O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto
que manterá até ao final. Como guitarrista, acompanhou
assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário
Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo
Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de
Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projeto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em
Portugal Continental, Açores e Madeira atuou também em Macau, Espanha,
França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel,
Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina,
Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP:
“Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que
se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a
convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da coleção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projeto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
A partir de 2007 realizou no Museu do
Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa
onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire,
Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do
programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José
Pracana faleceu em 26 de dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou uma
exposição temporária sobre José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das
mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
António Moreira Portugal teve como professores dois guitarristas “futricas”, barbeiros de profissão e irmãos (o Flávio e o Fernando).
Nasceu em 23 de outubro de 1931, na República Centro-Africana, e morreu em Coimbra, a 26 de junho de 1994, com 63 anos.
Com um ano de idade foi viver para Coimbra (a sua família era de
Penacova) e aí fez a escola primária, os estudos secundários e se
licenciou em Direito.
Foi no Liceu D. João III que conheceu Luiz Goes e José Afonso e que
os começou a acompanhar, em 1949, com um grupo constituído por Manuel
Mora (2º guitarra) e Manuel Costa Brás (militar de Abril e ex-ministro) e
António Serrão, à viola.
Em 1951 matriculou-se na Faculdade de Direito e ingressou na tuna
e Orfeon Académico. Em 1952 conheceu António Brojo, que o convidou para
integrar o histórico grupo de fados e guitarradas do qual faziam parte
os cantores Luiz Goes, José Afonso, Florêncio de Carvalho, Fernando
Rolim e, um pouco mais tarde, Fernando Machado Soares.
Para além de António Brojo e de António Portugal, nas guitarras,
faziam ainda parte do grupo os violas Aurélio Reis e Mário de Castro. Em
1953 – e depois de muitos anos em que não se gravaram discos de Fado de
Coimbra – o grupo liderado por António Brojo registou uma série de 8
discos de 78 rotações por minuto.
António Portugal, durante mais de 45 anos, esteve omnipresente em tudo o que se relaciona com a “Canção de Coimbra”.
De 1949 a 1994, criou uma obra ímpar, quer pela qualidade e inovação
das suas composições e arranjos, quer pela forma como sabia ensaiar os
cantores, e com eles criar uma dinâmica de acompanhamento que o
distingue de todos os outros guitarristas do seu tempo.
António Portugal deixou, de longe, a mais ampla e completa discografia do Fado e da Guitarra de Coimbra.
Embora de forma esquemática e muito resumida, o percurso musical de António Portugal poderá ser dividido em quatro fases.
A primeira, iniciática, em que António Portugal se aplica na execução
e pesquisa da guitarra, e na sua colaboração, já referida, com os
maiores e mais importantes nomes da geração de 50.
A segunda, que inicia com a formação do grupo do “Coimbra Quintet”
(Luiz Goes, Jorge Godinho – 2º guitarra, também já falecido e Manuel
Pepe e Levy Batista), corresponde à transição para a renovação do fado e
da guitarra de Coimbra, que culminou com a gravação da “Balada de
Outono”, de José Afonso e onde, pela primeira vez ao lado de António
Portugal, surge a viola de Rui Pato.
A terceira fase – início dos anos 60 – é fundamentalmente marcada pela canção de intervenção
e pelos nomes de Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre. A “Trova
do vento que passa”, de que António Portugal é autor da música em conjunto com Adriano Correia de Oliveira, é o hino e o emblema da resistência ao regime e à guerra colonial.
A quarta e última fase, é também a mais longa: é o período da maturidade e da consagração.
Depois do 25 de Abril, António Portugal, que ao longo dos anos tinha
sido um ativista político persistente e eficaz na luta contra o
fascismo, “trocou” temporariamente a guitarra pela política activa, quer
na Assembleia Municipal de Coimbra (onde foi, até à sua morte, líder da
bancada do PS), quer na Assembleia da República, como deputado.
Ultrapassado o período revolucionário de 1975 – em que a onda de
contestação não poupou também as tradições coimbrãs – e com o “regresso”
de António Brojo ao gosto e ao gozo da guitarra, reconstituiu-se o
grupo dos anos 50 e foi reiniciada uma atividade de intensa
participação, quer em espetáculos em Portugal e por todo o mundo, quer
numa série de programas para a RTP, quer ainda a gravação de uma
coletânea de 6 LP, “Tempos de Coimbra – oito décadas no canto e na
guitarra”, onde se registam, para a história – desde Augusto Hilário à
atualidade – dezenas de fados e guitarradas, fruto de laboriosa e
cuidada recolha.
