O
Pacto Molotov-Ribbentrop, também referido como
Tratado Molotov-Ribbentrop,
Pacto Nazi-Soviético,
Tratado Nazi-Soviético,
Pacto Hitler-Stalin,
Pacto Ribbentrop-Molotov,
Pacto Germano-Soviético, ou simplesmente
Tratado de não-agressão Germano-Soviético, foi um
tratado de não-agressão firmado às vésperas da
Segunda Guerra Mundial (1939-1945), entre a
Alemanha Nazi e a
União Soviética.
Antecedentes
O resultado da
Primeira Guerra Mundial foi desastroso tanto para o
Reich alemão como para a
República Socialista Federativa Soviética. Durante o conflito, os
bolcheviques lutavam pela sobrevivência, e
Lenine não teve alternativa a não ser reconhecer a independência da
Finlândia, da
Estónia, da
Letónia, da
Lituânia e da
Polónia. Além disso, diante do avanço militar alemão,
Lenine e
Trotsky foram forçados assinar o
Tratado de Brest-Litovsk, que retirava o país da guerra mas cedia alguns territórios ocidentais da Rússia ao
Império Alemão. Após o
colapso da Alemanha, tropas da
Grã-Bretanha, da
França e do
Império Japonês intervieram na
Guerra Civil Russa.
No início da
década de 1930, a ascensão do
Partido Nazi ao poder na Alemanha, aumentou as tensões entre estes países, a União Soviética e outros países de etnia
eslava, que foram considerados "
Untermenschen" ("sub-humanos") de acordo com a ideologia racial nazi. Além disso, os nazistas, anti-semitas, associavam a etnia judia com o
comunismo e com o
capitalismo financeiro, aos quais se opunham. Por conseguinte, a liderança nazi declarou que os eslavos na União Soviética estavam a ser governados por "judeus bolcheviques".
A feroz retórica anti-soviética de
Adolf Hitler foi uma das razões pelas quais a Grã-Bretanha e a França decidiram que a participação da União Soviética na
Conferência de Munique, em
1938, acerca da
Checoslováquia, seria perigosa e inútil. O
Acordo de Munique, então assinado, marcou uma anexação parcial alemão da Checoslováquia no final de 1938, seguido da sua dissolução completa, em março de
1939, o que é visto como parte de um apaziguamento da Alemanha realizado pelos Gabinetes de
Neville Chamberlain e
Édouard Daladier. Esta política levantou de imediato a questão de saber se a União Soviética poderia evitar ser o próximo passo na lista de Hitler.
Nesse contexto, a liderança soviética acreditava que o Ocidente poderia querer incentivar a agressão alemã a Oriente, e que a Grã-Bretanha e a França poderiam ficar neutras no conflito iniciado pela Alemanha Nazi. Pelo lado da Alemanha, devido a que uma aliança com a Grã-Bretanha era impossível, tornava-se necessário estreitar relações mais estreitas com a União Soviética para a obtenção de matérias-primas. Além disso, um bloqueio naval britânico era esperado em caso de guerra, o que iria provocar uma escassez crítica de matérias-primas para o esforço de guerra da Alemanha. Depois do acordo de Munique, aumentaram as necessidades alemãs em termos de abastecimento militar, ao passo que, devido à implementação do terceiro plano quinquenal na URSS, eram essenciais investimentos maciços em tecnologia e equipamentos industriais.
O Tratado e suas consequências
Foi assinado em
Moscovo na madrugada de
24 de agosto de
1939 (mas datada de
23 de Agosto) pelo então Ministro do Exterior Soviético
Vyacheslav Molotov e pelo então Ministro do Exterior da Alemanha Nazi
Joachim von Ribbentrop. Em linhas gerais estabelecia que ambas as nações se comprometiam a manter-se afastadas uma da outra em termos bélicos. Nenhuma nação favoreceria os inimigos da outra, nem tão pouco invadiriam os seus respectivos territórios, além do que, a União Soviética não reagiria a uma agressão alemã à
Polónia, e que, em contrapartida, a Alemanha apoiaria uma invasão soviética à
Finlândia, entre outras concessões. De facto à invasão nazi seguiu-se a
Invasão Soviética da Polónia e também da Finlândia ainda em 1939.
Em dois Protocolos secretos, os dois governos efectuaram a partilha dos territórios da Europa de Leste em zonas de influência, decidindo que a Polónia deveria deixar de existir (passando o seu território para a Alemanha e para a URSS), que a
Lituânia ficaria sob alçada alemã (meses mais tarde a Alemanha trocou a Lituânia por outra zonas de influência, ficando a Lituânia sob alçada soviética), que a
Estónia e a
Letónia passariam para a URSS bem como grande parte da Finlândia e vastas zonas da
Roménia e da
Bulgária.
O Pacto estabelecia também fortes relações comerciais, vitais para os dois países, nomeadamente
petróleo soviético da zona do
Cáucaso e
trigo da
Ucrânia, recebendo em contrapartida ajuda, equipamento militar alemão e
ouro.
Este novo facto nas relações internacionais alarmou a comunidade das nações, não só porque os nazistas eram supostos inimigos dos comunistas, mas também porque, secretamente, objetivava a divisão dos estados da
Finlândia,
Estónia,
Letónia,
Lituânia,
Polónia e
Roménia segundo as esferas de interesses de ambas as partes. O pacto era absolutamente vital para ambos os países: para os alemães assegurava que se poderiam concentrar apenas na sua frente ocidental para além de terem assegurado combustíveis que de outro modo impossibilitariam tais operações. Do lado soviético, a paz e a ajuda militar eram fundamentais, tanto mais que as forças militares não estavam preparadas para qualquer grande combate, como se comprovou na mal sucedida aventura finlandesa de novembro de 1939 (
guerra de inverno).
O pacto durou até
22 de junho de
1941, quando a Alemanha, sem prévio aviso, iniciou a invasão do território soviético na
Operação Barbarossa.
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