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quarta-feira, maio 27, 2020

Rachel Carson nasceu há 113 anos



Rachel Louise Carson (Springdale, 27 de maio de 1907 - Silver Spring, 14 de abril de 1964) escritora, cientista bióloga e ecologista norte-americana que, através da publicação do livro Silent Spring (1962) ajudou a lançar a consciência ambiental moderna.
Desde a infância - influenciada pela mãe - mostrou-se interessada pela Natureza.
Foi contratada pelo governo americano para escrever boletins para a rádio durante a Depressão e também escrevia artigos sobre história natural para o Jornal Baltimore Sun.
Em 1936, torna-se editora–chefe de todas as publicações do renomeado U.S. Fish e Wildlife (Departamento de Pesca e Vida Selvagem). As suas primeiras publicações foram sobre os estudos das espécies e seres vivos que habitavam os mares e oceanos como: Under The Sea Wind (Sob o Vento do Mar1941), The Sea Around Us (O Mar Que Nos Rodeia1951), que foi sucesso nacional e internacional e foi traduzido para 30 diferentes idiomas.
  
  
Livros publicados
  • Under the Sea Wind, 1941, Simon & Schuster, Penguin Group, 1996, ISBN 0-14-025380-7
  • Fishes of the Middle West, 1943, United States Government Printing Office (online pdf)
  • Fish and Shellfish of the Middle Atlantic Coast, 1945, United States Government Printing Office (online pdf)
  • Chincoteague: A National Wildlife Refuge, 1947, United States Government Printing Office (online pdf)
  • Mattamuskeet: A National Wildlife Refuge, 1947, United States Government Printing Office (online pdf)
  • Parker River: A National Wildlife Refuge, 1947, United States Government Printing Office (online pdf)
  • Bear River: A National Wildlife Refuge, 1950, United States Government Printing Office (com Vanez T. Wilson) (online pdf)
  • The Sea Around Us, 1951, Oxford University Press, 1991, ISBN 0-19-506997-8
  • The Edge of the Sea, 1955, Mariner Books, 1998, ISBN 0-395-92496-0
  • Silent Spring, Houghton Mifflin, 1962, Mariner Books, 2002, ISBN 0-618-24906-0
  • The Sense of Wonder, 1965, HarperCollins, 1998: ISBN 0-06-757520-X published posthumously
  • Always, Rachel: The Letters of Rachel Carson and Dorothy Freeman 1952–1964 An Intimate Portrait of a Remarkable Friendship, Beacon Press, 1995, ISBN 0-8070-7010-6 edited by Martha Freeman (granddaughter of Dorothy Freeman)
  • Lost Woods: The Discovered Writing of Rachel Carson, Beacon Press, 1998, ISBN 0-8070-8547-2
    

segunda-feira, maio 25, 2020

O arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles faz hoje 98 anos

   
Gonçalo Pereira Ribeiro Telles  (Lisboa, 25 de maio de 1922) é um arquiteto paisagista, ecologista e político português.
Foi Subsecretário de Estado do Ambiente nos I (Adelino da Palma Carlos), II e III (Vasco Gonçalves) Governos Provisórios. Foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida do VII Governo Constitucional (AD, Francisco Pinto Balsemão), de 1981 a 1983.
   
