sábado, fevereiro 14, 2026
Explanação de hoje ser o dia dos namorados em (quase) todo o mundo...
Postado por Fernando Martins às 00:00 0 comentários
Marcadores: amor, Dia de São Valentim, Dia dos Namorados, S. Valentim
domingo, janeiro 18, 2026
Hoje é dia de recordar Pedro, eterno namorado de Inês até ao fim do mundo...
Alcobaça
Corpos feitos de pedra - para sempre
aqui
nesta nave de gelo e de sombra,
no incandescente sono a que chamamos
eternidade.
Quem desperta o teu rosto? Quem move
as tuas mãos no gesto com que iludes
a distância dos vivos? Não sabemos
morrer
e repetimos hoje o mesmo abraço
fiel à órbita dos astros
e a esta certeza de que fomos
e somos e seremos
um do outro.
É assim o amor - uma palavra
sonâmbula, uma bênção
que os séculos não apagam
sob as pequenas asas de alguns anjos
guardando e protegendo o nosso imenso
segredo.
Corpos feitos de pedra - ainda e sempre
aqui
até ao fim do mundo,
até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Postado por Pedro Luna às 13:57 0 comentários
Marcadores: amor, dinastia de Borgonha, El-Rei, Fernando Pinto do Amaral, Inês de Castro, Mosteiro de Alcobaça, Pedro I, poesia, Rainha de Portugal
quarta-feira, janeiro 07, 2026
Inês de Castro morreu há 671 anos...
Alcobaça
Corpos feitos de pedra - para sempre
aqui
nesta nave de gelo e de sombra,
no incandescente sono a que chamamos
eternidade.
Quem desperta o teu rosto? Quem move
as tuas mãos no gesto com que iludes
a distância dos vivos? Não sabemos
morrer
e repetimos hoje o mesmo abraço
fiel à órbita dos astros
e a esta certeza de que fomos
e somos e seremos
um do outro.
É assim o amor - uma palavra
sonâmbula, uma bênção
que os séculos não apagam
sob as pequenas asas de alguns anjos
guardando e protegendo o nosso imenso
segredo.
Corpos feitos de pedra - ainda e sempre
aqui
até ao fim do mundo,
até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Postado por Fernando Martins às 06:07 0 comentários
Marcadores: amor, dinastia de Borgonha, El-Rei, Fernando Pinto do Amaral, Inês de Castro, Mosteiro de Alcobaça, Pedro I, poesia, Rainha de Portugal
quinta-feira, dezembro 11, 2025
Eduardo VIII do Reino Unido abdicou, por amor, há 89 anos...
Postado por Fernando Martins às 08:09 0 comentários
Marcadores: amor, Eduardo VIII, Reino Unido, Wallis Simpson
domingo, junho 15, 2025
Hoje é dia de ouvir cantar Pablo Neruda...
Poema 15
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada - Pablo Neruda
Postado por Pedro Luna às 11:11 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Mercedes Sosa, Pablo Neruda, Poema 15, poesia, Prémio Nobel
Neruda publicou o livro Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada há 101 anos
Poema 14 (Juegas todos los días)
Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte como eras entonces cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo solo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924) - Pablo Neruda
Poema 14 (Brincas todos os dias)
Brincas todos os dias com a luz do universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas do sul?
Ah deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.
Agora, agora também, pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
O que te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos os olhos
e sobre as nossas cabeças destorcerem-se os crepúsculos em leques rodopiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, «copihues»,
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.
Postado por Fernando Martins às 01:01 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Fernando Assis Pacheco, Pablo Neruda, poesia, Prémio Nobel
sexta-feira, fevereiro 14, 2025
Breve explicação de hoje ser o dia dos namorados em (quase) todo o mundo...
Postado por Fernando Martins às 00:21 0 comentários
Marcadores: amor, Cupido, Dia de São Valentim, Dia dos Namorados, S. Valentim
sábado, janeiro 18, 2025
Saudades da justiça e do amor de D. Pedro...
Alcobaça
Corpos feitos de pedra - para sempre
aqui
nesta nave de gelo e de sombra,
no incandescente sono a que chamamos
eternidade.
Quem desperta o teu rosto? Quem move
as tuas mãos no gesto com que iludes
a distância dos vivos? Não sabemos
morrer
e repetimos hoje o mesmo abraço
fiel à órbita dos astros
e a esta certeza de que fomos
e somos e seremos
um do outro.
É assim o amor - uma palavra
sonâmbula, uma bênção
que os séculos não apagam
sob as pequenas asas de alguns anjos
guardando e protegendo o nosso imenso
segredo.
Corpos feitos de pedra - ainda e sempre
aqui
até ao fim do mundo,
até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Postado por Fernando Martins às 13:57 0 comentários
Marcadores: amor, dinastia de Borgonha, El-Rei, Fernando Pinto do Amaral, Inês de Castro, Mosteiro de Alcobaça, Pedro I, poesia, Rainha de Portugal
terça-feira, janeiro 07, 2025
Inês morreu há 670 anos...
Alcobaça
Corpos feitos de pedra - para sempre
aqui
nesta nave de gelo e de sombra,
no incandescente sono a que chamamos
eternidade.
Quem desperta o teu rosto? Quem move
as tuas mãos no gesto com que iludes
a distância dos vivos? Não sabemos
morrer
e repetimos hoje o mesmo abraço
fiel à órbita dos astros
e a esta certeza de que fomos
e somos e seremos
um do outro.
É assim o amor - uma palavra
sonâmbula, uma bênção
que os séculos não apagam
sob as pequenas asas de alguns anjos
guardando e protegendo o nosso imenso
segredo.
