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quinta-feira, abril 16, 2026

Sugestão para Leiria - um recital diferente para celebrar o Dia Mundial da Voz...

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Recital Dia Mundial da Voz

Teatro Miguel Franco (LEIRIA) - 16.04.26 - 19.30 horas

Canções Pagãs, álbum lançado em 2016 por Nuno Dias e Luís Figueiredo, chega agora em formato recital como homenagem ao cancioneiro de Luiz Goes, figura central da Canção de Coimbra. Reinterpretando 16 faixas gravadas entre 1967 e 1971, o projeto adota uma abordagem erudita e minimalista, retirando as composições do contexto tradicional da guitarra de Coimbra para as transformar em autênticas canções de câmara.

 

Programa:

Canções Pagãs, Nuno Dias

 

Biografias:

Nuno Afonso Dias é licenciado em canto pela Universidade de Aveiro, na classe da professora Isabel Alcobia. Foi Docente Assistente nesta Universidade no ano letivo 2013/14. Desenvolveu os seus estudos com Alan Watt, Tom Krause e Michael Rhodes. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para o projeto enoa (European Network of Opera Academies). Fez parte da Academia de Ópera do Festival de Verbier, onde trabalhou com Barbara Bonney, Claudio Desderi, Tomas Quastoff e Tim Caroll, tendo-se destacado com o Prémio Jovem Promessa Thierry Marmod.

Como solista, tem-se apresentado em concerto com diversas orquestras nacionais e internacionais, cantando obras de referência do repertório coral-sinfónico. No domínio da ópera interpretou, no Teatro Nacional de São Carlos, ao longo das últimas temporadas, diversos personagens do repertório lírico, abrangendo obras de compositores consagrados como Puccini, Donizetti, Rossini ou Bizet, entre outros. Do seu repertório, que interpretou em palcos nacionais e internacionais, fazem também parte compositores como Verdi, Mozart, Busoni, Stravinsky ou Britten.

Da discografia de Nuno Dias destaca-se o disco Canções Pagãs, inteiramente dedicado ao cancioneiro de Luiz Goes, trabalho esse que foi reconhecido como de Utilidade Cultural pelo Ministério da Cultura. Foi cantor residente no Stadttheater Bern, na Suíça, durante a temporada 2014/15.

 

Luis Figueiredo iniciou os estudos musicais com 8 anos. Depois de dois anos de aulas particulares de Piano, em 1989 ingressou no Conservatório de Música de Coimbra, onde completou o curso de Piano.

Em 2005 concluiu a Licenciatura em Piano na Universidade de Aveiro, estudando com Vitali Dotsenko, Fausto Neves, António Chagas Rosa, Vasco Negreiros, entre outros. No mesmo ano, estudou no Hot Clube de Portugal em Lisboa com Filipe Melo, Bernardo Moreira, Ricardo Pinheiro e Bruno Santos. Em 2016 concluiu o Doutoramento em Música na Universidade de Aveiro, sob orientação de Susana Sardo e Mário Laginha. Durante este período, frequentou diversas classes de aperfeiçoamento e workshops com Álvaro Teixeira Lopes, Andrezej Pikul, Roy Howatt, Liv Glaser, Mário Laginha, Valery Starodubrovsky, Dave Liebman e Hervé N’Kaoua, entre inúmeros outros.

Participou também em diversos eventos científicos nas áreas da performance musical e musicologia, tais como Congresso SIBE – Sociedade Ibérica de Etnomusicologia (Salamanca e Lisboa), Rhythm Changes International Jazz Conference (Amesterdão), Leeds International Jazz Conference (Reino Unido), Jazz Talks – Aveiro International Jazz Conference, ENIM – Encontros Nacionais de Investigação em Música (Portugal, várias localidades), Post-ip Post in Progress (Aveiro, Portugal).

Foi convidado como orador em variadas ocasiões, incluindo o evento TED (Aveiro), Escola Superior de Educação de Coimbra (Fórum das Artes e Tecnologias), Congresso EPTA – European Piano Teachers Association (Portugal), Academia de Música de Castelo de Paiva, Academia de Música de Torre de Moncorvo, Conservatório de Música de Coimbra, entre vários outros.