Biografia
Percurso académico e profissional
Iniciou a sua vida profissional nos serviços da Câmara Municipal de Lisboa, ao mesmo tempo que lecionava no ISA, tornando-se discípulo de Francisco Caldeira Cabral, pioneiro da arquitetura paisagista em Portugal. Com este professor, publicará o livro A Árvore em Portugal, obra de referência sobre as espécies arbóreas existentes no nosso País.
Na Câmara de Lisboa integrou, desde 1951 até 1953, a Repartição de Arborização e Jardinagem, passando em 1955 a arquiteto paisagista do Gabinete de Estudos de Urbanização da CML, dirigido pelo engenheiro Guimarães Lobato, onde permaneceu até 1960
De 1971 a 1974 dirigiu, igualmente enquanto arquiteto paisagista, o Setor de Planeamento Biofísico e de Espaços Verdes do Fundo de Fomento da Habitação.
O projeto mais marcante da sua carreira é, provavelmente, o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, que assinou com António Viana Barreto e que lhe valeu, ex aequo, o Prémio Valmor de 1975.
Mas, também na capital, merece destaque o conjunto de projetos que concebeu, entre 1998 a 2002, por solicitação da Câmara Municipal, das estruturas verdes principal e secundária da Área Metropolitana de Lisboa, e que se encontram hoje em diferentes fases de implementação: o Vale de Alcântara e a Radial de Benfica, o Vale de Chelas, o Parque Periférico, o Corredor Verde de Monsanto e a Integração na Estrutura Verde Principal de Lisboa da Zona Ribeirinha Oriental e Ocidental.
Entre os seus restantes projetos, cabe ainda assinalar o espaço público do Bairro das Estacas, em Alvalade; os jardins da Capela de São Jerónimo, no Restelo; a cobertura vegetal da colina do Castelo de São Jorge; o Jardim Amália Rodrigues, junto ao Parque Eduardo VII, projetado em 1996.
Na qualidade de professor catedrático convidado, lecionou na Universidade de Évora, onde criou na década de 1990 as licenciaturas em Arquitetura Paisagista e em Engenharia Biofísica.
Em abril de 2013 foi galardoado com o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, a mais importante distinção internacional no âmbito da arquitetura paisagista.
  
Atividade política e pública 
Gonçalo Ribeiro Telles iniciou a sua intervenção pública como membro da Juventude Agrária e Rural Católica, estrutura juvenil ligada à Acção Católica Portuguesa.
Em 1945, participou na fundação do Centro Nacional de Cultura, da qual é hoje o associado número um, e ainda Presidente da Assembleia Geral, em cujas sessões acentuou a sua oposição ao regime de Salazar.
Com Francisco Sousa Tavares, fundou, em 1957, o Movimento dos Monárquicos Independentes, a que se seguiria o Movimento dos Monárquicos Populares.
Em 1958, manifestou o seu apoio à candidatura presidencial de Humberto Delgado.
Em 1959, encontra-se entre os signatários da Carta a Salazar sobre os serviços de repressão.
Em 1967, aquando das cheias de Lisboa, impôs-se publicamente contra as políticas de urbanização vigentes.
Em 1969, integra a Comissão Eleitoral Monárquica, que se junta às listas da Acção Socialista Portuguesa, de Mário Soares, na coligação Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), liderada por Soares, para concorrer à Assembleia Nacional. Não seria eleito, tal como os restantes membros das listas da oposição democrática. Em 1971, ajudou a fundar o movimento Convergência Monárquica, reunião de três movimentos da resistência monárquica: o Movimento Monárquico Popular, a Liga Popular Monárquica e a Renovação Portuguesa.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, com Francisco Rolão Preto, Henrique Barrilaro Ruas, João Camossa de Saldanha, Augusto Ferreira do Amaral, Luís Coimbra, entre outros, fundou o Partido Popular Monárquico, a cujo Diretório presidiu. Foi Subsecretário de Estado do Ambiente nos I, II e III Governos Provisórios, e Secretário de Estado da mesma pasta, no I Governo Constitucional, chefiado por Mário Soares.
Em 1979, alia-se a Francisco Sá Carneiro na formação da Aliança Democrática, coligação através da qual foi eleito deputado à Assembleia da República, consecutivamente, nas legislativas de 1979, 1980 e 1983. Entre 1981 e 1983, integra o VIII Governo Constitucional, chefiado por Francisco Pinto Balsemão, como Ministro de Estado e da Qualidade de Vida. Durante o seu ministério, assume um papel preponderante no estabelecimento de um regime sobre o uso da terra e o ordenamento do território, ao criar as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, da Reserva Ecológica Nacional e as bases do Plano Diretor Municipal.
Enquanto deputado na Assembleia da Republica teve responsabilidades nas propostas da Lei de Bases do Ambiente, da Lei da Regionalização, da Lei Condicionante da Plantação de Eucaliptos, da Lei dos Baldios, da Lei da Caça, e da Lei do Impacte Ambiental.
Em 1984, após sair do governo e já afastado do PPM, fundou o Movimento Alfacinha, com o qual se apresentou candidato à Câmara Municipal de Lisboa, conseguindo a eleição como vereador. Em 1985, regressa à Assembleia da República, agora como deputado independente, eleito nas listas do Partido Socialista (PS). Em 1993, fundou o Movimento o Partido da Terra, cuja presidência abandonou em 2007.
Em 2010, integrando a Plataforma Cidadania e Casamento, manifestou-se publicamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, recentemente legalizado em Portugal.
Em 2009 e 2013, apoiou a candidatura encabeçada por António Costa nas eleições autárquicas para o Município de Lisboa.
Em 2016, no festival de cinema IndieLisboa, foi apresentado o documentário A Vossa Terra - paisagens de Gonçalo Ribeiro Teles, do realizador João Mário Grilo.
   
