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terça-feira, junho 30, 2026

A Noite das Facas Longas foi há noventa e dois anos...

  
A Noite das Facas Longas (em alemão Nacht der langen Messer) foi uma purga que aconteceu na Alemanha nazi na noite do dia 30 de junho para 1 de julho de 1934, quando a direção do Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (o Partido Nazi) decidiu executar dezenas de seus filiados, sendo a maioria pertencente à Sturmabteilung (SA), uma organização paramilitar do partido.
Adolf Hitler revoltou-se contra o líder da SA, Ernst Röhm, pois este ansiava em transformar seus liderados (que já contavam com três milhões de integrantes, chamados de camisas castanhas) no embrião do futuro exército da Alemanha Nazi e via o uso da violência nas ruas como melhor modo de disciplina, algo totalmente contra o regime que Hitler queria impor na sociedade alemã. Além disso, os interesses de Röhm chocavam com os do Reichswehr, o exército alemão do período entre-guerras, cujos oficiais - em especial o marechal Paul von Hindenburg, presidente da nação na época - não toleravam a figura de Röhm, por causa da sua homossexualidade, fraqueza a vícios e o medo de que Röhm viesse a tentar derrubar o regime nazi, podendo assim criar uma revolta no povo alemão e consequentemente a queda de Hitler. Com isso, Hitler, chanceler da Alemanha nomeado por Hindenburg, decidiu não entrar em choque com o poder político dos militares e, ao invés disso, fazer uma purga contra os líderes das SA e os seus inimigos políticos.
Pelo menos oitenta e cinco pessoas morreram durante o evento e milhares foram presas. A maioria das mortes foi causada pela Schutzstaffel (SS), um grupo de elite especial, e pela Gestapo (Geheime Staatspolizei), a polícia secreta. Com a purga, foi consolidado o apoio do Reichswehr a Hitler.
Antes do seu acontecimento, o evento foi classificado com o nome de código "colibri" (em alemão: Kolibri), escolhido aleatoriamente, que se tornou palavra-chave para iniciar a operação. A frase "Noite das facas longas" origina-se de um verso de uma canção da SA que tem como assunto principal massacres. Devido ao peso da expressão, a Alemanha refere-se a este assunto com o nome de "Röhm-Putsch", nome empregado pela propaganda nazi na época.
  
(...)
  
Por unanimidade, o exército aplaudiu a Noite das Facas Longas, pese embora o facto de dois dos mortos serem os generais Kurt von Schleicher e Ferdinand von Bredow. O presidente Hindenburg, herói militar da Alemanha, mandou um telegrama a Hitler expressando o seu "profundo sentimento de gratidão". O apoio do exército à purga, entretanto, teria consequências de longo prazo para a instituição. A ameaça das SA de tirar poder ao exército finalmente tinha chegado ao fim, mas Hitler queria vê-lo mais próximo do regime nazi.
Sem um relatório independente da imprensa sobre o acontecimento, rumores sobre a Noite das Facas Longas rapidamente tomaram conta da Alemanha. Muitos alemães não acreditavam nas notas postas nos jornais por Joseph Goebbels. Ao mesmo tempo, outros acreditavam que Hitler tinha salvado a Alemanha de entrar em estado de caos. Uma professora de Hamburgo disse, no seu diário, que muitos alemães admiravam a coragem de Hitler. Ela comparou Hitler a Frederico, o Grande, lendário rei da Prússia. Outros estavam horrorizados com o número de execuções, principalmente por serem alemães.
Hitler chamou Victor Lutze para assumir o lugar de Röhm na SA, dando-lhe ordens para acabar com a "homossexualidade, deboche, embriaguez e estilo de vida elevado" na SA. Hitler disse a Lutze que fizesse com que as SA parassem de gastar dinheiro em carros caros e banquetes, atitudes consideradas extravagantes. Lutze, conhecido por ser um homem de pouco poder e fraco, fez com que as SA perdessem gradualmente o seu poder na Alemanha nazi. Com ele, a organização paramilitar passou de três milhões de membros em agosto de 1934 para 1,2 milhões em abril de 1938. Todas as referências ao nome de Röhm foram retiradas dos uniformes e documentos, e foram substituídas pelas palavras Blut und Ehre (sangue e honra).
A Noite das Facas Longas mostrou um triunfo de Adolf Hitler e foi a sua consolidação no governo, estabilizando-o como juiz supremo do povo alemão. Mais tarde, em abril de 1942, ele colocou-se como "poder acima da lei na Alemanha". Este acontecimento também foi exemplo para a pequena resistência contra o regime nazi da época, visto que qualquer pessoa que fosse contra o governo seria severamente punida.
   

