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quarta-feira, junho 03, 2026

Artigo de opinião, sobre as cheias do Mondego, de quem sabe...

O Mondego não mente. Nós é que não quisemos ouvir

https://images.impresa.pt/expresso/2026-03-20-pedro-proenca-cunha-ec79f61b/3x2/mw-320

Pedro Proença Cunha - Professor Catedrático de Geologia Sedimentar da Universidade de Coimbra e investigador no MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente)

 

A cheia de fevereiro de 2026 não foi uma surpresa para quem conhece o rio. Foi a consequência previsível de décadas de ilusões, de má manutenção e de construções onde nunca deveriam ter sido feitas. Está na hora de dizer o que a ciência sabe há muito


A 11 de fevereiro de 2026, no Baixo Mondego, o dique marginal direito do canal principal do Mondego, cedeu por baixo da autoestrada A1. O tabuleiro da mais importante autoestrada do país abateu horas depois. A água alastrou pelos campos. Portugal ficou em choque. Mas há uma pergunta que poucos pensaram naqueles dias de lama e sirenes: roturas de diques e alagamento das planícies de inundação, já tinham acontecido antes; e voltarão a acontecer

Há 827 anos que a documentação escrita sobre as cheias do Mondego, nos avisa. Já em 1199 - quando uma cheia catastrófica inundou a Baixa de Coimbra "em menos de uma hora" e alagou o Mosteiro de Santa Cruz - que este rio demonstra, com brutal regularidade, o que é capaz de fazer. As crónicas medievais, os registos eclesiásticos, as gazetas do século XIX, os dados horários do século XX: tudo diz o mesmo. E nós continuámos, inconscientemente e imprudentemente, a edificar nas planícies de inundação.

Escrevo este artigo com base no relatório técnico-científico que elaborei a pedido da Agência Portuguesa do Ambiente, no seguimento da solicitação da Ministra do Ambiente e Energia. Tive 100 dias para o elaborar e acesso a dados que, anteriormente, nunca tinham sido sistematizados e interpretados desta forma. O que encontrei confirmou os piores receios e também revelou erros que não podem voltar a ser tolerados.

 

O escasso valor estatístico que tem causado colossais prejuízos

Durante décadas, o caudal considerado "de cheia centenária, em regime natural" no Mondego - aquele que serviu de referência para o Projeto Hidráulico do Mondego, os Planos Diretores Municipais (PDMs) e para os Planos de Proteção Civil (PPCs) dos municípios com territórios na planície aluvial - foi de 3660 m³/s. Foi obtido a partir de 50 anos (1915-1965) de registos em Coimbra. Depois, com base em 63-80 anos, foi estimado em 4100 a 4500 m³/s. Para um rio com grande variabilidade interanual de caudal, isto equivale a calcular a probabilidade de um caudal com muito fraco valor estatístico.

Com base na análise de 805 fontes documentais ao longo de 827 anos - das crónicas de Santa Cruz às séries hidrométricas modernas -, obtive uma estimativa de provável caudal centenário de ~4500 a 5200 m³/s (respetivamente, com base nas distribuições pelo Empírico ou pelo Gumbel). Note-se que apenas as cheias ordinárias a catastróficas foram documentadas antes de 1915.

Um caudal desse nível, provocaria o colapso da obra hidráulica do Baixo Mondego e o alagamento total das planícies de inundação, incluindo as baixas de Coimbra e Sta. Clara. É isso que está em risco.

A análise histórica é ainda mais dramática: de 1199 a 2026, ocorreram em média cerca de 5 cheias por século com caudal >3000 m³/s, e 3 cheias com caudal >4000 m³/s (caudais naturais). Oitenta e três por cento das grandes cheias acontecem entre dezembro e fevereiro. O período crítico é, exatamente, o inverno. Nada disto é novidade para a ciência. Mas parece continuar a ser desconhecido por quem licenciou e por quem continua a licenciar bairros nas planícies de inundação.

 

As barragens fizeram o que podiam. Mas não fizeram milagres

O sistema de regularização hidráulica do Mondego - as barragens da Aguieira (1981), Raiva (1983) e Fronhas (1987), o Canal Principal do Mondego com diques marginais e o Açude de Coimbra - é uma obra de engenharia notável, com um investimento de 516 milhões de euros a preços atuais. Durante 19 anos, de 1981 a 2000, não ocorreram eventos de elevada precipitação e as barragens conseguiram encaixar afluências de pequenas cheias.

Este aparente sucesso criou a ilusão de que o problema estava definitivamente resolvido.

Através da gestão hídrica assegurada pelas barragens, o projeto prometia que um caudal atenuado de 2000 m³/s (equivalente a um natural de 3000 m³/s) em Coimbra seria um evento raro, decorrente de uma precipitação extraordinária. Mas, na realidade, de 1987 a 2026, esse valor foi atingido quatro vezes em 39 anos: em 2001, em 2016, em 2019, em 2026. Em alguns anos, a gestão de caudal pelas barragens podia ter sido melhor. Mas, principalmente, houve uma subestimação do rio.

