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sexta-feira, maio 22, 2026

Um dos mais fortes terramotos de sempre, com registo científico, ocorreu em Valdivia há 66 anos...

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Vista de uma rua no centro de Valdivia após o sismo
      
O Sismo de Valdivia de 1960, ou Grande Sismo do Chile (designado oficialmente Grande Terramoto de Valdivia de 1960), foi um sismo de magnitude de 9,5 MW com epicentro próximo a Lumaco, província de MallecoRegião de Araucanía, ocorrido às 19.11 UTC (15.11 no horário local) do dia 22 de maio de 1960. O epicentro foi a 570 km ao sul de Santiago com o hipocentro situado a uma profundidade de 33 km, sendo o mais violento sismo já registado cientificamente. O sismo atingiu o grau 9 da escala Richter - uma magnitude considerada "Excecional" - e uma intensidade XII na escala de Mercalli, o último grau da escala que corresponde à 'destruição total da paisagem' (Cataclismo).

O sismo foi sentido em diferentes partes da Terra e produziu um tsunami que afetou diversas localidades ao largo do Oceano Pacífico, como o Havaí e o Japão, e a erupção do vulcão Puyehue. Cerca de 5.700 pessoas perderam a vida e mais de 2 milhões ficaram feridas por causa desta catástrofe. Tsunamis produzidos pelo tremor causaram 62 mortes no Havai e 31 nas Filipinas nas horas seguintes, e réplicas do primeiro abalo puderam ser sentidas durante mais de um ano. Os estragos chegaram a ameaçar seriamente a realização do Campeonato do Mundo FIFA de 1962, já programada para ocorrer no país.

O número de vítimas e os prejuízos deste desastre nunca foram conhecidos com precisão. Diversas estimativas quanto ao número total de mortes diretamente associadas ao sismo e tsunamis foram publicadas, com a USGS a citar estudos e números de 2.231, 3.000 ou 5.700 mortes, enquanto outras fontes usam estimativas de 6.000 mortes. Várias fontes estimam o custo monetário entre 400 milhões e 800 milhões de dólares norte-americanos (equivalentes a 2,9 e 5,8 mil milhões de dólares, aos custos de 2010, corrigidos pelo efeito da inflação).

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2f/Tsunami_travel_time_Valdivia_1960.jpg
Mapa mostrando o tempo de passagem do tsunami desde Valdivia (vermelho) ao longo do Oceano Pacífico (a escala de cores mostra a altura da onda)
    
  
Sequência de terramotos
Os terramotos chilenos de 1960 foram uma sequência de fortes terramotos que afetaram o Chile entre 21 de maio e 6 de junho do mesmo ano. O primeiro foi o terramoto de Concepción, que alcançou uma magnitude de 8,1MW, seguido pelo mais forte, o terramoto de Valdivia.   

Terramoto de Concepción
Às 06.02 de 21 de maio de 1960, um forte terramoto sacudiu grande parte do Chile. 12 epicentros foram registados na costa da península de Arauco, atual região de Biobio. O movimento teve uma magnitude de 7,3 -7,5Ms e alcançou a intensidade máxima de X na escala de Mercalli, atingindo todo centro-sul do país afetando principalmente as cidades de Concepción, Talcahuano, Lebu, Chillán, Los Ángeles e Angol, e foi sentido em Norte Chico e na província de Llanquihue. O primeiro tremor causou graves danos a vários edifícios e obras rodoviárias. Os segundo e terceiro tremores ocorreram no dia seguinte às 06.32 e às 14.55; semelhantes ao anterior, agitou e derrubou edifícios que já estavam danificados pelo primeiro evento. No entanto, não houve mortes já que grande parte da população tinha evacuado de suas casas por medo de deslizamentos de terra. As telecomunicações para o sul do país foram cortadas e o presidente Jorge Alessandri cancelou a tradicional cerimónia de comemoração da Batalha de Iquique para supervisionar os esforços das assistências de emergência. O terremoto efetivamente interrompeu e terminou a marcha dos mineiros de carvão de Lota em Concepción, onde exigiam salários mais altos.
  
Terramoto de Valdivia
O terremoto de Valdivia ocorreu às 15.11 em 22 de maio, ele começou com uma rutura tectónica de proporções nunca antes registada na história da humanidade. O epicentro deste grande terremoto começou na área perto de Temuco e gradualmente expandiu para o sul em uma sucessão de quebras epicentrais ao longo da costa sul do Chile. O evento maciço quebrou toda a zona de subducção entre a península de Arauco (Bío-Bío) e da península de Taitao (Aysén). Finalmente, chegou a 9,5 MW e durou cerca de 10 minutos, principalmente devido à grande dispersão geográfica de quase 1 000 km de norte a sul. Estudos subsequentes argumentam que, na realidade, foi uma sucessão de 37 ou mais terremotos cujos epicentros cobriu uma área total de 1 350 km. Em suma, o cataclismo devastou todo o território chileno entre Talca e Ilha de Chiloé, que equivale mais de 400 000 quilómetros quadrados.

A área mais afetada foi Valdivia e seus arredores. Nesta cidade do sismo atingiu uma intensidade entre XI e XII na graus na escala de Mercalli. Grande parte dos edifícios desabou imediatamente, enquanto o Rio Calle-Calle inundou as ruas do centro da cidade. Os sistemas de eletricidade e água foram totalmente destruídos. Testemunhas relataram liquefação do solo. Apesar das fortes chuvas de 21 de maio, a cidade estava sem água. O rio ficou castanho com sedimentos de deslizamentos de terra e estava cheio de detritos flutuantes, incluindo casas inteiras. A falta de água potável tornou-se um problema sério em uma das regiões mais chuvosas do Chile.

