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segunda-feira, março 30, 2026

O que é a missão Artemis II?

Insígnia da missão

 

Artemis II (originalmente conhecida como Missão de Exploração-2) será o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis, que poderá ocorrer em qualquer dia entre 1 e 6 de abril de 2026. 

Originalmente, a missão tripulada tinha a intenção de recolher amostras de um asteroide capturado em órbita lunar pela agora cancelada missão robótica de redirecionamento de asteroides (Asteroid Redirect Mission). O plano atual é que um foguetão tripulado Orion realize um teste de sobrevoo lunar e retorne à Terra. Esta será o foguetão tripulado tripulada a deixar a órbita baixa da Terra desde a Apollo 17 em 1972.

Artemis II é um voo de teste para a alunagem Artemis IV, planeado para levar os humanos de volta à Lua em 2028. Os objetivos da EM-2 foram revistos após o estabelecimento do programa Artemis em 2017. Os objetivos da Artemis II são comparáveis ​​aos da Apollo 8, de 1968, a primeira missão lunar do programa Apollo.

   

Koch, Glover, Wiseman (centro) e Hansen

Koch, Glover, Wiseman (centro) e Hansen

  

Tripulação

A NASA anunciou a tripulação em 3 de abril de 2023. Começando em junho de 2023, a tripulação iniciou um regime de treinos intensivos com a duração de 18 meses.

Posição Tripulante
Comandante Estados Unidos Reid Wiseman
Piloto Estados Unidos Victor Glover
Especialista de missão Estados Unidos Christina Koch
Especialista de missão Canadá Jeremy Hansen

 

Lançamento

No dia 21 de fevereiro de 2026, foi observado um problema no fluxo de hélio, o que levou ao regresso ao VAB (Vehicle Assembly Building) e ao adiamento da missão para abril, no mínimo. O regresso começou no dia 25 de fevereiro às 9h38 EST e chegou ao VAB por volta das 20.00 horas. O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a data de lançamento seria confirmada apenas após a conclusão com sucesso de um ensaio geral com fluidos e a análise dos resultados.  A 12 de março, após uma Revisão de Prontidão de Voo (FRR), foram anunciadas sete janelas de lançamento de duas horas para os dias 1 a 6 de abril e 30 de abril. A primeira delas está marcada para as 18h24 EDT (22h24 UTC) do dia 1 de abril.

A 18 de março, a NASA anunciou que o foguetão Artemis II Space Launch System (SLS) e a sonda Orion seriam levados no dia seguinte para a Plataforma de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Florida. Entretanto, a tripulação da Artemis II entrou em quarentena em Houston para garantir que se mantinham saudáveis ​​antes do lançamento. A 20 de março, após um atraso devido a ventos fortes, o SLS foi levado do VAB para a plataforma de lançamento 39B pela segunda vez.

 

 Objetivos da missão

 Anteriormente

Até 2017, a Artemis 2 (então conhecida como EM-2) era uma missão de lançamento único projetada do Bloco 1B do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) com um Estágio Superior de Exploração, Veículo de Tripulação Multiuso Orion Block 1 (Orion Multi-Purpose Crew Vehicle; MPCV) e uma inserção de carga útil de 50,7 toneladas. O plano era encontrar um asteroide anteriormente colocado em órbita lunar pela missão robótica de redirecionamento de asteroides (Asteroid Redirect Mission) e fazer com que os astronautas realizassem caminhadas espaciais e coletassem amostras.  Após o cancelamento da Asteroid Redirect Mission, foi proposto em 2017 um voo em uma missão de oito dias com uma tripulação de quatro astronautas, enviados em uma trajetória de retorno livre ao redor da Lua.  Outra proposta sugerida em 2017 foi de levar quatro astronautas a bordo da Orion em uma viagem de 8 a 21 dias ao redor da Lua para entregar o primeiro elemento do Lunar Orbital Platform-Gateway (LOP-G).

 

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Atualmente

Em março de 2018, foi decidido lançar o primeiro módulo Lunar Gateway num veículo de lançamento comercial, devido aos atrasos na construção da Plataforma de Lançamento Móvel (Mobile Launcher Platform) necessária para manter o mais poderoso Exploration Upper Stage. Desde 2018, o plano da missão Artemis 2 é enviar quatro astronautas na primeira cápsula Orion tripulada para um sobrevoo lunar por um máximo de 10 dias. O perfil da missão é uma injeção multi-translunar (MTLI), ou múltiplas "manobras de partida" (em inglês: departure burns), incluindo uma trajetória de retorno livre da Lua. Basicamente, o foguetão orbitará a Terra por 24 horas, enquanto liga periodicamente os seus motores para acumular velocidade suficiente para impulsioná-la em direção à Lua, sem orbitá-la, antes de voltar para a Terra.

 

Trajetória

 

Ficheiro:Artemis 2 map march 2023.jpg

A missão Artemis 2 enviará 4 astronautas por 10 dias e terá uma velocidade de reentrada de 39.428 km/h (32 mach

 

Cargas secundárias

A Iniciativa de Lançamento CubeSat da NASA (em inglês: CubeSat Launch Initiative; CSLI) está buscando propostas de instituições e empresas dos EUA para realizar suas missões CubeSat como cargas secundárias a bordo do SLS na missão Artemis 2. As seleções foram feitas até meados de fevereiro de 2020.