A sua morte interrompeu o seu último projeto, que vinha realizando
com António Brojo, sobre a guitarra de Coimbra: ambos os solistas
preparavam um duplo álbum de guitarradas, em que alternadamente se
acompanhavam um ao outro, e que já ia a caminho da finalização.
No dia 10 de junho de 1994, quando se encontrava no Oriente para
atuar com o seu grupo nas Comemorações do Dia de Portugal, o Presidente
da República, Dr. Mário Soares, atribui-lhe, em Coimbra, a Ordem da
Liberdade.
António Portugal não teve a alegria de ver, e ostentar, essa
justíssima condecoração porque, à chegada ao aeroporto de Pedras Rubras,
foi vitimado por acidente vascular cerebral, morrendo dias depois, em
Coimbra.
Como escreveu o conceituado Rui Vieira Nery, na Revista do jornal “Expresso”,
“A morte de António Portugal, encarnação modelar da guitarra
coimbrã e de toda a tradição que nela se foi condensando ao longo destes
dois últimos séculos, deixa-nos aquela espécie de vazio doloroso que é a
de uma perda simultaneamente individual e geral. Perdemos um músico
excelente que marcou decisivamente a nossa música popular urbana dos
anos 60 e 70, mas perdemos também uma trave-mestra desse universo cada
vez mais frágil e mais difuso que é o da guitarra portuguesa e,
especificamente, o da guitarra de Coimbra”.
António Moreira Portugal teve como professores dois guitarristas “futricas”, barbeiros de profissão e irmãos (o Flávio e o Fernando).
Nasceu em 23 de outubro de 1931, na República Centro-Africana, e morreu em Coimbra, a 26 de junho de 1994, com 63 anos.
Com um ano de idade foi viver para Coimbra (a sua família era de
Penacova) e aí fez a escola primária, os estudos secundários e se
licenciou em Direito.
Foi no Liceu D. João III que conheceu Luiz Goes e José Afonso e que
os começou a acompanhar, em 1949, com um grupo constituído por Manuel
Mora (2º guitarra) e Manuel Costa Brás (militar de Abril e ex-ministro) e
António Serrão, à viola.
Em 1951 matriculou-se na Faculdade de Direito e ingressou na Tuna
e Orfeon Académico. Em 1952 conheceu António Brojo, que o convidou para
integrar o histórico grupo de fados e guitarradas do qual faziam parte
os cantores Luiz Goes, José Afonso, Florêncio de Carvalho, Fernando
Rolim e, um pouco mais tarde, Fernando Machado Soares.
Para além de António Brojo e de António Portugal, nas guitarras,
faziam ainda parte do grupo os violas Aurélio Reis e Mário de Castro. Em
1953 – e depois de muitos anos em que não se gravaram discos de Fado de
Coimbra – o grupo liderado por António Brojo registou uma série de 8
discos de 78 rotações por minuto.
António Portugal, durante mais de 45 anos, esteve omnipresente em tudo o que se relaciona com a “Canção de Coimbra”.
De 1949 a 1994, criou uma obra ímpar, quer pela qualidade e inovação
das suas composições e arranjos, quer pela forma como sabia ensaiar os
cantores, e com eles criar uma dinâmica de acompanhamento que o
distingue de todos os outros guitarristas do seu tempo.
António Portugal deixou, de longe, a mais ampla e completa discografia do Fado e da Guitarra de Coimbra.
Embora de forma esquemática e muito resumida, o percurso musical de António Portugal poderá ser dividido em quatro fases.
A primeira, iniciática, em que António Portugal se aplica na execução
e pesquisa da guitarra, e na sua colaboração, já referida, com os
maiores e mais importantes nomes da geração de 50.
A segunda, que inicia com a formação do grupo do “Coimbra Quintet”
(Luiz Goes, Jorge Godinho – 2º guitarra, também já falecido e Manuel
Pepe e Levy Batista), corresponde à transição para a renovação do fado e
da guitarra de Coimbra, que culminou com a gravação da “Balada de
Outono”, de José Afonso e onde, pela primeira vez ao lado de António
Portugal, surge a viola de Rui Pato.
