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terça-feira, março 31, 2026

Notícia sobre tsunamis no mar Mediterrâneo...

“Probabilidade de 100%”. Cientistas antecipam tsunami no Mediterrâneo nos próximos 30 anos

   

 

Nice, França

   

A previsão de um tsunami no Mar Mediterrâneo nas próximas décadas está a acelerar a necessidade de ter planos de evacuação, principalmente na Riviera Francesa.

O Mar Mediterrâneo é considerado como tendo um baixo risco de tsunami. A história e as recentes tecnologias de modelação demonstraram que as ondas destrutivas já atingiram a costa francesa e podem voltar a fazê-lo.

Os resultados de um projeto realizado em Nice e ao longo da Riviera Francesa mostram porque é que a antecipação e as medidas preventivas de evacuação continuam a ser os únicos meios verdadeiramente eficazes de salvar vidas.

Os tsunamis estão entre os fenómenos naturais mais destrutivos. Desencadeados por sismos, deslizamentos submarinos ou erupções vulcânicas, espalham-se rapidamente por longas distâncias antes de libertarem a sua energia perto da costa sob a forma de submersão repentina e correntes extremamente poderosas.

Desde alguns centímetros até vários metros, esta inundação é geralmente caracterizada por várias ondas, e as primeiras ondas não são necessariamente as maiores. A velocidade da corrente é tal que a pressão exercida sobre a infra-estrutura costeira pode atingir várias toneladas por metro quadrado.

Desde 1970, os tsunamis causaram mais de 250 000 mortes em todo o mundo, nomeadamente o tsunami do Boxing Day em 2004 no Oceano Índico e o tsunami de 11 de março de 2011 no Japão, por exemplo.

 

Um risco que, afinal, não é assim tão improvável

No imaginário coletivo, os tsunamis estão tradicionalmente associados ao Pacífico e ao Oceano Índico. O risco de um tsunami em alto-mar no Mediterrâneo tem sido frequentemente considerado marginal, e isso por si só pode ser enganador. Em junho de 2022, a UNESCO, que se dedica a aumentar a consciencialização global sobre o risco de tsunamis entre as comunidades costeiras, declarou:

“As estatísticas mostram que há 100% de probabilidade de um tsunami com pelo menos um metro de altura no Mar Mediterrâneo nos próximos 30 anos.”

Depois do Pacífico, a bacia do Mediterrâneo concentra o maior número de tsunamis históricos registados, vários dos quais atingiram a costa da Côte d’Azur, em França.

De acordo com os dados disponíveis, foram registadas cerca de vinte ocorrências na zona marítima da Riviera Francesa entre o século XVI e o início da década de 2000, com ondas que ultrapassaram frequentemente os dois metros.

 

Tempos de evacuação geralmente muito curtos

As origens dos tsunamis no Mediterrâneo podem ser locais ou distantes. Em alguns casos, o tempo de inundação das primeiras vagas pode ser inferior a dez minutos, particularmente em caso de deslizamento submarino ou terramoto perto da costa, como no Mar da Ligúria, entre a Córsega e a costa italiana.

Por outro lado, os tsunamis gerados mais longe de França, por exemplo ao largo da costa norte de África, podem atingir a Riviera Francesa em menos de 90 minutos.

O terramoto de Boumerdès (Argélia), a 21 de maio de 2003, provocou devastação em toda a costa mediterrânica francesa. Uma investigação de campo revelou que oito marinas na Riviera Francesa sofreram descidas significativas do nível do mar (de 50 cm a 1,5 m), purgas na bacia, fortes turbilhões e correntes, bem como danos em embarcações, consistentes com fenómenos de ressonância portuária. Os efeitos foram observados na costa da Riviera Francesa uma hora e quinze minutos após o sismo.

De origem mais local, o tsunami de Nice, a 16 de outubro de 1979, desencadeado pelo colapso subaquático de parte do estaleiro de construção do novo porto comercial de Nice (Alpes-Maritimes), adjacente ao aeroporto, provocou a morte a oito pessoas e danos significativos em Antibes, Cannes e Nice. O fenómeno foi observado em Antibes durante cerca de trinta minutos.

Outro cenário que poderá ocorrer mais próximo da costa é o do tsunami sísmico que atingiu o Mar da Ligúria a 23 de fevereiro de 1887, após um sismo submarino de magnitude entre 6,5 e 6,8 na escala de Richter.

Relatos contemporâneos descrevem um recuo repentino do mar em cerca de um metro em Antibes e Cannes, deixando barcos de pesca encalhados, antes da chegada de uma onda de quase dois metros que cobriu as praias.

Estes acontecimentos recordam-nos como somos apanhados de surpresa e como intervalos de tempo tão curtos demonstram as limitações dos sistemas de alerta tradicionais. A capacidade de evacuação rápida das comunidades costeiras torna-se crucial.

 

Um sistema operacional de alerta para a França

A França dispõe de um sistema nacional de alerta de tsunamis, integrado no Centro de Alerta de Tsunamis (Cenalt) desde julho de 2012, em conjunto com o sistema internacional coordenado pela UNESCO no Mediterrâneo.

Este sistema permite a deteção rápida de sismos com potencial para gerar tsunamis e a transmissão de um alerta em menos de quinze minutos para o Centro Interdepartamental de Gestão de Crises (COGIC) e para os centros de alerta internacionais.

Cabe depois às autoridades divulgar as mensagens de alerta à população, principalmente através da plataforma FR-Alert, que permite o envio de notificações para os telemóveis das pessoas localizadas na zona de perigo.