 

Missões similares

Em 1968, a missão Apollo 8, tripulada por 3 astronautas, foi projetada para testar um módulo de comando/serviço além da órbita terrestre baixa. A Apollo 13 foi a única missão da Apollo que passou pela Lua por uma trajetória de retorno livre, a mesma que a Artemis 2 usará.

Em 2005, a empresa Space Adventures anunciou planos para levar dois turistas a 100 quilómetros da superfície lunar usando uma nave Soyuz pilotada por um cosmonauta profissional. A missão, denominada DSE-Alpha, está calculada em 150 milhões de dólares por assento e deve durar de 8 a 9 dias quando programada. O CEO da empresa, Eric Anderson, declarou em 2011 que um assento havia sido vendido, no entanto, a data de lançamento está sendo adiada continuamente, pois o segundo assento permanece não vendido desde 2017.

Uma missão de turismo lunar da SpaceX foi inicialmente proposta para o final de 2018 e teria sido semelhante à Artemis 2 em tamanho de tripulação, com dois turistas espaciais pagando por um loop de retorno livre ao redor da Lua e de volta à Terra, usando a cápsula Crew Dragon e lançada em um Falcon Heavy.  Após o primeiro voo da Falcon Heavy em 2018, a SpaceX anunciou que o Falcon Heavy não seria mais usado para voos tripulados para concentrar seu desenvolvimento futuro na Starship e indicou que a missão lunar seria provavelmente realizada com a Starship. Em 14 de setembro de 2018, a SpaceX anunciou oficialmente que havia assinado com um dos passageiros pagantes, Yusaku Maezawa, para a missão do Projeto dearMoon usando a Starship, e que ele convidaria de 6 a 8 artistas para se juntar a ele.

 

in Wikipédia

O regresso à Lua (e o princípio da aventura da ida a Marte...) começam já no início do próximo mês de abril...!

Prevista para quarta-feira primeira viagem de astronautas à Lua em meio século

 

Viagem deve iniciar-se na quarta-feira com o lançamento da missão Artemis II, no Centro Espacial Kennedy da agência espacial norte-americana, em Cabo Canaveral, na Florida.

Viagem deve iniciar-se na quarta-feira com o lançamento da missão Artemis II, no Centro Espacial Kennedy da agência espacial norte-americana, em Cabo Canaveral, na Florida

 

Artemis II leva astronautas à órbita da Lua numa missão de 10 dias que termina com amerissagem no Pacífico

A primeira missão tripulada a orbitar a Lua em mais de 50 anos deve iniciar-se na quarta-feira com o lançamento da missão Artemis II, no Centro Espacial Kennedy da agência espacial norte-americana, em Cabo Canaveral, na Florida.

A NASA prevê 80% de hipóteses de tempo favorável na quarta-feira, sendo as principais preocupações a cobertura de nuvens e o potencial para ventos fortes, indicou hoje a agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP).

O foguetão Artemis SLS tem 98 metros de altura, quatro motores principais e dois propulsores laterais.

A tripulação do Artemis II orbitará a Lua e o voo de 10 dias terminará com uma amerissagem no Oceano Pacífico.

Esta missão lunar é histórica por ser a primeira cuja tripulação inclui uma mulher, Christina Koch, um homem negro, o piloto Victor Glover, e um canadiano, Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana.

O comandante da missão, Reid Wiseman, declarou hoje que tudo está preparado para o lançamento, que estava agendado há quase dois meses, mas foi adiado devido a problemas técnicos e meteorológicos.

"Estamos prontos para partir, a equipa está pronta para partir e o veículo está pronto para arrancar, mas nem por um segundo damos o lançamento como garantido", disse Wiseman na última conferência de imprensa virtual dos astronautas antes do lançamento. "Podemos ir até à plataforma de lançamento e ter de tentar mais algumas vezes, e estamos 100% preparados para isso", acrescentou.

Christina Koch referiu que a tripulação tem "a forte esperança de que esta missão seja o início de uma era em que todos, cada pessoa na Terra, possam olhar para a Lua e pensar nela como um destino".

A missão representa "um passo importante em direção a Marte", onde "poderá haver uma maior probabilidade de encontrar provas de vida", adiantou.

No dia do lançamento, os astronautas acordarão oito horas antes da descolagem, contou Glover, que disse que as suas últimas ações na Terra serão rezar e dizer à sua família que os ama.

Hansen, por seu turno, partilhou que, entre os momentos mais emocionantes, estará um eclipse solar total, no qual verão a Lua passar à frente do Sol.

O novo administrador da Nasa, Jared Isaacman, anunciou na passada terça-feira a suspensão do projeto Gateway, uma estação orbital lunar, para concentrar esforços no desenvolvimento de uma base na superfície da Lua.

"Suspendemos o projeto Gateway como estava pensado e vamos concentrar-nos em estabelecer a infraestrutura necessária para garantir uma presença sustentável na superfície lunar", disse num discurso na sede da NASA, em Washington, nos Estados Unidos, citado pela agência France-Presse.