 

A A1 foi construída em cima do dique. Literalmente

A causa principal da rotura de fevereiro de 2026 não foi a chuva, não foram as barragens, não foi o rio. Foi uma decisão de engenharia tomada em 1991: uma linha de pilares do tabuleiro da A1 foi implantada no dique direito do Canal Principal do Mondego, construído dez anos antes, em 1981.

Os pilares penetraram em profundidade no aterro arenoso do dique, criando transmissão de vibração, diferenças mecânicas, zonas de fragilidade e facilitação da percolação; além disso, a queda dos tubos de escoamento de água pluvial da A1 faz-se diretamente sobre a areia do dique. Com um caudal extremo, a pressão hidráulica lateral fez o resto. A consequência negativa da opção de 1991 foi potenciada pela falta de uma fiscalização moderna.

Em imagem de satélite de outubro de 2025 - quatro meses antes da rotura -, era já visível um abatimento significativo no coroamento desse dique. O descarregador em sifão imediatamente a montante da A1, que deveria ter aliviado parte do caudal para os campos agrícolas adjacentes, tal como desde 2021, praticamente não funcionou.

Há ainda uma causa secundária que merece atenção. Entre 2017 e 2018, fez-se deposição de areia proveniente do desassoreamento do Açude de Coimbra diretamente no leito do Canal, a montante e a jusante, exatamente, do cruzamento com a A1. Este excesso local de areia elevou artificialmente o nível do leito, o que subiu localmente o nível de água, aumentou a pressão lateral no dique, galgou-o, rompeu-o e levou a que imensa areia ficasse a cobrir os campos agrícolas vizinhos (com 1 m de espessura). A ciência não adivinha. Mas quando os dados estão disponíveis, alguém tem de lê-los, percebê-los e atuar em conformidade.

Esta coincidência perturbante pode ter uma explicação geológica: identificámos neste local um lineamento tectónico, com direção NNW-SSE, alinhado com o raro vale retilíneo ao longo da ribeira de Frades. O traçado desta provável falha tectónica ativa atravessa o canal principal do Mondego muito junto à A1. Uma eventual movimentação desta falha contribuiria para a fragilização local de ambos os diques. É uma hipótese remota que precisa de investigação pormenorizada - mas que não pode ser ignorada dada a surpreendente e, aparentemente inexplicável, posição das duas roturas.

 

A barragem da Aguieira e o sismo que ninguém ainda quis discutir

A falha de Vérin-Penacova é uma das maiores falhas sismicamente ativas de Portugal continental. Tem muito mais de 800 km de extensão total e situa-se a apenas 6 km da barragem da Aguieira. Um sismo de magnitude 7,1 nesta falha - com período de retorno estimado de 14300 anos portanto, improvável, mas não impossível - provocaria, no percentil 95%, acelerações entre 0,6g e 0,8g. A barragem foi, aparentemente, projetada para suportar 0,4g.

O muito improvável colapso (natural ou antrópico) da Aguieira geraria uma gigantesca e rápida onda de água, que chegaria a Coimbra 1 h depois. O alagamento atingiria, provavelmente, 8 m de altura de água nas planícies de inundação, alagando-as completamente - incluindo as baixas de Coimbra e de Santa Clara, bem como todo o Baixo Mondego.

A probabilidade é muitíssimo baixa, atendendo à robustez da estrutura e cálculos feitos. Contudo, as diferenças no comportamento mecânico nos encostos da barragem ao maciço de rochas metamórficas pouco resistentes poderá gerar rotura. As consequências de uma rotura seriam devastadoras.

É recomendável fazer a reavaliação do risco sísmico acompanhada de eventual manutenção da barragem. Não porque o colapso seja provável, mas porque a prudência assim o exige dado que ainda não conseguimos prever sismos. Note-se que as consequências deste raríssimo evento não estão consideradas nas Cartas de Zonas Inundáveis e de Riscos de Inundações do PGRI, PDMs e PPCs dos municípios do Mondego.

 

Girabolhos: uma resposta política a um problema de gestão

Dias depois da cheia do passado fevereiro, o Governo anunciou o relançamento da barragem de Girabolhos como solução para o problema das inundações a jusante. A intenção é compreensível. Mas a análise de fundamentação técnica e científica obriga a uma muito grande prudência na decisão política.

A sub-bacia que Girabolhos controlaria representa apenas 15% da bacia do Mondego. Em fevereiro de 2026, o volume de precipitação na sua área de influência teria enchido completamente a albufeira em apenas sete dias - e depois continuaria a transbordar. O rio Ceira, que trouxe mais de 1000 m³/s nas cheias de 2019 e 2026, entra no Mondego a junto a Coimbra, completamente fora do sistema de controlo.