Um tsunami provocado pela rutura tectónica foi devastador, afetando a costa chilena entre Concepción e Chiloé. Aldeias costeiras, como Toltén, foram atingidas. Em Corral, principal porto de Valdivia, o nível da água subiu 4 metros antes de recuar (às 16.10), arrastando barcos localizados na Baía —principalmente os navios Santiago, San Carlos e Canelos. Às 16h20, uma onda de 8 metros de altura atingiu a costa entre Concepción e Chiloé a mais de 150 Km/h, matando centenas de pessoas de várias localidades. Dez minutos depois o mar recuou, arrastando ruínas de cidades costeiras, uma outra onda de 10 metros foi relatada dez minutos depois. Vários navios foram completamente destruídos, com exceção do Canelos, que encalhou depois de ser arrastado por mais de 1,5 km para o interior de Valdivia.

Dois dias após o terramoto, o vulcão Cordón Caulle, que se localiza perto do vulcão Puyehue, entrou em erupção. Outros vulcões também podem ter entrado em erupção, mas nenhum foi registado devido à pouca comunicação no Chile na época. O número relativamente baixo de vítimas no Chile (5.700 mortos) é explicado em parte pela baixa densidade populacional na região.

 
Interpretação tectónica
O sismo foi um megassismo resultante da libertação da tensão mecânica entre a subducção da Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. O hipocentro foi relativamente superficial, a uma profundidade de 33 km, considerando que terremotos no norte do Chile e na Argentina podem atingir profundidades de 70 km. As zonas de subducção são conhecidas por produzir os mais fortes terremotos na Terra, já que sua estrutura particular permite que mais tensão se acumule antes que a energia seja liberada. Os geofísicos consideram que é uma questão de tempo antes que este terremoto seja superado em magnitude por outro. A zona de ruptura do terremoto tinha 800 km de comprimento, estendendo-se de Arauco (37 ° S) para o Arquipélago de Chiloé (43 ° S). A velocidade de rutura, a velocidade à qual uma frente de rutura se expande através da superfície da falha, foi estimada à 3,5 km por segundo.
  
Deslizamentos

O terramoto provocou inúmeros deslizamentos de terra, principalmente nos íngremes vales glaciais do sul dos Andes. Nos Andes, a maioria dos deslizamentos ocorreram nas encostas de montanhas cobertas por florestas em torno da Falha Liquiñe-Ofqui. Estes deslizamentos de terra não causaram muitas fatalidades nem perdas económicas significativas porque a maioria das áreas estavam desabitadas, com apenas algumas estradas.

Um deslizamento de terra causou destruição e alerta após o bloqueio do Lago Riñihue. Aproximadamente 100 quilómetros ao sul do lago, os deslizamentos nas montanhas em torno do rio de Golgol causaram um bloqueio que fez o rio represar muita água; algum tempo depois a "represa" rebentou e criou uma inundação que desceu em direção ao lago de Puyehue. Os deslizamentos em torno do rio de Golgol destruíram parte da Ruta CH-215, que se liga a Bariloche, na Argentina, através do Passo Cardenal Antonio Samoré.

 

Tsunami

Após os eventos ocorridos em Valdivia, uma onda cruzou o Oceano Pacífico. Quase 15 horas depois, um tsunami de 10 metros de altura atingiu a cidade de Hilo no Havaí, mais de 10 000 km de distância do epicentro, matando 61 pessoas. Eventos semelhantes foram registrados no Japão, Filipinas, Ilha de Páscoa, no oeste dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Samoa e Ilhas Marquesas.

A costa chilena foi devastada por um tsunami desde a Ilha Mocha até a região de Aisén. Em todo o sul do Chile, o tsunami causou uma enorme perda de vidas, danos à infra-estrutura portuária e a perda de um grande número de embarcações menores. Mais ao norte, o porto de Talcahuano não sofreu nenhum dano maior, apenas algumas inundações. Alguns rebocadores e pequenos veleiros encalharam em Rocuant Island perto de Talcahuano.

Após o terramoto de 21 de maio em Concepción, pessoas em Ancud buscaram refúgio em barcos. Um barco carabinero, Gloria, estava rebocando alguns desses barcos (que estavam abrigando as pessoas) quando o segundo terremoto ocorreu no dia 22 de maio. Como o mar recuou Gloria encalhou entre Cerro Guaiguén e Cochinos Island. Minutos depois uma onda do tsunami fê-lo  naufragar.

No Rio Valdivia e na Baía do Corral vários navios naufragaram devido ao terramoto, entre eles Argentina, Canelos, Carlos Haverbeck, Melita e os restos recuperados de Penco. Canelos que havia ancorado em Corral, estava cheio de carga de madeira e outros produtos destinados ao norte do Chile quando o terramoto o atingiu. Após horas de ronda ao redor na baía do Corral e do rio de Valdivia o navio foi destruído e subsequentemente abandonado por sua equipe às 18.00. Dois homens a bordo de Canelos morreram no incidente. Até 2000, os restos de Canelos ainda estavam visíveis. Santiago, outro navio ancorado em Corral no momento do terramoto, conseguiu deixar Corral em mau estado, mas naufragou na costa da ilha de Mocha, no dia 24 de maio.

Na cidade costeira de Queule, um carabinero informou que centenas de pessoas estavam mortas ou desaparecidas alguns dias depois do tsunami. Os historiadores Yoselin Jaramillo e Ismael Basso relatam que as pessoas em Queule décadas mais tarde conheciam cerca de 50 pessoas que morreram por causa do terramoto e tsunami. 

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/33/Hilo_after_Tsunami_1960.jpg

Hilo no Havaí, após o tsunami

 

quarta-feira, abril 01, 2026

O sismo que deu origem ao Centro de Avisos de Tsunamis do Pacífico foi há oitenta anos...

