O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
O Condado Portucalense era um pequeno
território pertencente ao Reino de Leão, que o rei deste cedera,
juntamente com a mão da sua filha, D.ª Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos,
Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando D.
Henrique faleceu, a viúva, D.ª Teresa, herdou o condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 13 de abril de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela primeira vez, o Reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre,
Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso,
Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está
claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico,
prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
Celebremos o 5 de outubro de 1143 que é de todos, e esqueçamos o de 1910 que foi de muito poucos.
“A I República nasceu da violência e dali em diante viveu da
violência. Essa violência, como costuma suceder desde 1789, tomou a
forma de um terrorismo de massa. Até 1917, e com mais brandura, até
1926, grupos republicanos (ligados diretamente ou indiretamente ao
partido), à mistura com algumas centenas de adeptos da anarquia e da
bomba: mataram, prenderam, torturaram, degredaram, espiaram e ameaçaram o
cidadão comum. Milhares de inocentes por discordância ou inadvertência
lhes caíram nas mãos.”
Vasco Pulido Valente, 9 de setembro de 2012
Depois de aqui há anos, no centenário da República, ter sido realizado o
maior escrutínio historiográfico alguma vez feito a este período negro
da nossa história, seria natural que os bem-intencionados titulares do
regime se envergonhassem um pouco no momento de o festejar: a revolução
de 5 de outubro de 1910, definitivamente, não merece quaisquer
celebrações num país que pretenda ser civilizado.
Bandeira da Carbonária (organização terrorista secreta republicana)
Mas, porque a memória é curta, atrevo-me a fazer hoje uma pequena
síntese daquele período de terror, emergente do feroz regicídio, o
assassinato do Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Luís Filipe, acicatado
pelas mais indecorosas campanhas de propaganda populista pelos
extremistas na imprensa livre das cidades de Lisboa e Porto, que fariam
corar de vergonha os seus homólogos da atualidade.
Poucos anos antes de 1910, o PRP era um partido sem implantação
nacional, só com alguma expressão nos grandes centros urbanos, como
acontece atualmente com os partidos da esquerda radical: as suas
estruturas paroquiais não funcionavam, e os seus líderes detestavam-se
passando o tempo em intrigas e guerras intestinas. Por isso, apesar dum
crescimento no reinado de D. Manuel II, entre os anos de 1908/10, o
triunfo da República no 5 de Outubro foi recebido com surpresa e
incredulidade por quase todo o país, em particular pelos próprios
republicanos. São muitos os testemunhos nesse sentido. Os portugueses,
ainda mal refeitos do escândalo do regicídio, nem imaginavam o que os
esperava.
O facto é que, nos tempos que se seguiram à revolução, foi implantado
um dos regimes mais intolerantes e violentos que Portugal alguma vez
teve. Com a demissão ou exílio das antigas elites, militares e civis, a
aceleração da decadência das instituições, o caos da vida pública, as
prisões políticas em massa, os assassinatos, as bombas e tiroteios, a
repressão da imprensa livre, materializada na destruição, assalto e
violência exercida sobre os jornais e os jornalistas, o processo
atingiria píncaros impensáveis a 19 de outubro de 1921.
A Camioneta Fantasma
Nesse dia, um levantamento
militar obscuro conhecido por Noite Sangrenta, fez percorrer uma
“camioneta-fantasma” por Lisboa em busca de diversas figuras do regime
republicano, que foram executadas a sangue-frio por um grupo de
marinheiros chefiado pelo cabo Abel Olímpio, homem sinistro conhecido
pela alcunha de “Dente d’Ouro”. O País, há muito arrastado pelo chão,
afundava-se na lama. Nessa terrível noite, foram assassinados entre
outros, o Presidente do Conselho de Ministros, António Granjo, e Machado
Santos e Carlos da Maia, “heróis da Rotunda”. A instabilidade política e
social que, entre 1910 e 1926, resultou em 45 governos e sete
presidentes da República, um dos quais assassinado a tiro (Sidónio
Pais), reflete bem um país sem rei nem roque.
