

  

 
Vai, mísero cavalo lazarento

    

Vai, mísero cavalo lazarento,
Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento.

Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal da minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento.

Morre em paz, que, em havendo algum dinheiro,
Hei-de mandar, em honra de teu nome,
Abrir em negra pedra este letreiro:

«Aqui piedoso entulho os ossos come
Do mais fiel, mais rápido sendeiro,
Que fora eterno, a não morrer de fome».

 

Nicolau Tolentino de Almeida

A região demarcada de vinho do Porto faz hoje 269 anos


Alvará Régio de 10 de setembro de 1756
Aprova a instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro e os seus Estatutos. Assinava esse Alvará El-Rei D. José I e o seu Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Mello. Tinha 53 capítulos, sendo os principais - X, XIV, XXIX, XXX e XXXIII - respeitantes aos fins da instituição, formação do seu capital, preços dos vinhos e demarcação da região. A alusão aos restantes capítulos levaria muito longe e, por essa razão, apenas se deixam aqui algumas notas dignas de interesse. A Direção era constituída por um Provedor, doze Deputados e um Secretário; havia ainda seis Conselheiros, "homens inteligentes deste comércio". A Companhia dispunha de um juiz Conservador com jurisdição privativa e um Procurador Fiscal. O seu capital elevava-se a "um milhão e duzentos mil cruzados repartidos em ações de quatrocentos mil réis cada uma; a metade do qual se poderá perfazer em vinhos competentes, e capazes de receber, com que os Acionistas se quiserem interessar; e a outra metade será precisamente em dinheiro, para que a Companhia possa assim cumprir com as obrigações de ocorrer às urgências da lavoura, e comércio..." Era-lhe ainda facultado conceder empréstimos de dinheiro aos lavradores a juros de 3% ao ano, para o fabrico do vinho, amanho das vinhas e ainda para "despesas miúdas que a conservação da vida humana faz quotidianamente indispensáveis." 

José Feliciano nasceu há oitenta anos...!

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José Montserrate Feliciano García (Lares, Porto Rico, 10 de setembro de 1945) é um cantor e guitarrista porto-riquenho, radicado nos Estados Unidos continental.
Jose Feliciano nasceu cego, numa família pobre, com mais onze irmãos. Aprendeu sozinho a tocar acordeão, e aos nove, já tocava no "The Puerto Rican Theater", no Bronx, Nova Iorque, para onde a sua família havia emigrado quando ele tinha cinco anos. Sempre autodidata, passou a praticar a viola, tendo como professor apenas alguns discos. Ganhou vários prémios e homenagens. Feliciano é considerado como o primeiro músico latino a penetrar no mercado de música de língua inglesa, abrindo caminho para outros após ele.
 
 
  
 

Moby celebra hoje sessenta anos...!

    
Richard Melville Hall (Nova Iorque, 11 de setembro de 1965) mais conhecido pelo seu nome artístico Moby, é um cantor, músico, DJ e fotógrafo dos Estados Unidos. É conhecido por singles como "Flower", "Go", "Porcelain", "South Side" (com Gwen Stefani), "We Are All Made of Stars", "Why does my heart feel so bad" e "Lift Me Up". Já lançou outros trabalhos sob nome Voodoo Child, Barracuda, UHF, The Brotherhood, DJ Cake, Lopez e Brainstorm/Mindstorm.
Moby toca teclados, guitarra e baixo. O seu nome artístico deriva do título da obra Moby Dick, de Herman Melville, que foi seu ancestral. Declarou-se vegan e participa ativamente de campanhas para sensibilizar as pessoas pela libertação animal.
    
 

terça-feira, setembro 09, 2025

Leão Tolstói nasceu há 197 anos...

Tolstói vestido como camponês - Ilya Repin (1901)
  

Lev Nikolaevitch Tolstoi, mais conhecido em português como Leão, Leon, Leo ou Liev Tolstói (Tula, 9 de setembro de 1828 – Astapovo, 20 de novembro de 1910), foi um escritor russo, amplamente reconhecido como um dos maiores de todos os tempos.

