Eugénio de Andrade, por Carlos Botelho
Frequentou o
Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em
1936, o primeiro dos quais, intitulado
Narciso, publicou três anos mais tarde.
Durante os anos que se seguem até hoje, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como
Joel Serrão,
Miguel Torga,
Afonso Duarte,
Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço,
Joaquim Namorado,
Sophia de Mello Breyner Andresen,
Teixeira de Pascoaes,
Vitorino Nemésio,
Jorge de Sena,
Mário Cesariny, José Luís Cano,
Ángel Crespo,
Luís Cernuda,
Jaime Montestrela,
Marguerite Yourcenar,
Herberto Helder,
Joaquim Manuel Magalhães,
João Miguel Fernandes Jorge,
Óscar Lopes, e muitos outros.
Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Faleceu a
13 de junho de
2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.
Litania
O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes;
o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito de água;
a boca sossegada onde apetece
navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor dum fruto, o peso duma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror,
são a grande razão, a única razão.
in Poesia e Prosa - Eugénio de Andrade
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