Todo este processo de violência e acelerada decadência, a perseguição
aos católicos, que eram a grande maioria dos portugueses, os assaltos e
encerramentos de jornais, a restrição acentuada do direito de voto, as
prisões políticas, a criação da Formiga Branca, e todo o terrorismo
patrocinado pelo Estado, contribuiu definitivamente para o golpe militar
de 1926 e a emergência do Estado Novo. O silêncio acrítico da maioria
da historiografia do Estado Novo quanto ao regime tenebroso que o
antecedeu foi por certo um alto preço pago por Salazar para manter o
apoio dos republicanos, deste modo postos em sossego.
Piquete da Formiga Branca
Como seria de esperar, as promessas republicanas de delirantes amanhãs
que cantavam depressa se revelaram em desavergonhadas mentiras. Desde
logo quanto à discriminação da participação política das mulheres na
vida pública. De facto, foi a I República que excluiu pela primeira vez
as mulheres da vida cívica, ao negar-lhes por lei o direito de voto,
depois de a médica Beatriz Ângelo ter alcançado esse intento ao votar
nas primeiras eleições republicanas, em 28 de maio de 1911, aproveitando
as indefinições existentes no enunciado de uma Lei… da monarquia.
Quando se falou do voto feminino pela primeira vez na Assembleia
Constituinte de 1911, a sugestão foi recebida com uma frase curta,
lacónica, recusando categoricamente a utilidade do voto feminino: “Tem
dado lá fora (o alargamento do sufrágio) mau resultado porque as
mulheres têm sido quase todas reacionárias” (Atas da Assembleia
Nacional Constituinte. Sessão n.º 21, de 14 de Julho de 1911). Na
“História da República”, de Raúl Rego, pode ler-se que a legislação de
1913 retirou o voto aos analfabetos e às mulheres, significando isto que
“a República, na igualdade dos sexos, voltava sobre si mesma e à
discriminação da mulher, anjo do lar”. A “democracia” emergente do 5 de
Outubro assentou na redução do eleitorado de 70% para 30% dos homens
adultos em Portugal…
Convite para sessão inaugural da Assembleia constituinte – só para homens
Com o 5 de Outubro de 1910 iniciou-se um período de violenta
perseguição religiosa em Portugal. A Igreja viveu por esses dias um
período de semiclandestinidade durante o qual diversos membros do clero
foram sujeitos à prisão, a maus-tratos e à morte. No Natal de 1910, com
as Igrejas tomadas pelos republicanos, a Missa do Galo foi celebrada à
porta fechada, com acesso limitado, e poucos tinham acesso aos
“bilhetes” de entrada distribuídos às escondidas.
Curiosamente,
não será coincidência a acrisolada devoção dos republicanos ao Marquês
de Pombal, na mesma medida em que tomaram os jesuítas como bodes
expiatórios, tão insistentemente perseguidos pela propaganda
revolucionária. É sintomático que a reverência ao tirânico
primeiro-ministro de Dom José tenha perdurado ao longo das décadas, e a
sua estátua, a maior de Lisboa, tenha sido inaugurada em 1934 em pleno
Estado Novo. De facto, o Marquês de Pombal, além da perseguição aos
jesuítas, era tido por um herói inspirador do Partido Republicano
Português. O seu centenário foi celebrado ruidosamente pelo PRP, em
1882, e sobre o déspota foram proclamados os maiores encómios, como
este: “A barbaridade, essa era do tempo e nada tem que admirar no
supplicio dos Tavoras. O que temos a notar, porem, é que o rigor do
ferreo ministro cahia egualmente implacável sobre nobres e plebeus,
sobre os poderosos e sobre os parias!”; ou este: “O despotismo, a
tyrannia de que se argue Pombal, era imposta pelas necessidades, como o
único meio de chegar à liberdade” (M. Emygdio Garcia). Robespierre e
Saint-Juste não diriam melhor.