Nascido em 1828, numa família aristocrática, Tolstói é conhecido pelos romances Guerra e Paz (1869) e Anna Karenina (1877), muitas vezes citados como verdadeiros pináculos da ficção realista. Ele alcançou aclamação literária ainda jovem, primeiramente com sua trilogia semi-autobiográfica, Infância, Adolescência e Juventude (1852-1856) e por suas Crónicas de Sebastopol (1855), obra que teve como base as suas experiências na Guerra da Crimeia. A ficção de Tolstói inclui dezenas de histórias curtas e várias novelas como A Morte de Ivan Ilitch (1886), Felicidade Conjugal (1859) e Hadji Murad (1912). Ele também escreveu algumas peças e diversos ensaios filosóficos.

Durante a década de 1870, Tolstói experimentou uma profunda crise moral, seguida do que ele considerou um despertar espiritual igualmente profundo, conforme descrito em seu trabalho não-ficcional A Confissão (1882). A sua interpretação literal dos ensinamentos éticos de Jesus, centrada no Sermão da Montanha, fez com que ele se tornasse um fervoroso anarquista cristão e pacifista. As ideias de Tolstói sobre resistência não-violenta, expressadas em obras como O Reino de Deus está dentro de vós (1894), teriam um impacto profundo em figuras centrais do século XX como Ludwig Wittgenstein, William Jennings Bryan e Gandhi. Tolstói também se tornou um defensor dedicado do georgismo, filosofia económica de Henry George, incorporada em sua obra intelectual, sobretudo no seu último romance Ressurreição (1899).  

 

    

Hoje é dia de recordar António Sardinha...

 Imagem

António Sardinha, 1887-1925

 

MEMÓRIA

Meu coração de lusitano antigo
bateu às portas de Toledo, a estranha.
Mais roto e ensanguentado que um mendigo.
só a saudade as passos lhe acompanha.

Pois a saudade ali me deu abrigo.
ao pé do Tejo que a Toledo banha.
Levava os dias a falar comigo,
como um pastor com outro na montanha.

Em todo o mundo há terra portuguesa,
desde que a alma a tenha na lembrança
e a sirva sempre com fervor igual.

Talvez por isso, em horas de tristeza,
eu pude à sua amada semelhança
criar pra mim um novo Portugal!




in
Na Corte da Saudade (1922) - António Sardinha

Champignon morreu há doze anos...

      
Champignon, nome artístico de Luiz Carlos Leão Duarte Junior (Santos, 16 de junho de 1978 - São Paulo, 9 de setembro de 2013), foi um baixista, beatboxer e vocalista brasileiro, da banda santista Charlie Brown Jr.
Foi eleito, três vezes consecutivas, o melhor baixista no VMB da MTV e venceu por duas vezes o prémio de melhor instrumentista no Prémio Multishow.
Para o crítico musical Hagamenon Brito, Champignon foi, ao lado de PJ (do Jota Quest) e Alexandre Dengue (Nação Zumbi), um dos três melhores baixistas do pop rock brasileiro dos anos 90.
   
(...)
   
Na noite de 8 de setembro de 2013, Champignon foi a um restaurante com sua esposa, grávida de cinco meses. Após retornarem a casa, por volta de 00.30 UTC-3, o músico foi para o quarto onde ficavam guardados os seus instrumentos e cometeu suicídio, com uma arma de fogo. A sua esposa, após ouvir o estampido, foi ao quarto e encontrou o corpo do músico caído ao chão, com um ferimento do lado direito da cabeça, disparado por uma pistola 380. Segundo depoimentos na delegacia que acompanhou o caso, o músico e sua esposa teriam discutido no restaurante. Ela entrou em estado de choque e os vizinhos, ao ouvirem o barulho e os gritos vindos do 10º andar do prédio em que moravam, chamaram a Polícia. Uma equipe do SAMU ainda chegou a ser chamada ao local. O caso foi investigado pela 89º Delegacia de Polícia local.
Champignon tinha 35 anos e tirou a própria vida seis meses após Chorão - o seu companheiro na banda Charlie Brown Jr. - ter morrido de overdose, e quatro meses após Peu Sousa - seu companheiro na Nove Mil Anjos - cometer suicídio, aos 35 anos.
Um dia antes de ser encontrado morto, uma imagem colada no mural da sua página no Facebook atordoou Champignon: uma montagem feita em computador aplicava a palavra "Judas" no peito do músico.
Peri Carpigiani, vocalista da extinta banda Nove Mil Anjos, credita o stress causado pela morte de Chorão (ex-parceiro e amigo de infância), o julgamento do público e o medo de não conseguir dar sequência a um novo trabalho como os fatores que empurraram o baixista para a morte. A viúva de Champignon pensa o mesmo. Em entrevista dada a revista Marie Claire, um ano após a morte do músico, ela afirmou que "ele vivia nervoso e sentia vergonha de andar na rua por causa dos maus tratos que sofria em público", e disse acreditar que "se Chorão e Champignon se tivessem perdoado para valer, tudo seria diferente". 
    