Girabolhos não resolve, nem muito parcialmente, as cheias extraordinárias ou catastróficas. Poderia constituir uma nova fonte de energia renovável e complementar a gestão de pequenas ou moderadas cheias, bem como de secas. Mas os impactos ambientais no rio Mondego seriam muito altos. Entre eles encontram-se a diminuição da qualidade e da oxigenação da água, desaparecimento de habitats essenciais às espécies aquáticas, perda de conectividade longitudinal essencial para espécies migradoras, perda de vegetação ripária essencial à manutenção de uma temperatura da água mais baixa no verão e limitação dos blooms de cianobactérias, entre outros.

O Estudo de Impacto Ambiental existente é de 2016 - e está, no mínimo, desatualizado. Num momento de crise emocional não se tomam as melhores decisões de engenharia.

 

O que é preciso fazer - e o que não pode continuar a acontecer

medidas urgentes que não exigem estudos, nem licitações, nem anos de espera. Exigem rigor técnico-científico na fundamentação e a consequente vontade e decisão política:

Primeiro: Proibição imediata de implantação de novas edificações nas planícies de inundação. Não é uma medida impopular: é a única medida racional. Se não houver edifícios nas planícies de inundação, não há risco fluvial. É tão simples quanto isso.

Segundo: Gestão dinâmica das cotas de espera nas barragens da Aguieira e Fronhas, com base em previsões meteorológicas a 15 dias - disponíveis e fiáveis, hoje, com tecnologia existente. Durante dezembro, janeiro e fevereiro, as albufeiras devem estar o mais vazias possível.

Terceiro: Manutenção preventiva e regular dos diques do canal principal do Mondego. Desassoreamento da albufeira do Açude de 3 em 3 anos, mas dependente de cada montante extraído e transferido, bem como tendo em conta a época de reprodução das espécies piscícolas e outras. Remoção da vegetação arbórea nos diques. Inspeção geotécnica anual. Não é glamoroso. Não dá títulos nos jornais. Mas evita que um dique que, segundo a moderna engenharia hidráulica foi construído para ser “não galgável e intransponível”, rompa numa tarde de fevereiro.

Quarto: O caudal natural correspondente a uma recorrência de 100 anos agora determinado é muito superior ao que foi estimado no projeto da Obra Hidráulica do Mondego, bem como o correspondente caudal amortecido pelas barragens. Assim, é necessária uma revisão urgente das Cartas de Zonas Inundáveis e de Riscos de Inundações do PGRI. Consequentemente, também dos PDMs e dos PPCs dos municípios do Mondego.

Quinto: Criação de uma entidade de Gestão Integrada da Bacia do Mondego, com: competências reais, amplas e claras; recursos humanos qualificados e em número adequado; recursos financeiros necessários aos objetivos a atingir; e ser usado um modelo de cogestão participada. A gestão hídrica de uma bacia hidrográfica não pode continuar a ser feita em silos - a APA de um lado, a EDP de outro, os municípios de um terceiro, os agricultores a reclamar e a Proteção Civil a apagar fogos, bem como as populações ribeirinhas em desespero…

 

A lição do Mondego é muito antiga

Em Coimbra ocorreram muitas cheias catastróficas, nomeadamente: 1788 (4800 m³/s); 1331 (4500 m³/s); 1764 e 1843 e 1948 (4200 m³/s); 1411, 1739 e 1821 (4100 m³/s). Mesmo após a construção da gigantesca barragem da Aguieira (1981) ocorreram grandes cheias: em 2001, cedeu um dique junto à A1 e ocorreram mais 15 roturas em diques; em 2019 ocorreram 2 roturas em diques; em 2026, cedeu o dique do outro lado, exatamente, na mesma secção transversal onde a A1 abateu.

De cada vez que o Mondego transbordava, dizia-se que tinha sido excecional. Que não voltaria a acontecer. E era feito mais um pormenorizado relatório a listar as eventuais causas. Mas, depois, voltava a ocorrer mais um grande caudal de cheia, que o projeto hidráulico preconizava não poder vir a acontecer!

E de cada vez que o dizíamos, construíamos mais um pouco nas planícies de inundação, aprovávamos mais um PDM otimista, mantínhamos mais uns anos os diques sem manutenção adequada ou mesmo uma Câmara Municipal chegava a suspender o seu PDM para poder edificar extensivamente, nas planícies de inundação!

A ciência, nomeadamente, os especialistas de investigação científica, têm a obrigação de dizer a verdade, mesmo quando é incómoda. A verdade é esta: o Mondego não está a comportar-se de forma anómala. Está a comportar-se exatamente como sempre se comportou. O que mudou foi a quantidade de casas, estradas e infraestruturas que pusemos no caminho da sua água.

O Ordenamento do Território fundamenta-se nos dados científicos recolhidos e estudados, aplicando as regras da prevenção face à salvaguarda de pessoas e bens.

Portugal vai voltar a ter grandes cheias no Mondego. Nos últimos 102 anos a frequência de cheias em regime natural de 3000 m³/s (equivalente a 2000 m³/s com controlo por barragens) é de 20 anos (5 cheias por 100 anos, valor igual nos últimos 827 anos). A questão não é se o rio vai transbordar.