A terceira fase – início dos anos 60 – é fundamentalmente marcada pela canção de intervenção
e pelos nomes de Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre. A “Trova
do vento que passa”, de que António Portugal é autor da música em conjunto com Adriano Correia de Oliveira, é o hino e o emblema da resistência ao regime e à guerra colonial.
A quarta e última fase, é também a mais longa: é o período da maturidade e da consagração.
Depois do 25 de Abril, António Portugal, que ao longo dos anos tinha
sido um ativista político persistente e eficaz na luta contra o
fascismo, “trocou” temporariamente a guitarra pela política ativa, quer
na Assembleia Municipal de Coimbra (onde foi, até à sua morte, líder da
bancada do PS), quer na Assembleia da República, como deputado.
Ultrapassado o período revolucionário de 1975 – em que a onda de
contestação não poupou também as tradições coimbrãs – e com o “regresso”
de António Brojo ao gosto e ao gozo da guitarra, reconstituiu-se o
grupo dos anos 50 e foi reiniciada uma atividade de intensa
participação, quer em espetáculos em Portugal e por todo o mundo, quer
numa série de programas para a RTP, quer ainda a gravação de uma
coletânea de 6 LP, “Tempos de Coimbra – oito décadas no canto e na
guitarra”, onde se registam, para a história – desde Augusto Hilário à
atualidade – dezenas de fados e guitarradas, fruto de laboriosa e
cuidada recolha.
A sua morte interrompeu o seu último projeto, que vinha realizando
com António Brojo, sobre a guitarra de Coimbra: ambos os solistas
preparavam um duplo álbum de guitarradas, em que alternadamente se
acompanhavam um ao outro, e que já ia a caminho da finalização.
No dia 10 de junho de 1994, quando se encontrava no Oriente para
atuar com o seu grupo nas Comemorações do Dia de Portugal, o Presidente
da República, Dr. Mário Soares, atribui-lhe, em Coimbra, a Ordem da
Liberdade.
António Portugal não teve a alegria de ver, e ostentar, essa
justíssima condecoração porque, à chegada ao aeroporto de Pedras Rubras,
foi vitimado por acidente vascular cerebral, morrendo dias depois, em
Coimbra.
Como escreveu o conceituado Rui Vieira Nery, na Revista do jornal “Expresso”,
“A morte de António Portugal, encarnação modelar da guitarra
coimbrã e de toda a tradição que nela se foi condensando ao longo destes
dois últimos séculos, deixa-nos aquela espécie de vazio doloroso que é a
de uma perda simultaneamente individual e geral. Perdemos um músico
excelente que marcou decisivamente a nossa música popular urbana dos
anos 60 e 70, mas perdemos também uma trave-mestra desse universo cada
vez mais frágil e mais difuso que é o da guitarra portuguesa e,
especificamente, o da guitarra de Coimbra”.
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto
que manterá até ao final. Como guitarrista, acompanhou
assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário
Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo
Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de
Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projeto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em
Portugal Continental, Açores e Madeira atuou também em Macau, Espanha,
França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel,
Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina,
Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP:
“Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que
se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a
convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da coleção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projeto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
A partir de 2007 realizou no Museu do
Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa
onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire,
Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do
programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José
Pracana faleceu em dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou uma
exposição temporária sobre José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das
mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto
que manterá até à atualidade. Como guitarrista, acompanhou
assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário
Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo
Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de
Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projeto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em
Portugal Continental, Açores e Madeira atuou também em Macau, Espanha,
França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel,
Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina,
Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP:
“Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que
se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a
convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da coleção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projeto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
A partir de 2007 realizou no Museu do
Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa
onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire,
Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do
programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José
Pracana faleceu em dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou a
exposição temporária José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das
mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto
que manterá até à atualidade. Como guitarrista, acompanhou
assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário
Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo
Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de
Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projeto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em
Portugal Continental, Açores e Madeira actuou também em Macau, Espanha,
França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel,
Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina,
Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP:
“Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que
se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a
convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da coleção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projeto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
A partir de 2007 realizou no Museu do
Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa
onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire,
Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do
programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José
Pracana faleceu em dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou a
exposição temporária José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das
mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto
que manterá até à actualidade. Como guitarrista, acompanhou
assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário
Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo
Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de
Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projecto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em
Portugal Continental, Açores e Madeira actuou também em Macau, Espanha,
França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel,
Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina,
Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP:
“Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que
se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a
convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da colecção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projecto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
A partir de 2007 realizou no Museu do
Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa
onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire,
Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do
programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José
Pracana faleceu em dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou a
exposição temporária José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das
mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e a própria afinação era do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
Biografia
Filho do famoso compositor e guitarrista, mestre Artur Paredes, neto e bisneto de guitarristas, Gonçalo Paredes e António Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa (de Coimbra, cuja afinação é diferente) aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas, a quem devo a cultura musical que tenho".