Entre 2005 e 2015, lecionou em instituições como o Conservatório de Música de Coimbra, o Conservatório de Música da Jobra, o Conservatório de Música de S. José da Guarda e a Tone Music School, em Coimbra. Pontualmente orientou masterclasses e workshops nas áreas da música erudita, do jazz e da composição em inúmeras instituições em Portugal e também fora do país.

Entre 2011 e 2019 desempenhou funções nos Mestrados em Música e Ensino de Música na Universidade de Aveiro, sendo coordenador da variante de jazz e vice-diretor do Mestrado em Música, e leccionando as disciplinas de piano, música de câmara, combo, composição e jazz studies.

Luís Figueiredo está ativo profissionalmente desde 2004 nas áreas da performance de música escrita e improvisada, da composição e arranjo, e da produção e direção musical. Editou o seu primeiro álbum como líder em 2010 (Manhã, JACC Records). Desde então, assinou participações em cerca de 30 edições discográficas.

Trabalhou e/ou gravou com Cristina Branco, Bruno Pedroso, Carlos Bica, André Fernandes, Luísa Sobral, Alexandre Frazão, Reinier Baas, João Moreira, Ana Bacalhau, Mário Delgado, Bernardo Moreira, David Binney, João Hasselberg, Perico Sambeat, Mário Laginha, Marta Hugon, Ricardo Toscano, Eduardo Raon, Rita Maria, Diogo Duque, Márcia, Mário Franco, Diabo na Cruz, Carlos Barretto, Jorge Moniz, Gisela João e Jeffery Davis, entre vários outros.

Trabalhou com a Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra Metropolitana, Orquestra Clássica do Sul, Orquestra XXI, Hr Frankfurt Rundfunk Big Band (DE), Het Gelders Orkester (NL), para além de vários ensembles de música de câmara, sob a direção de Cesário Costa, Dinis Sousa, Jamie Philips, Rui Pinheiro e António Lourenço.

Na sua agenda registam-se concertos, masterclasses e residências artísticas em inúmeros países, como Espanha, França, Alemanha, Áustria, Luxemburgo, Holanda, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Sérvia, Grécia, Turquia, México, Marrocos e Brasil.

Desde 2008, tem colaborado em várias produções de teatro e cinema, como compositor, intérprete ou diretor musical. Neste âmbito, trabalhou com Tiago Cravidão, O Teatrão (Coimbra), Sandra Barata Belo, Patrícia André e Teatro Praga (Lisboa).

Luís Figueiredo foi o arranjador da canção vencedora do Festival Eurovisão da Canção 2017, “Amar Pelos Dois” (autoria: Luísa Sobral), e foi também o compositor da banda sonora original da edição de 2018 do mesmo festival.

 

sexta-feira, abril 03, 2026

Música para recordar uma hora triste...

 

Luiz Goes - No calvário
Letra - Fausto José 
Música - D. José Paes de Almeida e Silva 
Carlos Paredes (guitarra) e João Figueiredo Gomes (viola) 

 
Passada a hora enorme da agonia, 
A sombra invade os descampados nus; 
De dor soluça agreste a ventania; 
No céu nem uma estrela tremeluz! 

Como um corvo sinistro que descia, 
Fez-se mais negra a treva sobre a cruz 
A que se abraça, pálida, Maria, 
Chorando de olhos postos em Jesus. 

E a Virgem disse então banhada em pranto; 
"Dai-me sequer um pobrezinho manto 
Para nele meu filho amortalhar!" 

Ergueu-se a Lua triste pelo espaço, 
E desdobrou, serena, do regaço, 
O alvinitente manto do luar!

...para recordar um estudante de Coimbra...

