O paradeiro de Saddam não foi conhecido durante vários meses até que, em
4 de abril, a televisão iraquiana mostrou o ex-ditador, cercado de
aliados seus, passeando pelas ruas da cidade. Em 8 de abril, um dia
antes de as forças americanas atingirem o coração de Bagdade, um
bombardeiro
B-1 lançou quatro
bombas de perfuração de
bunkers
contra um edifício da capital iraquiana, onde se acreditava que Saddam
Hussein estivesse reunido com outros chefes do regime, com o
deliberado objetivo de assassiná-lo.
Mas ele conseguiu desaparecer depois que as forças da coligação
invadiram Bagdade, em 9 de abril. Escondido, continuou tentando motivar
os seus antigos combatentes, que se mostraram mais frágeis do que se
imaginava e não resistiram ao poderio militar dos Estados Unidos - nem
tão pouco usaram as supostas armas químicas que motivaram o ataque.
Em 13 de dezembro de 2003, Saddam Hussein foi localizado, militando na resistência à ocupação, e preso num cave de uma
quinta da cidade de
Adwar, próximo de
Tikrit, a sua cidade natal, numa operação conjunta entre tropas americanas e rebeldes
curdos.
As tropas encontraram o ex-presidente escondido num pequeno buraco
subterrâneo, camuflado com terra e tijolos. Embora estivesse armado com
uma
pistola e dois
AK-47, rendeu-se pacificamente, após uma suposta patética negociação onde pretendia subornar os seus captores com a soma de
US$ 750.000 que guardava numa mala. "
Sou o presidente do Iraque e quero negociar", teria proposto, em inglês. Segundo a coligação militar, foi um membro de uma família próxima de Saddam quem o delatou. Um
jornal jordano
publicou uma versão alternativa da prisão. Saddam teria sido drogado
por um parente, que lhe servia de guarda-costas, e vendido aos
americanos, em troca da recompensa milionária que era oferecida. A filha
Raghad, exilada na Jordânia, diz que com certeza seu pai foi drogado,
de outra forma teria lutado como "um leão".
Paul Bremer e
Tony Blair confirmaram esta notícia.
Saddam, que não apresentou resistência alguma, estava sujo e
desorientado quando foi capturado. Posteriormente, foi submetido a um
exaustivo reconhecimento médico e a um teste de
DNA,
que confirmou a sua identidade. Entre as primeiras imagens transmitidas,
algumas mostravam Hussein sendo examinado por um médico militar
americano, assim como outras mostravam o local de sua captura. Tais
imagens causaram variadas reações pelo mundo, desde aqueles que - tais
como grande parte da população americana e até iraquiana - as
justificaram por motivos políticos, sociais e militares, até os que
(baseando-se em interpretações do direito internacional) argumentaram
que as imagens representavam uma violação intolerável da
Convenção de Genebra acerca do tratamento de prisioneiros de guerra capturados.
Em 1 de janeiro de 2004, o
Pentágono reconheceu-o como "
prisioneiro de guerra", e, em 30 de junho, transferiu a sua custódia judicial para o novo Governo provisório iraquiano.
Durante 24 meses, Saddam permaneceu sob custódia das forças
norte-americanas, à espera de ser julgado por um Tribunal Especial
iraquiano, patrocinado pelos Estados Unidos, que, em 19 de outubro de
2005 iniciou o processo contra o ex-ditador e o condenou à morte, por
enforcamento, em 5 de novembro de 2006.