segunda-feira, junho 22, 2026

Os nazis invadiram a União Soviética há 85 anos...

No sentido horário, da parte superior esquerda: soldados alemães avançam através do norte da Rússia; equipe alemã de lança-chamas na União Soviética; aviões soviéticos voam sobre posições alemãs perto de Moscovo; prisioneiros de guerra soviéticos no caminho para campos de concentração alemães e soldados soviéticos disparam em posições alemãs


Data22 de junho5 de dezembro de 1941
LocalEuropa Oriental e Setentrional
DesfechoVer Consequências
Mudanças territoriaisEixo captura aproximadamente 1.600.000 km² de território soviético, mas falha em alcançar a linha A-A.
Beligerantes
 Alemanha
 Finlândia
 Itália
 Romênia
 Hungria
Eslováquia
 Croácia
 União Soviética
Comandantes
Alemanha Nazista Adolf Hitler
Hermann Göring
Franz Halder
Walther von Brauchitsch
Wilhelm Ritter von Leeb
Fedor von Bock
Gerd von Rundstedt
Reino da Romênia Ion Antonescu
Finlândia Gustaf Mannerheim
Reino de Itália (1861–1946) Benito Mussolini
Reino da Hungria (1920-1946) Miklós Horthy
República Eslovaca (1939-1945) Jozef Tiso
Estado Independente da Croácia Ante Pavelić
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Josef Stalin
Gueorgui Júkov
Aleksandr Vasilyevskiy
Semyon Budyonny
Kliment Voroshilov
Semyon Timoshenko
Markian Popov
Fyodor Kuznetsov
Dmitry Pavlov Executado
Ivan Tyulenev
Mikhail Kirponos
Forças

3,8 milhões de soldados 

3 350–3 795 tanques 
 

3 030–3 072 veículos blindados
2 770 aeronaves

7 200 peças de artilharia

2,6–2,9 milhões de soldados

11 000 tanques

7 133–9 100 aeronaves 

14 000 000 de soldados na reserva

Baixas
Alemães:186 452 mortos
655 179 feridos
40 157 desaparecidos
2 093 aeronaves destruídas
2 758 blindados destruídos

Outros do Eixo:
128 000 mortos ou desaparecidos (italianos, finlandeses e romenos)
802 191 mortos (somente baixas documentadas)
3 000 000 feridos
3 300 000 capturados21 200 aeronaves destruídas 
20 500 veículos blindados perdidos

 

A Operação Barbarossa (em alemão: Unternehmen Barbarossa) foi o nome de código pelo qual ficou conhecida a operação militar alemã para invadir a União Soviética, iniciada a 22 de junho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, rompendo assim com o Pacto Ribbentrop-Molotov (ou tratado de não-agressão) acordado entre os dois Estados cerca de dois anos antes.