O ambicioso plano para acelerar o regresso à Lua até 2028, realizar alunagens tripuladas a cada seis meses e construir uma base lunar permanente nos próximos sete anos foi avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros), segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

A agência norte-americana estabeleceu parcerias com várias organizações internacionais para o projeto, incluindo a Agência Espacial Europeia (ESA), que está a desenvolver módulos para o Gateway, e contará com contribuições de empresas privadas como a SpaceX e a Blue Origin.

 

in Expresso 

quarta-feira, janeiro 14, 2026

A sonda Huygens aterrou em Titã há 21 anos

   
A Cassini-Huygens é uma sonda espacial dupla, enviada em missão ao planeta Saturno e ao seu sistema planetário, sendo um projeto conjunto da NASA (Agência Espacial dos estados Unidos), ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), ela consiste em dois elementos principais, o orbitador/sonda Cassini e a sonda Huygens. Lançada para o espaço a 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita de Saturno a 1 de julho de 2004 e continua em operação, estudando o planeta, os seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
Um projeto que levou duas décadas de planeamento e desenvolvimento até ao seu lançamento, após uma viagem interplanetária de quase sete anos, na qual sobrevoou Vénus e Júpiter, a nave entrou em órbita de Saturno a meio do ano de 2004; em dezembro daquele ano a sonda Huygens separou-se do orbitador Cassini e, em 14 de janeiro de 2005, entrou na atmosfera e pousou na superfície do maior satélite de Saturno, Titã, transmitindo imagens e dados para a Terra, na primeira vez em que um objeto construído pelo Homem pousou num corpo celeste do Sistema Solar exterior.
A Cassini-Huygens integra o Programa Flagship para os planetas exteriores, o maior e mais caro programa espacial não-tripulado da NASA. As outras missões deste programa incluem as Viking, as Voyager e a Galileu. A nave/sonda espacial, de duas partes, foi batizada em homenagem aos astrónomos Giovanni Cassini e Christiaan Huygens.
   
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens
   
Objetivos
Os principais objetivos da missão Cassini-Huygens eram:
  1. determinar a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico dos anéis;
  2. determinar a composição das superfícies e a história geológica dos satélites;
  3. determinar a natureza e origem do material escuro do hemisfério dianteiro de Jápeto.
  4. medir a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico da magnetosfera.
  5. estudar o comportamento dinâmico das nuvens de Saturno;
  6. estudar a vulnerabilidade temporal das nuvens e a meteorologia de Titã;
  7. caracterizar a superfície de Titã a uma escala regional.
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens, depois de processada
       
A sonda Huygens
A sonda-pousador Huygens foi criada e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), e batizada com o nome do astrónomo descobridor de Titã, Christiaan Huygens. Desacoplada da Cassini e lançada sobre Titã no dia de Natal de 2004, depois de uma viagem de 22 dias no espaço, entrou na atmosfera do satélite, fazendo um exame minucioso das nuvens e pousando na superfície cerca de 11:30 UTC de 14 de janeiro de 2005, no oeste da região escura conhecida como Shangri-La, próximo da área brilhante de Xanadu.
A sonda foi criada para descer de para-quedas na atmosfera do maior satélite natural de Saturno (e o 2º maior do Sistema Solar, o único com atmosfera) e abrir um laboratório robótico completo à superfície. O seu sistema consistia na sonda em si e num equipamento de suporte, que permaneceu acoplado ao orbitador Cassini. Este equipamento incluía equipamento eletrónico para rastrear a sonda, receber os dados enviados durante a descida e aterragem e ainda processar e passar estes dados para o computador do orbitador, que os enviou para a Terra. Com 318 kg de peso e 1,3 m de diâmetro, a sua bateria era suficiente para 153 minutos de transmissão, mais 2 horas e 27 minutos gastas na descida. Foi o suficiente para enviar dados atmosféricos e a primeira imagem da superfície de um satélite do Sistema Solar exterior. É até hoje a aterragem mais distante da Terra já feito por um objeto construído pelo Homem. 

À mesma escala, um lago de Titã (à esquerda) comparado com o Lago Superior (entre Canadá e Estados Unidos) na Terra
          
Lagos líquidos em Titã
Em 21 de julho de 2006, os radares da Cassini obtiveram imagens que pareciam mostrar lagos de hidrocarboneto líquido – como metano e etano - nas latitudes norte do satélite Titã. Esta foi a primeira descoberta da existência de lagos em qualquer corpo celeste fora da Terra. Estes lagos mediriam entre 1 e 100 quilómetros de comprimento. A 13 de março de 2007, anunciou-se que havia fortes evidências da existência de mares de etano e metano no hemisfério norte do satélite. Um destes lagos teria o tamanho dos Grandes Lagos na América do Norte. Em 30 de julho de 2008 foi anunciada a descoberta de um grande lago líquido próximo da região do polo sul de Titã, com quinze mil km². O lago foi batizado como Ontario Lacus. Em 2012, novos estudos da NASA levantaram a hipótese de que este lago seja mais parecido com um grande deserto de sal ou um grande lamaçal de hidrocarbonetos do que exatamente um lago, tal como nós os conhecemos na Terra.
           

terça-feira, janeiro 14, 2025

A sonda Huygens aterrou em Titã há vinte anos...!