A população foge do tsunami em Hilo, cidade capital da ilha do Havai (a Big Island)
    
O Sismo das Ilhas Aleutas de 1946 ocorreu próximo das Ilhas Aleutas, um arquipélago do estado do Alasca formado pelos vulcões de um arco insular associado à zona de subdução da placa do Pacífico sobre a placa norte-americana. Foi a 1 de abril de 1946, às 12.28 horas (UTC), com uma magnitude de 7,8MW, tendo o epicentro as coordenadas 52.8°N, 163.5°W e o hipocentro a 25 km de profundidade, sendo seguido por um tsunami. Este último resultou em 165 mortes: 159 no Havai e seis no próprio Alasca (e em prejuízos de 26 milhões de dólares - dados da época). No Alasca a onda do tsunami teve uma altura de pelo menos 35 metros e no Havai, na Big Island, teve uma altura máxima de 8,1 metros e seis ou sete ondas, com intervalos de 15/20 minutos.
   
 O avanço do tsunami, em horas (daqui)
    
O tsunami foi estranhamente forte para o tamanho do terramoto; foi a última vez que um sismo abaixo de magnitude 9,0 causou mortes através de um tsunami longe da área do sismo. Vários cientistas acreditam que o tsunami pode ter sido causado por um deslizamento de terras submarino causado pelo sismo. O tamanho e efeitos do tsunami levou, em 1949, à criação do Pacific Tsunami Warning Center, tendo este poupado, ao longo da sua existência, milhares de vidas com os seus alertas.
   
A baixa de Hilo, depois do tsunami (daqui)
     

terça-feira, março 31, 2026

Notícia sobre tsunamis no mar Mediterrâneo...

“Probabilidade de 100%”. Cientistas antecipam tsunami no Mediterrâneo nos próximos 30 anos

   

 

Nice, França

   

A previsão de um tsunami no Mar Mediterrâneo nas próximas décadas está a acelerar a necessidade de ter planos de evacuação, principalmente na Riviera Francesa.

O Mar Mediterrâneo é considerado como tendo um baixo risco de tsunami. A história e as recentes tecnologias de modelação demonstraram que as ondas destrutivas já atingiram a costa francesa e podem voltar a fazê-lo.

Os resultados de um projeto realizado em Nice e ao longo da Riviera Francesa mostram porque é que a antecipação e as medidas preventivas de evacuação continuam a ser os únicos meios verdadeiramente eficazes de salvar vidas.

Os tsunamis estão entre os fenómenos naturais mais destrutivos. Desencadeados por sismos, deslizamentos submarinos ou erupções vulcânicas, espalham-se rapidamente por longas distâncias antes de libertarem a sua energia perto da costa sob a forma de submersão repentina e correntes extremamente poderosas.

Desde alguns centímetros até vários metros, esta inundação é geralmente caracterizada por várias ondas, e as primeiras ondas não são necessariamente as maiores. A velocidade da corrente é tal que a pressão exercida sobre a infra-estrutura costeira pode atingir várias toneladas por metro quadrado.

Desde 1970, os tsunamis causaram mais de 250 000 mortes em todo o mundo, nomeadamente o tsunami do Boxing Day em 2004 no Oceano Índico e o tsunami de 11 de março de 2011 no Japão, por exemplo.

 

Um risco que, afinal, não é assim tão improvável

No imaginário coletivo, os tsunamis estão tradicionalmente associados ao Pacífico e ao Oceano Índico. O risco de um tsunami em alto-mar no Mediterrâneo tem sido frequentemente considerado marginal, e isso por si só pode ser enganador. Em junho de 2022, a UNESCO, que se dedica a aumentar a consciencialização global sobre o risco de tsunamis entre as comunidades costeiras, declarou:

“As estatísticas mostram que há 100% de probabilidade de um tsunami com pelo menos um metro de altura no Mar Mediterrâneo nos próximos 30 anos.”

Depois do Pacífico, a bacia do Mediterrâneo concentra o maior número de tsunamis históricos registados, vários dos quais atingiram a costa da Côte d’Azur, em França.

De acordo com os dados disponíveis, foram registadas cerca de vinte ocorrências na zona marítima da Riviera Francesa entre o século XVI e o início da década de 2000, com ondas que ultrapassaram frequentemente os dois metros.

 

Tempos de evacuação geralmente muito curtos

As origens dos tsunamis no Mediterrâneo podem ser locais ou distantes. Em alguns casos, o tempo de inundação das primeiras vagas pode ser inferior a dez minutos, particularmente em caso de deslizamento submarino ou terramoto perto da costa, como no Mar da Ligúria, entre a Córsega e a costa italiana.

Por outro lado, os tsunamis gerados mais longe de França, por exemplo ao largo da costa norte de África, podem atingir a Riviera Francesa em menos de 90 minutos.

O terramoto de Boumerdès (Argélia), a 21 de maio de 2003, provocou devastação em toda a costa mediterrânica francesa. Uma investigação de campo revelou que oito marinas na Riviera Francesa sofreram descidas significativas do nível do mar (de 50 cm a 1,5 m), purgas na bacia, fortes turbilhões e correntes, bem como danos em embarcações, consistentes com fenómenos de ressonância portuária. Os efeitos foram observados na costa da Riviera Francesa uma hora e quinze minutos após o sismo.

De origem mais local, o tsunami de Nice, a 16 de outubro de 1979, desencadeado pelo colapso subaquático de parte do estaleiro de construção do novo porto comercial de Nice (Alpes-Maritimes), adjacente ao aeroporto, provocou a morte a oito pessoas e danos significativos em Antibes, Cannes e Nice. O fenómeno foi observado em Antibes durante cerca de trinta minutos.

Outro cenário que poderá ocorrer mais próximo da costa é o do tsunami sísmico que atingiu o Mar da Ligúria a 23 de fevereiro de 1887, após um sismo submarino de magnitude entre 6,5 e 6,8 na escala de Richter.

Relatos contemporâneos descrevem um recuo repentino do mar em cerca de um metro em Antibes e Cannes, deixando barcos de pesca encalhados, antes da chegada de uma onda de quase dois metros que cobriu as praias.

Estes acontecimentos recordam-nos como somos apanhados de surpresa e como intervalos de tempo tão curtos demonstram as limitações dos sistemas de alerta tradicionais. A capacidade de evacuação rápida das comunidades costeiras torna-se crucial.