Considerada a maior e mais feroz campanha militar da história em termos de mobilização de tropas e baixas sofridas, onde 4,5 milhões de soldados do Eixo invadiram a União Soviética numa frente de 2.900 km sendo também utilizados 600.000 veículos motorizados e 750.000 cavalos. Os planos para a Operação Barbarossa iniciaram no dia 18 de dezembro de 1940, sendo o seu nome devido ao monarca Frederico Barbarossa, do Sacro Império Romano-Germânico, um dos líderes da Terceira Cruzada no século XII.
O objetivo inicial da Operação Barbarossa era uma rápida tomada da parte europeia da União Soviética a oeste da linha que liga as cidades de Arkhangelsk e Astrakhan, chamada de linha A-A na Diretiva nº 21 de Adolf Hitler. Até ao final do mês de janeiro de 1942, o avanço alemão foi paralisado pelo Exército Vermelho. Embora não tenha alcançado o objetivo desejado de uma conquista total do território inimigo e a vitória sobre este, as tropas alemãs haviam conseguido tomar as mais importantes áreas económicas do território soviético, concentradas principalmente na Ucrânia. Fora estes sucessos alcançados, os alemães não conseguiram formar novamente uma força ofensiva que chegasse até Moscovo.
Com o falhar da Operação Barbarossa, ficaram complicadas as futuras operações dentro do território soviético, tendo todas estas tentativas falhado, como a continuação do Cerco de Leninegrado, Operação Nordlicht, e a Batalha de Estalinegrado, entre outras batalhas no território soviético ocupado.
Com o falhar da Operação Barbarossa, foi aberto um novo fronte na Segunda Guerra, a Frente Oriental, onde foram concentradas mais forças do que em qualquer outro teatro de guerra da história, sendo assim, ficou inevitável que neste fronte ocorressem algumas das maiores batalhas, baixas e atrocidades, trazendo o horror para as forças alemães e soviéticas que ali se enfrentavam, influenciando decisivamente no curso da guerra e da história do século XX.
      

quinta-feira, abril 30, 2026

Até ditadores genocidas fazem coisas boas - Hitler suicidou-se há 81 anos...

Capa de jornal, com a notícia da morte de Hitler
  
Adolf Hitler (Braunau am Inn, 20 de abril de 1889 - Berlim, 30 de abril de 1945), por vezes em português Adolfo Hitler, foi o líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemãoNationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por Partido Nazi, uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi. Hitler tornou-se chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário de alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria com a Alemanha.
As suas teses racistas e anti-semitas, assim como os seus objetivos para a Alemanha ficaram patentes no seu livro de 1924, Mein Kampf (Minha luta). Documentos apresentados durante o Julgamento de Nuremberga indicam que, no período em que Adolf Hitler esteve no poder, grupos minoritários considerados indesejados - tais como Testemunhas de Jeová, eslavos, polacos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais e judeus - foram perseguidos no que se tornou conhecido como Holocausto. A maioria dos historiadores admite que a maior parte dos perseguidos foi submetida a Solução Final, enquanto certos seres humanos foram usados em experiências médicas ou militares.
No período de 1939 a 1945 Hitler liderou a Alemanha enquanto envolvida no maior conflito do século XX, a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha, juntamente com a Itália e com o Japão, formavam o Eixo. O Eixo seria derrotado apenas pela intervenção externa do grupo de países que se denominavam os "Aliados". Tal grupo fez-se notável por ter sido constituído pelos principais representantes dos sistemas capitalista e socialista, entre os quais a União Soviética e os Estados Unidos, união esta que se converteu em oposição no período pós-guerra, conhecido como a Guerra Fria. A Segunda Guerra Mundial acarretou a morte de um total estimado em 50 a 70 milhões de pessoas.
Hitler sobreviveu, sem ferimentos graves, a 42 atentados contra a sua vida. Devido a isso, ao que tudo indica, Hitler teria chegado a acreditar que a "Providência" estava intervindo a seu favor. A última tentativa de assassiná-lo foi o atentado de 20 de julho de 1944, onde uma bomba, preparada para simular o efeito com um explosivo britânico, explodiu a apenas dois metros do Führer. O atentado foi liderado e executado por von Stauffenberg, coronel alemão condenado à morte por fuzilamento. Tal atentado não o impediu de, menos de uma hora depois, se encontrar, em perfeitas condições físicas, com o ditador fascista italiano, Benito Mussolini.
Adolf Hitler cometeu suicídio no seu quartel-general (o Führerbunker), em Berlim, a 30 de abril de 1945, enquanto o exército soviético combatia as suas tropas que defendiam a capital alemã (as Divisões da SS com soldados franceses Charlemagne e com soldados noruegueses Nordland). Segundo testemunhas, Hitler já teria admitido que havia perdido a guerra desde o dia 22 de abril, e desde já passavam por sua cabeça os pensamentos suicidas.
  