No entanto, este sistema global abrange apenas tsunamis causados ​​por sismos distantes e é pouco eficaz no caso de tsunamis locais ou causados ​​por deslizamentos submarinos, onde o tsunami pode atingir a costa em menos tempo do que o tempo de aviso prévio.

É por esta razão que é fundamental sensibilizar as populações costeiras para os sinais de alerta: sismos sentidos, movimentos anormais do mar e, na maioria das vezes, recuos do nível do mar antes da chegada do tsunami, embora nem sempre.

 

A costa de Nice – Côte d’Azur está em alto risco

Ao longo de toda a costa mediterrânica francesa, foi definida uma zona de evacuação pelas agências governamentais e pela Universidade de Montpellier, com base na altitude, distância ao mar e dados históricos.

Corresponde a zonas costeiras com altitude inferior a 5 metros e a menos de 200 metros do mar. Nas desembocaduras dos rios, esta distância é alargada para 500 metros em relação ao estuário.

Incluindo a Córsega, 1700 km de costa, 187 cidades ao longo da costa mediterrânica francesa e pelo menos 164 000 residentes seriam afetados. No pico do verão, estima-se que 835 000 banhistas também precisariam de ser considerados em caso de tsunami.

A área metropolitana de Nice – Côte d’Azur é vulnerável por diversas razões: urbanização densa, forte interesse turístico e praias muito movimentadas.

Uma análise fotográfica e modelação permitiu estimar que dezenas de milhares de pessoas estão presentes na área a evacuar durante períodos de grande fluxo de visitantes (entre 10.000 e 87.000 pessoas nas praias, dependendo da estação do ano e do horário).

 

Evacuação antes de um tsunami: o plano para Nice e zonas costeiras adjacentes

Perante um tsunami, a evacuação é o único meio eficaz de garantir a segurança da população. A experiência internacional demonstra que procedimentos de evacuação rápidos e bem planeados podem salvar a grande maioria das pessoas expostas.

As medidas de evacuação reativa, por exemplo, salvaram 96% dos habitantes japoneses quando o grande tsunami atingiu a costa de Tohoku, a 11 de março de 2011.

Em Nice – Côte d’Azur, foi desenvolvida uma estratégia de evacuação abrangente e apoiada por investigação científica liderada pelo Laboratório de Geografia e Planeamento Territorial da Universidade de Montpellier. Baseia-se em percursos de caminhada otimizados, tendo em conta inclinações, obstáculos, velocidades de deslocamento e pontos de congestionamento.

Os locais de refúgio situados fora do alcance das ondas foram identificados e validados pelas autoridades locais, e foram elaboradas rotas de evacuação com recurso a algoritmos para encontrar os percursos mais rápidos.

No total, quase uma centena de locais de refúgio foram mapeados e incorporados em planos operacionais de evacuação, concebidos para guiar rapidamente as pessoas para locais seguros.

 

Da ciência à ação: preparar a população

A sensibilização para os tsunamis deve ir além do mapeamento de evacuação: simulações de segurança, como exercícios de evacuação, particularmente nas escolas, ou a introdução gradual de sinalização pública de alerta, contribuem para incentivar comportamentos responsáveis.

Várias iniciativas como estas foram implementadas em Nice através de um projeto com estudantes de Montpellier.

Em Nice, uma plataforma de informação de acesso público com mapas interativos permite ainda aos utilizadores encontrar zonas de evacuação, percursos e instruções a seguir em caso de alerta. Estas ferramentas contribuem para o desenvolvimento de uma verdadeira cultura de risco de tsunami.

 

Tornar-se um território “Preparado para Tsunamis”

Para além da região costeira da Côte d’Azur, em França, o portal de informação pode ser aplicado a outros litorais em França e na Europa, tanto no Mediterrâneo como noutros continentes, onde o tempo de inundação de um tsunami pode ser igualmente curto.

As iniciativas que estão a ser implementadas em Nice estão em linha com o programa internacional de reconhecimento “Preparado para Tsunamis” (TRRP) da UNESCO. Este programa de 12 pontos visa certificar territórios capazes de antecipar o risco de tsunamis, preparar as suas populações e coordenar uma resposta adequada.

As primeiras cidades a receber o selo e que beneficiaram do apoio científico e técnico foram Deshaies, em Guadalupe, e Cannes, sendo que Nice deverá aderir ao programa em breve.

Quando se enfrenta uma onda que pode chegar em questão de minutos, estar preparado para evacuar faz toda a diferença.


in ZAP

sexta-feira, março 27, 2026

O Grande Terramoto do Alasca foi há 62 anos...

Fourth Avenue in Anchorage, Alaska, looking east from near Barrow Street. The southern edge of one of several landslides in Anchorage, this one covered an area of over a dozen blocks, including 5 blocks along the north side of Fourth Avenue. Most of the area was razed and made an urban renewal district
       