 

Um sistema operacional de alerta para a França

A França dispõe de um sistema nacional de alerta de tsunamis, integrado no Centro de Alerta de Tsunamis (Cenalt) desde julho de 2012, em conjunto com o sistema internacional coordenado pela UNESCO no Mediterrâneo.

Este sistema permite a deteção rápida de sismos com potencial para gerar tsunamis e a transmissão de um alerta em menos de quinze minutos para o Centro Interdepartamental de Gestão de Crises (COGIC) e para os centros de alerta internacionais.

Cabe depois às autoridades divulgar as mensagens de alerta à população, principalmente através da plataforma FR-Alert, que permite o envio de notificações para os telemóveis das pessoas localizadas na zona de perigo.

No entanto, este sistema global abrange apenas tsunamis causados ​​por sismos distantes e é pouco eficaz no caso de tsunamis locais ou causados ​​por deslizamentos submarinos, onde o tsunami pode atingir a costa em menos tempo do que o tempo de aviso prévio.

É por esta razão que é fundamental sensibilizar as populações costeiras para os sinais de alerta: sismos sentidos, movimentos anormais do mar e, na maioria das vezes, recuos do nível do mar antes da chegada do tsunami, embora nem sempre.

 

A costa de Nice – Côte d’Azur está em alto risco

Ao longo de toda a costa mediterrânica francesa, foi definida uma zona de evacuação pelas agências governamentais e pela Universidade de Montpellier, com base na altitude, distância ao mar e dados históricos.

Corresponde a zonas costeiras com altitude inferior a 5 metros e a menos de 200 metros do mar. Nas desembocaduras dos rios, esta distância é alargada para 500 metros em relação ao estuário.

Incluindo a Córsega, 1700 km de costa, 187 cidades ao longo da costa mediterrânica francesa e pelo menos 164 000 residentes seriam afetados. No pico do verão, estima-se que 835 000 banhistas também precisariam de ser considerados em caso de tsunami.

A área metropolitana de Nice – Côte d’Azur é vulnerável por diversas razões: urbanização densa, forte interesse turístico e praias muito movimentadas.

Uma análise fotográfica e modelação permitiu estimar que dezenas de milhares de pessoas estão presentes na área a evacuar durante períodos de grande fluxo de visitantes (entre 10.000 e 87.000 pessoas nas praias, dependendo da estação do ano e do horário).

 

Evacuação antes de um tsunami: o plano para Nice e zonas costeiras adjacentes

Perante um tsunami, a evacuação é o único meio eficaz de garantir a segurança da população. A experiência internacional demonstra que procedimentos de evacuação rápidos e bem planeados podem salvar a grande maioria das pessoas expostas.

As medidas de evacuação reativa, por exemplo, salvaram 96% dos habitantes japoneses quando o grande tsunami atingiu a costa de Tohoku, a 11 de março de 2011.

Em Nice – Côte d’Azur, foi desenvolvida uma estratégia de evacuação abrangente e apoiada por investigação científica liderada pelo Laboratório de Geografia e Planeamento Territorial da Universidade de Montpellier. Baseia-se em percursos de caminhada otimizados, tendo em conta inclinações, obstáculos, velocidades de deslocamento e pontos de congestionamento.

Os locais de refúgio situados fora do alcance das ondas foram identificados e validados pelas autoridades locais, e foram elaboradas rotas de evacuação com recurso a algoritmos para encontrar os percursos mais rápidos.

No total, quase uma centena de locais de refúgio foram mapeados e incorporados em planos operacionais de evacuação, concebidos para guiar rapidamente as pessoas para locais seguros.

 

Da ciência à ação: preparar a população

A sensibilização para os tsunamis deve ir além do mapeamento de evacuação: simulações de segurança, como exercícios de evacuação, particularmente nas escolas, ou a introdução gradual de sinalização pública de alerta, contribuem para incentivar comportamentos responsáveis.

Várias iniciativas como estas foram implementadas em Nice através de um projeto com estudantes de Montpellier.

Em Nice, uma plataforma de informação de acesso público com mapas interativos permite ainda aos utilizadores encontrar zonas de evacuação, percursos e instruções a seguir em caso de alerta. Estas ferramentas contribuem para o desenvolvimento de uma verdadeira cultura de risco de tsunami.

 

Tornar-se um território “Preparado para Tsunamis”

Para além da região costeira da Côte d’Azur, em França, o portal de informação pode ser aplicado a outros litorais em França e na Europa, tanto no Mediterrâneo como noutros continentes, onde o tempo de inundação de um tsunami pode ser igualmente curto.

As iniciativas que estão a ser implementadas em Nice estão em linha com o programa internacional de reconhecimento “Preparado para Tsunamis” (TRRP) da UNESCO. Este programa de 12 pontos visa certificar territórios capazes de antecipar o risco de tsunamis, preparar as suas populações e coordenar uma resposta adequada.

As primeiras cidades a receber o selo e que beneficiaram do apoio científico e técnico foram Deshaies, em Guadalupe, e Cannes, sendo que Nice deverá aderir ao programa em breve.