 

Fado Hilário

  

A minha capa velhinha

É da cor da noite escura

A minha capa velhinha

É da cor da noite escura

Nela quero amortalhar-me

Quando for para a sepultura

Nela quero amortalhar-me

Quando for para a sepultura

       

Ela há de contar aos vermes

Já que eu não posso falar

Ela há de contar aos vermes

Já que eu não posso falar

Segredos luarizados

Da minha alma a soluçar

        

Eu quero que o meu caixão

Tenha uma forma bizarra

Eu quero que o meu caixão

Tenha uma forma bizarra

A forma de um coração

A forma de uma guitarra

A forma de um coração

A forma de uma guitarra

sábado, março 21, 2026

Música para recordar que andam pela terra os poetas...

 

Andam pela terra os poetas - Luiz Goes
Letra: Carlos Carranca; Música: João Moura

 

Andam p'la terra os poetas,
Dizem que são de ficar
Dizem que são de ficar
São como filhos das ervas.

Andam p'la terra os poetas,
Vivem da luz do luar
Crescem ao som das estrelas
Vivem da luz do luar.
Crescem ao som das estrelas
Vivem da luz do luar.
.
Andam p'la terra os poetas,
Numa canção de embalar
Numa canção de embalar
Moram na brisa das velas.

Andam p'la terra os poetas,
Nas ondas altas do mar
Andam p'la terra os poetas
Nas ondas altas do mar.
Andam p'la terra os poetas
Nas ondas altas do mar.

quarta-feira, março 18, 2026

Hoje é dia de recordar um Poeta, cuja alma perdura numa amada Torre de Coimbra...

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A Torre de Anto, primitivamente denominada como Torre do Prior do Ameal, e atualmente como Casa do Artesanato ou Núcleo Museológico da Memória da Escrita, localiza-se na antiga freguesia de Almedina, concelho de Coimbra, distrito de Coimbra, em Portugal.
Encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo IPPAR desde 1935.
    
História
Trata-se de uma antiga torre, integrante da cerca medieval da cidade, aproximadamente a meio da maior de suas encostas, sobranceira ao rio Mondego. Como outras torres daquela cerca, perdida a sua função defensiva, foi transformada em unidade habitacional na primeira metade do século XVI. Data deste período a a sua designação como Torre do Prior do Ameal, assim como a sua atual aparência, com alterações menores posteriores.
Esta torre celebrizou-se por ter sido a residência do poeta António Pereira Nobre (1867-1900), quando estudante, no final do século XIX. Daí deriva o nome pelo qual é melhor conhecida hoje, conforme o verso, em uma placa epigráfica, na sua fachada:
"O poeta aqui viveu no oiro do seu Sonho
Por isso a Torre esguia o nome veio d'Anto
Legenda d'Alma Só e coração tristonho
Que poetas ungiu na graça do seu pranto"
  
Uma segunda placa epigráfica na mesma fachada esclarece ainda:
"Esta Torre de Anto foi assim chamada por António Nobre, o grande poeta do , que nela morou e a cantou nos seus versos. E habitou-a mais tarde Alberto d'Oliveira, ilustre escritor e diplomata, o grande amigo de António Nobre e da Coimbra amada."
  
O Paço de Sobre-Ribas, vizinho à Torre de Anto, também incorpora parte da antiga cerca da cidade.
    
Características
De pequenas dimensões, apresenta planta quadrangular, com quatro pavimentos interligados entre si por uma escada em caracol. A sua cobertura é em telhado de quatro águas.
     
 

segunda-feira, março 16, 2026

Luiz Goes canta António Botto...

 

O Meu Fado - Luiz Goes

Música: Armando do Carmo Goes
Letra: António Tomás Botto

 

Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo,
Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

Tem quatro letras apenas
A triste palavra amor,
Menos uma do que a morte,
Mas mais uma do que a dor.

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Hoje é dia de celebrar umas asas brancas...

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As Minhas Asas

 

Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

- Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
- Veio a ambição, coas grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.

Cegou-me essas luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

- Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.