The 1964 Alaskan earthquake, also known as the Great Alaskan Earthquake, the Portage Earthquake and the Good Friday Earthquake, was a megathrust earthquake that began at 5:36 P.M. AST on Good Friday, March 27, 1964. Across south-central Alaska, ground fissures, collapsing structures, and tsunamis resulting from the earthquake caused about 143 deaths.
Lasting nearly three minutes, it was the most powerful recorded earthquake in U.S. and North American history, and the second most powerful ever measured by seismograph. It had a magnitude of 9.2, making it the second largest earthquake in recorded history.
The powerful earthquake produced earthquake liquefaction in the region. Ground fissures and failures caused major structural damage in several communities, much damage to property and several landslides. Anchorage sustained great destruction or damage to many inadequately engineered houses, buildings, and infrastructure (paved streets, sidewalks, water and sewer mains, electrical systems, and other man-made equipment), particularly in the several landslide zones along Knik Arm. Two hundred miles southwest, some areas near Kodiak were permanently raised by 30 feet (9.1 m). Southeast of Anchorage, areas around the head of Turnagain Arm near Girdwood and Portage dropped as much as 8 feet (2.4 m), requiring reconstruction and fill to raise the Seward Highway above the new high tide mark.
In Prince William Sound, Port Valdez suffered a massive underwater landslide, resulting in the deaths of 30 people between the collapse of the Valdez city harbor and docks, and inside the ship that was docked there at the time. Nearby, a 27-foot (8.2 m) tsunami destroyed the village of Chenega, killing 23 of the 68 people who lived there; survivors out-ran the wave, climbing to high ground. Post-quake tsunamis severely affected Whittier, Seward, Kodiak, and other Alaskan communities, as well as people and property in British Columbia, Oregon, and California. Tsunamis also caused damage in Hawaii and Japan. Evidence of motion directly related to the earthquake was reported from all over the earth.
  


      
Geology
At 5:36 p.m. Alaska Standard Time (3:36 a.m. March 28, 1964 UTC), a fault between the Pacific and North American plates ruptured near College Fjord in Prince William Sound. The epicenter of the earthquake was 61.05°N 147.48°W, 12.4 mi (20 km) north of Prince William Sound, 78 miles (125 km) east of Anchorage and 40 miles (64 km) west of Valdez. The focus occurred at a depth of approximately 15.5 mi (25 km). Ocean floor shifts created large tsunamis (up to 220 feet (67 m) in height), which resulted in many of the deaths and much of the property damage. Large rockslides were also caused, resulting in great property damage. Vertical displacement of up to 38 feet (11.5 m) occurred, affecting an area of 100,000 miles² (250,000 km²) within Alaska.
Studies of ground motion have led to a peak ground acceleration estimate of 0.14 - 0.18 g.
The Alaska Earthquake was a subduction zone earthquake (megathrust earthquake), caused by an oceanic plate sinking under a continental plate. The fault responsible was the Aleutian Megathrust, a reverse fault caused by a compressional force. This caused much of the uneven ground which is the result of ground shifted to the opposite elevation.
  
 
Calculated travel time map for the tectonic tsunami produced by the 1964 Prince William Sound earthquake in Alaska
          
Death toll, damage and casualties
Various sources indicate that about 131 people died as a result of the earthquake: nine as a result of earthquake itself, 106 from subsequent tsunamis in Alaska and 16 from tsunamis in Oregon and California. Property damage was estimated at over $310 million ($2.25 billion in current U.S. dollars).
   
Anchorage area
Most damage occurred in Anchorage, 75 mi (120 km) northwest of the epicenter. Anchorage was not hit by tsunamis, but downtown Anchorage was heavily damaged, and parts of the city built on sandy bluffs overlying "Bootlegger Cove clay" near Cook Inlet, most notably the Turnagain neighborhood, suffered landslide damage. The neighborhood lost 75 houses in the landslide, and the destroyed area has since been turned into Earthquake Park. The Government Hill school suffered from the Government Hill landslide leaving it in two jagged, broken pieces. Land overlooking the Ship Creek valley near the Alaska Railroad yards also slid, destroying many acres of buildings and city blocks in downtown Anchorage. Most other areas of the city were only moderately damaged. The 60-foot concrete control tower at Anchorage International Airport was not engineered to withstand earthquake activity and collapsed, killing one employee.
The house at 918 W. 10th Avenue suffered damage peripherally, but one block away the recently completed and still unoccupied Four Seasons Building on Ninth Avenue collapsed completely with one whole wing sticking up out of the rubble like a seesaw.
The hamlets of Girdwood and Portage, located 30 and 40 mi (60 km) southeast of central Anchorage on the Turnagain Arm, were destroyed by subsidence and subsequent tidal action. Girdwood was relocated inland and Portage was abandoned. About 20 miles (32 km) of the Seward Highway sank below the high-water mark of Turnagain Arm; the highway and its bridges were raised and rebuilt in 1964-66.
     

A winter scene of a "Ghost forest" that was killed and preserved by salt water along with ruined buildings at the site of the former town of Portage, 2011
        
Elsewhere in Alaska
Most coastal towns in the Prince William Sound, Kenai Peninsula, and Kodiak Island areas, especially the major ports of Seward, Whittier and Kodiak were heavily damaged by a combination of seismic activity, subsidence, post-quake tsunamis and/or earthquake-caused fires. Valdez was not totally destroyed, but after three years, the town relocated to higher ground 7 km (4 mi) west of its original site. Some Alaska native villages, including Chenega and Afognak, were destroyed or damaged. The earthquake caused the Cold-War era ballistic missile detection radar of Clear Air Force Station to go offline for six minutes, the only unscheduled interruption in its operational history. Near Cordova, the Million Dollar Bridge crossing the Copper River also collapsed. The community of Girdwood was also confined to the southern side of the Seward Highway when water rushed into Turnagain Arm arm and flooded or destroyed any buildings left standing to the north of the highway. Interestingly, only the ground immediately along the highway and that on the north side of the road dropped, prompting geologists to speculate that Girdwood may rest upon an ancient cliff face, now covered by countless thousands of years of sediment and glacial deposits.
   
Canada
A 4.5 ft (1.4 m) wave reached Prince Rupert, British Columbia, just south of the Alaska Panhandle, about three hours after the quake. The tsunami then reached Tofino, on the exposed west coast of Vancouver Island, and traveled up a fjord to hit Port Alberni twice, washing away 55 homes and damaging 375 others. The towns of Hot Springs Cove, Zeballos, and Amai also saw damage. The damage in British Columbia was estimated at $10 million Canadian ($65 million in 2006 Canadian dollars, or $56 million in 2006 U.S. dollars).
    