Caricatura de Afonso Costa
Os jesuítas foram impiedosamente acossados, nos dias seguintes à
implantação da República, e são sinistros os relatos do jornalista
Valentine Williams, correspondente do News-Chronicle que
chegara a Lisboa para testemunhar os acontecimentos. O seu relato do
bombardeamento e assalto popular ao colégio jesuíta do Quelhas é
impressionante, tendo o próprio, ao ser confundido com um padre da
Companhia, sido detido, preso por uma corda, arrastado e conduzido à
sede do Governo Civil, onde conseguiu identificar-se e ser libertado,
não sem antes lhe terem inspecionado a nuca à procura da tonsura. Na
sequência do seu testemunho da destruição em curso no Colégio,
dirigiu-se ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernardino Machado,
pedindo-lhe que pusesse cobro à destruição da valiosa biblioteca. A
resposta do futuro presidente da República – que curiosamente ou talvez
não, não acabou nenhum dos seus dois mandatos – foi lacónica: “A
propriedade desses patifes está sequestrada pelo povo Português”,
declarou com a solenidade de um mocho. “O povo está no seu direito. Não
há nada que eu possa fazer. Bom dia”.
Dos milhares de presos
políticos da Primeira República também pouco se fala. Em 1913, já as
notícias sobre maus-tratos que lhes eram infligidos tinham transposto
fronteiras e conquistado as atenções da opinião pública nos países com
mais ascendente sobre a nação lusa. Os grandes órgãos da imprensa
britânica, o Times, o Spectator, o MorningPost,
reproduziam, com abundância de pormenores, os casos de humilhação,
violência, tortura, abuso de poder e tratamento desumano nas prisões
portuguesas – a República tinha, por exemplo, adotado o humilhante
capuz penitenciário. A Duquesa de Bedford, presidente da Associação de
Visitadoras de Prisões, deslocou-se a Portugal nos princípios de 1913 e
visitou várias prisões, onde encontrou motivos para um indignado
protesto que publicou em Londres. Sobre este assunto aconselha-se
vivamente a leitura do livro biográfico Constança Telles da Gama – Fio-de-Prumo,
da autoria de Maria João da Câmara, que inclui pungentes testemunhos da
selvajaria infligida a todos aqueles, das mais diversas classes sociais
(os mais indefesos naturalmente, eram os mais humildes), que foram
denunciados e detidos como monárquicos.
São contundentes os números relativos ao ensino, apresentados por Rui Ramos na sua História de Portugal
publicada pela Esfera dos Livros: “O número de escolas primárias em
funcionamento, que subira de 4.665 em 1901 para 6.412 em 1911,
continuava em 6.750 em 1918. A taxa de escolarização, depois de aumentar
de 22,1% para 29,3% entre 1900 e 1910, quase estagnou até 1920 (30,3%).
Entre 1911 e 1920, o analfabetismo na população maior de 7 anos recuou
apenas de 70,2% para 66,2%, isto é, desceu menos que entre 1900 e 1911”.
Empenhados em reprimir o país que rebeldemente lhes resistia, cada vez
mais miserável, a velha promessa de prover educação ao povo, “e acabar
com a acabar com a religião católica em Portugal em duas gerações” –
como declarou Afonso Costa, quando era ministro da Justiça e Cultos –
poucos resultados teve.
No que respeita à censura e ao controlo da
imprensa, o método utilizado na maioria das vezes foi o do
empastelamento, do assalto e da destruição dos jornais que se atreviam a
confrontar o regime, pela Formiga Branca, uma autêntica polícia
política irregular, antecessora da PIDE, que existiu na órbita do
Partido Republicano. Durante esse período, o regime estabeleceu formas
imaginativas, diretas e eficazes de impedir o acesso do público aos
textos críticos ou condenatórios do regime: o uso do assalto, da
apreensão, da suspensão, e até da censura sem fundamento legal de
jornais ou artigos foi tão frequente e continuado, que, no seu conjunto,
constituiu um sistema repressivo sólido e consistente. A estratégia era
a sustentação de um regime que não aceitava a contestação dos seus
fundamentos, e de uma classe política que não arriscava colocar em jogo a
sua permanência no poder. É irónico que os ardinas tenham sido das
maiores vítimas da Formiga Branca: quando apanhados viam-se despojados
dos jornais, cuja venda era o seu ganha-pão. As correrias dos ardinas,
em fuga pelas ruas do Bairro Alto, eram acontecimento quotidiano.