 

Morreu Rick Davies, o vocalista e teclista dos Supertramp...

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Richard "Rick" Davies (Swindon, Wiltshire, Inglaterra, 22 de julho de 1944 - Long Island, Nova Iorque, 6 de setembro de 2025) foi um músico inglês, mais conhecido como co-fundador, vocalista e teclista da banda de rock progressivo Supertramp. Davies foi o único membro do Supertramp a fazer parte do grupo por toda a sua história, e compôs muitas de suas canções de sucesso, como "Goodbye Stranger", "Bloody Well Right", "My Kind of Lady", "Cannonball" e “Free As A Bird”. Os seus traços marcantes são as composições com influências de blues e jazz e as letras ácidas e românticas. 

 

in Wikipédia

 

O Teixeira nasceu há 99 anos...

 

TEIXEIRA, UM FUTRICA ESTUDANTE! 

 
I
Quem não se lembra do Teixeira? – Ó ‘tor, tem aí um cigarro? – Não fumo, pá! – Umm… ó ‘tor, então paga-me um fino e uma sandes?
Figura bizarra, fisicamente distorcida, um misto de homem e criança… conheci-o na década de 50, era eu bicho no D. João III – hoje José Falcão. Nessa altura ele engraxava numa barbearia que ficava no 13 da Tenente Valadim, um pouco à frente do quiosque que faz esquina com a Praça da República. O corte de cabelo ficava em 4$00, mais 5 tostões de gorjeta e outro tanto para o Teixeira engraxar, ou seja, com 5 mil reis estava a festa feita.
O Teixeira, que décadas mais tarde viria ser conhecido por “Taxeira”, andaria nessa altura pelos 30 anos mas a sua figura pouco se modificou depois disso. É que o tempo ia passando... e o Teixeira não. As gerações de estudantes foram deslizando à sua frente, à razão de duas por década, mas o Teixeira era sempre o mesmo, ainda que a imagem que ele de nós via se lhe fosse toldando na retina, à medida que a sua imagem em nós tão nítida permanecia.
Estou a vê-lo agora na barbearia! De fato-macaco azul, sentado à minha frente sobre a caixa da ferramenta, por certo em terceira mão e com a madeira surrada do castanho e preto da graxa. Cabelo farto, de poupa à Elvis, barba de uma semana – santos de casa não fazem milagres... – cigarro encharcado ao canto da boca – "Provisórios"? "Definitivos"? "20-20-20"? Talvez “Kentuky”, que a cigarro dado não se olha a marca… – uma perna encolhida, outra estendida na minha direção. Penso que nessa altura não usava ainda sapatilhas.
Ao que me lembre, era um pouco trapalhão na sua arte: punha a graxa com os dedos, deixava que a dita lambesse as meias do cliente e julgo que, de quando em vez, cuspia no pano para melhor fazer correr o lustro. Olhar ausente, resmungava as últimas da Académica nos raros intervalos que o barbeiro deixava para intervenções alheias. Às vezes zarpava da barbearia sem aviso, para exaspero do António, o qual acumulava as funções de barbeiro com as de patrão e contava com o Teixeira para combater a concorrência da barbearia da porta mesmo abaixo, onde o Carlos lhe disputava a clientela.