Elsewhere
Twelve people were killed by the tsunami in or near Crescent City, California, while four children were killed on the Oregon coast at Beverly Beach State Park. Other towns along the U.S. Pacific Northwest and Hawaii were damaged. Minor damage to boats reached as far south as Los Angeles.
As the entire planet vibrated as a result of the quake, minor effects were felt worldwide. Several fishing boats were sunk in Louisiana, and water sloshed in wells in Africa.
    
Aftershocks
There were thousands of aftershocks for three weeks, following the main shock. In the first day alone, eleven major aftershocks were recorded with a magnitude greater than 6.2. Nine more occurred over the next three weeks. It was not until more than a year later that the aftershocks were no longer noticed.
          

quinta-feira, março 26, 2026

A Venezuela foi atingida por um terramoto há 214 anos

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Oleo sobre tela «Terremoto de 1812», del pintor venezolano Tito Salas

 

El terremoto de Venezuela de 1812 ocurrió el 26 de marzo de 1812, jueves santo. Fue un terremoto que causó aproximadamente 10.000 a 20.000 muertes en ciudades como Caracas, Barquisimeto, Mérida, El Tocuyo y San Felipe. Tuvo una duración de unos 2 minutos en algunas zonas. Durante esos momentos, los clérigos realistas y frailes predicadores hicieron creer al pueblo que se trataba de un castigo del Cielo (por ser jueves santo), "por la sublevación de los patriotas contra el legítimo soberano, el virtuoso Fernando VII".

terça-feira, março 24, 2026

O geólogo Luis Mendes-Victor morreu há treze anos...

(imagem daqui)
    
Faleceu hoje, 24 de março de 2013, o Professor Luis Alberto Mendes Victor
   
Luis Mendes-Victor dedicou uma carreira de mais de 40 anos à investigação nas diversas áreas da Geofísica. Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa desde 1991, ensinando Geofísica, Sismologia, Prospeção Geofísica, Hidrologia e Física dos Recursos Naturais. Na Universidade de Lisboa, foi Diretor do Instituto Geofísico Infante Dom Luiz, e Presidente do Instituto de Ciências da Terra e do Espaço, introduzindo em Portugal o ensino e a investigação moderna em Geofísica, e dirigindo o grupo de investigação mais representativo nesta área científica. Foi fundador do Laboratório Associado Instituto Dom Luiz.
Luis Mendes-Victor ocupou lugares de grande responsabilidade internacional na área da Geofísica e Meteorologia, em particular como Diretor Geral do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (1977-1987), Vice-presidente e Presidente da Associação Regional VI da OMM (1980-1986), Membro do Conselho Executivo da OMM (1984-1986), Presidente do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (1984-1986), Presidente do Comité ad-hoc para a Investigação dos Sismos do Conselho da Europa (1980-1983), membro do Comité de Aconselhamento para a Europa da Associação Geofísica Americana, Presidente do conselho de coordenação científica do Centro Universitário Europeu para o Património Cultural (Ravello), e Presidente do Comité Consultivo Europeu para a Avaliação da Previsão de Sismos (Conselho da Europa).
No sistema português de investigação, Luis Mendes-Victor foi Secretário do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, Presidente da Secção Portuguesa da União Internacional de Geofísica e Geodesia, membro do Comité Nacional de Geotermia (1975-1978), representante oficial do conselho de investigação científica da NATO (1978-1985) e Presidente do Comité Português para o Estudo do Espaço Exterior (1983-1986).
Em 1996, e como reconhecimento desta actividade, a Sociedade Europeia de Geofísica atribuiu-lhe a Medalha Sergey Soloviev, “for his distinguished work on seismic, tsunami, hydrological and geological hazards in complex environments at an interdisciplinary and international level”. Em 2005 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Santiago de Espada, por ocasião do Ano Internacional da Física.
 
in IPMA

quinta-feira, março 19, 2026

O sismólogo Emil Wiechert morreu há 98 anos...

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(...)
  
Por sugestão de Wiechert foi fundada em 1922 a atual Sociedade Geofísica Alemã, da qual foi o primeiro presidente. A sociedade concede a Medalha Emil Wiechert.
Emil Wiechert é considerado o mais significativo sismólogo alemão. No lado oculto da lua uma cratera foi batizada com o seu nome. A descontinuidade que separa o Manto do Núcleo da Terra é chamada, em sua homenagem (e do seu colega sismólogo alemão Beno Gutenberg) de descontinuidade de Wiechert-Gutenberg.
    
 
 
Vista esquemática do interior da Terra
1. Crosta continental
2. Crosta oceânica
3. Manto superior
4. Manto inferior
5. Núcleo externo
6. Núcleo interno
A: Descontinuidade de Mohorovičić
B: Descontinuidade Manto-Núcleo (Descontinuidade de Gutenberg ou Wiechert-Gutenberg)
C: Descontinuidade Núcleo externo/interno (Descontinuidade de Lehmann ou Lehmann-Repetti)
  
A descontinuidade de Gutenberg (ou descontinuidade de Wiechert-Gutenberg) é uma zona de separação de camadas da terra, separando o Manto do Núcleo.
Esta camada separa o Manto inferior do Núcleo externo, a cerca de 2.883 km de profundidade. A partir deste limite as ondas S deixam de se propagar, pois o núcleo externo é líquido, e as ondas P diminuem a sua velocidade.
  
in Wikipédia

Mercalli morreu há cento e doze anos...