Corpos feitos de pedra - ainda e sempre
aqui
até ao fim do mundo,
até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Postado por Fernando Martins às 06:07 0 comentários
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quarta-feira, dezembro 11, 2024
O rei Eduardo VIII do Reino Unido abdicou, por amor, há 88 anos...
Postado por Fernando Martins às 08:08 0 comentários
Marcadores: amor, Eduardo VIII, Reino Unido, Wallis Simpson
sexta-feira, julho 12, 2024
Hoje é dia de ouvir canções desesperadas...
LA CANCIÓN DESESPERADA
EMERGE
tu recuerdo de la noche en que estoy.
El río anuda al mar su lamento obstinado.
Abandonado
como los muelles en el alba.
Es la hora de partir, oh abandonado!
Sobre mi corazón
llueven frías corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!
En ti se acumularon
las guerras y los vuelos.
De ti alzaron las alas los pájaros del canto.
Todo te lo
tragaste, como la lejanía.
Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue
naufragio!
Era la alegre
hora del asalto y el beso.
La hora del estupor que ardía como un faro.
Ansiedad de
piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!
En la infancia
de niebla mi alma alada y herida.
Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Te ceñiste
al dolor, te agarraste al deseo.
Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!
Hice retroceder
la muralla de sombra,
anduve más allá del deseo y del acto.
Oh carne,
carne mía, mujer que amé y perdí,
a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.
Como un vaso
albergaste la infinita ternura,
y el infinito olvido te trizó como a un vaso.
Era la negra,
negra soledad de las islas,
y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.
Era la sed
y el hambre, y tú fuiste la fruta.
Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.
Ah mujer,
no sé cómo pudiste contenerme
en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!
Mi deseo de
ti fue el más terrible y corto,
el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.
Cementerio
de besos, aún hay fuego en tus tumbas,
aún los racimos arden picoteados de pájaros.
Oh la boca
mordida, oh los besados miembros,
oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.
Oh la cópula
loca de esperanza y esfuerzo
en que nos anudamos y nos desesperamos.
Y la ternura,
leve como el agua y la harina.
Y la palabra apenas comenzada en los labios.
Ése fue mi
destino y en él viajó mi anhelo,
y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!
Oh sentina
de escombros, en ti todo caía,
qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron.
De tumbo en
tumbo aún llameaste y cantaste
de pie como un marino en la proa de un barco.
Aún floreciste
en cantos, aún rompiste en corrientes.
Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.
Pálido buzo
ciego, desventurado hondero,
descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Es la hora
de partir, la dura y fría hora
que la noche sujeta a todo horario.
El cinturón
ruidoso del mar ciñe la costa.
Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.
Abandonado
como los muelles en el alba.
Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.
Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.
Es la hora de partir. Oh abandonado!
Postado por Pedro Luna às 12:00 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Pablo Neruda, poesia, Prémio Nobel
Hoje é dia de cantar Neruda...
Poema 15
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada - Pablo Neruda
Postado por Pedro Luna às 01:20 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Pablo Neruda, Paco Ibáñez, Poema 15, poesia, Prémio Nobel
sábado, junho 15, 2024
Hoje é dia de cantar Neruda...
Poema 15
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada - Pablo Neruda
Postado por Pedro Luna às 10:00 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Pablo Neruda, Paco Ibáñez, Poema 15, poesia, Prémio Nobel
Hoje é dia de ouvir uma canção desesperada...
LA CANCIÓN DESESPERADA EMERGE
tu recuerdo de la noche en que estoy. Abandonado
como los muelles en el alba. Sobre mi corazón
llueven frías corolas. En ti se acumularon
las guerras y los vuelos. Todo te lo
tragaste, como la lejanía. Era la alegre
hora del asalto y el beso. Ansiedad de
piloto, furia de buzo ciego, En la infancia
de niebla mi alma alada y herida. Te ceñiste
al dolor, te agarraste al deseo. Hice retroceder
la muralla de sombra, Oh carne,
carne mía, mujer que amé y perdí, Como un vaso
albergaste la infinita ternura, Era la negra,
negra soledad de las islas, Era la sed
y el hambre, y tú fuiste la fruta. Ah mujer,
no sé cómo pudiste contenerme Mi deseo de
ti fue el más terrible y corto, Cementerio
de besos, aún hay fuego en tus tumbas, Oh la boca
mordida, oh los besados miembros, Oh la cópula
loca de esperanza y esfuerzo Y la ternura,
leve como el agua y la harina. Ése fue mi
destino y en él viajó mi anhelo, Oh sentina
de escombros, en ti todo caía, De tumbo en
tumbo aún llameaste y cantaste Aún floreciste
en cantos, aún rompiste en corrientes. Pálido buzo
ciego, desventurado hondero, Es la hora
de partir, la dura y fría hora El cinturón
ruidoso del mar ciñe la costa. Abandonado
como los muelles en el alba. Ah más allá de todo. Ah más allá de todo. Es la hora de partir. Oh abandonado! |
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Postado por Pedro Luna às 01:00 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Pablo Neruda, poesia, Prémio Nobel
O livro Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada foi publicado há um século...!
Poema 14 (Juegas todos los días)
Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte como eras entonces cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo solo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924) - Pablo Neruda
Poema 14 (Brincas todos os dias)
Brincas todos os dias com a luz do universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas do sul?
Ah deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.
Agora, agora também, pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
O que te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos os olhos
e sobre as nossas cabeças destorcerem-se os crepúsculos em leques rodopiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, «copihues»,
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.
Postado por Fernando Martins às 00:01 0 comentários
Marcadores: amor, Chile, erotismo, Fernando Assis Pacheco, Pablo Neruda, poesia, Prémio Nobel




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