Quando se enfrenta uma onda que pode chegar em questão de minutos, estar preparado para evacuar faz toda a diferença.


in ZAP

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Um terramoto que provocou um tsunami afetou o Chile há 16 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/00/2010_Chile_earthquake_Tsunami_aftermath_at_San_Antonio.jpg

Consequências do tsunami proveniente do terramoto que atingiu o Chile, em 27 de fevereiro de 2010
        
O sismo do Chile de 2010 ocorreu ao longo da costa da Região de Maule, no Chile, em 27 de fevereiro de 2010, às 03.34 horas na hora local (06.34 horas UTC), atingindo uma magnitude de 8,8 na escala de magnitude de momento e durando três minutos. O terramoto foi sentido na capital Santiago com intensidade VIII na escala de Mercalli (ruinoso). O sismo foi sentido em muitas cidades argentinas, incluindo Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e La Rioja. Também foi sentido mais a norte, como na cidade de Ica, no sul do Peru. Alertas de tsunami foram emitidos para 53 países e um tsunami foi registado, com ondas superiores a 2,6 metros, no mar de Valparaíso, Chile. A presidente Michelle Bachelet declarou "estado de calamidade". Ela também confirmou a morte de pelo menos 723 pessoas e muitos outros foram registados como desaparecidos.
Sismólogos estimam que o terramoto tenha sido tão poderoso que este teria encurtado a duração do dia em 1,26 microssegundos e deslocado o eixo terrestre em 8 cm.
O epicentro do sismo foi no mar da região de Maule, aproximadamente 8 km a oeste de Curanipe e 115 km a norte-nordeste da segunda maior cidade do Chile, Concepción. O terramoto também causou seichas que ocorreram no Lago Pontchartrain, ao norte de Nova Orleães, Estados Unidos, localizadas a cerca de 7.600 km do epicentro do terramoto.
 
 
Prédio destruído em Concepción

 

sábado, fevereiro 21, 2026

Christchurch, a capital da Ilha do Sul da Nova Zelândia, teve um terramoto há 15 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f0/Piko_building_corner_Barbadoes_Kilmore.JPG/800px-Piko_building_corner_Barbadoes_Kilmore.JPG
Edifício destruído em Christchurch
     
O Sismo de Canterbury de 2011 (também conhecido como sismo de Christchurch) foi um sismo de 6,3 de magnitude que atingiu a Ilha do Sul da Nova Zelândia às 12.51 horas de 22 de fevereiro de 2011 (hora local), que corresponde às 23.51 horas de 21 de fevereiro UTC. O número de mortes provocadas pelo sismo foi inicialmente estimado em 159 (em 2 de março de 2011), passando depois para 185.
A região mais afetada foi província de Canterbury, em particular a cidade de Christchurch, situada a 10 km do epicentro do sismo. Essa mesma região já tinha sido atingida por um sismo de 7,1 MW em 4 de setembro de 2010.
    
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fc/2011_Canterbury_earthquake_intensity.jpg
Mapa de intensidade do sismo, mostrando o epicentro próximo de Christchurch
     

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Charles Darwin viu os Andes crescer há 191 anos

Restos de la Catedral de Concepción tras el terremoto

 

El Terremoto de Concepción de 1835 fue un terremoto de 8,5 MS que azotó a la ciudad de Concepción, Chile, a las 11.30 del día 20 de febrero de 1835. El maremoto posterior arrasó la zona centro-sur del país, específicamente entre los ríos Cachapoal y Valdivia. Destruyó totalmente la ciudad de Concepción.
Es famoso por haber sido documentado por Charles Darwin y aportar una cuota sobre el efecto de los cambios geológicos a las teorías de este científico. Si bien afectó fuertemente la actual Región del Biobío, probablemente se sintió en todo el territorio de Chile centro-sur, ya que Darwin lo percibió estando en la ciudad de Valdivia.
Yo estaba en tierra firme descansando en un césped. (El terremoto) vino de repente y duró dos minutos (aunque pareció mucho más). El sismo era muy notable; a mí y a mi sirviente nos pareció que la ondulación venía del este (…) Un terremoto como este destruye las asociaciones más antiguas, el mundo, el emblema de todo aquello que es sólido.
Darwin recoge datos de pobladores que afirman que el territorio se había levantado dejando al descubierto rocas antes sumergidas. Afortunadamente el terremoto fue en una hora benigna (11:00 de la mañana), cuando pocas personas estaban al interior de las casas y el territorio afectado tenía poca densidad de población. Respecto a la cantidad de víctimas, los informes son incompletos y contradictorios entre 30 y 120 muertos, pero cientos de heridos.
El maremoto fue advertido por la población al percatarse que se había retirado el mar, estando fresco el recuerdo del terremoto de 1751, la gente huyó de la costa. El maremoto dejó muchas embarcaciones al interior del territorio y miles de peces como es usual. Aunque es interesante la descripción que las aguas marinas se pusieron negras con un olor sulfuroso. Además de producirse un chorro vertical de agua similar a la columna que levanta una ballena en el centro de la bahía de San Vicente.
      

segunda-feira, janeiro 12, 2026

Há dezasseis anos um terramoto arrasou Port-au-Prince, a capital do Haiti...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a1/2010_Haiti_earthquake_damage2.jpg/1024px-2010_Haiti_earthquake_damage2.jpg

Porto Príncipe: uma das áreas atingidas pelo sismo de 12 de janeiro de 2010
  
Localização do epicentro do sismo e a extensão do raio de intensidade do sismo
Epicentro 18° 27' 25,2" N 72° 31' 58,8" O
Profundidade 10 km
Magnitude 7,0 MW
Intensidade máx. X (destruidor)
Data 12 de janeiro de 2010
Zonas mais atingidas Haiti
República Dominicana
 Cuba
 Jamaica
 Bahamas
Vítimas 100 000 - 316 000 mortos, 350 000 feridos e mais de 1,5 milhão de flagelados, 4 mil amputações

 