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A partir de 1943, no entanto, a queda alemã tornou-se inexorável e o atentado de julho de 1944 contra Hitler revelou a força da oposição interna. Nessa época a saúde de Hitler estava muito debilitada, possuía problemas cardíacos, era hipocondríaco, sofria de insónias, a doença de Parkinson já o afetava visivelmente e estava a envelhecer precocemente. Após uma última derrota (o falhanço da ofensiva das Ardenas, em dezembro de 1944), Hitler refugiou-se num bunker (esconderijo) na cidade de Berlim, onde finalmente cometeria suicídio, a 30 de abril de 1945.
   

segunda-feira, abril 20, 2026

Um dos maiores genocidas de sempre (chamado adolfo...) nasceu há 137 anos ...

No exterior do edifício onde Hitler nasceu em Braunau am Inn, na Áustria, um memorial em pedra para lembrar os horrores da II Guerra Mundial - a tradução diz: "Pela paz, liberdade e democracia,  fascismo nunca mais, milhões de mortos lembram"
 

        
Adolf Hitler (Braunau am Inn, 20 de abril de 1889 - Berlim, 30 de abril de 1945), por vezes em português Adolfo Hitler, foi um militar e político, líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por partido nazi, uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi. Hitler tornou-se chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário de alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria com a Alemanha.
 

    

quinta-feira, abril 09, 2026

Os nazis enforcaram Wilhelm Canaris e Dietrich Bonhoeffer há oitenta e um anos...

       
Wilhelm Franz Canaris (Aplerbeck, 1 de janeiro de 1887Flossenbürg, 9 de abril de 1945) foi um almirante alemão, líder dos serviços de espionagem militar (a Abwehr) de 1935 a 1944. Foi também uma das figuras da resistência alemã (Widerstand) ao regime nazi de Adolf Hitler e um dos (indiretamente) envolvidos no atentado de 20 de julho de 1944.
  
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Dietrich Bonhoeffer (Breslau, 4 de fevereiro de 1906Flossenbürg, 9 de abril de 1945) foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazi e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazi.
Bonhoeffer envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado, pouco tempo antes de Hitler cometer suicídio.
  
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Quando já estava sendo perseguido pelos nazis, Bonhoeffer escreveu um tratado considerado por muitos uma das maiores obras primas do protestantismo, que denominou simplesmente "Ética". É nesta obra que ele justifica, em parte, o seu empenhamento na resistência alemã anti-nazi e o seu envolvimento na luta contra Adolf Hitler, dizendo que:
  
  
As suas cartas da prisão são um testemunho de martírio e também um tesouro para a Teologia Cristã do século XX.

quarta-feira, abril 01, 2026

Os nazis começaram a perseguir os judeus (legalmente...) há 93 anos...

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1 de abril de 1933 - os nazis, recém-eleitos, organizam, sob a batuta de Julius Streicher, um boicote de um dia a todas as lojas e negócios pertencentes a judeus na Alemanha, a preparação do Holocausto. Num cartaz, afixado por um membro da milícia para-militar SA (os camisas castanhas), lia-se a seguinte propaganda anti-semita: 
  
Alemães, defendam-se! Não comprem aos judeus!
   

terça-feira, março 31, 2026

Jesse Owens morreu há quarenta e seis anos...

     
James Cleveland "Jesse" Owens (Oakville, 12 de setembro de 1913  - Tucson, 31 de março de 1980) foi um atleta e líder civil norte-americano que participou nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, em Berlim, Alemanha, onde se tornou conhecido mundialmente ao ganhar quatro medalhas de ouro, nas corridas dos 100 e 200 metros, no salto em comprimento e nas estafetas de 4 x 100 metros, para grande tristeza dos nazis. Em 2012, foi imortalizado no IAAF Hall of Fame, criado no mesmo ano, como parte das celebrações pelo centenário da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF).
      