A questão é se da próxima vez haverá mesmo muita gente nas planícies de inundação a perder a sua casa, o seu carro, todos os seus outros bens ou a sua vida... Isso não depende do rio. Depende de nós.


in Expresso

sexta-feira, janeiro 30, 2026

A Tempestade Kristin em Leiria...


Que mensagem incrível mandou a  Natureza, para os que insistem em brincar e dar cabo de tudo - em impermeabilizar tudo, em ocupar leitos de cheia, em negar as alterações climáticas, em persistir nos consumos de combustíveis fósseis. Tive sorte de não ter prejuízo, mas tenho centenas de vizinhos que tiveram o azar de ver carros destruídos, telhados para reparar, placas de vidro e janelas partidas, painéis solares desaparecidos, casas inundadas, terrenos com as árvores caídas... Sem luz e telecomunicações, com a água a acabar, sem supermercados abertos (ou poucos que estão a ficar sem stock de muita coisa, sem bombas de combustível abertas) tive de fugir...

 

Que pena os nossos decisores não aprenderem umas coisas com estes eventos... 

 




  

 

Kristin: “A força da natureza associada à incompetência e irresponsabilidade”

domingo, junho 15, 2025

A erupção pliniana do Pinatubo, que afetou significativamente o clima da Terra, começou há 34 anos

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
      
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes  or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes of SO2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
    

sexta-feira, janeiro 03, 2025

Às vezes a causa de mudanças climáticas é geológica...

Encontrado o misterioso vulcão que há 200 anos quase destruiu o Mundo

 

A erupção misteriosa ocorreu no vulcão Zavaritskii, na ilha de Simushir, e criou uma caldeira com 3 km de largura, revelando espetaculares camadas vermelhas, pretas e brancas constituídas por depósitos eruptivos do passado

 

A identidade do misterioso do vulcão responsável por uma erupção vulcânica gigante que intrigou os cientistas durante quase 200 anos foi finalmente encontrada: foi o vulcão Zavaritskii, na remota e desabitada ilha de Simushir, parte das Ilhas Curilhas

Em 1831, uma erupção vulcânica maciça lançou gases sulfurosos na atmosfera, refletindo a luz solar e provocando um arrefecimento global de cerca de 1ºC.

Este tempo frio, bem documentado em todo o mundo, levou a quebras de colheitas generalizadas e a fomes devastadoras.

O compositor Felix Mendelssohn chegou mesmo a escrever sobre o tempo catastrófico durante a sua viagem de verão pelos Alpes, em 1831: “Tempo desolador, voltou a chover toda a noite e toda a manhã, está tão frio como no inverno, já há neve profunda nas colinas mais próximas…

A erupção de 1831 é a mais recente “erupção misteriosa” da Terra. Embora os cientistas soubessem que se tratava de um acontecimento importante que causou alterações climáticas e convulsões sociais, a identidade do vulcão responsável permaneceu desconhecida e ferozmente debatida, até agora.

Num novo estudo, uma equipa liderada por Will Hutchison, investigador da Universidade de St Andrews, analisou os registos do núcleo de gelo do evento de 1831 e identificou uma “correspondência perfeita das impressões digitais” dos depósitos de cinzas.

Os resultados do estudo foram apresentados num artigo publicado a semana passada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Só nos últimos anos é que desenvolvemos a capacidade de extrair fragmentos microscópicos de cinzas de núcleos de gelo polar e efetuar análises químicas detalhadas. São incrivelmente minúsculos, com cerca de um décimo do diâmetro de um cabelo humano”, explica Hutchison num comunicado da universidade.

Hutchison e a sua equipa conseguiram datar com precisão e fazer corresponder os depósitos do núcleo de gelo ao vulcão Zavaritskii, na remota e desabitada ilha de Simushir, parte das Ilhas Curilhas.

Estas ilhas são um território disputado entre a Rússia e o Japão. Atualmente controladas pela Rússia, funcionam como um posto militar estratégico.

Durante a Guerra Fria, num enredo que faz lembrar um filme de Bond, os soviéticos utilizaram Simushir como base secreta de submarinos nucleares, atracando os navios numa cratera vulcânica inundada.

“Analisámos a química do gelo com uma resolução temporal muito elevada. Isto permitiu-nos identificar o momento exato da erupção, na primavera/verão de 1831, confirmar que foi altamente explosiva e depois extrair os pequenos fragmentos de cinzas”, acrescenta Hutchison.

“Encontrar a correspondência demorou muito tempo e exigiu uma colaboração alargada com colegas do Japão e da Rússia, que nos enviaram amostras recolhidas nestes vulcões remotos há décadas”, nota o investigador.

“O momento no laboratório em que analisámos as duas cinzas juntas, uma do vulcão e outra do núcleo de gelo, foi um verdadeiro momento eureka. Não conseguia acreditar que os números eram idênticos”, conta Hutchison.

“Depois disso, passei muito tempo a investigar a idade e a dimensão da erupção nos registos de Kuril para me convencer verdadeiramente de que a correspondência era real“, admite.