O sismo do Haiti de 2010 foi um terramoto catastrófico que teve o seu epicentro na parte oriental da península de Tiburon, a cerca de 25 km da capital haitiana, Porto Príncipe (Port-au-Prince), foi registado às 16.53.10 da hora local (21.53.10 UTC), na terça-feira, 12 de janeiro de 2010. O abalo alcançou a magnitude 7,0 Mw e ocorreu a uma profundidade de 10 km. O Serviço Geológico dos Estados Unidos registou uma série de pelo menos 33 réplicas, 14 das quais eram de magnitude 5,0Mw a 5,9Mw. O Comité Internacional da Cruz Vermelha estima que cerca de três milhões de pessoas foram afetadas pelo sismo; o Ministro do Interior do Haiti, Paul Antoine Bien-Aimé, antecipou em 15 de janeiro que o desastre teria tido como consequência a morte de 100.000 a 200.000 pessoas.
O terramoto causou grandes danos a Port-au-Prince, Jacmel e outros locais da região. Milhares de edifícios, incluindo os elementos mais significativos do património da capital, como o Palácio Presidencial, o edifício do Parlamento, a Catedral de Notre-Dame de Port-au-Prince, a principal prisão do país e todos os hospitais, foram destruídas ou gravemente danificadas. A Organização das Nações Unidas informou que a sede da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH), localizada na capital, desabou e que um grande número de funcionários da ONU havia desaparecido. A morte do Chefe da Missão, Hédi Annabi, foi confirmada a 13 de janeiro pelo presidente René Préval.
Muitos países responderam aos apelos pela ajuda humanitária, prometendo fundos, expedições de resgate, equipes médicas e engenheiros. Sistemas de comunicação, transportes aéreos, terrestres e aquáticos, hospitais, e redes elétricas foram danificados pelo sismo, o que dificultou a ajuda nos resgates e de suporte; confusões sobre o comando das operações, o congestionamento do tráfego aéreo, e problemas com a priorização de voos dificultou ainda mais os trabalhos de socorro. As morgues de Port-au-Prince foram rapidamente esmagadas; o governo haitiano anunciou em 21 de janeiro que cerca de 80 mil corpos foram enterrados em valas comuns. Com a diminuição dos resgates, as assistências médicas e sanitárias tornaram-se prioritárias. Os atrasos na distribuição de ajuda levaram a apelos raivosos de trabalhadores humanitários e sobreviventes, e alguns furtos e violências esporádicos foram observados.
   
Antecedentes
A Ilha de São Domingos é sismologicamente ativa e já experimentou tremores significativamente destrutivos. Ocorreu um terramoto em 1751, quando a ilha ainda estava sob domínio francês, e outro em 1770. De acordo com o historiador francês Moreau de Saint-Méry (1750–1819), "apenas um edifício de alvenaria não desabou" em Port-au-Prince após o sismo de 18 de outubro de 1751, porém "a cidade inteira desmoronou" durante o terramoto de 3 de junho de 1770. Um outro abalo atingiu a cidade de Cap-Haïtien e outras cidades na parte norte do Haiti e da República Dominicana, destruídas a 7 de maio de 1842. Em 1946, um sismo de magnitude 8,0 Mw atingiu a República Dominicana e também atingiu o Haiti, produzindo uma tsunami que matou  1.790 pessoas e feriu muitas outras.
Num estudo de risco de terramoto, em 1992, feito por C. DeMets e M. Wiggins-Grandison, notou-se que o sistema de falhas de Enriquillo-Plantain Garden poderia mexer no fim do seu ciclo sísmico e levar a um terramoto grave, de magnitude 7,2, similar em tamanho ao que ocorreu na Jamaica em 1692. Paul Mann e a sua equipa de geólogos apresentaram uma avaliação de risco do sistema de falhas Enriquillo-Plantain Garden à 18ª Conferência Geológica Caribenha, em março de 2008, observando a grande tensão acumulada (equivalente a um terremoto de 7,2 Mw); a equipa recomendou "grande prioridade" em termos de estudos geológicos históricos e políticos das Caraíbas, incluindo a utilização de tropas cubanas lideradas por Fidel Castro, até que a falha seja totalmente preenchida e recordou alguns poucos terramotos nos últimos 40 anos. Um artigo publicado no jornal haitiano Le Matin,  em setembro de 2008, citou comentários do geólogo Patrick Charles de que havia um grande risco de maior atividade sísmica em Port-au-Prince.
O Haiti é o país mais pobre da América. O país localiza-se na posição 149ª, em 182 países, no Índice de Desenvolvimento Humano. Há uma preocupação sobre a capacidade dos serviços de emergência para lidar com uma catástrofe de grandes proporções, e o país é considerado "economicamente vulnerável" pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Além disso, a nação foi atingida por vários furacões, causando inundações e danos generalizados, mais recentemente em 2008 com a Tempestade tropical Fay e o Furacão Gustav, induzindo o jornalista do Miami Herald Leonard Pitts, Jr. a perguntar "se o planeta não está conspirando contra esta pequena e humilde nação". 
   
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O Palácio Presidencial do Haiti, que foi destruído pelo sismo
  
Geologia
O sismo ocorrido a 12 de janeiro de 2010, a cerca de 25 km a sudoeste de Port-au-Prince, à profundidade de 10 km, às 16.53 UTC-5, sobre um sistema de falhas. Foi um forte tremor, com intensidade VII-IX na escala de Mercalli Modificada, que foi registado em Port-au-Prince e nos seus subúrbios. Ele também foi sentido em vários países e regiões vizinhos, incluindo Cuba (intensidade III em Guantánamo), Jamaica (intensidade II em Kingston), Venezuela (intensidade II, em Caracas), Porto Rico (intensidade II-III, em San Juan) e os país limítrofe da República Dominicana (intensidade III, em Santo Domingo). O Pacific Tsunami Warning Center emitiu um alerta de tsunami depois do terramoto, mas cancelou-o, pouco depois. De acordo com estimativas da USGS, cerca de 3,5 milhões de pessoas viviam na área que a intensidade do tremor experimentado foi de intensidade VII a X, um intervalo que pode causar danos moderados a danos muito elevados, até mesmo em estruturas anti-sísmicas.
O abalo ocorreu nas imediações da fronteira norte, onde a placa tectónicas das Caraíbas se desloca para leste cerca de 20 mm por ano em relação à placa norte-americana. O sistema de falhas na região tem duas principais no Haiti, a falha de Septentrional-Orient no norte e na Falha de Enriquillo-Plantain Garden no sul, tanto a sua localização e o mecanismo focal sugerem que o terramoto de janeiro de 2010 foi causado pela rutura da Falha de Enriquillo-Plantain Garden, que tinha estado bloqueada durante 250 anos, com aumento de stress. O stress acabaria por ter sido dispersado, quer por um grande terremoto ou uma série de outras menores. A rutura deste terramoto de magnitude de Mw 7.0 foi de cerca de 65 quilómetros de comprimento, com deslizamento médio de 1,8 metros. A análise preliminar da distribuição de deslizamento encontradas nas amplitudes de até cerca de 4 metros, utilizando registos de movimento de terra de todo o mundo.
Um estudo de 2006 pelos peritos de terremoto C. DeMets e M. Wiggins-Grandison notaram que a zona da Falha de Enriquillo-Plantain Garden poderia estar no final do seu ciclo de atividade sísmica e a previsão de um cenário de, no pior caso, de um terremoto de magnitude de 7,2 (semelhante em tamanho ao sismo da Jamaica de 1692). Paul Mann e um grupo, incluindo a equipe de estudo de 2006 apresentou uma avaliação do risco do sistema de falhas de Jardim Enriquillo-Plantain ao 18ª Conferência Geológica do Caribe, realizada em março de 2008, observou a tensão grande (equivalente a um total 7,2 Mw de terremoto), a equipa recomendou "alta prioridade" para a possibilidade de uma rutura histórica defendida por alguns estudos geológicos, como a falha totalmente bloqueada e havia alguns terremotos nos últimos 40 anos. Um artigo publicado no jornal Le Matin do Haiti, em setembro de 2008, citou os comentários do geólogo Charles Patrick no sentido de que havia um risco elevado de atividade sísmica importante em Port-au-Prince.
  