 
Mas o Teixeira, não dava a sensação de ter um gosto especial pela profissão de engraxador, o que só lhe creditava sabedoria. Do que ele gostava mesmo era de ir com a malta! Ir nas latadas, saltar para arena na garraiada, posar em tudo o que fosse fotografia de curso, rasganço ou cortejo da Queima, viver na crava pelas Repúblicas e cafés, apregoar o Ponney e a Via Latina com a sua voz roufenha, conviver de igual para igual com os da sua classe: os estudantes!
E a malta, que na sua irreverência juvenil tantas vezes é cruel para as figuras bizarras da sociedade, a malta brincava com ele mas não o gozava ou, se o fazia, era com o carinho com que se trata um irmão mais novo. Alguém me contou que o Teixeira sabia dois poemas de cor e os recitava (à sua maneira…), a pedido e em cima dum banco; mas só o fazia depois de se certificar de que não andassem futricas por perto. Afinal, ele tinha sido um dia proclamado “Quartanista de Medicina honoris causa” e tratava os caloiros por tu, como conta Reis Torgal no seu Coimbra – Boémia da Saudade. Brincar com a família, sim! Mas nunca na presença de estranhos…
Muita gente tem estórias do Teixeira para contar, desde a ida ao casino da Figueira, de fraque e anel de brasão no dedo, onde só terá sido desmascarado por querer oferecer um pirolito a uma requintada senhora, até ao telefonema que terá feito ao Reitor da Universidade a pedir satisfações, aquando da crise de 69. A última que li foi-me descrita por um amigo [1] nestes termos: «… Foram com ele a Barcelona (Clínica Barraquer), estava ele quase cego. Recusou-se a ir de avião, por lhe provocar imenso medo essa ideia. Disseram-lhe que iriam de camioneta. Pois a cegueira dele era tal que ele embarcou no avião e, durante a viagem, dizia que as estradas espanholas eram maravilhosas, pois o autocarro não fazia ruídos nenhuns. Enfim, a Academia tratava sempre bem as suas "figuras"!»
  
  
E tratava… o melhor que podia: dava-lhe abrigo – num torreão (antiga bilheteira) do campo de Santa Cruz, tendo o Zé Freixo e Belmiro por anfitriões – até que um dia lhe fizeram mesmo uma casa de verdade! Dava-lhe de comer nas Repúblicas e cantinas, dava-lhe cigarros, tratava-lhe da cegueira e outros achaques, sentava-o à mesa do café, apaparicava-o… e até tinha lugar cativo no autocarro da Briosa!
Só há alguns anos, lendo o livro de Reis Torgal e pedindo informações a amigos, soube o seu verdadeiro nome. Chamava-se Raúl dos Reis Carvalheira. O nome Teixeira foi-lhe posto por ser sósia dum interior esquerdo do Benfica – Teixeira de seu nome – que a malta odiava, por ter deixado os dentes marcados na barriga do Faustino, half-centro da Académica, por volta de 1940. Desde que as parecenças foram descobertas, passaram a chamar Teixeira ao Raúl, que começava a aparecer nas latadas; quanto ao verdadeiro Teixeira, o do Benfica, passou a Academia a chamar-lhe "Cão", por razões que bem se entendem.
O Teixeira nasceu em Torres do Mondego, que na altura ainda era freguesia de Santo António dos Olivais, em 09/09/1926, tendo falecido em Coimbra, na Casa dos Pobres, na Rua Adelino Veiga, em 29/02/2000.
A última vez que o vi foi já há muitos anos. Achei-o feliz. Uma espécie de lenda viva, muito acarinhado, muito cegueta e, talvez por isso, pairando um pouco acima do quotidiano. Que se passou desde então? Como viveu os últimos anos? Como morreu? Não sei. Mas admito que tenha sido em paz. Quem tinha uma família do tamanho da Academia não se deve ter sentido sozinho.
 
II
 
A origem do nome Teixeira está explicada mais acima. Porém, a partir de determinada altura na década de 80, o Teixeira passou a ser igualmente conhecido por “Taxeira”, ao que se supõe, devido «à taxa que se encarregava de cobrar através do apelo: “moedinha, ó sócio”» [2] . No início dos anos 90, os dois nomes ainda coexistiam; mas quando falamos com estudantes que chegaram a Coimbra mais tarde, verificamos que estes já só retiveram o nome “Taxeira” [3].
E foi “Taxeira” que ficou registado na placa que se encontra à entrada de uma pequena rua transversal à Rua de Aveiro, já que em 2007 a edilidade de Coimbra resolveu atribuir o nome de uma rua da cidade à memória desta ilustre figura, cuja última profissão conhecida foi a de ardina. [4]
   