Em 1934, a família muda-se para Lisboa, o pai era funcionário do BNU e vem transferido para a capital. Abandona a aprendizagem do violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai e do meu avô".
Carlos Paredes inicia em 1949 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Não chega a concluir o curso liceal e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se, em 1949, funcionário administrativo do Hospital de São José.
Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública, na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas, na sua cabeça. Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!»
Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”.
Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.
A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que, certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central, (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu a 23 de julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que, para além das influências dos seus antepassados - pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação era do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
(...)
A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de julho de 2004, na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, tendo sido decretado luto nacional.
"Quando eu morrer, morre a guitarra também.
O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”
Vicente da Câmara nasceu em berço aristocrata, único filho de D. João Luís Seabra da Câmara, notável locutor da Emissora Nacional portuguesa, e de sua primeira mulher, D. Maria Edite do Carmo de Noronha, e cresce sob influência de uma educação marcadamente ligada ao fado, em particular da sua tia D. Maria Teresa de Noronha e de D. João do Carmo de Noronha, seu tio-avô. Mais tarde viria a dizer:
O que é a aristocracia? A aristocracia tanto pode estar no povo como noutra coisa qualquer. (...) O aristocrata é aquele que sobressaiu.
- Vicente da Câmara
É portanto naturalmente que entra nos meandros do fado, e tendo ganho um concurso, abre as portas da Emissora Nacional com 20 anos, em 1948. Dois anos mais tarde assina o primeiro contrato discográfico com a editora Valentim de Carvalho e, a partir daí, grava êxitos como Fado das Caldas e Varina.
Progressista do fado castiço, o mais tradicional de Lisboa, era dado ao improviso e destacou-se pela sua voz timbrada, naturalidade com que interpreta as suas músicas e utilização de melismas, raridade no fado.
Durante uma entrevista, insurge-se contra as convenções políticas e afirma ser o fado uma música pobre, e que é na pobreza que reside a riqueza, grandeza, liberdade e valor.
Afincadamente contra os mais conservadores que apenas recriavam os clássicos, ficou para a posteridade o seu maior sucesso, A moda das tranças pretas, que constituiu entre os outros fados do seu reportório, um ex-líbris do fado castiço. Segundo a história, tê-lo-á composto entre 1955 e 1956 num quarto de hotel em Santarém. Em 1967 surge o contrato com a Rádio Triunfo.
Na década de 1980, já com algumas digressões internacionais na carreira, as atenções do oriente prenderam-se no fado, e tal entre uma vaga de fadistas como Amália Rodrigues, Maria Amélia Proença e outros, fez digressões no Extremo Oriente. Em 1989 assinala o quadragésimo aniversário da sua carreira no Cinema Tivoli.
Casado em Lisboa a 23 de abril de 1955 com Maria Augusta de Melo Novais e Ataíde (Évora, Sé e São Pedro, 30 de junho de 1929 - 28 de setembro de 2011), é pai do também fadista José da Câmara, é um dos poucos fadistas restantes da geração do fado aristocrata. Em 2007 o seu trabalho ficou imortalizado no filme Fados, de Carlos Saura.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pai, avô e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação era do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que, para além das influências dos seus antepassados - pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação era do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
Amália Rodrigues e José Pracana, 1971 (imagem daqui)
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto que manterá até à actualidade. Como guitarrista, acompanhou assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projecto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em Portugal Continental, Açores e Madeira actuou também em Macau, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel, Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina, Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP: “Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da colecção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projecto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
Desde 2007 realiza no Museu do Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire, Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. É co-autor do programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação era do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
Biografia
Filho do famoso compositor e guitarrista, mestre Artur Paredes, neto e bisneto de guitarristas, Gonçalo Paredes e António Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa (de Coimbra, cuja afinação é diferente) aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas, a quem devo a cultura musical que tenho".
Em 1934, a família muda-se para Lisboa, o pai era funcionário do BNU e vem transferido para a capital. Abandona a aprendizagem do violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai e do meu avô".