         

domingo, março 15, 2026

Hitler anexou o que sobrou da República Checa há 87 anos

Brasão
     
O Protetorado da Boémia e Morávia foi um protetorado, de maioria étnica checa, que a Alemanha nazi criou nas partes centrais da Boémia, Morávia e Silésia checa, no que é hoje a República Checa.
  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Bundesarchiv_Bild_183-2004-1202-505,_Prag,_Burg,_Besuch_Adolf_Hitler.jpg
Adolf Hitler na sua visita ao Castelo de Praga depois do estabelecimento do protetorado alemão
  
Foi criado em 15 de março de 1939, por decreto do líder alemão Adolf Hitler, no Castelo de Praga, na sequência da declaração da República Eslovaca, independente a partir de 14 de março de 1939. A Boémia e a Morávia eram territórios autónomos, administrados pelos nazis, que o governo alemão considerou parte do Grande Reich Alemão. A existência do pseudo-estado chegou ao fim com a rendição da Alemanha aos Aliados, no final da II Guerra Mundial, em 1945.
       
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quinta-feira, março 12, 2026

Anschluss (ou Chechénia, Ossétia do Sul, Abecásia, Transnístria, Crimeia, Donbass ou Bielorrússia...) nunca mais

 
Anschluß ou Anschluss é uma palavra do idioma alemão que significa conexão, anexação, afiliação ou adesão. É utilizada em História para se referir à anexação político-militar da Áustria por pela Alemanha nazi em 1938.
Este termo é o oposto à palavra Ausschluß, que caracteriza a exclusão da Áustria no Reino da Prússia.
No tratado de Saint-Germain-en-Laye de 1919, que pôs fim ao Império Austro-Húngaro, o artigo 88º estipulava expressamente que a união de Áustria com Alemanha ficava proibida, mas a maioria dos habitantes que falavam o alemão apoiavam uma união com a Alemanha.
Como se sabe, a Áustria, na tradição do Império Austro-Húngaro, era uma nação multi-étnica e multicultural. Em Viena e nas principais cidades austríacas viviam pessoas que falavam línguas diversas (alemão, húngaro, checo, croata, iídiche etc.) e praticavam as mais diferentes religiões (católicos - cerca de 73,6% da população, luteranos, judeus, cristãos ortodoxos). O imperador da Áustria tinha sido a figura política que tinha dado coesão à sociedade multicultural do Império Austro-Húngaro. Esse papel centralizador não tinha então um correspondente na nova sociedade austríaca. Muitas famílias judaicas, por exemplo, recordavam com saudade esses tempos idos. A nova sociedade austríaca vivia sob o signo do antissemitismo e das dificuldades da coexistência multi-cultural. Muitos austríacos, aqueles que eram de origem germânica (como Adolf Hitler) aspiravam a uma nação livre dessas outras etnias, que desdenhavam. Aos olhos de Hitler, o ideal a seguir era o do pangermanismo: uma nação com uma só língua e etnia.
A 13 de setembro de 1931 uma milícia dos cristãos-socialistas tenta, em vão, tomar o poder na Áustria pelas armas.
Depois da vitória nas eleições de abril de 1932, os nazis não obtiveram a maioria absoluta, o que os leva à oposição. Os nazis austríacos lançam-se numa estratégia de tensão e recorrem ao terrorismo. O chanceler social cristão Engelbert Dollfuss escolhe, em 1933, governar por decreto, dissolve o parlamento, o Partido Comunista da Áustria, o partido nacional-socialista e a poderosa milícia social-democrata, a Schutzbund. O seu regime assemelha-se ao regime fascista, com uma preferência por Benito Mussolini. Dollfuss reprime os social-democratas, que não querem deixar morrer a democracia, seja através de Dollfuss ou dos nazis.
Após dura repressão da polícia, depois de uma insurreição em Linz, em fevereiro de 1934, que causou entre 1.000 e 2.000 mortes, os social-democratas abandonaram o combate e escolheram o exílio.
Enquanto isso os nazis austríacos reforçaram-se e organizaram-se; preferindo um fascismo mais germânico, assassinaram o chanceler Dollfuss, a 25 de junho de 1934, e exterminaram o seu clã, mas o seu golpe de Estado é frustrado.
O novo chanceler, Kurt Schuschnigg, negocia uma trégua com Hitler em Berchtesgaden, em fevereiro de 1938. O acordo é claro: entrada dos nazis no governo e amnistia para os crimes em troca de uma não-intervenção alemã na crise política.
O pacto não serve de nada: Schuschnigg perde o controle do país e vê como último recurso organizar um referendo para beneficiar da legitimidade popular: o exército alemão entra na Áustria a 12 de março e coloca o ministro do interior nazi no lugar de chanceler.
A 13 de março de 1938 a Alemanha anuncia oficialmente a anexação da república austríaca e converte-a numa província do Terceiro Reich. Em 10 de abril, um vergonhoso arremedo de referendo aprova a anexação, com uma taxa de 99% de aprovação, pela população que pode votar.
  