  
Mas quem era, afinal, o verdadeiro Teixeira, o do Benfica, o tal que em Coimbra ganhou a alcunha de “Cão”? Ouçamos, então o contraditório, pela pena do blogue Glórias do Passado, de cuja extensa biografia aqui transcrevo apenas um curto extrato [5]:
«O popular “Semilhas”, “Gasogéneo” ou “Marreco” foi um dos mais emblemáticos e categorizados futebolistas portugueses da década de 40, essencialmente, envergando, com êxito, as cores do SL Benfica, do Vitoria SC e também de Portugal, tornando-se mesmo, no primeiro jogador açoriano a representar as Seleção Nacional. Natural da Horta, Ilha do Faial, nos Açores, Joaquim Teixeira, o seu verdadeiro nome, nasceu no dia 18 de Março de 1917.» Era, portanto, quase dez anos mais velho que o seu sósia, o nosso Teixeira.
A Parte I desta crónica foi escrita em 2/3/2011, sob o título “TAXEIRA”, UM FUTRICA ESTUDANTE. Posteriormente, entendi ser mais adequado alterar o título para TEIXEIRA, UM FUTRICA ESTUDANTE, como forma de não contribuir para o esquecimento da alcunha original do nosso “Quartanista de Medicina honoris causa”. Para além disso, foram surgindo novas informações que me pareceu interessante acrescentar a uma página que, segundo as estatísticas do blogue, continua a ser razoavelmente visitada.
Foi por essas razões que, ao texto inicial, acrescentei agora a Parte II e reeditei a crónica.


Post Scriptum
 
  
Há alguns anos atrás, fui até Coimbra e lembrei-me de revisitar o 13 da Tenente Valadim, curioso de rever a velha barbearia ou o que dela restasse. Queria bisbilhotar, saber quem por lá estaria, se o estabelecimento ainda mexia, se teria mudado de ramo… De facto, tudo deveria estar diferente e eu só esperava poder entrar ou, mesmo ficando à porta, antever a cadeira de barbeiro do António e imaginar o Teixeira engraxando na parte de trás, no enfiamento da janela, enquanto, na porta mais abaixo, o outro barbeiro, o Carlos, procurava afanosamente combater a concorrência da barbearia onde o Teixeira engraxava.
Razão tinha quem dizia que nunca devemos voltar aos sítios onde fomos felizes!...
Zé Veloso
 
[1] Francisco José Carvalho Domingues.
[2] Conforme folheto referente ao descerramento da placa toponímica e dados biográficos da reunião da Comissão de Toponímia, de 14 de maio de 2007.
[3] Estes intervalos de tempo resultam das respostas obtidas num inquérito que fiz aos membros do grupo do Facebook "Penedo d@ Saudade - TERTÚLIA"
[4] Para localização da rua, vide Google Maps:
[5] http://gloriasdopassado.blogspot.pt/2011/01/joaquim-teixeira.html
As fotografias onde aparece o Teixeira pertencem ao Arquivo Formidável da IMAGOTECA – Biblioteca Municipal de Coimbra – e foram cedidas exclusivamente para ser utilizadas no Penedo d@ Saudade, não podendo ser cedidas a outrem sem a devida autorização.
A fotografia de Joaquim Teixeira, que chegou a ser o melhor marcador do Benfica na época de 1944/45, foi obtida do blogue Glórias do Passado.
As restantes fotos foram obtidas pelo autor deste blogue.

in Penedo d@ Saudade

Otis Redding nasceu há oitenta e quatro anos...

      
Otis Redding (Dawson, Geórgia, 9 de setembro de 1941 - Madison, Wisconsin, 10 de dezembro de 1967) foi um cantor de soul norte-americano conhecido pelo seu estilo e pelo sucesso póstumo "(Sittin' On) the Dock of the Bay". Foi considerado, pela revista Rolling Stone, o 8° maior cantor e o 21° maior artista de todos os tempos.
Otis Redding nasceu na pequena cidade de Dawson, Geórgia. Quando tinha cinco anos, a sua família mudou para Macon, também na Geórgia, onde Otis começou a cantar no coral de uma igreja e, na adolescência, ganhou o show de talentos do "Douglass Theatre" durante 15 semanas consecutivas. A sua primeira influência musical foi Little Richard, que também havia morado em Macon. Ainda na adolescência resolveu sair da cidade, dizendo que se aquele não tinha sido o lugar para Little Richard, não seria o lugar para ele também.
Em 1960, Otis Redding começou uma turnê pelo sul dos Estados Unidos com Johnny Jenkins and the Pinetoppers. Além de cantar, Otis trabalhava como motorista de Jenkins. No mesmo ano fez as suas primeiras gravações, "Fat Gal" e "Shout Bamalama", com seu grupo com o nome "Otis Redding and the Pinetoppers", lançado pelos selos musicais "Confederate" e "Orbit".
Em 1962 fez a sua primeira marca no mundo da música, durante uma sessão de Johnny Jenkins, quando o estúdio ficou vago, ele gravou "These Arms of Mine", uma balada de sua autoria. A música virou um pequeno hit pela "Volt Records", uma subsidiária do famoso selo sulista Stax Records, que tinha sede em Memphis, Tennessee.
Redding compunha a maioria das suas músicas, prática não muito comum na época, às vezes em parceria com Steve Cropper (do grupo Booker T. & the MG's). Em julho de 1967 ele apresentou-se no influente Festival Pop de Monterey.
A música "(Sittin' On) the Dock of the Bay" tornou-se famosa um ano depois da morte de Redding, num acidente de avião no Wisconsin, juntamente com a sua banda de apoio, The Bar-Kays.
    