Condecorações
   

quarta-feira, abril 22, 2020

Hoje é o Dia Mundial da Terra...!

Bandeira não-oficial do Dia da Terra: o Planeta sobre um fundo azul (fonte Wikipédia)
   
São 40 as organizações portuguesas que se juntam às comemorações internacionais do 50º Dia Mundial da Terra, com 80 actividades online, uma adaptação a tempos de confinamento social.

O Dia Mundial da Terra celebra-se a 22 de abril e este ano, em que se celebra o 50º aniversário deste Dia, o tema é “acção climática”. Foi escolhido por ser um “enorme desafio” e pelas “vastas oportunidades” de acção, explicam as Nações Unidas.
“As alterações climáticas representam o maior desafio para o futuro da humanidade e para os sistemas dos quais depende a vida e que tornam o nosso planeta habitável.”
Em Portugal, as celebrações decorrem de 18 a 26 deste mês, todas digitais, com a hashtag #EarthDayEmCasa.
Este ano, a comemoração deste Dia Mundial da Terra é organizada pela Fundação Oceano Azul que desafiou as organizações portuguesas a adaptarem as suas comemorações à realidade actual.
“As atividades vão decorrer durante vários dias, nas respetivas plataformas digitais de cada entidade (sites, páginas de Facebook e Instagram)”, explica a Fundação Oceano Azul em comunicado.
Entre as actividades estão várias dedicadas ao mundo natural e à biodiversidade, como “Biodiversidade de Pantufas” (Associação BioLiving, a 21 e 22 de Abril, às 11h30) – no Instagram (@Bio_Living) e no Facebook (@associacaobioliving) -; “Desafio – Pinta uma ave de esperança” (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, durante todo o dia de 20, 21 e 22 de Abril) – no Facebook (@spea.birdlife) -; “Constrói uma tartaruga marinha” (RIAS, durante todo o dia de 21 de Abril) – no Instagram (@rias_olhao) e no Facebook (@rias.olhao) -; “Ria Formosa – conhecer e preservar” (Centro Ciência Viva do Algarve, a 22 de Abril às 12h30) – no Instagram (@ccvalg) e no Facebook (@ccvalgarve) -; e “Há vida no litoral” (Geota, durante todo o dia de 22 de Abril) – no Facebook (@cw.coordenacao.nacional.
O objectivo é “mobilizar, a partir de casa, o maior número de cidadãos, para celebrar os 50 anos do Dia Mundial da Terra”, segundo a Fundação.
“A Fundação Oceano Azul congratula-se pela adesão de todas as entidades a este desafio, reveladora da forte capacidade de adaptação às dificeis circunstâncias, e pelo facto de, em Portugal, a consciência coletiva e a vontade de proteger a natureza e o oceano serem cada vez maiores.”
O Dia da Terra foi a resposta conjunta a um ambiente em crise: derrames de petróleo, smog, rios poluídos. A 22 de Abril de 1970, cerca de 20 milhões de norte-americanos – representando 10% da população dos Estados Unidos naquele ano – saíram às ruas e campus universitários em centenas de cidades para protestar contra a ignorância ambiental e exigir um novo caminho para o planeta.
Esse primeiro Dia da Terra foi um dos eventos que ajudou a lançar o movimento ambiental moderno e é hoje reconhecido como o maior evento cívico do planeta, salientam as Nações Unidas.

