Placas tectónicas podem ter surgido há 3,6 mil milhões de anos

Visão microscópica de um pedaço de uma rocha das Jack Hills, na Austrália Ocidental
As placas tectónicas podem ter surgido há 3,6 mil milhões de
anos, de acordo com um novo estudo sobre alguns dos cristais mais
antigos da Terra.
Em comunicado, os
cientistas responsáveis por esta nova investigação explicam que foi
possível descobrir a data de formação das placas tectónicas ao analisar cristais de zircão provenientes de Jack Hills, uma série de colinas na Austrália Ocidental.
Alguns dos zircões têm 4,3 mil milhões de anos, o que significa que
existiam quando a Terra tinha apenas 200 milhões de anos. Os
investigadores usaram estes minerais, bem como uns mais jovens (com três
mil milhões de anos), para explorar o passado do planeta.
A equipa explica que testou mais de 3500 zircões,
medindo a sua composição química com um espectrómetro de massa, o que
revelou a idade de cada um. Destes milhares, apenas 200 encaixavam nos
objetivos do estudo, ou seja, foram os que mantiveram as suas
propriedades químicas de há muitos milhões de anos.
Na mesma nota, os cientistas referem que a idade de um zircão pode
ser determinada com um alto grau de precisão porque contém urânio. É a
sua natureza radioativa e a sua taxa de decomposição que lhes permite
quantificar a idade de cada mineral.
Depois da análise, a equipa descobriu também um aumento acentuado nas concentrações de alumínio, há cerca de 3,6 mil milhões de anos.
“Esta mudança de composição provavelmente marca o início das placas
tectónicas modernas e pode potencialmente sinalizar o aparecimento de
vida na Terra”, declara Michael Ackerson, geólogo do Museu Nacional de
História Natural, em Washington, e líder da investigação.
“Mas ainda temos de fazer muitas mais pesquisas para
determinar as conexões dessa mudança geológica com as origens da vida”,
acrescenta o investigador, cujo estudo foi publicado, a 14 de maio, na
revista científica Geochemical Perspective Letters.
Os investigadores associaram os zircões com alto teor de alumínio ao
início das placas tectónicas porque uma das formas como esses zircões
únicos se formam é quando as rochas nas profundezas derretem.
“É realmente difícil transformar alumínio em zircões por causa das
suas ligações químicas”, explica Ackerson, acrescentando que “é preciso
haver condições geológicas bastante extremas”.
O investigador defende que este sinal de que as rochas estavam a ser
derretidas mais profundamente, abaixo da superfície da Terra, significa
que a crosta do planeta estava a ficar mais espessa e a começar a
arrefecer, sendo um sinal de que estava a fazer-se a transição para as
placas tectónicas modernas.
Agora, a equipa espera poder estudar outras formações rochosas tão
antigas como esta para ver se também mostram estes sinais de
espessamento da crosta terrestre, há cerca de 3,6 mil milhões de anos.
in ZAP