Os resultados do estudo permitem identificar as Ilhas Kuril como uma região vulcânica pouco estudada mas extremamente produtiva.

O vulcão responsável pela erupção de 1831 era muito remoto, mas teve um impacto global significativo no clima e consequências graves para as populações humanas.

Identificar as fontes destas erupções misteriosas é crucial, pois permite aos cientistas cartografar e monitorizar as regiões da Terra com maior probabilidade de produzir eventos vulcânicos que alteram o clima.

“Há muitos vulcões como este, o que realça a dificuldade de prever quando ou onde poderá ocorrer a próxima erupção de grande magnitude. Como cientistas e como sociedade, temos de pensar em coordenar a resposta internacional quando ocorrer a próxima grande erupção, como a de 1831”, conclui.

 

in Wikipédia

segunda-feira, julho 22, 2024

Nós, os humanos, damos cabo de tudo...

A Terra está a oscilar e os dias estão a ficar mais longos - e a culpa é nossa

 

 

 

Com a utilização da IA, novos estudos mostraram que os nossos dias estão a ficar cada vez mais longos e que o nosso Planeta vai ficar mais instável no futuro. Estas alterações podem ter implicações importantes para o futuro da humanidade.

Segundo o Live Science, a duração dos dias na Terra e a orientação do nosso Planeta estão a ser desequilibrados à medida que as alterações climáticas, causadas pelo Homem, alteram continuamente a rotação da Terra.

De acordo com uma nova investigação, estas alterações serão impercetíveis para nós, mas poderão ter graves repercussões, incluindo obrigar-nos a introduzir segundos bissextos negativos, interferir com as viagens espaciais e alterar o núcleo interno do nosso Planeta.

Um dia na Terra dura cerca de 86.400 segundos, mas o tempo exato que o nosso planeta leva a completar uma única rotação pode variar em pequenas frações de milissegundos todos os anos, devido a uma série de fatores, como os movimentos das placas tectónicas, as alterações da rotação do núcleo interno e o efeito gravitacional da Lua.

No entanto, as alterações climáticas causadas pelo Homem são outro fator que pode alterar a duração dos nossos dias e os cientistas estão apenas a começar a perceber o quanto isso afetará a rotação do nosso Planeta nos próximos anos.

Nas últimas décadas, a taxa de perda de gelo das regiões polares da Terra, em particular da Gronelândia e da Antártida, tem vindo a aumentar rapidamente devido ao aquecimento global, levando à subida do nível do mar.

A maior parte desta água extra acumula-se perto do equador, fazendo com que o nosso Planeta fique ligeiramente mais saliente a meio.

Isto, por sua vez, abranda a rotação do Planeta, porque o peso é distribuído mais longe do centro do Planeta - à semelhança do que acontece com os patinadores artísticos que giram, que abrandam a rotação afastando os braços do corpo.

No novo estudo, publicado na revista PNAS, os investigadores utilizaram um programa avançado de Inteligência Artificial que combina dados do mundo real com as leis da física para prever a forma como a rotação do planeta irá mudar ao longo do tempo.

A mesma equipa de investigação que está por detrás do novo estudo também divulgou um outro estudo, publicado na revista Nature Geoscience, que mostrava que o aumento da água perto do equador está a deslocar o eixo da rotação da Terra, o que está a fazer com que os polos magnéticos se afastem mais do eixo todos os anos.

Os cientistas descobriram anteriormente que este efeito tem vindo a ocorrer, provavelmente, pelo menos nas últimas três décadas. No entanto, o novo estudo sugere que o eixo se afastará ainda mais da sua posição atual do que os estudos anteriores previam.

“Nós, humanos, temos um impacto maior no nosso Planeta do que imaginamos”, afirmou Benedikt Soja, geodesista da ETH Zurich, coautor dos dois novos estudos. “E isto coloca-nos naturalmente perante uma grande responsabilidade pelo futuro do nosso Planeta”.

A duração dos dias da Terra sempre variou. Há cerca de mil milhões de anos, o nosso planeta demorava provavelmente apenas 19 horas a completar uma única rotação, antes de abrandar para as 24 horas que temos atualmente.

A Terra também muda em escalas de tempo mais curtas. Por exemplo, em 2020, a Terra estava a girar mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde que os registos começaram em 1960.

Em 2021, a rotação do planeta começou a abrandar novamente, apesar de termos registado o dia mais curto de sempre em junho de 2022. Mas, no geral, a rotação da Terra tem vindo a abrandar há milénios, principalmente devido a um processo conhecido como fricção de maré lunar, em que o efeito gravitacional da Lua nos nossos oceanos afasta a água dos polos.

Mas, em geral, a rotação da Terra tem vindo a abrandar há milénios, principalmente devido a um processo conhecido como ficção de maré lunar, em que o efeito gravitacional da Lua nos nossos oceanos afasta a água dos polos.

Atualmente, esse efeito está a prolongar os nossos dias em cerca de 2,3 milissegundos por século.