quarta-feira, janeiro 14, 2026

Poema adequado à data, para recordar um Homem corajoso...

 

Detalhe do Memorial do Holocausto em Boston (1995)

 

E Não Sobrou Ninguém


Quando os nazis levaram os comunistas, 
eu calei-me, porque, afinal, 
eu não era comunista. 

Quando eles prenderam os sociais-democratas, 
eu calei-me, porque, afinal, 
eu não era social-democrata. 

Quando eles levaram os sindicalistas, 
eu não protestei, porque, afinal, 
eu não era sindicalista. 

Quando levaram os judeus, 
eu não protestei, porque, afinal, 
eu não era judeu. 

Quando eles me levaram, 
não havia mais quem protestasse.
  
  
Martin Niemöller

Martin Niemoller nasceu há cento e trinta e quatro anos...


      

Martin Niemöller (Lippstadt, 14 de janeiro de 1892 - Wiesbaden, 6 de março de 1984) foi um pastor luterano alemão. Em 1966 foi-lhe atribuído o Prémio Lenine da Paz. Desde a década de 80 que se tornou bastante conhecido pelo poema "Quando os nazis levaram os comunistas".

Biografia
Filho de um pastor luterano, foi educado para a fidelidade ao imperador e com sentimento patriótico alemão. Depois de concluir o curso colegial, ele ingressou na Marinha como soldado de carreira. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como comandante de submarino, vindo a ser condecorado com a Cruz de Ferro. Após a guerra, viveu durante algum tempo em Freikorps e estudou Teologia. Em 1931, foi ordenado pastor da Igreja de Santa Ana em Dahlen, subúrbio de Berlim.
Mesmo depois de formar-se em Teologia, ele permaneceu fiel à sua ideologia patriótica e conservadora. Porém, após a subida dos nazis ao poder, em 1933, Niemöller – então pároco em Berlim-Dahlem – entrou num conflito crescente com o novo governo. Inicialmente, ele concordava com o antagonismo dos Nazis ao Comunismo e à República de Weimar, mas ficou alarmado com a tentativa de Hitler em dominar a Igreja Evangélica (Luterana ou Reformada) impondo-lhe o movimento neopagão dos "Cristãos Germânicos" da Igreja do Reich e de seu bispo Ludwig Müller. Sendo ele nacionalista e não estando inteiramente livre de preconceitos anti-semitas, Niemöller protesta decididamente contra a aplicação do "parágrafo ariano" na Igreja e a falsificação da doutrina bíblica pelos cristãos alemães de ideologia nazi. Para impedir a segregação de cristãos de origem judaica, ele criou no outono de 1933, com Dietrich Bonhöffer, a Pfarrernotbund ("Liga Pastoral de Emergência") para apoiar os pastores não-arianos ou casados com não-arianas, que foi transformada na Bekennende Kirche (Igreja Engajada) em 1934. A Igreja Engajada recusou obediência à direção oficial da Igreja Evangélica, tornando-se um importante centro de resistência alemã protestante ao regime nazi.
Em 1934, Niemöller acreditava ainda que poderia discutir com os novos donos do poder. Numa receção na Chancelaria em Berlim, ele contestou Hitler, que queria eximir a Igreja de toda responsabilidade pelas questões "terrenas" do povo alemão:
"Ele me estendeu a mão e eu aproveitei a oportunidade. Segurei a sua mão fortemente e disse: 'Sr. Chanceler, o senhor disse que devemos deixar em suas mãos o povo alemão, mas a responsabilidade pelo nosso povo foi posta na nossa consciência por alguém inteiramente diferente'. Então, ele puxou a sua mão, dirigindo-se ao próximo e não disse mais nenhuma palavra."