 

Almeida Garrett

 

Com base no poema do imortal Almeida Garrett, são essas mesmas asas que Coimbra (e a sua música e academia) glosou e cantou, a sua e minha alma mater, na voz, também imortal, de outro ex-aluno da nossa Universidade, Luiz Goes:

 

 

Asas brancas  - Luiz Goes
Letra e Música: Afonso de Sousa

 

Quando era pequenino a desventura
Trazia-me saudoso e triste o rosto,
Assim como quem sofre algum desgosto,
Assim como quem chora de amargura.

Um anjo de asas brancas muito finas,
Sabendo-me infeliz mas inocente,
Cedeu-me as suas asas pequeninas,
Para me ver voar e ser contente.

E as asas de criança, meu tesoiro,
Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...
Tão brandas, tão macias - penas de oiro -
Tão leves como a aragem... como eu!

Cresci. Cresceram culpas juntamente,
Já grandes são as mágoas mais pequenas!
As asas brancas vão-se... e ficam penas!
Não mais voei ao céu nem fui contente

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Hoje é dia de ouvir fado de Coimbra...

Luiz Goes nasceu há noventa e três anos...

(imagem daqui)


Luís Fernando de Sousa Pires de Goes (Coimbra, 5 de janeiro de 1933 - Mafra, 18 de setembro de 2012) foi um médico e músico português. Cantor e compositor, conhecido pelo seu nome artístico como Luiz Goes, é considerado um dos expoentes máximos da canção de Coimbra.
Filho de Luís do Carmo Goes e de D. Leopoldina da Soledade Valente d'Eça e Leyva Cabral de Sousa Pires, nasceu em 1933, em Coimbra, e, por influência de seu tio paterno, Armando do Carmo Goes, figura destacada da canção de Coimbra, cedo começou a interpretá-la, e, aos 19 anos, a convite de António Brojo, gravou o seu primeiro disco.
No final da década de 50, formou o Coimbra Quintet, com os músicos António Portugal, Jorge Godinho, Manuel Pepe e Levi Baptista, gravando o álbum Serenata de Coimbra, que "é ainda hoje o disco português mais vendido", segundo o jornalista Manuel Alegre Portugal. Em 1958 licencia-se em Medicina, na Universidade de Coimbra e exerceu a profissão de médico-estomatologista até à sua reforma, em 2003. De 1963 a 1965 prestou serviço militar na Guiné como Alferes Miliciano Médico.
Foi autor de 25 canções estróficas e 18 baladas. Do seu reportório fazem parte canções como "Balada do mar", "É preciso acreditar", "Cantiga para quem sonha", "Só" ou "Toada beirã".
Foi condecorado com a Ordem do Infante Dom Henrique, no grau de Grande Oficial (9 de junho de 1994), com a Medalha de Ouro da cidade de Coimbra (4 de julho de 1998), com a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Cascais e com o Prémio Amália Rodrigues 2005, na categoria Fado de Coimbra. 
    
 

Saudades de Luiz Goes...

quinta-feira, novembro 27, 2025

O Fado tornou-se Património Cultural Imaterial da Humanidade há catorze anos...!

 
O Fado é um estilo musical português. Geralmente é cantado por uma só pessoa (fadista) acompanhado por guitarra clássica (nos meios fadistas denominada viola) e guitarra portuguesa. O fado foi elevado à categoria de Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO numa declaração aprovada no VI Comité Intergovernamental desta organização internacional, realizado em Bali, na Indonésia, entre 22 e 29 de novembro de 2011.

 

in Wikipédia

 

 

quinta-feira, setembro 18, 2025

Saudades de Luiz Goes...

Porque um Cantor nunca morre, enquanto for recordado...

Saudade de Luiz Goes...

 

Cantiga de um Vagabundo - Luiz Goes

 

Se queres saber, amor, porque te quero,
pergunta a um velho marinheiro
se uma aventura em cada cais
lhe faz perder o rumo verdadeiro.

Pergunta ao mar, eternamente azul,
a razão de ser da sua cor,
às vezes verde, às vezes cinza…
mas é o céu o seu primeiro amor.

Se queres saber, amor, porque te quero,
pergunta a um velho vagabundo
se tanta estrada, tanta mulher,
matou de vez o seu primeiro mundo.