Os novos estudos mostram que as alterações climáticas estão atualmente a prolongar os nossos dias em cerca de 1,3 milisegundos por século.

No entanto, com base nos atuais modelos de temperatura global, os investigadores preveem que este efeito possa aumentar para 2,6 milissegundos por século até ao final do século XXI, o que faria das alterações climáticas a maior influência na rotação do nosso planeta.

Um dos efeitos mais prováveis dos dias mais longos seria a necessidade de introduzir segundos bissextos negativos - em que ocasionalmente perderíamos um segundo de alguns dias futuros para acomodar o alongamento dos dias, à semelhança do que acontece com os anos bissextos.

O estudo de março sugere que isto poderá ter de começar a acontecer já em 2029, sobretudo para ter em conta o aumento do comprimento dos dias nos últimos milénios.

No passado, os cientistas sugeriam que esta introdução poderia afetar a contagem do tempo dos computadores e dos smartphones. No entanto, nem toda a gente está convencida de que este será um problema grave.

Os investigadores dos novos estudos observaram também que as futuras alterações poderiam ter impacto nas viagens espaciais.

“Mesmo que a rotação da Terra esteja a mudar apenas lentamente, este efeito tem de ser tido em conta quando se navega no espaço, por exemplo, quando se envia uma sonda espacial para aterrar noutro Planeta”, disse Soja. Por conseguinte, é importante monitorizar de perto estas alterações”.

A equipa também alertou para o facto de as mudanças no eixo de rotação da Terra poderem alterar a rotação do núcleo interno da Terra, o que poderia aumentar ainda mais a rapidez com que os dias se prolongam. No entanto, esta potencial interação é ainda largamente desconhecida.

 

in ZAP

sábado, junho 15, 2024

A erupção pliniana do Pinatubo, que afetou significativamente o clima da Terra, começou há 33 anos

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
      
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes  or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes of SO2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
    

sexta-feira, maio 17, 2024

Se calhar é por causa das maldades que um ditador russo faz...

“Porta para o Inferno” siberiana está a rachar

 

 

Famoso “Portal para o Submundo” viu cerca de 35 milhões de metros cúbicos de terra serem deslocados desde a década de 90, ditou novo estudo com recurso a modelos geológicos em 3D.

Está a expandir-se a ritmos alarmantes e tornou-se um símbolo vivo das alterações climáticas e do seu efeito nas regiões de permafrost.

O “Portal para o Submundo” da Sibéria, localizado na República Sakha, começou numa pequena ravina na década de 60. Hoje, estende-se por mais de um quilómetro de comprimento e está a crescer.

Inicialmente despercebida até ser identificada por imagens de satélite em 1991, a derrocada tem sido monitorizada de perto desde então. A causa da sua expansão é atribuída, em grande parte, ao aumento das temperaturas, que descongelam o permafrost, outrora estável, desestabilizando a estrutura do solo e desencadeando deslocações maciças do solo para baixo, em direção ao rio Batagay.

Estudos recentes publicados no Geomorphology e conduzidos por uma equipa da Universidade Estatal Lomonosov de Moscovo e do Instituto Melnikov Permafrost, em colaboração com cientistas alemães, forneceram novas e mais aprofundadas informações sobre a dinâmica do abatimento, com recurso a modelos geológicos em 3D, segundo o IFL Science.

As descobertas indicam que cerca de 35 milhões de metros cúbicos de terra foram deslocados desde a década de 90, sendo que cerca de dois terços deste volume são constituídos por gelo terrestre e o restante por sedimentos de permafrost.

As dimensões do megaslump aumentaram notavelmente de 790 metros de largura em 2014 para 890 metros em 2019.

Esta transformação não decorre apenas em Batagay. Fenómenos semelhantes estão a ocorrer em todo o Ártico, onde as alterações climáticas estão a provocar derrocadas do permafrost e a desencadear numerosos deslizamentos de terras.

Estes desenvolvimentos são particularmente preocupantes na Rússia, onde o permafrost constitui quase 65% do terreno. A degradação contínua deste solo congelado coloca desafios substanciais, não só alterando as paisagens, mas também libertando quantidades significativas de carbono para a atmosfera, o que pode agravar ainda mais o aquecimento global.

 

in ZAP

quinta-feira, fevereiro 15, 2024

Alguns acham que está a dar o amoque à AMOC...!

Corrente fundamental do Oceano Atlântico está em colapso iminente

 

 

Uma nova pesquisa confirma os receios sobre um provável colapso da Circulação Meridional do Atlântico, que é fundamental para vários ecossistemas e para a cadeia alimentar global.

Um estudo publicado em julho do ano passado lançou o alerta: a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), um sistema crucial que regula o clima do Hemisfério Norte, pode entrar em colapso a qualquer momento a partir de 2025, lançando a Terra num caos climático.

Os resultados do estudo sugeriam que o colapso da AMOC originaria uma dramática queda nas temperaturas, o colapso dos ecossistemas oceânicos e o aumento global das tempestades.

