O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Coroação póstuma de Inês de Castro - pintura de Pierre-Charles Comte (1849)
Morte
Depois de alguns anos no Norte de Portugal, Pedro e Inês tinham regressado a Coimbra e instalaram-se no Paço de Santa Clara. Mandado construir pela avó de D. Pedro, a Rainha Santa Isabel,
foi neste Paço que esta Rainha vivera os últimos anos, deixando
expresso o desejo que se tornasse na habitação exclusiva de Reis e
Príncipes seus descendentes, com as suas esposas legítimas.
Havia boatos de que o Príncipe tinha se casado secretamente com D.
Inês. Na Família Real um incidente deste tipo assumia graves implicações
políticas. Sentindo-se ameaçados pelos irmãos Castro, os fidalgos da
corte portuguesa pressionavam o rei D. Afonso IV para afastar esta
influência do seu herdeiro. O rei D. Afonso IV decidiu que a melhor
solução seria matar a dama galega. Na tentativa de saber a verdade o Rei
ordenou a dois conselheiros seus que dissessem a D. Pedro que ele
podia se casar livremente com D. Inês se assim o pretendesse. D. Pedro
percebeu que se tratava de uma cilada e respondeu que não pensava
casar-se nunca com D.ª Inês.
A 7 de janeiro de 1355, o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e aproveitando a ausência de D. Pedro, numa excursão de caça, foi com Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e outros para executarem Inês de Castro em Santa Clara, conforme fora decidido em conselho. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.
A morte de D. Inês provocou a revolta de D. Pedro contra D. Afonso IV. Após meses de conflito, a Rainha D. Beatriz conseguiu intervir e fez selar a paz, em agosto de 1355.
D. Pedro tornou-se no oitavo rei de Portugal como D. Pedro I em 1357. Em junho de 1360 fez a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos de Inês ao afirmar que se tinha casado, secretamente, com ela em 1354, em Bragança, «em dia que não se lembrava». A palavra do rei, do seu capelão e de um seu criado foram as provas necessárias para legalizar esse casamento.
De seguida perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados em Santarém (segundo a lenda o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França e, posteriormente, seria perdoado pelo Rei, no seu leito de morte.
D. Pedro mandou construir os dois esplêndidos túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça, para onde trasladou o corpo da sua amada Inês, em 1361 ou 1362. Juntar-se-ia a ela em 1367.
A posição primeira dos túmulos foi lado a lado, de pés virados a
nascente, em frente da primeira capela do transepto sul, então dedicada a
São Bento. Na década de 80 do século XVIII os túmulos foram mudados
para o recém construído panteão real, onde foram colocados frente a
frente. Em 1956 foram mudados para a sua atual posição, D. Pedro no
transepto sul e D. Inês no transepto norte, frente a frente. Quando os
túmulos, no século XVIII, foram colocados frente a frente, apareceu a
lenda que assim estavam para que D. Pedro e D. Inês «possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final».
A tétrica cerimónia da coroação e do beija mão à Rainha D. Inês, já
morta, que D. Pedro pretensamente teria imposto à sua corte e que
tornar-se-ia numa das imagens mais vívidas no imaginário popular, terá
sido inserida pela primeira vez nas narrativas espanholas do final do século XVI.