   
A Cassini-Huygens é uma sonda espacial dupla, enviada em missão ao planeta Saturno e ao seu sistema planetário, sendo um projeto conjunto da NASA (Agência Espacial dos estados Unidos), ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), ela consiste em dois elementos principais, o orbitador/sonda Cassini e a sonda Huygens. Lançada para o espaço a 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita de Saturno a 1 de julho de 2004 e continua em operação, estudando o planeta, os seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
Um projeto que levou duas décadas de planeamento e desenvolvimento até ao seu lançamento, após uma viagem interplanetária de quase sete anos, na qual sobrevoou Vénus e Júpiter, a nave entrou em órbita de Saturno a meio do ano de 2004; em dezembro daquele ano a sonda Huygens separou-se do orbitador Cassini e, em 14 de janeiro de 2005, entrou na atmosfera e pousou na superfície do maior satélite de Saturno, Titã, transmitindo imagens e dados para a Terra, na primeira vez em que um objeto construído pelo Homem pousou num corpo celeste do Sistema Solar exterior.
A Cassini-Huygens integra o Programa Flagship para os planetas exteriores, o maior e mais caro programa espacial não-tripulado da NASA. As outras missões deste programa incluem as Viking, as Voyager e a Galileu. A nave/sonda espacial, de duas partes, foi batizada em homenagem aos astrónomos Giovanni Cassini e Christiaan Huygens.
   
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens
   
Objetivos
Os principais objetivos da missão Cassini-Huygens eram:
  1. determinar a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico dos anéis;
  2. determinar a composição das superfícies e a história geológica dos satélites;
  3. determinar a natureza e origem do material escuro do hemisfério dianteiro de Jápeto.
  4. medir a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico da magnetosfera.
  5. estudar o comportamento dinâmico das nuvens de Saturno;
  6. estudar a vulnerabilidade temporal das nuvens e a meteorologia de Titã;
  7. caracterizar a superfície de Titã a uma escala regional.
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens, depois de processada
       
A sonda Huygens
A sonda-pousador Huygens foi criada e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), e batizada com o nome do astrónomo descobridor de Titã, Christiaan Huygens. Desacoplada da Cassini e lançada sobre Titã no dia de Natal de 2004, depois de uma viagem de 22 dias no espaço, entrou na atmosfera do satélite, fazendo um exame minucioso das nuvens e pousando na superfície cerca de 11:30 UTC de 14 de janeiro de 2005, no oeste da região escura conhecida como Shangri-La, próximo da área brilhante de Xanadu.
A sonda foi criada para descer de para-quedas na atmosfera do maior satélite natural de Saturno (e o 2º maior do Sistema Solar, o único com atmosfera) e abrir um laboratório robótico completo à superfície. O seu sistema consistia na sonda em si e num equipamento de suporte, que permaneceu acoplado ao orbitador Cassini. Este equipamento incluía equipamento eletrónico para rastrear a sonda, receber os dados enviados durante a descida e aterragem e ainda processar e passar estes dados para o computador do orbitador, que os enviou para a Terra. Com 318 kg de peso e 1,3 m de diâmetro, a sua bateria era suficiente para 153 minutos de transmissão, mais 2 horas e 27 minutos gastas na descida. Foi o suficiente para enviar dados atmosféricos e a primeira imagem da superfície de um satélite do Sistema Solar exterior. É até hoje a aterragem mais distante da Terra já feito por um objeto construído pelo Homem. 

À mesma escala, um lago de Titã (à esquerda) comparado com o Lago Superior (entre Canadá e Estados Unidos) na Terra
        
Lagos líquidos em Titã
Em 21 de julho de 2006, os radares da Cassini obtiveram imagens que pareciam mostrar lagos de hidrocarboneto líquido – como metano e etano - nas latitudes norte do satélite Titã. Esta foi a primeira descoberta da existência de lagos em qualquer corpo celeste fora da Terra. Estes lagos mediriam entre 1 e 100 quilómetros de comprimento. A 13 de março de 2007, anunciou-se que havia fortes evidências da existência de mares de etano e metano no hemisfério norte do satélite. Um destes lagos teria o tamanho dos Grandes Lagos na América do Norte. Em 30 de julho de 2008 foi anunciada a descoberta de um grande lago líquido próximo da região do polo sul de Titã, com quinze mil km². O lago foi batizado como Ontario Lacus. Em 2012, novos estudos da NASA levantaram a hipótese de que este lago seja mais parecido com um grande deserto de sal ou um grande lamaçal de hidrocarbonetos do que exatamente um lago, tal como nós os conhecemos na Terra.
        

segunda-feira, setembro 16, 2024

As coisas que se pode encontrar em Marte...

Cientistas encontram uma antiga “cara sorridente” em Marte que pode ter sinais de vida

 

 

A “cara” é feita com depósitos de sal antigos que terão sido formados após a secagem de um lago. Estes depósitos podem ter ainda sinais de vida microbiana, caso esta alguma vez tenha existido.

Os astrónomos detetaram recentemente uma formação única de “cara sorridente” na superfície de Marte, provavelmente um remanescente de um lago há muito seco. A descoberta, captada pelo ExoMars Trace Gas Orbiter da Agência Espacial Europeia (ESA), foi partilhada numa publicação no Instagram a 7 de setembro.

A estrutura sorridente, visível apenas em condições específicas, consiste em antigos depósitos de sal formados há milhares de milhões de anos. O seu aparecimento reacendeu a esperança de descobrir sinais de vida anterior em Marte.