sábado, março 21, 2020

Porque hoje é o Dia Mundial da Árvore...

(imagem daqui)
   
Velhas Árvores
  
Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
  
O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
  
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:
  
Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

   
  
Olavo Bilac

domingo, março 01, 2020

O Parque Nacional de Yellowstone faz 148 anos

Old Faithful Geyser
   
O Parque Nacional de Yellowstone é um parque nacional norte-americano localizado nos estados de Wyoming, Montana e Idaho. É o mais antigo parque nacional no mundo. Foi inaugurado a 1 de março de 1872 e cobre uma área de 8.980 km², estando a maior parte dele no condado de Park, no noroeste do Wyoming. O parque é famoso por ter, entre outras atrações, os seus géiseres, as suas fontes termais e pela sua variedade de vida selvagem, na qual se incluem ursos mansos, lobos, bisontes, alces e outros animais. É o centro do grande ecossistema de Yellowstone, que é um dos maiores ecossistemas de clima temperado ainda restantes no planeta. O gêiser mais famoso do mundo, denominado Old Faithful, encontra-se neste parque. A cidade mais próxima do parque Yellowstone é Billings, Montana.
Muito antes de haver presença humana em Yellowstone, uma grande erupção vulcânica ejetou um volume imenso de cinza vulcânica que cobriu todo o oeste dos Estados Unidos, a maioria do centro-oeste, o norte do México e algumas áreas da costa leste do Oceano Pacífico. Esta erupção foi muito maior que a famosa erupção do Monte Santa Helena, em 1980, e deixou uma enorme caldeira vulcânica (70 km por 30 km) assentada sobre uma câmara magmática. Yellowstone registou três grandes eventos eruptivos nos últimos 2,2 milhões de anos, o último dos quais ocorreu há 640.000 anos. Estas erupções são as de maiores proporções ocorridas na Terra durante esse período de tempo, provocando alterações no clima nos períodos posteriores à sua ocorrência.
  
Grand Prismatic Spring: esta fonte hidrotermal apresenta uma diversidade de cores brilhantes (as cores são devidas à existência de películas de bactérias termofílicas)
   

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada há quinze anos

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy (Dayton, 7 de junho de 1931 - Anapu, 12 de fevereiro de 2005) foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres, que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.
   
Biografia
Ingressou na vida casa religiosa em 1950, emitindo os seus votos perpétuos – de pobreza, castidade e obediência – em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Illinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona).
Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão.
Irmã Dorothy estava presente na Amazónia desde a década de setenta junto dos trabalhadores rurais da Região do Xingu. A sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e lucro  com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, juntamente com trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazónica. O seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.
Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilómetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.
A religiosa participava na Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazónica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, a Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazónica.
De entre as suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazónica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.
A Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: «Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»
Ainda em 2004 recebeu um prémio da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazónia Revelada.
  
Assassinato
A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco no corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilómetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.
Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, a Irmã Dorothy afirmou «Eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que, logo em seguida, a balearia.
No cenário dos conflitos agrários no Brasil, o seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter os seus direitos respeitados.
O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heróicas da matrona cristã.
O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado, num primeiro julgamento, a 30 anos de prisão. Num segundo julgamento, contudo, foi absolvido. Após um terceiro julgamento, foi novamente condenado, pelo júri popular, a 30 anos de prisão.
  
