Este termo é o oposto à palavra
Ausschluß, que caracteriza a exclusão da Áustria no
Reino da Prússia.
Como se sabe, a Áustria, na tradição do Império Austro-Húngaro, era uma nação multi-étnica e
multicultural. Em
Viena e nas principais cidades austríacas viviam pessoas que falavam línguas diversas (
alemão,
húngaro,
checo,
croata,
iídiche etc.) e praticavam as mais diferentes religiões (
católicos - cerca de 73,6% da população,
luteranos,
judeus,
cristãos ortodoxos). O
imperador da Áustria
tinha sido a figura política que tinha dado coesão à sociedade
multicultural do Império Austro-Húngaro. Esse papel centralizador não
tinha então um correspondente na nova sociedade austríaca. Muitas
famílias judaicas, por exemplo, recordavam com saudade esses tempos
idos. A nova sociedade austríaca vivia sob o signo do
antissemitismo e das dificuldades da coexistência multi-cultural. Muitos austríacos, aqueles que eram de origem germânica (como
Adolf Hitler) aspiravam a uma nação livre dessas outras etnias, que desdenhavam. Aos olhos de Hitler, o ideal a seguir era o do
pangermanismo: uma nação com uma só língua e
etnia.
Depois da vitória nas eleições de abril de 1932, os nazis não
obtiveram a maioria absoluta, o que os leva à oposição. Os nazis
austríacos lançam-se numa estratégia de tensão e recorrem ao
terrorismo. O
chanceler social cristão
Engelbert Dollfuss escolhe, em 1933, governar por decreto, dissolve o parlamento, o
Partido Comunista da Áustria, o partido nacional-socialista e a poderosa milícia
social-democrata, a
Schutzbund. O seu regime assemelha-se ao regime
fascista, com uma preferência por
Benito Mussolini. Dollfuss reprime os social-democratas, que não querem deixar morrer a
democracia, seja através de Dollfuss ou dos nazis.
Após dura repressão da polícia, depois de uma insurreição em
Linz, em fevereiro de 1934, que causou entre 1.000 e 2.000 mortes, os social-democratas abandonaram o combate e escolheram o
exílio.
Enquanto isso os nazis austríacos reforçaram-se e organizaram-se;
preferindo um fascismo mais germânico, assassinaram o chanceler Dollfuss, a
25 de junho de 1934, e exterminaram o seu
clã, mas o seu
golpe de Estado é frustrado.
O novo chanceler,
Kurt Schuschnigg, negocia uma trégua com Hitler em
Berchtesgaden, em fevereiro de
1938. O acordo é claro: entrada dos nazis no governo e amnistia para os
crimes em troca de uma não-intervenção alemã na crise política.
O pacto não serve de nada: Schuschnigg perde o controle do país e vê como último recurso organizar um
referendo para beneficiar da legitimidade popular: o exército alemão entra na Áustria a
12 de março e coloca o ministro do interior nazi no lugar de chanceler.