Pergunta à flor, que a noite emurcheceu,
se quer abrir em nova madrugada,
se o quase nada que a vida lhe deu
a faz morrer na minha mão fechada.

Hoje é dia de recordar a melhor voz de Coimbra...

Luiz Goes partiu há treze anos...


(imagem daqui)

Luís Fernando de Sousa Pires de Goes (Coimbra, 5 de janeiro de 1933 - Mafra, 18 de setembro de 2012) foi um médico e músico português. Cantor e compositor, conhecido pelo seu nome artístico como Luiz Goes, é considerado um dos expoentes máximos da canção de Coimbra.
Filho de Luís do Carmo Goes e de D. Leopoldina da Soledade Valente d'Eça e Leyva Cabral de Sousa Pires, nasceu em Coimbra, em 1933, e, por influência de seu tio paterno Armando do Carmo Goes, figura destacada da Canção de Coimbra, cedo começou a interpretá-la, tendo aos 19 anos, a convite de António Brojo, gravado o seu primeiro disco.
No final da década de 50, formou o Coimbra Quintet, com os músicos António Portugal, Jorge Godinho, Manuel Pepe e Levi Baptista, gravando o álbum Serenata de Coimbra, que "é ainda hoje o disco português mais vendido", segundo Manuel Alegre Portugal. Em 1958 licencia-se em Medicina, na Universidade de Coimbra e exerceu a profissão de médico estomatologista até à sua reforma, em 2003. De 1963 a 1965 prestou serviço militar na Guiné como Alferes Miliciano Médico.
Foi autor de 25 canções estróficas e 18 baladas. Do seu reportório fazem parte canções como "Balada do mar", "É preciso acreditar", "Cantiga para quem sonha", "Só" ou "Toada beirã".
Foi condecorado com a Ordem do Infante Dom Henrique, no grau de Grande Oficial (9 de junho de 1994), com a Medalha de Ouro da cidade de Coimbra (4 de julho de 1998), com a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Cascais e com o Prémio Amália Rodrigues 2005, na categoria Fado de Coimbra. 
  

 

 

Balada para ninguém - Luiz Goes

Letra - Leonel Neves

Música - João Bagão



Chuva dize-me o que sentes
quando as tuas gotas
caem só no mar

Chuva disse-me o que sentes
se às cisternas rotas
é que vais parar

Pobre chuva sem sementes


Noite dize-me o que sentes
quando em sonhos falas
sem achar ninguém

Noite diz-me o que sentes
quando alguém embalas
mas o dia vem

Triste noite sem correntes


Vento diz-me o que sentes
se é em vão que pedes
velas para inchar

Vento dize-me o que que sentes
se a buscar paredes
só encontras ar

Vento inútil sem batente

domingo, agosto 17, 2025

Hoje é um bom dia para ouvir Luiz Goes cantar António Botto...

 

O Meu Fado - Luiz Goes

Música: Armando do Carmo Goes
Letra: António Tomás Botto

 

Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo,
Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

Tem quatro letras apenas
A triste palavra amor,
Menos uma do que a morte,
Mas mais uma do que a dor.

sexta-feira, abril 18, 2025

Fado de Coimbra para aliviar uma hora triste...


Luiz Goes - No calvário
Letra - Fausto José 
Música - D. José Paes de Almeida e Silva 
Carlos Paredes (guitarra) e João Figueiredo Gomes (viola) 

Passada a hora enorme da agonia, 
A sombra invade os descampados nus; 
De dor soluça agreste a ventania; 
No céu nem uma estrela tremeluz! 

Como um corvo sinistro que descia, 
Fez-se mais negra a treva sobre a cruz 
A que se abraça, pálida, Maria, 
Chorando de olhos postos em Jesus. 

E a Virgem disse então banhada em pranto; 
"Dai-me sequer um pobrezinho manto 
Para nele meu filho amortalhar!" 

Ergueu-se a Lua triste pelo espaço, 
E desdobrou, serena, do regaço, 
O alvinitente manto do luar!