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Giuseppe Mercalli (Milão, 21 de maio de 1850 - Nápoles, 19 de março de 1914) foi um sacerdote católico, vulcanólogo e sismólogo italiano. Foi professor de mineralogia na Universidade de Catânia e de vulcanologia na Universidade de Nápoles. Em 1911 sucedeu a Raffaele Vittorio Matteucci no cargo de diretor do Observatório do Vesúvio. Os seus estudos na área da sismologia e da vulcanologia granjearam-lhe reputação internacional. Notabilizou-se pelo desenvolvimento da Escala de Mercalli para avaliação da intensidade dos sismos, uma das escalas sísmicas com maior aceitação durante quase todo o século XX, e pela publicação de um sistema de classificação das erupções vulcânicas.
   
(...)
   
Biografia
Nascido em Milão no seio de uma família de meios modestos, Giuseppe Mercalli ingressou no Seminário de Milão imediatamente após os estudos elementares e ali fez os seus estudos secundários e preparatórios. Foi ordenado em 1871 sacerdote católico.
Entre 1871 e 1874 foi aluno da Escola Normal anexa ao Instituto Técnico Superior de Milão, frequentando o curso destinado à formação de professores de Ciências Naturais. Nesse curso estudou geologia com Antonio Stoppani, obtendo a laurea em Ciências Naturais no ano de 1874. Pouco depois foi nomeado professor de Ciências Naturais no Seminário de Monza e no Liceo católico de Domodossola, mas em 1888 foi obrigado a abandonar o ensino em estabelecimentos católicos depois de ter apoiado a construção de um monumento nacional em homenagem ao sacerdote e filósofo Antonio Rosmini-Serbati, o que fez dele suspeito de aderente ao ideário do liberalismo. Dedicou-se ao estudos geológicos, iniciando-se com o estudo dos glaciares alpinos da Lombardia, publicando várias notícias sobre as suas características e os depósitos associados.
Depois de ter feitos exames pedagógicos em Monza, obtendo habilitação para o ensino liceal, foi nomeado em concurso feito pelo governo italiano para um lugar em Reggio di Calabria como professor liceal. Primeiro no concurso, a escolha de Reggio di Calabria deveu-se ao desejo de Mercalli de estar presente na região da Calábria, ao tempo atingida por uma crise sísmica e onde se esperava um terramoto. Manteve ativa investigação no campo da geologia, dedicando-se progressivamente à sismologia e à vulcanologia.
Concorreu a professor de mineralogia e geologia da Universidade de Catânia, mas ficou em terceiro lugar, concorrendo então para um lugar de professor liceal em Nápoles, o que conseguiu em 1892. No período de 1892 a 1911 foi professor no Reggio Liceo Vittorio Emanuele de Nápoles, onde contou entre os seus alunos Giuseppe Moscati. Entre os colegas e colaboradores estava Achille Ratti, que posteriormente seria o papa Pio XI, que fora seu aluno no Seminário de Milão e com quem manteve uma sólida amizade. A partir do ano seguinte (1893) passou a acumular com aulas de vulcanologia na Universidade de Nápoles.
Em 1911 foi escolhido para o lugar de diretor do Observatório Vesuviano, cargo em que sucedeu a Raffaele Vittorio Matteucci e que manteve até falecer. Passa então a dedicar-se em exclusivo ao estudo da vulcanologia e projeta uma reforma do Observatório, com base num programa de investigação que previa o estudo do vulcão e das suas erupções, o registo da atividade sísmica e pré-sísmica (precursores), para além das observações e das análise dos resultados do trabalho de campo que deveria ser feito no vulcão e suas proximidades.
Giuseppe Mercalli notabilizou-se pelo desenvolvimento, em 1902 da escala de Mercalli, uma escala destinada à avaliação da intensidade sísmica, que com algumas modificações ainda se mantém em uso, mais de um século após a sua publicação. Aquela escala, apesar de não medir a magnitude dos sismos, mas apenas os seus efeitos sobre as pessoas e os edifícios, sendo por isso pouco adequado para uso em áreas pouco povoadas, mostrou-se ideal para comparar os danos produzidos pelos terramotos e para fins de engenharia sísmica e de proteção civil.
Mercalli faleceu em 1914, vítima de um incêndio que deflagrou na sua casa na Via Sapienza (Nápoles), alegadamente por ter entornado uma lâmpada de parafina que utilizava para trabalhar durante a noite. Pensa-se que teria estado a trabalhar durante a noite, algo que fazia rotineiramente, contando-se que uma vez foi encontrado a trabalhar às onze horas da manhã e sendo informada da hora terá exclamado: Seguramente que ainda não é dia!. O seu cadáver foi encontrado carbonizado, próximo da sua cama, agarrando um cobertor que utilizara para tentar apagar o fogo. Apesar disso parecer indicar um acidente, as autoridades policiais informaram, alguns dias mais tarde, que Mercalli fora provavelmente assassinado, por estrangulamento, e o seu cadáver regado com petróleo e queimado, para esconder o crime. Teria desaparecido da sua casa uma importante quantia em dinheiro.
Giuseppe Mercalli observou a erupção vulcânica das ilhas Eólias, do vulcão de Stromboli e do Vulcano, publicando descrições que continuam a ser importante material de estudo para os vulcanólogos. Para além da investigação no campo de vulcanologia, também estudou os glaciares da Lombardia.
Foi autor de mais de uma centena de publicações científicas (pelo menos 115), com destaque para a obra I vulcani attivi della Terra (Os vulcões activos da Terra), publicada em 1889, considerada um clássico da vulcanologia e que se mantém atual. Em 1903 publicou uma escala destinada à categorização das erupções vulcânicas. Realizou a primeira carta sísmica do território italiano. Estudou o comportamento dos animais antes e durante os sismos, detetando reações de nervosismo e de tremor, que apelidou de síndrome cinestéstica inexplicável, depois conhecido como Síndrome de Mercalli. Também publicou informação pioneira sobre os bradissismos.
Foi membro de importantes sociedades científicas e foi cavaleiro da Ordine della Corona d'Italia por mérito científico. No Cemitério Monumental de Milão, onde está sepultado, foi-lhe erigido um busto em bronze da autoria de Michele Vedani. Em Nápoles existe, em sua homenagem, o Liceo Scientifico Statale "Giuseppe Mercalli".
 
