A recusa do Rei em apoiar o golpe ajudou a abortá-lo ao longo da noite. Também destacou a atitude do presidente da
Generalitat de Catalunha,
Jordi Pujol, que pouco antes das dez da noite transmitia ao país pelas emissoras de
Rádio Nacional e Rádio Exterior
uma alocução na qual apelava à tranquilidade. Até à uma da madrugada
houve diligências a partir do
Hotel Palace, na proximidade do Congresso,
lugar eleito como centro de operações pelo general
Aramburu Topete, então Diretor Geral da
Guarda Civil e o general
Sáenz de Santa Maria, pela sua vez Diretor Geral da Polícia Nacional. Por ali também passou o general
Alfonso Armada,
parte do plano golpista, que pretendia, simulando negociar com os
assaltantes, propor-se como solução. O seu secreto plano de golpe,
emulando o general francês
De Gaulle, fracassou perante a recusa de Tejero a que este presidisse um governo
do qual também fariam parte socialistas e comunistas. Mais tarde,
descobertos os seus planos, seria demitido do seu posto de 2º Chefe do
Estado-Maior do Exército, pela sua implicação na conspiração golpista.
Por volta da uma da manhã de
24 de fevereiro, o Rei falou na
televisão, vestido com uniforme de capitão-general, para se colocar contra os golpistas, defender a
constituição espanhola,
chamar à ordem as Forças Armadas, na sua qualidade de
comandante-em-chefe, e desautorizar Milans del Bosch. A partir desse
momento o golpe dá-se por fracassado. Milans del Bosch, isolado,
cancelou os seus planos às cinco da manhã e foi detido, enquanto Tejero
resistiu até ao meio-dia. Seria, porém, durante a manhã do dia 24, que os
deputados foram finalmente libertados.
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