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Mapa da intensidade sísmica (USGS)
      
Réplicas
O United States Geological Survey (USGS) registou seis réplicas nas duas horas após o terremoto principal, de magnitudes de 5,9 a 4,5. Nas primeiras nove horas, 26 abalos de magnitude 4,2 ou superior foram registados, 12 dos quais foram de magnitude 5,0 ou superior.
Em 20 de janeiro, às 11:03 UTC, o tremor mais forte desde o terramoto, de magnitude 5,9 Mw, atingiu o Haiti.
O Geological Survey dos Estados Unidos informou que o seu epicentro foi a cerca de 56 quilómetros a sudoeste de Port-au-Prince, o que a colocaria quase exatamente sob a cidade de Petit-Goâve. Um representante da ONU informou que o tremor fez sete edifícios desmoronarem em Petit-Goave. Trabalhadores de uma ONG, a Save the Children relataram ter ouvido "já enfraquecida estruturas em colapso", mas a maioria das fontes relatam nenhum dano mais significativo para a infraestrutura em Port-au -Prince. Outras vítimas provavelmente foram mínimas, pois as pessoas estavam a dormir a céu aberto.
      
Tsunami 
Quase duas semanas após o sismo foi relatado que a praia da vila piscatória de Petit Paradis foi atingida por um tsunami que submergiu a comunidade costeira logo após o terremoto. Quatro pessoas foram arrastadas para o mar pelas ondas. Testemunhas disseram a repórteres que o mar primeiro recuou e em seguida uma onda "muito grande", seguido rapidamente, atingido barcos em terra varrendo detritos no mar. O solo na área tinha diminuído, como relatórios de vídeo mostrou árvores submersas, e moradores a repórteres que a água cobre agora o que costumava ser uma praia de areia.
  

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Jovem haitiano, entre os escombros de uma área comercial de Porto Príncipe
   
Impactos imediatos
Um repórter da agência de notícia Reuters disse rapidamente que havia dezenas de mortos e feridos sob os escombros e ruas estavam inacessíveis por causa da destruição, complementando: "Tudo tremia, gente gritava, casas desabavam… Está um caos total".
Prédios desmoronaram, entre eles o Palácio Nacional, a sede das Forças de Paz da Organização das Nações Unidas no Haiti e um hospital em Pétionville, no subúrbio de Porto Príncipe.
Os meios de comunicação foram seriamente afetados. De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Charles Luoma-Overstreet, os serviços de rádio deixaram de funcionar.
O Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico chegou a emitir um alerta por causa do tremor, mas foi suspenso logo depois.
Há relatos de 21 brasileiros mortos na catástrofe, tendo sido confirmadas as mortes de 18 militares, integrantes da Missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah), de Zilda Arns, médica sanitarista e pediatra, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, além do diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, a segunda maior autoridade civil da ONU no Haiti.
O arcebispo da capital, Joseph Serge Miot, também morreu, vítima do sismo.
  
Reações
Um oficial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos disse: "Todos ficaram completamente abalados… Ouvi um tremendo barulho e gritos distantes."
O embaixador haitiano no Estados Unidos, Raymond Joseph, classificou o abalo como "uma catástrofe de enormes proporções".
A Associated Press classificou esse como "o maior terramoto já registado na região" em duzentos anos.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a comunidade internacional e as Nações Unidas enfrentam uma enorme catástrofe humanitária, com o terramoto no Haiti, e pediu "ajuda urgente" para os haitianos.
O Brasil doou alimentos para ajudar o Haiti e milhões de dólares e Portugal enviou para o Haiti um avião C-130, da Força Aérea, com 32 elementos da Proteção Civil e que ajudaram nas operações de socorro.
A ONU, a Cruz Vermelha, os Médicos sem Fronteiras outras organizações e mais de 30 países ajudaram o Haiti.
  

domingo, dezembro 28, 2025

O terramoto de Messina foi há 117 anos...


Date December 28, 1908
5:20 am
Magnitude 7.1 Mw
Epicenter 38.15°N 15.683°E
Areas affected Sicily & Calabria, Italy
Tsunami Yes
Casualties100.000 to 200.000

  
The 1908 Messina earthquake (also known as the 1908 Messina and Reggio earthquake) and tsunami took about 123.000 lives on December 28, 1908, in Sicily and Calabria, southern Italy. The major cities of Messina and Reggio Calabria were almost completely destroyed.
   
   
Messina
   

sexta-feira, dezembro 26, 2025

O sismo e tsunami do Oceano Índico de 2004 foi há vinte e um anos...