 

David A. Stewart, músico dos , celebra hoje setenta e três anos

      
David Allan Stewart (Sunderland, 9 de setembro de 1952), é um músico britânico, conhecido pelo seu trabalho nos Eurythmics.
   
Biografia
Nascido em 8 de setembro de 1952, em Sunderland, Dave entrou no mundo musical literalmente por acidente. Tudo aconteceu aos 13 anos, após sofrer uma grave contusão jogando futebol. Dave era um excelente jogador, tendo jogado em algumas seleções inglesas menores e durante a sua convalescença recebeu uma guitarra para passar o tempo. Após montar um grupo, The Longdancer, Dave acabou encontrando Annie Lennox e resolveram morar juntos.
O começo foi bem difícil e eles aproveitavam qualquer chance que tinham para entrar num estúdio e ensaiarem as suas canções. Dave e seu colega Peet Combies procuravam um selo e só conseguiram quando apresentaram Annie.
O resultado foi o nascimento do grupo The Catch que lançou apenas um compacto - Borderline - antes de fracassarem terrivelmente. E o grupo foi abandonado pelo selo quando o trio adicionou Jim Tooney e Eddie Chin a sua formação.
O quinteto acabou mudando de nome; eram agora The Tourists. E a banda começou a ganhar alguns fãs. A mistura punk e pop, além da produção do legendário produtor alemão Conny Plank (trabalhou, entre outros, com os Kraftwerk) fez a banda crescer em palco e até fizeram um tour ao lado dos Roxy Music.
O grupo lançou três discos em dois anos - The Tourists (1979); Reality Effect (1979) e Luminous Basement (1980) e conseguiu um grande sucesso com o cover de um clássico de Dusty Springfield - "I Only Want To Be With You", do segundo disco, Reality Effect, que chegou a conseguir disco de platina.
Apesar do sucesso, Dave e Annie nunca gostaram muito do grupo ou do formato de banda de rock e resolveram acabar com a banda após cinco compactos e muitas disputas internas, em 1981. Depois de abandonarem a Logo Records, foram para a RCA e resolveram mudar para a Alemanha onde, mais uma vez, iriam trabalhar com Conny Plank.
Com ele, começaram a produzir algumas demos. A primeira providência adotada por Dave e Annie era de jamais trabalharem novamente com um grupo. A partir de agora, seriam apenas os dois. Para isso, escolheram um nome diferente: Eurythmics. O nome foi tirado de uma dança grega que Annie aprendeu quando criança e Dave vendeu à RCA que o nome tinha a ver com elementos "europeus e rítmicos". Mesmo sem convencerem a gravadora, adotaram o nome.

 

Pieter Brueghel (o Velho) morreu há 456 anos

Suposto auto-retrato (circa 1565)
 
Pieter Brueghel, "O Velho" (Breda, 1525/1530 - Bruxelas, 9 de setembro de 1569)  foi o artista mais importante da pintura renascentista flamenga e brabantina, um pintor e gravurista da região de Brabante, conhecido por suas retratações de paisagens e cenas camponesas (a chamada pintura de género); foi também o primeiro pioneiro que optou em fazer as duas modalidades o foco em suas pinturas de destaque.