O Ardina a fugir do Guarda Republicano, in Papagaio Real, 1914
Sabemos
que os herdeiros dos revolucionários de 1910 subsistem nos dias de hoje
em Portugal. Habitam as margens radicais da esquerda portuguesa. Sendo
uma minoria, têm exposição e palco desproporcionados à sua verdadeira
dimensão. Ainda que muitos o não confessem, sabemos, até porque lemos o
que escrevem e ouvimos o que dizem, que dificilmente hesitariam em usar
métodos semelhantes se o sistema o permitisse. Mas, mesmo assim, julgo
que isso não justifica que não se comece a pensar em reformar o feriado
do 5 de outubro, associando-o a um acontecimento capaz de unir e
mobilizar os portugueses, o da assinatura do Tratado de Zamora em 1143,
consensualmente considerado o momento da fundação da nacionalidade.
O
que passou está passado; as feridas, mesmo as mais profundas, estão,
para a maioria dos portugueses, já curadas e mesmo esquecidas. Já não há
justiça que se possa fazer. Mas ainda podemos ansiar por um futuro mais
harmonioso que faça justiça à nossa História comum. Hoje, por esse país
fora, em Lisboa, Coimbra e Guimarães, de forma invisível, celebra-se o 5
de outubro bom. Nesse sentido, celebremos 1143 que é de todos e
esqueçamos 1910 que foi de muito poucos.
Vitorioso na batalha de Ourique, em 1139, D. Afonso Henriques beneficiou da ação desenvolvida, em favor da constituição do novo Reino de Portugal pelo arcebispo de Braga, D. João Peculiar.
Este procurara conciliar os dois primeiros e fez com que eles se
encontrassem em Zamora, nos dias 4 e 5 de outubro de 1143, na presença do cardealGuido de Vico.
Todavia, não usou, entre 1128 e 1139, o
título de rei, mas de "príncipe" ou de "infante", o que significa,
decerto, que não podia resolver por si próprio a questão da sua
categoria política; isto é, devia admitir que ela dependesse também do
assentimento de Afonso VII, que era, de facto, o herdeiro legítimo de Afonso VI.
Mas também não usou nunca o título de "conde", que o colocaria numa
nítida posição de dependência para com o rei de Leão e Castela.
Pelos termos do tratado, Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser reino, tendo D. Afonso Henriques como seu rex (rei). Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela considerava-se imperador de toda a Hispânia.
A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III só em 1179, mas o título de Rex,
que D. Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora,
comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a
considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
A partir de 1143 D. Afonso Henriques vai enviar ao Papa remissórias ,
declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente
uma determinada quantia de ouro. As negociações vão durar vários anos,
de 1143 a 1179.
O Condado Portucalense era um pequeno território pertencente ao Reino
de Leão, que o rei deste cedera, juntamente com a mão da sua filha, D. Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos, Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando
D. Henrique faleceu, a viúva, D. Teresa, herdou o Condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, o rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 23
de maio de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela
primeira vez, o reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre, Bispo, Servo dos
Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos
Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está claramente
demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste
inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
O Condado Portucalense era um pequeno
território pertencente ao Reino de Leão, que o rei deste cedera,
juntamente com a mão da sua filha, D.ª Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos,
Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando D.
Henrique faleceu, a viúva, D.ª Teresa, herdou o condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 13 de abril de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela primeira vez, o Reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre,
Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso,
Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está
claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico,
prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
Vitorioso na batalha de Ourique, em 1139, D. Afonso Henriques beneficiou da ação desenvolvida, em favor da constituição do novo Reino de Portugal pelo arcebispo de Braga, D. João Peculiar.
Este procurara conciliar os dois primeiros e fez com que eles se
encontrassem em Zamora, nos dias 4 e 5 de outubro de 1143, na presença do cardealGuido de Vico.
Todavia, não usou, entre 1128 e 1139, o
título de rei, mas de "príncipe" ou de "infante", o que significa,
decerto, que não podia resolver por si próprio a questão da sua
categoria política; isto é, devia admitir que ela dependesse também do
assentimento de Afonso VII, que era, de facto, o herdeiro legítimo de Afonso VI.