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Tsunami ao atingir Ao Nang, na Tailândia
    
O sismo e tsunami do Oceano Índico de 2004 foi um terramoto submarino que ocorreu às 00.58.53 horas UTC de 26 de dezembro de 2004, com epicentro na costa oeste de Sumatra, na Indonésia. O terramoto é conhecido pela comunidade científica como o terramoto de Sumatra-Andamão. O tsunami resultante é chamado por diversos nomes, incluindo tsunami do Oceano Índico em 2004, tsunami do sul da Ásia e tsunami da Indonésia.
O terramoto foi causado pela subducção da placa oceânica indo-australiana que desencadeou uma série de tsunamis devastadores ao longo das costas da maioria dos continentes banhados pelo Oceano Índico, matando mais de 230.000 pessoas em catorze países diferentes e inundando comunidades costeiras com ondas de até 30 metros de altura. Foi um dos mais mortais desastres naturais da história. Em número de vítimas, a Indonésia foi o país mais atingido, seguida pelo Sri Lanka, Índia e Tailândia.
Com uma magnitude de entre 9,1 e 9,3 foi o terceiro maior terramoto já registado por sismógrafos. Este sismo teve a maior duração do movimento da falha já observada, entre 8,3 e 10 minutos. Isso fez com que o planeta inteiro vibrasse um centímetro e deu provavelmente origem a outros terramotos em pontos muito distantes do epicentro, como no Alasca, nos Estados Unidos. O seu hipocentro foi a cerca de 30 km de profundidade e o epicentro situou-se entre Simeulue e Sumatra.
A situação de muitos povos e países afetados em todo o mundo provocou uma resposta humanitária. Ao todo, a comunidade mundial doou mais de 14 mil milhões de dólares em ajuda humanitária.
  
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Sismo
O Sismo ocorreu a 26 de dezembro de 2004, por volta das oito da manhã, na hora local da região do seu epicentro, em pleno oceano, a oeste da ilha de Sumatra, nas coordenadas 3,298°N (latitude) e 95,779°O (longitude). O abalo teve magnitude sísmica estimada primeiramente em 8,9 na Escala de Richter, posteriormente elevada para 9,0 e sendo o sismo mais violento registado desde 1960, sendo um dos cinco maiores dos últimos cem anos. Ao tremor de terra seguiu-se um tsunami de cerca de dez metros de altura que devastou as zonas costeiras. O tsunami atravessou o Oceano Índico e provocou destruição nas zonas costeiras da África oriental, nomeadamente na Tanzânia, Somália e Quénia.
O terramoto foi causado por rutura na zona de subducção onde a placa tectónica da Índia e Austrália mergulha por baixo da placa da Birmânia. A linha de rutura está calculada como tendo cerca de 1.200 km de comprimento e a deslocação relativa das placas foi cerca de 15 metros. Este deslocamento pode parecer pouco, mas em condições normais as placas oceânicas movimentam-se com velocidade da ordem do milímetro por ano. A energia libertada provocou o terramoto de magnitude elevada, enquanto que a deslocação do fundo do oceano, quer das placas tectónicas quer de sedimentos remobilizados pelo abalo, deram origem ao tsunami e alteração na rotação da Terra.
O número de vítimas, que era de aproximadamente 150.000, elevou-se para 220 000 quando o governo da Indonésia suspendeu as buscas a 70.000 desaparecidos e os incluiu no saldo de mortos no desastre.
     
Animação mostrando a progressão do tsunami
 
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A propagação do tsunami levou cinco horas para chegar à Austrália Ocidental, sete horas para chegar à Península Arábica e onze horas até alcançar a costa sul-africana
       
Efeitos
O sismo de 26 de dezembro alterou em 2,5 cm a posição do Polo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afetou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos polos e com maior diâmetro sobre a linha do equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.
O sismo diminuiu ainda o comprimento dos dias em 6,8 microssegundos, pelo que se depreende que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes.
Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. É isto que em Física se designa por conservação do momento angular. Apesar da oscilação do eixo terrestre ter sido muito pequena - abaixo de três microssegundos - o planeta sofreu tal efeito, graças a um tempo superior a três minutos de vibração contínua, na zona do epicentro. Como a Terra não é perfeitamente esférica, mas sim um elipsoide achatado nos polos, as diferentes posições do planeta em relação ao Sol e à Lua, bem como as referidas movimentações de massas, dão origem ao tal movimento. No Brasil os radares mostraram uma elevação dos mares e o radar que alerta como possível tsunami foi acionado.
  
Mapa do epicentro do terramoto e países mais afetados pelo tsunami
      
Países afetados
Os países mais afetados foram:
  
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/80/US_Navy_050102-N-9593M-040_A_village_near_the_coast_of_Sumatra_lays_in_ruin_after_the_Tsunami_that_struck_South_East_Asia.jpg/1024px-US_Navy_050102-N-9593M-040_A_village_near_the_coast_of_Sumatra_lays_in_ruin_after_the_Tsunami_that_struck_South_East_Asia.jpg
Uma cidade em ruínas próxima da costa de Samatra, em 2 de janeiro de 2005
   
 Vítimas
Países Mortes Feridos Desaparecidos Desalojados
Confirmadas Estimado
Indonésia 126 915 +126 915 ~100 000 37063 400 000 - 700 000
Sri Lanka 30 957 38 195 15 686 5637 ~573 000
Índia 10 749 16 413 5640 380 000
Tailândia 53953 11 000 8457 2932
Somália 298 298 5000
Birmânia 61 290 - 600 45 200 3200 confirmados
Malásia 68–  74 74 299
Maldivas 82 108 26 12000–  22000
Seychelles 1 -  3 3
Tanzânia 10 +10
Bangladesh 2 2
África do Sul 2 2
Quénia 1 2 2
Iémen 1 1
Madagáscar 23000 +1000
Total 174 542 ~193 623 ~125 000 ~51 498 ~1,5 milhão