A cara sorridente, que apresenta dois “olhos” de cratera de meteoro e um contorno circular, foi detetada usando as câmaras de infravermelhos da sonda. Estas câmaras permitem aos cientistas distinguir os depósitos de sal, que parecem cor-de-rosa ou violeta, do resto da superfície de Marte, explica o Live Science.

A imagem faz parte de um estudo publicado na revista Scientific Data a 3 de agosto, onde os investigadores catalogaram 965 depósitos de sal na paisagem marciana. O tamanho exato da carinha sorridente é ainda desconhecido, mas estes depósitos variam geralmente entre 300 e 3000 metros de largura.

Os investigadores estão particularmente entusiasmados com estes depósitos de sal porque podem fornecer pistas cruciais sobre a habitabilidade passada de Marte. Os depósitos, que foram deixados para trás à medida que as massas de água do planeta se evaporavam, podem oferecer condições ótimas para preservar provas de atividade biológica antiga.

Como Marte passou de um mundo aquoso com lagos, rios e oceanos para um planeta seco e desolado há cerca de 2 a 3 mil milhões de anos, estes vestígios salgados são alguns dos poucos indicadores do clima outrora dinâmico do Planeta Vermelho.

Acredita-se que a secagem da água de Marte tenha sido causada pela perda do seu campo magnético, o que permitiu que os ventos solares destruíssem a atmosfera. À medida que o planeta arrefecia, a maior parte da sua água líquida congelava ou evaporava-se no espaço. Os últimos restos de água ter-se-iam tornado cada vez mais salgados, permitindo-lhe potencialmente manter-se líquida em condições frias – um ambiente que poderia ter suportado vida microbiana.

Os cientistas sugerem que estas poças salgadas poderiam ter sido um refúgio para extremófilos, organismos capazes de sobreviver em condições extremas. Se estes micróbios existiram, os seus restos poderiam ser preservados nos depósitos de sal, oferecendo uma janela para o passado biológico de Marte. Os sais podem ter atuado como conservantes, mantendo intactas potenciais provas durante milhares de milhões de anos.

 

in ZAP

terça-feira, abril 30, 2024

Afinal o David Bowie tinha razão...

Sonda da ESA deteta “sinal de aranhas” em Marte

 

 


A ExoMars Trace Gas Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), detetou aquilo a que os astrónomos chamaram de “sinal de aranhas de Marte”.

As imagens, da região polar sul do Planeta Vermelho, mostram o que parecem ser aranhas gigantes na superfície do planeta. Não são animais, mas são características criadas no gelo à medida que o inverno marciano se transforma em primavera.

“Estas características pequenas e escuras formam-se quando a luz do sol da primavera incide sobre camadas de dióxido de carbono depositadas durante os meses escuros de inverno”, explicou a Agência Espacial Europeia (ESA), em comunicado.

“A luz solar faz com que o gelo de dióxido de carbono na parte inferior da camada se transforme em gás, que subsequentemente se acumula e parte as placas de gelo sobrejacentes. O gás liberta-se na primavera marciana, arrastando material escuro para a superfície à medida que avança e parte as camadas de gelo, que chegam a ter até um metro de espessura.”

À medida que o gás emerge, empurrando poeira e areia para cima, cria fontes gigantes que depois caem de volta para o planeta. Este fenómeno faz com que surjam as manchas escuras observadas na imagem, que se estendem entre 45 metros e 1 quilómetro de diâmetro.

Mas porque é que vemos “aranhas”? A resposta está na pareidolia, um fenómeno cognitivo enraizado na perceção humana.

Em termos evolutivos, a sobrevivência dos nossos ancestrais dependia da identificação rápida de ameaças. Esta tendência em discernir padrões reconhecíveis, mesmo em estímulos aleatórios, era um garante de sobrevivência.

É por isso que a inclinação para perceber formas familiares em contextos desconhecidos persiste como um vestígio do nosso passado evolutivo.

Jess Taubert, da Universidade de Queensland, corroborou essa evidência ao IFLScience, acrescentando que esta característica predispõe os humanos a interpretar erroneamente estímulos aleatórios, como os padrões de “aranha” em Marte.

 

in ZAP

domingo, janeiro 14, 2024

A sonda Huygens aterrou em Titã há dezanove anos...!

   
A Cassini-Huygens é uma sonda espacial dupla, enviada em missão ao planeta Saturno e ao seu sistema planetário, sendo um projeto conjunto da NASA (Agência Espacial dos estados Unidos), ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), ela consiste em dois elementos principais, o orbitador/sonda Cassini e a sonda Huygens. Lançada para o espaço a 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita de Saturno a 1 de julho de 2004 e continua em operação, estudando o planeta, os seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
Um projeto que levou duas décadas de planeamento e desenvolvimento até ao seu lançamento, após uma viagem interplanetária de quase sete anos, na qual sobrevoou Vénus e Júpiter, a nave entrou em órbita de Saturno a meio do ano de 2004; em dezembro daquele ano a sonda Huygens separou-se do orbitador Cassini e, em 14 de janeiro de 2005, entrou na atmosfera e pousou na superfície do maior satélite de Saturno, Titã, transmitindo imagens e dados para a Terra, na primeira vez em que um objeto construído pelo Homem pousou num corpo celeste do Sistema Solar exterior.
A Cassini-Huygens integra o Programa Flagship para os planetas exteriores, o maior e mais caro programa espacial não-tripulado da NASA. As outras missões deste programa incluem as Viking, as Voyager e a Galileu. A nave/sonda espacial, de duas partes, foi batizada em homenagem aos astrónomos Giovanni Cassini e Christiaan Huygens.
   