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quarta-feira, março 11, 2026

Um terramoto, seguido de tsunami, afetou há quinze anos o Japão e o Pacífico...

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Localização do epicentro e intensidade do sismo e réplicas
    
O Sismo e tsunami de Tohoku de 2011 ou sismo e tsunami de Sendai (designado oficialmente Grande Terramoto do Leste do Japão) foi um sismo de magnitude de 8,9 MW com epicentro ao largo da costa do Japão ocorrido às 05:46 UTC (14:46 na hora local) de 11 de março de 2011. O epicentro foi a 130 km da costa leste da península de Oshika, na região de Tohoku, com o hipocentro situado a uma profundidade de 24,4 km. O sismo atingiu o grau 7 - a magnitude máxima da escala de intensidade sísmica da Agência Meteorológica do Japão - a norte da Prefeitura de Miyagi, grau 6 em outras prefeituras e 5 em Tóquio.
O sismo provocou alertas de tsunami e evacuações na linha costeira japonesa do Pacífico e em pelo menos 20 países, incluindo toda a costa do Pacífico da América do Norte e América do Sul. Provocou também ondas de tsunami de mais de 10 m de altura, que atingiram o Japão e diversos outros países. No Japão, as ondas percorreram mais de 10 km de terra.
De acordo com as autoridades houve 13.333 mortos confirmados e cerca de 16.000 desaparecidos. O sismo causou danos substanciais no Japão, incluindo a destruição de rodovias e linhas ferroviárias, assim como incêndios em várias regiões, e o rompimento de uma barragem. Aproximadamente 4,4 milhões de habitantes no nordeste do Japão ficaram sem energia elétrica, e 1,4 milhão sem água. Muitos geradores deixaram de funcionar e pelo menos dois reatores nucleares foram danificados, o que levou à evacuação imediata das regiões atingidas enquanto um estado de emergência era estabelecido. A Central Nuclear de Fukushima I sofreu uma explosão aproximadamente 24 horas depois do primeiro sismo, e apesar do colapso da contenção de concreto da construção, a integridade do núcleo interno não teria sido comprometida.
Estima-se que a magnitude do sismo de Sendai faça deste o maior sismo a atingir o Japão e um dos cinco maiores do mundo desde que os registos modernos começaram a ser compilados.
    
Vista aérea de Sendai em 12 de março de 2011
       
Sismo
O sismo gerou um tsunami com ondas de quatro metros, estando alertas ativos para vários países, regiões e arquipélagos, como Nova Zelândia, Austrália, Rússia, Guam, Filipinas, Indonésia, Papua-Nova Guiné, Nauru, Havai e Marianas Setentrionais (Estados Unidos), Taiwan, Equador e Chile. O aviso de tsunami emitido pelo Japão foi o de maior gravidade na escala de alertas, esperando-se que possam ser atingidos os 10 metros de altura de algumas ondas. Uma onda de 0,5 m de altura atingiu a costa norte do Japão A agência Kyodo relatou que uma onda de 4 m de altura atingiu a prefeitura de Iwate no Japão, e houve também inundações na prefeitura de Miyagi, arrasando a parte baixa da costa, levando automóveis e causando destruição.
O número de vítimas é impreciso, com relatos iniciais apontando mais de mil mortos e milhares de feridos. Estes dados não contam com a destruição quase completa da cidade de Sendai.
 
Impacto geofísico
Relatórios do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Servia sugerem que o efeito dos terremotos na região foi tão forte que o eixo da Terra foi alterado em 10 cm. Um relatório separado do Serviço Geológico dos Estados Unidos disse que Honshu, a principal ilha do Japão, foi movimentada em 2,4 m na direção leste.
     
Tsunami
    
 
Tempo estimado de viagem do tsunami gerado pelo sismo
     
Japão
O terramoto provocou um alerta de tsunami e evacuações da costa japonesa do Pacífico e de pelo menos outros 20 países, incluindo toda a costa do Pacífico, tanto da América do Norte como da América do Sul, desde o Alasca até ao Chile. O alerta de tsunami emitido pelo Japão foi a mais grave em sua escala de alerta, o que implica que a onda era esperada para ter uma altura de, ao menos, 10 metros de altura. Uma onda desse tamanho ocorreu às 15:55 JST inundações Aeroporto de Sendai, que fica perto da costa da Prefeitura de Miyagi, com ondas varrendo carros e inundando vários edifícios conforme ia para o interior da ilha. O impacto do tsunami em torno do Aeroporto de Sendai foi filmado por um helicóptero de notícias da rede NHK, mostrando vários veículos em estradas locais tentando escapar da onda que se aproximava rapidamente. Uma onda de tsunami de 4 metros de altura atingiu a Prefeitura de Iwate.
Como no Sismo do Oceano Índico de 2004 e no Ciclone Nargis, o dano da afluência de água, embora muito mais localizado, pode ser muito mais letal e destrutivo do que o terramoto em si. Há relatos de "cidades inteiras destruídas" nas áreas atingidas pelo tsunami no Japão, incluindo 9500 desaparecidos em Minamisanriku; Kuji e Ofunato foram "varridas...não deixando nenhum vestígio de que uma cidade estava lá."
     