Perseguição nazi
A partir deste incidente, Niemöller fica cada vez mais na mira do regime. É observado pela Gestapo e proibido de fazer pregações, o que ele não aceita. Em 1935, é preso pela primeira vez e logo libertado. Martin Niemöller já era tido nessa época como o mais importante porta-voz da resistência protestante. No verão de 1937, ele pregava:
"E quem como eu, que não viu nada a seu lado no ofício religioso vespertino de anteontem, a não ser três jovens polícias da Gestapo – três jovens que certamente foram batizados um dia em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e que certamente juraram fidelidade ao seu Salvador na cerimónia de crisma, e agora são enviados para armar ciladas à comunidade de Jesus Cristo –, não esquece facilmente o ultraje à Igreja e deseja clamar 'Senhor, tende piedade' de forma bem profunda."
Em julho de 1937, Niemöller foi preso novamente. Passados cerca de sete meses, no dia 7 de fevereiro de 1938, começou então o seu processo diante do Tribunal Especial II em Berlim-Moabit. Segundo a acusação, Martin Niemöller teria criticado as medidas do governo nas suas pregações "de maneira ameaçadora para a paz pública", teria feito "declarações hostis e provocadores" sobre alguns ministros do Reich e, com isto, transgredido o "parágrafo do Chanceler" e a "lei da perfídia". A sentença: sete meses de prisão, bem como dois mil marcos de multa.
Os juízes consideraram a pena como cumprida, em função do longo tempo de prisão preventiva. Niemöller deveria assim ter deixado a sala do tribunal como homem livre. Para Hitler, no entanto, a sentença pareceu muito suave. Ele enviou o pastor como seu "prisioneiro pessoal" para um campo de concentração. Até ao fim da guerra, durante mais de sete anos, Martin Niemöller permaneceu preso – inicialmente, no campo de concentração de Sachsenhausen, depois no de Dachau.
        

sábado, novembro 15, 2025

Rommel, a Raposa do Deserto, nasceu há 134 anos

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Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de novembro de 1891Herrlingen, 14 de outubro de 1944) (conhecido popularmente como A Raposa do Deserto) foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial.
Rommel ficou mundialmente famoso por sua intervenção na África do Norte entre 1941 e 1943, no comando do Afrika Korps, um destacamento do exército alemão destinado a auxiliar as forças italianas que então batiam em retirada frente ao exército britânico. Por sua audácia e domínio das táticas de guerra com blindados, granjeou o apelido de A Raposa do Deserto e entre os árabes como O Libertador, sendo temido e respeitado tanto por seus comandados quanto por seus inimigos.
     
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Implicado no atentado por suas ligações com os oficiais conspiradores membros da resistência alemã, Rommel, ainda em recuperação médica, recebe em sua casa a visita de dois oficiais generais em 14 de outubro de 1944.
Devido ao seu prestígio nacional, estes oficiais, leais a Hitler, trazem os termos do Führer a Rommel: ir a Berlim, passar por um julgamento popular e inevitavelmente ser condenado à morte, condenando também sua família a ser confinada num campo de concentração ou, sozinho, acompanhar os dois oficiais e ingerir veneno para suicidar-se, opção esta que garantiria a integridade de seus familiares. Rommel sem dúvida escolhe a segunda alternativa, despede-se da família e acompanha os dois oficiais, embarcando no seu automóvel.
Às 13.25 horas os Generais Burgdorf e Maisel, fizeram a entrega do cadáver de Rommel no Hospital de Ulm. O médico-chefe, que se dispunha a proceder a autópsia, foi prontamente interrompido por Burgdorf que lhe disse: "Não toque no corpo. Em Berlim já se tomaram todas as providências." Talvez, jamais se venha a saber o que exatamente se passou a caminho de Ulm. Burgdorf pereceu com Hitler, no subterrâneo da chancelaria do Reich. Maisel, que no final da guerra foi condenado, juntamente como motorista da SS, afirmaram terem recebido ordens de abandonar o carro por alguns momentos, quando regressaram encontraram Rommel a agonizar.
         