Citações
Cquote1.svg Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade, sem devastar. Cquote2.svg
   
Representações no cinema e na arte
  • Mataram a Irmã Dorothy (2009) - documentário do norte-americano Daniel Junge, narrado por Wagner Moura. Apresenta um retrato fiel do crime e das condições que o provocaram.
  • O artista Cláudio Pastro incluiu a Irmã Dorothy no painel em azulejos "As Mulheres Santas", na decoração da Basílica de Nossa Senhora de Aparecida (São Paulo).
   

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Sebastião da Gama morreu há 68 anos

 (imagem daqui)
       
Sebastião Artur Cardoso da Gama (Vila Nogueira de Azeitão, 10 de abril de 1924 - Lisboa, 7 de fevereiro de 1952) foi um poeta e professor português,
Sebastião da Gama licenciou-se em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1947.
Foi professor em Lisboa, na Escola Industrial e Comercial Veiga Beirão, em Setúbal, na Escola Industrial e Comercial (atual Escola Secundária Sebastião da Gama) e, em Estremoz, na Escola Industrial e Comercial local.
Colaborou nas revistas Árvore e Távola Redonda.
A sua obra encontra-se ligada à Serra da Arrábida, onde vivia e que tomou por motivo poético de primeiro plano (desde logo no seu livro de estreia, Serra-Mãe, de 1945), e à sua tragédia pessoal, motivada pela doença que o vitimou precocemente, a tuberculose.
Uma carta sua, enviada em agosto de 1947, para várias personalidades, a pedir a defesa da Serra da Arrábida, constituiu a motivação para a criação da LPN, Liga para a Protecção da Natureza, em 1948, a primeira associação ecologista portuguesa.
O seu Diário, editado postumamente, em 1958, é um interessantíssimo testemunho da sua experiência como docente e uma valiosa reflexão sobre o ensino.
As Juntas de Freguesia de São Lourenço e de São Simão, instituíram, com o seu nome, um Prémio Nacional de Poesia. No dia 1 de junho de 1999, foi inaugurado em Vila Nogueira de Azeitão, o Museu Sebastião da Gama, destinado a preservar a memória e a obra do Poeta da Arrábida, como era também conhecido.
Faleceu vitima de tuberculose renal, de que sofria desde adolescente.
     
       
Elegia para uma gaivota
  
Morreu no mar a gaivota mais esbelta,
a que morava mais alto e trespassava
de claridade as nuvens mais escuras com os olhos.

Flutuam quietas, sobre as águas, suas asas.
Água salgada, benta de tantas mortes angustiosas,
aspergiu-a.
E três pás de ar pesado para sempre as viagens lhe vedaram.

Eis que deixou de ser sonho apenas sonhado. 
-:É finalmente sonho puro,
sonho que sonha finalmente, asa que dorme voos.

Cantos de pescadores, embalai-a! Versos dos poetas, embalai-a!
Brisas, peixes, marés, rumor das velas, embalai-a!

Há na manhã um gosto vago e doce de elegia,
tão misteriosamente, tão insistentemente,
sua presença morta em tudo se anuncia.

Ela vai, sereninha e muito branca.
E a sua morte simples e suavíssima
é a ordem-do-dia na praia e no mar alto.
  
  
in Campo Aberto (1950) - Sebastião da Gama

domingo, janeiro 26, 2020

O Parque Nacional das Montanhas Rochosas faz hoje 105 anos!