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens
   
Objetivos
Os principais objetivos da missão Cassini-Huygens eram:
  1. determinar a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico dos anéis;
  2. determinar a composição das superfícies e a história geológica dos satélites;
  3. determinar a natureza e origem do material escuro do hemisfério dianteiro de Jápeto.
  4. medir a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico da magnetosfera.
  5. estudar o comportamento dinâmico das nuvens de Saturno;
  6. estudar a vulnerabilidade temporal das nuvens e a meteorologia de Titã;
  7. caracterizar a superfície de Titã a uma escala regional.
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens, depois de processada
       
A sonda Huygens
A sonda-pousador Huygens foi criada e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), e batizada com o nome do astrónomo descobridor de Titã, Christiaan Huygens. Desacoplada da Cassini e lançada sobre Titã no dia de Natal de 2004, depois de uma viagem de 22 dias no espaço, entrou na atmosfera do satélite, fazendo um exame minucioso das nuvens e pousando na superfície cerca de 11:30 UTC de 14 de janeiro de 2005, no oeste da região escura conhecida como Shangri-La, próximo da área brilhante de Xanadu.
A sonda foi criada para descer de para-quedas na atmosfera do maior satélite natural de Saturno (e o 2º maior do Sistema Solar, o único com atmosfera) e abrir um laboratório robótico completo à superfície. O seu sistema consistia na sonda em si e num equipamento de suporte, que permaneceu acoplado ao orbitador Cassini. Este equipamento incluía equipamento eletrónico para rastrear a sonda, receber os dados enviados durante a descida e aterragem e ainda processar e passar estes dados para o computador do orbitador, que os enviou para a Terra. Com 318 kg de peso e 1,3 m de diâmetro, a sua bateria era suficiente para 153 minutos de transmissão, mais 2 horas e 27 minutos gastas na descida. Foi o suficiente para enviar dados atmosféricos e a primeira imagem da superfície de um satélite do Sistema Solar exterior. É até hoje a aterragem mais distante da Terra já feito por um objeto construído pelo Homem. 

À mesma escala, um lago de Titã (à esquerda) comparado com o Lago Superior (entre Canadá e Estados Unidos) na Terra
        
Lagos líquidos em Titã
Em 21 de julho de 2006, os radares da Cassini obtiveram imagens que pareciam mostrar lagos de hidrocarboneto líquido – como metano e etano - nas latitudes norte do satélite Titã. Esta foi a primeira descoberta da existência de lagos em qualquer corpo celeste fora da Terra. Estes lagos mediriam entre 1 e 100 quilómetros de comprimento. A 13 de março de 2007, anunciou-se que havia fortes evidências da existência de mares de etano e metano no hemisfério norte do satélite. Um destes lagos teria o tamanho dos Grandes Lagos na América do Norte. Em 30 de julho de 2008 foi anunciada a descoberta de um grande lago líquido próximo da região do polo sul de Titã, com quinze mil km². O lago foi batizado como Ontario Lacus. Em 2012, novos estudos da NASA levantaram a hipótese de que este lago seja mais parecido com um grande deserto de sal ou um grande lamaçal de hidrocarbonetos do que exatamente um lago, como nós os conhecemos, na Terra.
        

sábado, outubro 21, 2023

Notícia interessante sobre o astro rei...

Cientistas desvendaram o maior enigma do Sol

   

SOL

  

A temperatura da coroa solar é surpreendentemente maior do que a da sua superfície, apesar de estar bastante mais longe da fonte de calor. Este facto constitui um mistério há mais de 80 anos, mas pode ter sido explicado.

A coroa solar atinge temperaturas arrasadoras de um milhão de graus Celsius, enquanto as temperaturas da superfície solar se mantêm nos 6 mil - apesar da coroa se situar bastante mais longe da fonte de calor do Sol.

Sendo assim, porque é que este envolto luminoso é tão quente? Há décadas que os cientistas se contorcem para tentar responder a este grande mistério. Agora, esse dia pode ter chegado.

Na superfície da grande estrela, foram descobertas pequenas ondas magnéticas a mover-se rapidamente. Estas ondas, segundo o Space, produzem grandes quantidades de energia e podem mesmo explicar, segundo novos cálculos, o estranho sobreaquecimento da coroa solar.

As provas de que ondas magnéticas estão na origem deste fenómeno, acumuladas há mais de 80 anos, são incontornáveis, mas nunca chegaram à raiz do enigma. No entanto, até agora, nunca tinham sido detetadas ondas tão rápidas e com tanta capacidade de produção energética como estas de 10 mil quilómetros de distância.

As novas imagens que revelam as rápidas ondas foram capturadas pela EUI, uma câmara de alta resolução instalada no Solar Orbiter (SOLO), satélite artificial desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, que desde 2020 tem encontrado indicadores de processos que têm um papel no mistério da coroa.