Claus Schenk Graf von Stauffenberg nasceu há 118 anos...

Busto de Claus Von Stauffenberg.

  

Claus Philipp Schenk Graf von Stauffenberg (Jettingen-Scheppach, 15 de novembro de 1907 - Berlim, 21 de julho de 1944) foi um coronel alemão da II Guerra Mundial, autor de um dos atentados da resistência alemã contra Adolf Hitler em 1944, ato conhecido como atentado de 20 de julho.
Pertencia a uma família nobre da Baviera, detentores do título nobiliárquico de graf, que na nobreza latina equivale-se ao conde.

Stauffenberg junto com outros militares alemães que já não suportavam as ordens de Hitler e organizaram um atentado a bomba contra o mesmo. Tinham em mente levar duas pastas com explosivos a uma reunião militar onde ele estaria presente. Todo o projeto foi coordenado com ajuda de cúmplices que aguardariam que Stauffenberg colocasse os dispositivos próximos a Hitler. Antes da explosão, ele forjaria uma saída inesperada da sala, alegando querer dar um telefonema.
Foi um dos principais articuladores deste mal sucedido atentado que tentou remover o líder nazi do poder. A tentativa de matar Hitler aconteceu no seu quartel-general, conhecido como a "Toca do Lobo" (em alemão, "Wolfsschanze") situado nas proximidades de Rastenburg (atualmente Kętrzyn, junto à aldeia à época chamada Görlitz hoje Gierłoż na Prússia Oriental, atual território da Polónia).
   
Stauffenberg carregou consigo as duas pastas com 1 quilo de explosivos cada uma, sendo que só conseguiu levar a sala de reunião onde ocorreu o atentado apenas uma das bombas. Os explosivos foram preparados para simularem o efeito de uma bomba britânica. Isto foi feito para encobrir a ação dos conspiradores. Uma grande e pesada mesa de madeira protegeu o Führer da explosão.
Entre 11 feridos e 4 mortos, Hitler teve apenas ferimentos leves. Enquanto recebia socorro médico, Hitler disse: "eu sou imortal."
Horas mais tarde, Hitler recebeu Benito Mussolini no local. O Duce fica impressionado com os estragos causados pela explosão. Mas o líder italiano vê um bom presságio no facto de Hitler ter sobrevivido.


Este mal sucedido atentado custou a vida do Coronel von Stauffenberg e de outros conspiradores que se encontravam em Berlim. Foram traídos por um cúmplice o general Friedrich Fromm. Ao saber que Hitler tinha sobrevivido, Fromm denunciou seus companheiros como os Generais Friedrich Olbricht, Hoepner, Erwin von Witzleben (posteriormente enforcado), o Coronel Mertz e o Tenente Werner von Haeften, os quais foram fuzilados naquele mesmo dia, após julgamento sumário.
No dia seguinte, uma lista com nomes do futuro governo da Alemanha pós-Hitler foi encontrada no cofre de Fromm. Esta era a prova de que ele participara do atentado e tentativa de golpe de estado. O ministro Albert Speer, em vão, tentou interceder em seu favor. Friedrich Fromm foi condenado a morte e executado na forca em 12 de março de 1945.
Conforme foi mostrado no filme The Desert Fox: The Story of Rommel, ao outro suspeito de participar da conspiração, o Marechal de Campo Erwin Rommel, conhecido como a "Raposa do Deserto", foi concedida a opção de suicidar-se, de que ele fez uso.
   
Claus von Stauffenberg disse à sua família:
Se eu conseguir, serei chamado pelo povo alemão de traidor, mas se eu não conseguir, estarei traindo minha consciência.

Atualmente Von Stauffenberg é considerado o modelo de soldado alemão pelo Bundeswehr: "um cidadão fardado".
Foi fuzilado nas primeiras horas do dia 21 de julho de 1944 no Bendlerblock de Berlim. Diante do pelotão de fuzilamento, as suas últimas palavras foram:
–Es lebe das heilige Deutschland! (Longa vida para a sagrada Alemanha!)