View from Bear Lake in Rocky Mountain National Park
  
Rocky Mountain National Park is a national park located in the Front Range of the Rocky Mountains, in the north-central region of the U.S. state of Colorado. It features majestic mountain views, mountain lakes, a variety of wildlife, varied climates and environments - from wooded forests to mountain tundra - and easy access to back-country trails and campsites. The park is located northwest of Boulder, Colorado, in the Rockies, and includes the Continental Divide and the headwaters of the Colorado River.
The park has five visitor centers. The park headquarters, Beaver Meadows Visitor Center, is a National Historic Landmark, designed by the Frank Lloyd Wright School of Architecture at Taliesin West.
The park may be accessed by three roads: U.S. Highway 34, 36, and State Highway 7. Highway 7 enters the park for less than a mile, where it provides access to the Lily Lake Visitor Center which is closed indefinitely. Farther south, spurs from route 7 lead to campgrounds and trail heads around Longs Peak and Wild Basin. Highway 36 enters the park on the east side, where it terminates after a few miles at Highway 34. Highway 34, known as Trail Ridge Road through the park, runs from the town of Estes Park on the east to Grand Lake on the southwest. The road reaches an elevation of 12,183 feet (3,713 m), and is closed by snow in winter.
The California Zephyr serves Granby (near the west entrance of the park) by rail from Denver, crossing the Continental Divide through the Moffat Tunnel well south of the park. The park's website suggests Granby as an appropriate rail terminus for visitors, although it lies about sixteen miles from the park without public transportation connections.
The park is surrounded by Roosevelt National Forest on the north and east, Routt National Forest on the northwest, and Arapaho National Forest on the southwest.
  
(...)
  
Enos Mills, then a 14-year-old boy, moved to Estes Park in 1884. He explored the mountains of the area and wrote many books and articles describing the region. He later supported the creation of Rocky Mountain National Park, and he split his time between the mountains he loved and the cities of the eastern United States, where he lobbied for the legislation to create the park. The legislation was drafted by James Grafton Rogers, a Denver lawyer and avid outdoorsman. Mills' original proposal for park boundaries went from Wyoming all the way down to the Mount Evans area, including areas such as the Indian Peaks Wilderness. Much of the land was favored for mining, logging, and other operations, however, so the proposed park was reduced to an area approximating the current park borders. The bill passed Congress and was signed by President Woodrow Wilson on January 26, 1915. A formal dedication ceremony was held on September 4, 1915 in Horseshoe Park. The park has expanded over the years, with the largest parcel - the Never Summer Range - added in 1929.
  
Map of Colorado - the area of the Rocky Mountain National Park is in dark red
   

quinta-feira, janeiro 09, 2020

A moderna Barragem de Assuão foi iniciada há sessenta anos

The Aswan Dam is an embankment dam situated across the Nile River in Aswan, Egypt. Since the 1960s, the name commonly refers to the High Dam. Construction of the High Dam became a key objective of the Egyptian Government following the Egyptian Revolution of 1952, as the ability to control floods, provide water for irrigation, and generatehydroelectricity were seen as pivotal to Egypt's industrialization. The High Dam was constructed between 1960 and 1970, and has had a significant impact on the economy and culture of Egypt.
Before the dams were built, the Nile River flooded every year during late summer, when water flowed down the valley from its East Africandrainage basin. These floods brought high water and natural nutrients and minerals that annually enriched the fertile soil along the floodplain and delta; this had made the Nile valley ideal for farming since ancient times. Because floods vary, in high-water years the whole crop might be wiped out, while in low-water years widespread drought and famine occasionally occurred. As Egypt's population grew and conditions changed, both a desire and ability developed to control the floods, and thus both protect and support farmland and the economically important cotton crop. With the reservoir storage provided by the Aswan dams, the floods could be lessened and the water stored for later release.

(...)
  
Egyptian President Nasser and Soviet leader Khrushchevat the ceremony to divert the Nile during the construction of the Aswan High Dam on May 14, 1964. At this occasion Khrushchev called it "the eighth wonder of the world" 

Construction and filling, 1960–1976
The Soviets also provided technicians and heavy machinery. The enormous rock and clay dam was designed by the SovietHydroproject Institute along with some Egyptian engineers. Twenty-five thousand Egyptian engineers and workers contributed to the construction of the dams.
On the Egyptian side, the project was led by Osman Ahmed Osman's Arab Contractors. The relatively young Osman underbid his only competitor by one-half.
  • 1960: Start of construction on 9 January
  • 1964: First dam construction stage completed, reservoir started filling
  • 1970: The High Dam, as-Sad al-'Aali, completed on 21 July
  • 1976: Reservoir reached capacity
  • 2011: plans to build extension to dam