Mas também não usou nunca o título de "conde", que o colocaria numa
nítida posição de dependência para com o rei de Leão e Castela.
Pelos termos do tratado, Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser reino, tendo D. Afonso Henriques como seu rex (rei). Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela considerava-se imperador de toda a Hispânia.
A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III só em 1179, mas o título de Rex,
que D. Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora,
comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a
considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
A partir de 1143 D. Afonso Henriques vai enviar ao Papa remissórias ,
declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente
uma determinada quantia de ouro. As negociações vão durar vários anos,
de 1143 a 1179.
O Condado Portucalense era um pequeno território pertencente ao Reino
de Leão, que o rei deste cedera, juntamente com a mão da sua filha, D. Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos, Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando
D. Henrique faleceu, a viúva, D. Teresa, herdou o Condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, o rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 23
de maio de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela
primeira vez, o reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre, Bispo, Servo dos
Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos
Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está claramente
demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste
inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
O Condado Portucalense era um pequeno
território pertencente ao Reino de Leão, que o rei deste cedera,
juntamente com a mão da sua filha, D.ª Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos,
Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando D.
Henrique faleceu, a viúva, D.ª Teresa, herdou o condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 13 de abril de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela primeira vez, o Reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre,
Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso,
Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está
claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico,
prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
Vitorioso na batalha de Ourique, em 1139, D. Afonso Henriques beneficiou da ação desenvolvida, em favor da constituição do novo Reino de Portugal pelo arcebispo de Braga, D. João Peculiar.
Este procurara conciliar os dois primeiros e fez com que eles se
encontrassem em Zamora, nos dias 4 e 5 de outubro de 1143, na presença do cardealGuido de Vico.
Todavia, não usou, entre 1128 e 1139, o
título de rei, mas de "príncipe" ou de "infante", o que significa,
decerto, que não podia resolver por si próprio a questão da sua
categoria política; isto é, devia admitir que ela dependesse também do
assentimento de Afonso VII, que era, de facto, o herdeiro legítimo de Afonso VI.
Mas também não usou nunca o título de "conde", que o colocaria numa
nítida posição de dependência para com o rei de Leão e Castela.
Pelos termos do tratado, Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser reino, tendo D. Afonso Henriques como seu rex (rei). Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela considerava-se imperador de toda a Hispânia.
A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III só em 1179, mas o título de Rex,
que D. Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora,
comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a
considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
A partir de 1143 D. Afonso Henriques vai enviar ao Papa remissórias ,
declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente
uma determinada quantia de ouro. As negociações vão durar vários anos,
de 1143 a 1179.
O Condado Portucalense era um pequeno território pertencente ao Reino
de Leão, que o rei deste cedera, juntamente com a mão da sua filha, D. Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos, Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando
D. Henrique faleceu, a viúva, D. Teresa, herdou o Condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, o rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 23
de maio de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela
primeira vez, o reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre, Bispo, Servo dos
Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos
Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está claramente
demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste
inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
O Condado Portucalense era um pequeno
território pertencente ao Reino de Leão, que o rei deste cedera,
juntamente com a mão da sua filha, D.ª Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos,
Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando D.
Henrique faleceu, a viúva, D.ª Teresa, herdou o condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 13 de abril de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela primeira vez, o Reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula reza (em português atual):
"Alexandre,
Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso,
Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está
claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico,
prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afeto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."
Vitorioso na batalha de Ourique, em 1139, D. Afonso Henriques beneficiou da ação desenvolvida, em favor da constituição do novo Reino de Portugal pelo arcebispo de Braga, D. João Peculiar.
Este procurara conciliar os dois primeiros e fez com que eles se
encontrassem em Zamora, nos dias 4 e 5 de outubro de 1143, na presença do cardealGuido de Vico.
Todavia, não usou, entre 1128 e 1139, o
título de rei, mas de "príncipe" ou de "infante", o que significa,
decerto, que não podia resolver por si próprio a questão da sua
categoria política; isto é, devia admitir que ela dependesse também do
assentimento de Afonso VII, que era, de facto, o herdeiro legítimo de Afonso VI.