Carlos Paredes inicia em 1949 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Não chega a concluir o curso liceal e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se, em 1949, funcionário administrativo do Hospital de São José.
Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública, na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas, na sua cabeça. Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!»
Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”.
Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.
A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que, certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central, (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu a 23 de julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.
Prémios Amália escolhem disco de Rodrigo Costa Félix para álbum do ano
Nuno Pacheco - 26.07.2013
Fados de Amor, segundo disco de Rodrigo Costa Félix, foi escolhido pelo júri dos Prémios Amália como álbum de fado de 2012.
Rodrigo Costa Félix com a guitarrista Marta Pereira da Costa
O júri do Prémio Amália escolheu o disco Fados de Amor, de Rodrigo Costa Félix, como melhor álbum do ano.
Lançado em 2012, Fados de Amor, segundo disco do jovem fadista, é dedicado às mulheres e também o primeiro CD na história do Fado onde a guitarra portuguesa é entregue a uma mulher, Marta Pereira da Costa.
Justificando a escolha do disco, composto por 15 fados, o júri referiu à agência Lusa “a evolução do intérprete”, a “cuidadosa escola do repertório poético e musical” e também o facto de a revista norte-americana The Atlantic ter apontado o tema que serviu de apresentação ao disco, Amigo aprendiz, fado com música de Tiago Bettencourt sobre poema de Fernando Pessoa, como “uma das melhores baladas do ano de 2012”.
Presidido por Tiago Torres da Silva (escritor e autor de letras para canções, em particular para fado) e composto por Carlos Manuel Proença (músico e produtor discográfico), Ada de Castro (fadista), Francisco Simões (escultor) e Dina Isabel (locutora), o júri distinguiu outras personalidades e instituições em diversas áreas: Teresa Tarouca (carreira), Maria Bethânia (internacional, pela forma como tem divulgado a poesia portuguesa e a obra de Amália), Carlos Gonçalves, guitarrista que acompanhou Amália nos últimos (compositor), Gisela João (revelação), Maria da Nazaré (intérprete), Vasco Graça Moura (autor), Jaime Santos Jr (instrumentista) e a Rádio Alfa, de Paris na categoria de divulgação.
Nascido em Lisboa, a 20 de fevereiro de 1972, actuou em inúmeras casas de fado e espectáculos colectivos em Portugal, mas também no estrangeiro: Nova Iorque, Londres. Paris, Madrid, Luxemburgo, Estugarda, Toronto, Bolonha, Varsóvia, Baiona, Macau. Mas só em 2009, por ocasião do lançamento do seu disco de estreia (Fados d’Alma, gravado e lançado em 2007), teve um espectáculo inteiramente seu num palco lisboeta, a Sala Azul do Teatro Aberto, à Praça de Espanha, em Lisboa, a 12 de dezembro.
Nesse disco, podia ler-se esta frase: “Me encantei com Rodrigo Costa Félix quando o vi cantando no Clube de Fado, em Alfama, tempos atrás”. Assinava-a a compositora brasileira Adriana Calcanhotto, que no fado tem outras referências de eleição, como Amália e Camané. Ela viu-o cantar “para dentro” e concluiu: “Ainda nos vai emocionar muitíssimo”. O prémio que agora lhe foi atribuído confirma este pressentimento.
O agora premiado Fados de Amor foi lançado em maio de 2012 e estreado em palco a 11 de junho desse mesmo ano, no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com a participação de Kátia Guerreiro e Aline Frazão, que gravaram com ele no disco os duetos Morena e Fado Sentido. Em palco estiveram também os músicos que participaram nas gravações: Marta Pereira da Costa, na guitarra portuguesa; Rodrigo Serrão (produtor do disco), no contrabaixo; e Pedro Pinhal na viola de fado.
Os prémios Amália Rodrigues serão entregues no dia 2 de outubro, durante a VIII Gala Amália, que se realizará no Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa.
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.
NOTA: tive a informação de que Amigo aprendiz, fado com música de Tiago Bettencourt, não feito com um poema de Fernando Pessoa (embora isso não menorize o poema, que é excelente...) e que esse lapso já terá sido referido por Rodrigo Costa Félix...
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que, para além das influências dos seus antepassados - pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação era do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
(...)
A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de julho de 2004, na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, tendo sido decretado luto nacional.
"Quando eu morrer, morre a guitarra também.
O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”