Um novo estudo, publicado a semana passada na revista Science Advances traz agora preocupações agravadas sobre o potencial colapso desta corrente oceânica, uma das principais na Terra.

A pesquisa, liderada pelo oceanógrafo René van Westen da Universidade de Utrecht, introduz um sistema de alerta precoce baseado em observações físicas relacionadas ao transporte de salinidade na fronteira sul do Oceano Atlântico.

A AMOC desempenha um papel crucial no clima da Terra, transferindo água salgada e quente do sul para o norte.

Este processo é vital para manter o equilíbrio climático, mas a adição de água doce de glaciares derretidos e o aumento da precipitação estão a diminuir a salinidade da água, comprometendo este ciclo e ameaçando enfraquecer significativamente a AMOC.

Segundo os autores, uma vez atingido um determinado limiar de salinidade, o ponto de inflexão da AMOC poderá ocorrer num período de uma a quatro décadas, implicando mudanças climáticas drásticas e irreversíveis em escalas de tempo humanas, afetando severamente as sociedades ao redor do globo com alterações na temperatura, nível do mar e padrões de precipitação.

O sistema de monitorização direto da AMOC só foi implementado em 2004, o que limita a compreensão completa da sua trajetória de desaceleração. Por isso, os cientistas têm utilizado indicadores indiretos, como os níveis de salinidade, para preencher as lacunas de conhecimento, explica o Science Alert.

O estudo sugere que a AMOC é mais sensível às mudanças do que os modelos climáticos atuais preveem, confirmando preocupações anteriores de que os modelos climáticos superestimam sistematicamente a estabilidade da AMOC.

O possível colapso da AMOC traria extensas alterações climáticas, afetando ecossistemas inteiros e a segurança alimentar global.

Com a previsão de temperaturas mais baixas no noroeste da Europa, alterações nas monções tropicais e aquecimento adicional no Hemisfério Sul, o estudo adiciona urgência à preocupação crescente sobre um colapso iminente da AMOC.

 

in ZAP

quarta-feira, fevereiro 14, 2024

Notícia sobre evolução e alterações climáticas à escala do tempo geológico...

A Terra teve duas eras climáticas distintas nos últimos 66 milhões de anos. Já sabemos porquê

 

vales secos antártida

 

O impacto do meteorito Chicxulub e a glaciação do Hemisfério Sul foram dois importantes pontos de viragem no clima da Terra.

Uma nova investigação publicada na revista Scientific Reports revela detalhes sobre dois eventos climáticos significativos que moldaram o clima da Terra nos últimos 66 milhões de anos.

A pesquisa foi influenciada pela teoria do equilíbrio pontuado, que sugere que as espécies evoluem em surtos curtos e não gradualmente ao longo do tempo. Esta teoria foi adaptada para avaliar o impacto histórico das alterações climáticas, utilizando métodos estatísticos avançados para analisar duas séries de dados climáticos, explica o SciTech Daily.

Os resultados revelam dois eventos cruciais que dominaram a evolução climática da Terra. O primeiro é o impacto do meteorito Chicxulub no México, que levou à extinção de grandes dinossauros há cerca de 65,5 milhões de anos. Este evento marcou o início de um período quente com níveis elevados de CO2.

O segundo evento foi um ponto de viragem climático que ocorreu há 34 milhões de anos com a glaciação do Hemisfério Sul. O isolamento do continente antártico devido aos movimentos das placas tectónicas marcou uma nova era de um clima mais frio na Terra, que continua a influenciar o nosso sistema climático atual.

Este regime climático ainda está em vigor hoje, com a presença de grandes massas de gelo a desempenhar um papel crítico na manutenção do clima global. O estudo adverte que, se estas massas de gelo derreterem devido ao aquecimento global causado pelas atividades humanos, isso representaria outro ponto de viragem crucial, levando a uma nova e imprevisível paisagem climática.

Denis-Didier Rousseau, autor principal do estudo, alerta que as massas de gelo são “muito sensíveis” e já mostram sinais de derretimento. “Ultrapassar pontos de viragem tem sido uma característica recorrente na evolução climática,” acrescenta Valerio Lucarini, sublinhando a necessidade das estratégias de adaptação climática considerarem a desestabilização destes elementos climáticos críticos.

Como o estudo faz parte do projeto europeu TiPES, focado em pontos de viragem no Sistema Terrestre, os resultados contribuem para o nosso entendimento de como o clima da Terra poderá evoluir face ao impacto humano.