domingo, dezembro 22, 2019

Chico Mendes morreu há 31 anos

Chico Mendes em sua casa, em Xapuri (Acre), com os seus dois filhos mas novos
  
Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes (Xapuri, 15 de dezembro de 1944 - Xapuri, 22 de dezembro de 1988) foi um seringueiro, sindicalista, ativista político e ambientalista brasileiro. Lutou a favor dos seringueiros da Bacia Amazónica, cuja subsistência dependia da preservação da floresta e das seringueiras nativas. O seu ativismo trouxe-lhe reconhecimento internacional, ao mesmo tempo que provocou a ira dos grandes fazendeiros locais.
 

domingo, dezembro 15, 2019

Chico Mendes nasceu há 75 anos

Chico Mendes em sua casa, em Xapuri (Acre), com os seus dois filhos mas novos
    
Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, (Xapuri, 15 de dezembro de 1944 - Xapuri, 22 de dezembro de 1988) foi um seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Ele lutou pelos seringueiros da Bacia Amazónica, cujos meios de subsistência dependiam da preservação da floresta e das suas seringueiras nativas. Esse ativismo ecológico lhe valeu fama internacional.
Em julho de 2012, foi Reeleito um dos "100" maiores brasileiros de todos os tempos" em concurso realizado por SBT com a BBC de Londres.
  
Biografia
Filho do migrante cearense, Francisco Alves Mendes e de Maria Rita Mendes, começou no ofício de seringueiro ainda criança, acompanhando o pai em excursões pela mata. Só aprendeu a ler aos 19 e 20 anos, já que na maioria dos seringais não havia escolas, nem os proprietários de terras tinham intenção de criá-las em suas propriedades. Chico Mendes afirmou que só aprendeu a ler quando ensinado pelo militante comunista Euclides Távora, que participara no levante comunista de 1935 na sua cidade, Fortaleza e na Revolução de 1952 na Bolívia. Em seu regresso ao Brasil pelo Acre, Euclides Távora, fixa residência em Xapuri, tornando-se aí o alfabetizador de Chico Mendes.
Iniciou a vida de líder sindical em 1975, como secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento através dos "empates" - manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizava também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos.
Em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, e foi eleito vereador pelo MDB local. Recebe então as primeiras ameaças de morte, por parte dos fazendeiros, e começa a ter problemas com seu próprio partido, que não se identificava com as suas lutas.
Em 1979 Chico Mendes reúne lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal, transformando-a em um grande foro de debates. Acusado de subversão, é submetido a interrogatórios. Sem apoio, não consegue registar a denúncia de tortura que sofrera em dezembro daquele ano.
Chico Mendes foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e um dos seus dirigentes no Acre, tendo participado de comícios com Lula na região.
Em 1980 foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional a pedido de fazendeiros da região, que procuraram envolvê-lo no assassinato de um capataz de fazenda, possivelmente relacionado ao assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia, Wilson Sousa Pinheiro.
Em 1981 Chico Mendes assume a direção do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até sua morte. Candidato a deputado estadual pelo PT nas eleições de 1982, não consegue ser eleito.
Acusado de incitar posseiros à violência, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus, e absolvido por falta de provas, em 1984.
Liderou o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, em outubro de 1985, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Sob sua liderança, a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. A proposta da "União dos Povos da Floresta" em defesa da Floresta Amazónica busca unir os interesses dos indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco babaçu e populações ribeirinhas, através da criação de reservas extrativistas. Essas reservas preservam as áreas indígenas e a floresta, além de ser um instrumento da reforma agrária desejada pelos seringueiros: Chico Mendes formou uma aliança entre sua gente e os índios amazónicos, o que persuadiu o governo a criar reservas florestais para a colheita não predatória de produtos como o látex e a castanha do pará.
Em 1986, concorre às eleições pelo PT (Acre) como candidato a deputado estadual ao lado de outros candidatos, entre eles Marina Silva, para deputada federal, José Marques de Sousa, o Matias, como senador, e Hélio Pimenta para governador, não sendo eleitos.
Em 1987, Chico Mendes recebeu a visita de alguns membros da ONU, em Xapuri, que puderam ver de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causadas por projetos financiados por bancos internacionais. Dois meses depois leva estas denúncias ao Senado norte-americano e à reunião de um banco financiador, o BID. Os financiamentos a esses projetos são logo suspensos. Na ocasião, Chico Mendes foi acusado por fazendeiros e políticos locais de "prejudicar o progresso", o que aparentemente não convence a opinião pública internacional. Alguns meses depois, Mendes recebe vários prêmios internacionais, destacando-se o Global 500, oferecido pela ONU, por sua luta em defesa do meio ambiente e viajou aos EUA para promover sua causa.
Ao longo de 1988 participa da implantação das primeiras reservas extrativistas criadas no Estado do Acre. Ameaçado e perseguido por ações organizadas após a instalação da UDR no Estado, Mendes percorre o Brasil, participando de seminários, palestras e congressos onde denuncia a ação predatória contra a floresta e as violências dos fazendeiros contra os trabalhadores da região.
Após a desapropriação do Seringal Cachoeira, em Xapuri, propriedade de Darly Alves da Silva, agravam-se as ameaças de morte contra Chico Mendes que, por várias vezes, denuncia publicamente os nomes de seus prováveis responsáveis. Deixa claro às autoridades policiais e governamentais que corre risco de perder a vida e que necessita de garantias. No 3º Congresso Nacional da CUT, volta a denunciar sua situação, similar à de vários outros líderes de trabalhadores rurais em todo o país. Atribui a responsabilidade pela violência à UDR. A tese que apresenta em nome do Sindicato de Xapuri, Em Defesa dos Povos da Floresta, é aprovada por aclamação pelos quase seis mil delegados presentes. Ao término do Congresso, Mendes é eleito suplente da direção nacional da CUT. Assumiria também a presidência do Conselho Nacional dos Seringueiros a partir do 2º Encontro Nacional da categoria, marcado para março de 1989, porém não sobreviveu até aquela data.
 