Ele foi inicialmente uma influência formativa da chamada "Era de Ouro" da pintura holandesa, voltando-se depois para pinturas em geral, frequentemente com escolhas inovadoras de temas. Emergiu numa das primeiras gerações de artistas a crescer quando a retratação religiosa deixara de ser matéria recorrente na pintura. Bruegel também não pintou retratos, ainda que eles representassem um pilar da arte neerlandesa da época. Após treinamento e inúmeras viagens para a Itália, o pintor retornou em 1555 para se estabelecer na Antuérpia, onde trabalhou principalmente como desenhista prolífico de gravuras para as publicações diárias. Foi somente no final da década que o artista passou a fazer da pintura sua atividade principal; todos os seus trabalhos famosos vêm do período seguinte de pouco mais de uma década, que antecedeu sua morte prematura no auge de suas habilidades, por volta de 44 anos.

Além de olhar para frente, sua obra revigora temas medievais, como a retratação da vida quotidiana pelo estilo grotesco em meio a manuscritos de iluminura e as cenas estacionais de trabalhos agrícolas, sempre estabelecidas em contextos paisagísticos e colocadas em uma escala muito maior que as obras medievais, tudo por meio da custosa pintura a óleo. Ele faz o mesmo com o mundo fantástico e anárquico desenvolvido em gravuras e ilustrações de livros da Renascença.

Ele é por vezes referido como "Bruegel Camponês", para distingui-lo dos muitos pintores posteriores de sua família, incluindo seu filho Pieter Brueghel, o Jovem (1564-1638), ou alegadamente por ter tido o hábito se vestir como camponês, uma forma de se misturar com o resto da população em casamentos e outras celebrações, com o intuito de se inspirar para as suas obras. A partir de 1559, ele abandonou o 'h' de seu nome e passou a assinar suas pinturas como Bruegel; os seus familiares continuaram a usar "Brueghel" ou "Breughel", diferente de seus filhos.

 
(...)
  
Retratava a vida e costumes dos camponeses, a sua terra, uma vívida descrição dos rituais da aldeia, da vida, incluindo agricultura, caça, refeições, festas, danças e jogos. As suas paisagens de inverno de 1565 (por exemplo "Caçadores na Neve") são tomadas como provas corroborativas da gravidade dos invernos durante a Pequena Era Glacial.
Utilizando abundante sátira e força, criou algumas das primeiras imagens de protesto social na história da arte. Exemplos incluem pinturas como "A luta entre Carnaval e Quaresma" (uma sátira dos conflitos da Reforma).
 
 Torre de Babel Museu de História da Arte em Viena

  
Os caçadores na neve (1565)
    

António Sardinha nasceu há 138 anos...

   
António Maria de Sousa Sardinha (Monforte, 9 de setembro de 1887 - Elvas, 10 de janeiro de 1925) foi um político, historiador e poeta português. Destacou-se como ensaísta, polemista e doutrinador, produzindo uma obra que se afirmou como a principal referência doutrinária do Integralismo Lusitano. A sua defesa pela instauração de uma monarquia tradicional - orgânica, antiparlamentar ou anticonstitucional e antiliberal - serviu de inspiração a uma influente corrente do pensamento político português da primeira metade do século XX. Apesar de ter falecido prematuramente, conseguiu afirmar-se como referência incontornável para os monárquicos que recusaram condescender com o salazarismo.
Como monárquico e patriota que era, dizia:
Nós não somos patriotas por sermos monárquicos. Somos antes monárquicos por sermos patriotas.
Os seus principais inspiradores, ou “pais espirituais”, de acordo com o pensador e político espanhol Ramiro de Maeztu, foram Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Fialho d´Almeida e, “um pouco mais atrás”, Oliveira Martins, Antero de Quental e Camilo Castelo Branco, todos eles “patriotas, tão saturados da grandeza do Reino de Portugal no passado como desesperados de sua pequenez contemporânea”.

 

 

 VELHO MOTIVO

  
   
Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela...
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!
   
O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!
   
E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!
   
Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!

     
    

in Chuva da Tarde (1923) - António Sardinha

Toulouse-Lautrec morreu há cento e vinte e quatro anos...


Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa (Albi, 24 de novembro de 1864 - Saint-André-du-Bois, 9 de setembro de 1901) foi um pintor pós-impressionista e litógrafo francês, conhecido por pintar a vida boémia de Paris do final do século XIX. Sendo ele mesmo um boémio, faleceu precocemente, aos 36 anos, de sífilis e alcoolismo. Trabalhou por menos de vinte anos mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e quantidade de suas obras, como também no que se refere à popularização e comercialização da arte. Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau.
  
 

Baile no Moulin Rouge - 1890 - óleo sobre tela


Condessa Adèle de Toulouse-Lautrec, no desjejum
       
La reine de joie (1892)