O Relatório da Comissão de Inquérito, divulgado pelo
Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) concluiu que o voo foi planeado para uma rota direta ao Aeroporto da Horta, tendo a aeronave efetuado um desvio "
sem que a tripulação se apercebesse", até que começou a cruzar a linha da costa Norte da Ilha de São Jorge, onde viria a embater. A tripulação "
estava plenamente convencida"
que a aeronave se encontrava sobre o Canal de São Jorge, e a sua
atenção estava mais concentrada nas más condições meteorológicas da
altura. Após soar o alerta de impacto, 3 segundos antes do primeiro
impacto, o co-piloto alerta para o facto de estarem "
a perder altitude e em cima de São Jorge". Apesar dos pilotos terem aumentado a potência dos motores, a manobra foi "
insuficiente para ultrapassar o obstáculo".
A conclusão do Relatório indica que a falta de respeito pela altitude de segurança, uma "
navegação estimada imprecisa" e a "
não utilização correta do radar de tempo" foram as das causas do desastre. As más condições
meteorológicas
nesse dia - céu muito nublado, vento moderado a forte com turbulência -
e a inexistência de meios autónomos de navegação a bordo do avião (por
exemplo, uso do
GPS),
que pudessem determinar a sua posição com rigor, constituíram fatores
que contribuíram para o acidente. Quanto à aeronave sinistrada, conclui
que "
estava em condições de navegabilidade de acordo com os regulamentos e procedimentos aprovados pela autoridade aeronáutica" nacional.
Segundo José Estima, membro da direção da
Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea (APPLA), o fator que contribuiu para o acidente com o avião da SATA foi "
a deficiente qualidade e quantidade de infra-estruturas de apoio à navegação aérea". No que diz respeito à credibilidade do piloto do avião, testemunha que "
o piloto já voava há mais de 20 anos no arquipélago" e recorda que os pilotos da SATA "
são de primeira linha, já que trabalham em condições adversas".
NOTA: pouco tempo antes do acidente, voei, num voo da SATA que fez este percurso, com alunos do curso de Engenharia
da Energia e Ambiente do ISLA de Leiria. Conhecemos inclusive, na Horta, no DOP
(Departamento de Oceanografia e Pescas) um professor da Universidade dos Açores que foi vítima mortal deste
acidente. E estive nas proximidades do local da queda este ano, numa formação de professores que dei nos Açores....