Mas também não usou nunca o título de "conde", que o colocaria numa
nítida posição de dependência para com o rei de Leão e Castela.
Pelos termos do tratado, Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser reino, tendo D. Afonso Henriques como seu rex (rei). Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela considerava-se imperador de toda a Hispânia.
A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III só em 1179, mas o título de Rex,
que D. Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora,
comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a
considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
A partir de 1143 D. Afonso Henriques vai enviar ao Papa remissórias ,
declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente
uma determinada quantia de ouro. As negociações vão durar vários anos,
de 1143 a 1179.
...celebremo-lo com um bonito poema de Manuel Alegre. Não porque hoje passem 112 anos sobre a imposição da república, que transformou um país com uma democracia - os republicanos tinham
até eleito deputados para o Parlamento - numa ditadura anárquica e
caciquista de pouco mais de 15 anos. Mas porque é o dia da
independência nacional - El-Rei D. Afonso Henriques impôs ao seu primo, o
Rei de Castela e Leão, a separação do nosso país, que, ainda em vida,
viu também reconhecida pelo Papa. Assim hoje, embora não seja feriado por causa do Tratado de Zamora (hoje é o dia em que
os senhores de aventais vão a alguns
cemitérios homenagear os parvos que impuseram um péssimo regime ao
país), há que recordar a data:
LIBERDADE Sobre esta página escrevo teu nome que no peito trago escrito laranja verde limão amargo e doce o teu nome. Sobre esta página escrevo o teu nome de muitos nomes feito água e fogo lenha vento primavera pátria exílio. Teu nome onde exilado habito e canto mais do que nome: navio onde já fui marinheiro naufragado no teu nome. Sobre esta página escrevo o teu nome: tempestade. E mais do que nome: sangue. Amor e morte. Navio. Esta chama ateada no meu peito por quem morro por quem vivo este nome rosa e cardo por quem livre sou cativo. Sobre esta página escrevo o teu nome: liberdade.
in A Praça da Canção - Manuel Alegre (3ª Edição -1974)
O Condado Portucalense era um pequeno território pertencente ao Reino
de Leão, que o rei deste cedera, juntamente com a mão da sua filha, D. Teresa, a D. Henrique de Borgonha, um cavaleiro francês que veio ajudar o monarca leonês na luta contra os muçulmanos.
Juntos, Teresa e Henrique tiveram um filho, D. Afonso Henriques. Quando
D. Henrique faleceu, a viúva, D. Teresa, herdou o Condado.
Já desde 1128
que D. Afonso Henriques acreditava que o Condado Portucalense devia
ser independente. No entanto, a sua mãe, aconselhada pela nobreza
galega e pelo seu amante, também galego, não acreditava nesta
possibilidade, sendo contra ela.
Incitado e encorajado pela nobreza e pelo clero portucalenses, D. Afonso Henriques travou contra a mãe a batalha de São Mamede (1128), vencendo-a. Tornou-se então conde e estabeleceu duas prioridades:
Tornar independente o condado;
Conquistar território aos sarracenos, que ocupavam ainda uma boa parte da península Ibérica.
Em 5 de outubro de 1143, foi assinado pelo próprio Afonso Henriques e pelo primo, o rei de Leão, o Tratado de Zamora,
segundo o qual o rei de Leão reconheceu a independência do Condado
Portucalense, que passou a denominar-se Portugal. No entanto, só em 23
de maio de 1179 é que o Papa Alexandre III aceitou e reconheceu, pela
primeira vez, o reino de Portugal e D. Afonso I como seu primeiro monarca.
A Bula
A Bula reza (em português actual):
"Alexandre, Bispo, Servo dos
Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos
Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está claramente
demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste
inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando
intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos
do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste
aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.
Deve a Sé Apostólica amar com sincero afecto e procurar atender
eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina
escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às
qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a
tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal
com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem
como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste
das mãos dos Sarracenos
e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes
cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe
dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma
concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos
defender-lha, quanto caiba em nosso apóstólico magistério."
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