Morte
Em 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta no peito na porta da traseira da sua casa, quando saía desta para tomar banho. Chico anunciou que seria morto em função de sua intensa luta pela preservação da Amazónia e buscou proteção, mas as autoridades e a imprensa não deram atenção.
Casado com Ilzamar Mendes (2ª esposa), deixou três filhos, Angela (do primeiro casamento), Sandino e Elenira, na época com dezanove, dois e quatro anos de idade, respectivamente.
Após o assassinato de Chico Mendes mais de trinta entidades sindicalistas, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas se juntaram para formar o "Comité Chico Mendes". Eles exigiam providências e através de articulação nacional e internacional pressionaram os órgãos oficiais para que o crime fosse punido.
Em dezembro de 1990, a justiça brasileira condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darcy Alves Ferreira, responsáveis por sua morte, a 19 anos de prisão. A principal testemunha do caso foi um empregado de 13 anos da fazenda de Darly, Genésio Ferreira da Silva. Darly fugiu em fevereiro de 1993 e escondeu-se num assentamento do INCRA, no interior do Pará, chegando mesmo a obter financiamento público do Banco da Amazónia sob falsa identidade. Só foi recapturado em junho de 1996. A falsificação de documentos rendeu-lhe uma segunda condenação: mais dois anos e 8 meses de prisão.
No dia 18 de dezembro de 1988, o Jornal do Brasil teve a hipótese de publicar uma entrevista na qual Chico Mendes denunciava as ameaças de morte que havia recebido. O jornal, contudo, considerou que Chico Mendes politizava demasiadamente a questão ambiental e não publicou a matéria. Com a consumação das ameaças em 22 de dezembro, o jornal finalmente publicou a entrevista no 1º caderno da edição de natal daquele ano, acompanhada de um pequeno editorial na 1ª página.