  

Imagens do Sol capturadas pelo Solar Orbiter

 

Enquanto os telescópios terrestres têm, de facto, a capacidade de capturar imagens do Sol com melhor qualidade, o SOLO reserva a vantagem de capturar as imagens mais próximas do centro do nosso Sistema Solar, aproximando-se do Sol a menos de 77 milhões de quilómetros, ficando mais próximo do que a órbita de Mercúrio, o planeta mais próximo da estrela que nos dá luz.

“Uma vez que os resultados indicaram um papel fundamental para as oscilações rápidas no aquecimento da coroa, vamos dedicar muita da nossa atenção ao desafio de descobrir frequências magnéticas mais altas com o EUI”, disse o principal investigador do instrumento e físico solar do Observatório da Bélgica, David Berghmans.

A coroa solar torna-se mais visível durante um eclipse total do Sol, quando a Lua bloqueia a luz solar direta e revela a brilhante aura em torno do disco escurecido do Sol. Durante esse raro fenómeno, os cientistas podem estudar a coroa com maior eficácia. Compreender a coroa é fundamental para prever o comportamento do Sol e proteger tecnologias sensíveis à radiação solar.

 

in ZAP

sábado, janeiro 14, 2023

A sonda Huygens aterrou em Titã há 18 anos...!

   
A Cassini-Huygens é uma sonda espacial dupla, enviada em missão ao planeta Saturno e ao seu sistema planetário, sendo um projeto conjunto da NASA (Agência Espacial dos estados Unidos), ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), ela consiste em dois elementos principais, o orbitador/sonda Cassini e a sonda Huygens. Lançada para o espaço a 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita de Saturno a 1 de julho de 2004 e continua em operação, estudando o planeta, os seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
Um projeto que levou duas décadas de planeamento e desenvolvimento até ao seu lançamento, após uma viagem interplanetária de quase sete anos, na qual sobrevoou Vénus e Júpiter, a nave entrou em órbita de Saturno a meio do ano de 2004; em dezembro daquele ano a sonda Huygens separou-se do orbitador Cassini e, em 14 de janeiro de 2005, entrou na atmosfera e pousou na superfície do maior satélite de Saturno, Titã, transmitindo imagens e dados para a Terra, na primeira vez em que um objeto construído pelo Homem pousou num corpo celeste do Sistema Solar exterior.
A Cassini-Huygens integra o Programa Flagship para os planetas exteriores, o maior e mais caro programa espacial não-tripulado da NASA. As outras missões deste programa incluem as Viking, as Voyager e a Galileu. A nave/sonda espacial, de duas partes, foi batizada em homenagem aos astrónomos Giovanni Cassini e Christiaan Huygens.
   
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens
   
Objetivos
Os principais objetivos da missão Cassini-Huygens eram:
  1. determinar a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico dos anéis;
  2. determinar a composição das superfícies e a história geológica dos satélites;
  3. determinar a natureza e origem do material escuro do hemisfério dianteiro de Jápeto.
  4. medir a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico da magnetosfera.
  5. estudar o comportamento dinâmico das nuvens de Saturno;
  6. estudar a vulnerabilidade temporal das nuvens e a meteorologia de Titã;
  7. caracterizar a superfície de Titã a uma escala regional.
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens, depois de processada
       
A sonda Huygens
A sonda-pousador Huygens foi criada e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), e batizada com o nome do astrónomo descobridor de Titã, Christiaan Huygens. Desacoplada da Cassini e lançada sobre Titã no dia de Natal de 2004, depois de uma viagem de 22 dias no espaço, entrou na atmosfera do satélite, fazendo um exame minucioso das nuvens e pousando na superfície cerca de 11:30 UTC de 14 de janeiro de 2005, no oeste da região escura conhecida como Shangri-La, próximo da área brilhante de Xanadu.
A sonda foi criada para descer de para-quedas na atmosfera do maior satélite natural de Saturno (e o 2º maior do Sistema Solar, o único com atmosfera) e abrir um laboratório robótico completo à superfície. O seu sistema consistia na sonda em si e num equipamento de suporte, que permaneceu acoplado ao orbitador Cassini. Este equipamento incluía equipamento eletrónico para rastrear a sonda, receber os dados enviados durante a descida e aterragem e ainda processar e passar estes dados para o computador do orbitador, que os enviou para a Terra. Com 318 kg de peso e 1,3 m de diâmetro, a sua bateria era suficiente para 153 minutos de transmissão, mais 2 horas e 27 minutos gastas na descida. Foi o suficiente para enviar dados atmosféricos e a primeira imagem da superfície de um satélite do Sistema Solar exterior. É até hoje a aterragem mais distante da Terra já feito por um objeto construído pelo Homem. 