 

in ZAP

quinta-feira, junho 15, 2023

A erupção do Pinatubo, que afetou significativamente o clima da Terra, começou há 32 anos

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
      
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes  or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes of SO2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
    

quarta-feira, junho 15, 2022

A erupção do Pinatubo, que afetou significativamente o clima da Terra, começou há 31 anos

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
    
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes  or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes of SO2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
    

terça-feira, junho 15, 2021

Uma erupção do Pinatubo afetou significativamente o clima em toda a Terra há trinta anos

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
    
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes  or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes of SO2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
    

segunda-feira, junho 15, 2020

Começou há 29 anos uma erupção que afetou significativamente o clima em toda a Terra

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
    
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes  or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes of SO2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
    

sábado, junho 15, 2019

O Pinatubo, vulcão das Flipinas, teve há 28 anos uma erupção que afetou o clima terrestre

The eruption column of Mount Pinatubo on June 12, 1991, three days before the climactic eruption
Mount Pinatubo is an active stratovolcano located on the island of Luzon, near the tripoint of the Philippine provinces of Zambales, Tarlac, and Pampanga. It is located in the Cabusilan Mountains separating the west coast of Luzon from the central plains. Before the volcanic activities of 1991, its eruptive history was unknown to most people. It was heavily eroded, inconspicuous and obscured from view. It was covered with dense forest which supported a population of several thousand indigenous people, the Aetas, who fled to the mountains during the Spanish conquest of the Philippines.
The volcano's Plinian/Ultra-Plinian eruption on June 15, 1991, produced the second largest terrestrial eruption of the 20th century after the 1912 eruption of Novarupta in the Alaska Peninsula. Complicating the eruption was the arrival of Typhoon Yunya bringing a lethal mix of ash and rain. Successful predictions at the onset of the climactic eruption led to the evacuation of tens of thousands of people from the surrounding areas, saving many lives, but the surrounding areas were severely damaged by pyroclastic flows, ash deposits, and subsequently, by the lahars caused by rainwaters re-mobilizing earlier volcanic deposits causing extensive destruction to infrastructure and altering the river systems months to years after the eruption.
The effects of the eruption were felt worldwide. It ejected roughly 10,000,000,000 tonnes (1.1×1010short tons) or 10 km3 of magma, and 20,000,000 tonnes (22,000,000 short tons) of SO
2, bringing vast quantities of minerals and metals to the surface environment. It injected large amounts of particulate into the stratosphere – more than any eruption since that of Krakatoa in 1883. Over the following months, the aerosols formed a global layer of sulfuric acid haze. Global temperatures dropped by about 0.5 °C and ozone depletion temporarily increased substantially.
  

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Há nove anos, a Meteorologia e erros humanos levaram a uma catástrofe na Madeira

Ribeira de Santa Luzia transbordando para a Rua cinco de outubro
Danos: 217 milhões de euros
Vítimas: 47 mortos, 600 desalojados e 250 feridos
O temporal na ilha da Madeira em 2010 foi uma sequência de acontecimentos iniciados por forte precipitação durante a madrugada do dia 20 de fevereiro, seguida por uma subida do nível do mar. Estes acontecimentos provocaram inundações e derrocadas ao longo das encostas da ilha, em especial na parte sul.

Ribeira de Santa Luzia, antes das cheias - o sedimento depositado atingiu a altura do caminho público, após as inundações

Causas
Na origem do fenómeno esteve um sistema frontal de forte atividade, associado a uma depressão que se deslocou a partir dos Açores, segundo o Instituto de Meteorologia. O choque da massa de ar polar com a tropical deu origem a uma superfície frontal, que, aliada à elevada temperatura da água do oceano, acelerou a condensação, causando uma precipitação extremamente elevada num curto espaço de tempo. A orografia da ilha contribuiu para aumentar os efeitos da catástrofe. É claro que, aliado a valores de precipitação recorde, erros de planeamento urbanístico, tais como o estreitamento de leitos das ribeiras e a construção legal ou ilegal dentro ou muito próximo dos cursos de água, bem como falta de limpeza e acumulação de lixo nos leitos de ribeiras de menor dimensão, tenham tornado a situação ainda mais grave.
  
Efeitos
A parte baixa da cidade do Funchal foi inundada e a circulação viária foi impedida por pedras e troncos de árvore arrastados pelas ribeiras de São João, Santa Luzia e João Gomes. Na freguesia do Monte, a capela de Nossa Senhora da Conceição, ao Largo das Babosas, foi levada pela força das águas, junto com algumas das residências vizinhas. Alguns populares conseguiram salvar a imagem da virgem e vários ornamentos.
Foram confirmados 47 mortos, 600 desalojados e 250 feridos. O Curral das Freiras esteve acessível, embora com acesso condicionado. A freguesia da Serra de Água, a montante da Ribeira Brava, esteve completamente inacessível. Eram evidentes os sinais de destruição provocados pelas enxurradas, com as zonas altas do concelho do Funchal e, também, no concelho da Ribeira Brava a serem as mais afetadas.
A quantidade de água que caiu no dia 20 de fevereiro de 2010 sobre a ilha da Madeira, em particular no Pico do Areeiro, foi o maior valor jamais registado em Portugal. Neste cume, o segundo mais alto da ilha, foram registados 185 litros por metro quadrado, sendo que os valores mais altos registados em Portugal, que até aquela altura não chegavam aos 120. O Funchal, com uma média anual de 750 l/m² registou, em poucas horas, 114 l/m² de precipitação.