Em outras partes do Pacífico
Em Guam, dois submarinos de ataque dos Estados Unidos foram desancorados, mas logo foram retomados. O estado do Havaí estimou os danos em infra-estruturas públicas em três milhões de dólares, com danos privados ainda maiores. Uma casa foi levada para o mar.
O Centro de Alerta de Tsunami da Costa Oeste dos Estados Unidos e do Alasca emitiu um alerta de tsunami para as zonas costeiras da Califórnia e do Oregon, de Point Conception, na Califórnia, até à fronteira do Oregon e Washington. Na Califórnia, o porto em Crescent City foi atingido por ondas de tsunami de oito pés, com docas e cerca de 35 barcos severamente danificados, enquanto o porto de Santa Cruz estimou prejuízos de 10 milhões de dólares como resultado dos danos, com outros 4 milhões de dólares em danos em embarcações que atracam ali. A Ilha Catalina, na Califórnia e Brookings, no Oregon, também sofreram danos.
Ao longo da costa do Pacífico no México e na América do Sul, foram registados surtos de tsunami, mas na maioria dos lugares causou pouco ou nenhum dano. O Peru relatou uma onda de 1,5 m e mais de 300 casas foram danificadas na cidade de Pueblo Nuevo de Colan e Pisco.
  
Mapa do NOAA da altura da onda do tsunami
       
Consequências
O sistema de alerta de terramotos da Agência Meteorológica do Japão alertou a população cerca de um minuto antes do tremor, através de emissoras de televisão e rádio, além de correio eletrónico e mensagens via celular para pessoas cadastradas no sistema.
O sismo atingiu severamente Honshu, incluindo Tóquio. Verificaram-se numerosos incêndios em instalações industriais. Cerca de 13 horas depois do primeiro grande abalo, dois fortes sismos de magnitude 6,2 e 6,1 atingiram novamente a costa do Japão. Um barco com cerca de 100 pessoas a bordo foi virado pelo tsunami que atingiu a costa do Japão. A embarcação estava na costa da prefeitura de Miyagi. Um grande incêndio atingiu a cidade de Kesennuma.
     
Vista aérea de área atingida pelo tsunami
       
Centrais nucleares
Outro dos efeitos do sismo foi a explosão ocorrida no dia 12 de março na Central Nuclear de Fukushima I. O tsunami atingiu-a e provocou uma avaria no sistema de refrigeração. O corte de eletricidade impediu a recuperação desse sistema, permitindo que os bastões do combustível continuassem a aquecer, aumentando a pressão e originando a explosão.
No dia anterior fora declarado estado de emergência na central nuclear e, apesar da informação de que não existiam fugas radioativas, evacuaram-se cerca de 3.000 residentes num raio de 3 km do reator. Horas depois o raio de evacuação tinha sido elevado para 10 km, afetando já 45 000 pessoas. O reator é refrigerado através da circulação de água através do seu combustível nuclear, tendo sido detetada uma alta pressão de vapor no reator, o dobro do que é permitido. A empresa Tokyo Electric Power avaliou a possibilidade de libertar parte deste vapor para reduzir a pressão no mesmo, vapor esse que contém material radioativo. Os níveis de radiação na sala de controlo da central eram cerca de 1000 vezes maiores que os níveis normais e na entrada da central foram medidos níveis 8 vezes superiores aos normais, existindo a possibilidade do derretimento do núcleo dos reatores.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, falou ao país após o sismo, lamentando o sucedido e oferecendo as suas condolências às famílias das vítimas. Indicou igualmente que já estaria em marcha a construção de um quartel-general para as operações de emergência e assegurou que não foi detetada nenhuma fuga radioativa nas centrais nucleares do país.
    

Mapa mostrando o epicentro do terremoto e a posição das centrais nucleares afetadas
         

domingo, março 01, 2026

Um terramoto arrasou a cidade de Agadir, em Marrocos, há 66 anos...

    
Le séisme de 1960 d'Agadir est un séisme qui s'est produit à Agadir le 29 février 1960 à 23.40 heures. La secousse dura 15 secondes et était d'une magnitude de 5,7 sur l'échelle de Richter
   
Le séisme 
Dans les quartiers de Founti, Yachech et de la Kasbah, tous les bâtiments furent détruits ou sévèrement endommagés, 95 % de la population de ces zones fut ensevelie. Dans le quartier de Talborjt, 90 % des bâtiments furent détruits ou gravement endommagés, la ville nouvelle et le front de mer ont été relativement épargnés, et détruits à 60 %.
Le séisme a fait de 12 000 à 15 000 morts, soit environ un tiers de la population, et environ 25 000 blessés.
C'est le séisme le plus destructeur et le plus meurtrier de l'histoire du Maroc. C'est également le séisme de magnitude « modérée » (moins de 6) le plus destructeur du XXe siècle (par opposition au séisme de Mongolie du 4 décembre 1957 qui ne fit que très peu de victimes malgré sa magnitude de 8,1).
La gravité des dégâts est attribuée au fait que la secousse avait son épicentre juste en dessous de la ville, et à la faible résistance des constructions anciennes. La ville semblait pourtant avoir été historiquement à l'abri des séismes, et ce n'est qu'après des recherches historiques que l'on se rendit compte que la ville, connue à l'époque sous le nom de Santa Cruz do Cabo de Aguer avait déjà été détruite par un tremblement de terre en 1731, ce qui, a posteriori, expliquait sans doute la date de 1746 gravée sur le fronton de la porte de l'ancienne Kasbah.
  