À escala, um lago de Titã (à esquerda) comparado com o Lago Superior (entre o Canadá e Estados Unidos) na Terra
        
Lagos líquidos em Titã
Em 21 de julho de 2006, os radares da Cassini obtiveram imagens que pareciam mostrar lagos de hidrocarboneto líquido – como metano e etano - nas latitudes norte do satélite Titã. Esta foi a primeira descoberta da existência de lagos em qualquer corpo celeste fora da Terra. Estes lagos mediriam entre 1 e 100 quilómetros de comprimento. A 13 de março de 2007, anunciou-se que havia fortes evidências da existência de mares de etano e metano no hemisfério norte do satélite. Um destes lagos teria o tamanho dos Grandes Lagos na América do Norte. Em 30 de julho de 2008 foi anunciada a descoberta de um grande lago líquido próximo da região do polo sul de Titã, com quinze mil km². O lago foi batizado como Ontario Lacus. Em 2012, novos estudos da NASA levantaram a hipótese de que este lago seja mais parecido com um grande deserto de sal ou um grande lamaçal de hidrocarbonetos do que exatamente um lago, como nós os conhecemos, na Terra.
        

sexta-feira, janeiro 14, 2022

A sonda Huygens aterrou em Titã há dezassete anos

   
A Cassini-Huygens é uma sonda espacial dupla, enviada em missão ao planeta Saturno e ao seu sistema planetário, sendo um projeto conjunto da NASA (Agência Espacial dos estados Unidos), ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), ela consiste em dois elementos principais, o orbitador/sonda Cassini e a sonda Huygens. Lançada para o espaço a 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita de Saturno a 1 de julho de 2004 e continua em operação, estudando o planeta, os seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
Um projeto que levou duas décadas de planeamento e desenvolvimento até ao seu lançamento, após uma viagem interplanetária de quase sete anos, na qual sobrevoou Vénus e Júpiter, a nave entrou em órbita de Saturno a meio do ano de 2004; em dezembro daquele ano a sonda Huygens separou-se do orbitador Cassini e, em 14 de janeiro de 2005, entrou na atmosfera e pousou na superfície do maior satélite de Saturno, Titã, transmitindo imagens e dados para a Terra, na primeira vez em que um objeto construído pelo Homem pousou num corpo celeste do Sistema Solar exterior.
A Cassini-Huygens integra o Programa Flagship para os planetas exteriores, o maior e mais caro programa espacial não-tripulado da NASA. As outras missões deste programa incluem as Viking, as Voyager e a Galileu. A nave/sonda espacial, de duas partes, foi batizada em homenagem aos astrónomos Giovanni Cassini e Christiaan Huygens.
   
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens
   
Objetivos
Os principais objetivos da missão Cassini-Huygens eram:
  1. determinar a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico dos anéis;
  2. determinar a composição das superfícies e a história geológica dos satélites;
  3. determinar a natureza e origem do material escuro do hemisfério dianteiro de Jápeto.
  4. medir a estrutura tridimensional e comportamento dinâmico da magnetosfera.
  5. estudar o comportamento dinâmico das nuvens de Saturno;
  6. estudar a vulnerabilidade temporal das nuvens e a meteorologia de Titã;
  7. caracterizar a superfície de Titã a uma escala regional.
Vista da superfície de Titã a partir da sonda Huygens, depois de processada
       
A sonda Huygens
A sonda-pousador Huygens foi criada e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), e batizada com o nome do astrónomo descobridor de Titã, Christiaan Huygens. Desacoplada da Cassini e lançada sobre Titã no dia de Natal de 2004, depois de uma viagem de 22 dias no espaço, entrou na atmosfera do satélite, fazendo um exame minucioso das nuvens e pousando na superfície cerca de 11:30 UTC de 14 de janeiro de 2005, no oeste da região escura conhecida como Shangri-La, próximo da área brilhante de Xanadu.
A sonda foi criada para descer de para-quedas na atmosfera do maior satélite natural de Saturno (e o 2º maior do Sistema Solar, o único com atmosfera) e abrir um laboratório robótico completo à superfície. O seu sistema consistia na sonda em si e num equipamento de suporte, que permaneceu acoplado ao orbitador Cassini. Este equipamento incluía equipamento eletrónico para rastrear a sonda, receber os dados enviados durante a descida e aterragem e ainda processar e passar estes dados para o computador do orbitador, que os enviou para a Terra. Com 318 kg de peso e 1,3 m de diâmetro, a sua bateria era suficiente para 153 minutos de transmissão, mais 2 horas e 27 minutos gastas na descida. Foi o suficiente para enviar dados atmosféricos e a primeira imagem da superfície de um satélite do Sistema Solar exterior. É até hoje a aterragem mais distante da Terra já feito por um objeto construído pelo Homem. 

À escala, um lago de Titã (à esquerda) comparado com o Lago Superior (entre o Canadá e Estados Unidos) na Terra
      
Lagos líquidos em Titã
Em 21 de julho de 2006, os radares da Cassini obtiveram imagens que pareciam mostrar lagos de hidrocarboneto líquido – como metano e etano - nas latitudes norte do satélite Titã. Esta foi a primeira descoberta da existência de lagos em qualquer corpo celeste fora da Terra. Estes lagos mediriam entre 1 e 100 quilómetros de comprimento. A 13 de março de 2007, anunciou-se que havia fortes evidências da existência de mares de etano e metano no hemisfério norte do satélite. Um destes lagos teria o tamanho dos Grandes Lagos na América do Norte. Em 30 de julho de 2008 foi anunciada a descoberta de um grande lago líquido próximo da região do pólo sul de Titã, com quinze mil km². O lago foi batizado como Ontario Lacus. Em 2012, novos estudos da NASA levantaram a hipótese de que este lago seja mais parecido com um grande deserto de sal ou um grande lamaçal de hidrocarbonetos do que exatamente um lago, como nós os conhecemos, na Terra.