Conséquences
Dans les heures qui ont suivi le séisme, les marins de la base aéronavale française voisine sont venus porter secours aux survivants (environ 30 000). La proximité de cette base qui n'avait pratiquement pas subi de dégâts, l'arrivée rapide de l'escadre française de Méditerranée ainsi que d'une escadre néerlandaise, permirent la mise en place rapide des secours aux rescapés. Deux jours plus tard, la ville fut évacuée pour éviter la propagation de maladies. Les recherches continuèrent pendant un certain temps, notamment pour identifier les corps, mais il est resté une grande incertitude quant au bilan humain du désastre.
Dès le lendemain, le roi Mohammed V et son conseil des ministres ont créé une commission de reconstruction dont les rênes ont été confiées au prince héritier, Moulay Hassan. Rapidement, afin de réduire les risques sismiques (Agadir était littéralement construite sur la faille), il fut décidé que la ville nouvelle serait reconstruite un peu plus au sud, en abandonnant les quartiers situés au nord de l'oued Tildi, la Kasbah, Founti, Yachech, Talborjt, devenus inconstructibles. La première pierre de ce chantier est posée par le roi le 30 juin 1960, alors que les travaux de déblaiement de la ville avaient à peine commencé.
   
     

sábado, fevereiro 28, 2026

O último terramoto, com vítimas mortais em Portugal continental, foi há 57 anos...

(imagem daqui)
  
O Sismo de 1969 ocorreu em 28 de fevereiro de 1969 pelas 02.40.32,5 horas UTC (mais uma hora no tempo local). Atingiu o sul do país e a região de Lisboa, sendo o último grande sismo a ocorrer em Portugal Continental, e o mais forte do século XX. O epicentro do sismo foi determinado como tendo as coordenadas 36.01º N e 10.57º W e a magnitude atribuída foi Ms=7.9 e Mw=8.0. Este evento é interpretado como resultante da compressão interplacas (Africana e Euroasiática) que ocorre na região sudoeste ibérica.
O sismo provocou alarme e pânico entre a população, cortes na telecomunicações e no fornecimento de energia elétrica. Em Espanha houve sete morte indiretas, por enfarte, e em Marrocos houve 11 mortos diretos. Registaram-se 13 vítimas mortais em Portugal Continental, 2 como consequência direta do sismo, e 11 indiretas. A maior intensidade (VIII) foi sentida no Algarve, sendo atribuída a Lisboa uma intensidade VI.
  

https://fernandooliveiramartins.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/02/isossistas28-02-2014.jpg
  (imagem daqui)
  
in Wikipédia

sábado, fevereiro 21, 2026

Christchurch, a capital da Ilha do Sul da Nova Zelândia, teve um terramoto há 15 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f0/Piko_building_corner_Barbadoes_Kilmore.JPG/800px-Piko_building_corner_Barbadoes_Kilmore.JPG
Edifício destruído em Christchurch
     
O Sismo de Canterbury de 2011 (também conhecido como sismo de Christchurch) foi um sismo de 6,3 de magnitude que atingiu a Ilha do Sul da Nova Zelândia às 12.51 horas de 22 de fevereiro de 2011 (hora local), que corresponde às 23.51 horas de 21 de fevereiro UTC. O número de mortes provocadas pelo sismo foi inicialmente estimado em 159 (em 2 de março de 2011), passando depois para 185.
A região mais afetada foi província de Canterbury, em particular a cidade de Christchurch, situada a 10 km do epicentro do sismo. Essa mesma região já tinha sido atingida por um sismo de 7,1 MW em 4 de setembro de 2010.
    
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fc/2011_Canterbury_earthquake_intensity.jpg
Mapa de intensidade do sismo, mostrando o epicentro próximo de Christchurch
     

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Charles Darwin viu os Andes crescer há 191 anos

Restos de la Catedral de Concepción tras el terremoto

 

El Terremoto de Concepción de 1835 fue un terremoto de 8,5 MS que azotó a la ciudad de Concepción, Chile, a las 11.30 del día 20 de febrero de 1835. El maremoto posterior arrasó la zona centro-sur del país, específicamente entre los ríos Cachapoal y Valdivia. Destruyó totalmente la ciudad de Concepción.
Es famoso por haber sido documentado por Charles Darwin y aportar una cuota sobre el efecto de los cambios geológicos a las teorías de este científico. Si bien afectó fuertemente la actual Región del Biobío, probablemente se sintió en todo el territorio de Chile centro-sur, ya que Darwin lo percibió estando en la ciudad de Valdivia.
Yo estaba en tierra firme descansando en un césped. (El terremoto) vino de repente y duró dos minutos (aunque pareció mucho más). El sismo era muy notable; a mí y a mi sirviente nos pareció que la ondulación venía del este (…) Un terremoto como este destruye las asociaciones más antiguas, el mundo, el emblema de todo aquello que es sólido.
Darwin recoge datos de pobladores que afirman que el territorio se había levantado dejando al descubierto rocas antes sumergidas. Afortunadamente el terremoto fue en una hora benigna (11:00 de la mañana), cuando pocas personas estaban al interior de las casas y el territorio afectado tenía poca densidad de población. Respecto a la cantidad de víctimas, los informes son incompletos y contradictorios entre 30 y 120 muertos, pero cientos de heridos.
El maremoto fue advertido por la población al percatarse que se había retirado el mar, estando fresco el recuerdo del terremoto de 1751, la gente huyó de la costa. El maremoto dejó muchas embarcaciones al interior del territorio y miles de peces como es usual. Aunque es interesante la descripción que las aguas marinas se pusieron negras con un olor sulfuroso. Además de producirse un chorro vertical de agua similar a la columna que levanta una ballena en el centro de la bahía de San Vicente.