Corpos feitos de pedra - para sempre aqui nesta nave de gelo e de sombra, no incandescente sono a que chamamos eternidade. Quem desperta o teu rosto? Quem move as tuas mãos no gesto com que iludes a distância dos vivos? Não sabemos morrer e repetimos hoje o mesmo abraço fiel à órbita dos astros e a esta certeza de que fomos e somos e seremos um do outro. É assim o amor - uma palavra sonâmbula, uma bênção que os séculos não apagam sob as pequenas asas de alguns anjos guardando e protegendo o nosso imenso segredo. Corpos feitos de pedra - ainda e sempre aqui até ao fim do mundo, até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Eduardo tornou-se rei com a morte do seu pai, no início de 1936, e
mostrava-se impaciente com os protocolos da corte; a sua aparente
indiferença para com as convenções constitucionais estabelecidas
preocupava os políticos. Com poucos meses de reinado, causou uma crise
constitucional ao propor casamento à socialite americana Wallis Simpson, divorciada do primeiro marido e em vias de se divorciar do segundo. Os primeiros-ministros do Reino Unido e dos Domínios
eram contrários ao casamento, argumentando que o povo nunca aceitaria
uma mulher divorciada com dois ex-maridos vivos como rainha. Além disso,
tal casamento entraria em conflito com o status de Eduardo como Governador Supremo da Igreja de Inglaterra,
que proibia o casamento de pessoas divorciadas enquanto os seus
ex-cônjuges ainda estivessem vivos. Eduardo sabia que o governo liderado
pelo primeiro-ministro britânicoStanley Baldwin renunciaria se os planos de casamento fossem em frente, o que poderia arrastar o rei para uma eleição geral e arruinar o seu status de monarca constitucional politicamente neutro. Optando por não encerrar o seu relacionamento com Wallis Simpson, Eduardo acabou por abdicar, tendo-lhe sucedido o seu irmão mais novo, Alberto, que escolheu o nome de reinado de Jorge VI. Ocupando o trono por apenas 326 dias, Eduardo foi um dos monarcas com o reinado mais curto em toda a história britânica e da Commonwealth - e nunca foi coroado.
Após a sua abdicação, foi-lhe concedido o título de duque de Windsor.
Casou-se com Wallis Simpson na França, a 3 de junho de 1937, após a
confirmação do seu segundo divórcio. Nesse mesmo ano, o casal visitou a Alemanha. Durante a II Guerra Mundial, ele serviu inicialmente na missão militar britânica na França, mas, após acusações de que nutria simpatias pelos nazis, foi designado governador das Bahamas. Com o final da guerra nunca mais desempenhou outra função oficial, passando o resto de sua vida retirado na França.
Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (Veinte poemas de amor y una canción desesperada) é um livro de poesia de Pablo Neruda, onde se cruza o erotismo da poesia que celebra o corpo da mulher,
com o gosto que Neruda tinha pela natureza. Nestes poemas, é frequente
que os dois planos se cruzem, havendo uma certa identificação entre o
corpo feminino e o mundo natural (as paisagens, a terra...).
Neruda escreveu o livro destes poemas quando tinha cerca de vinte anos,
mas são alguns dos mais conhecidos da sua obra. O livro foi publicado
em 15 de junho de 1924.
Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte como eras entonces cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo solo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924) - Pablo Neruda
Nota: para os não entendem muito bem a língua de Cervantes, a brilhante tradução do poeta Fernando Assis Pacheco:
Poema 14 (Brincas todos os dias)
Brincas todos os dias com a luz do universo. Subtil visitadora, chegas na flor e na água. És mais do que a pequena cabeça branca que aperto como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo. Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas. Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas do sul? Ah deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada. O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios. Aqui vêm soprar todos os ventos, todos. Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros. O vento. O vento. Eu só posso lutar contra a força dos homens. O temporal amontoa folhas escuras e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges. Tu responder-me-ás até ao último grito. Enrola-te a meu lado como se tivesses medo. Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.
Agora, agora também, pequena, trazes-me madressilva, e tens até os seios perfumados. Enquanto o vento triste galopa matando borboletas eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
O que te haverá doído acostumares-te a mim, à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos escorraçam. Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos os olhos e sobre as nossas cabeças destorcerem-se os crepúsculos em leques rodopiantes. As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te. Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno. Creio-te mesmo dona do universo. Vou trazer-te das montanhas flores alegres, «copihues», avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos. Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras.
O Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa
entre casais sendo comum a troca de cartões e presentes com simbolismo
de mesmo intuito, tais como as tradicionais caixas de bombons. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho. Em Portugal também acontecia o mesmo até há poucos anos, mas atualmente é mais comum a data ser celebrada a 14 de fevereiro.
Origem
A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.
O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.
Além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente,
apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim
foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe
enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.
Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se
apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente,
devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem
de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu
Valentim”.
Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera de Lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimónio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade,
em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as
mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.
Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine's Day. E, na Idade Média,
dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento
dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião
para deixar mensagens de amor na soleira da porta do(a) amado(a).
Atualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados
de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a
silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos
deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.
Estima-se que, mundo fora, aproximadamente mil milhões de cartões com mensagens românticas são enviados a
cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se
estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes
no Brasil.
O dia de São Valentim era até há algumas décadas uma festa comemorada
principalmente em países anglo-saxões, mas, ao longo do século XX, o
hábito estendeu-se a muitos outros países.
Corpos feitos de pedra - para sempre aqui nesta nave de gelo e de sombra, no incandescente sono a que chamamos eternidade. Quem desperta o teu rosto? Quem move as tuas mãos no gesto com que iludes a distância dos vivos? Não sabemos morrer e repetimos hoje o mesmo abraço fiel à órbita dos astros e a esta certeza de que fomos e somos e seremos um do outro. É assim o amor - uma palavra sonâmbula, uma bênção que os séculos não apagam sob as pequenas asas de alguns anjos guardando e protegendo o nosso imenso segredo. Corpos feitos de pedra - ainda e sempre aqui até ao fim do mundo, até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Coroação póstuma de Inês de Castro - pintura de Pierre-Charles Comte (1849)
Morte
Depois de alguns anos no Norte de Portugal, Pedro e Inês tinham regressado a Coimbra e instalaram-se no Paço de Santa Clara. Mandado construir pela avó de D. Pedro, a Rainha Santa Isabel,
foi neste Paço que esta Rainha vivera os últimos anos, deixando
expresso o desejo que se tornasse na habitação exclusiva de Reis e
Príncipes seus descendentes, com as suas esposas legítimas.
Havia boatos de que o Príncipe tinha se casado secretamente com D.
Inês. Na Família Real um incidente deste tipo assumia graves implicações
políticas. Sentindo-se ameaçados pelos irmãos Castro, os fidalgos da
corte portuguesa pressionavam o rei D. Afonso IV para afastar esta
influência do seu herdeiro. O rei D. Afonso IV decidiu que a melhor
solução seria matar a dama galega. Na tentativa de saber a verdade o Rei
ordenou a dois conselheiros seus que dissessem a D. Pedro que ele
podia se casar livremente com D. Inês se assim o pretendesse. D. Pedro
percebeu que se tratava de uma cilada e respondeu que não pensava
casar-se nunca com D.ª Inês.
A 7 de janeiro de 1355, o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e aproveitando a ausência de D. Pedro, numa excursão de caça, foi com Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e outros para executarem Inês de Castro em Santa Clara, conforme fora decidido em conselho. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.
A morte de D. Inês provocou a revolta de D. Pedro contra D. Afonso IV. Após meses de conflito, a Rainha D. Beatriz conseguiu intervir e fez selar a paz, em agosto de 1355.
D. Pedro tornou-se no oitavo rei de Portugal como D. Pedro I em 1357. Em junho de 1360 fez a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos de Inês ao afirmar que se tinha casado, secretamente, com ela em 1354, em Bragança, «em dia que não se lembrava». A palavra do rei, do seu capelão e de um seu criado foram as provas necessárias para legalizar esse casamento.
De seguida perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados em Santarém (segundo a lenda o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França e, posteriormente, seria perdoado pelo Rei, no seu leito de morte.
D. Pedro mandou construir os dois esplêndidos túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça, para onde trasladou o corpo da sua amada Inês, em 1361 ou 1362. Juntar-se-ia a ela em 1367.
A posição primeira dos túmulos foi lado a lado, de pés virados a
nascente, em frente da primeira capela do transepto sul, então dedicada a
São Bento. Na década de 80 do século XVIII os túmulos foram mudados
para o recém construído panteão real, onde foram colocados frente a
frente. Em 1956 foram mudados para a sua atual posição, D. Pedro no
transepto sul e D. Inês no transepto norte, frente a frente. Quando os
túmulos, no século XVIII, foram colocados frente a frente, apareceu a
lenda que assim estavam para que D. Pedro e D. Inês «possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final».
A tétrica cerimónia da coroação e do beija mão à Rainha D. Inês, já
morta, que D. Pedro pretensamente teria imposto à sua corte e que
tornar-se-ia numa das imagens mais vívidas no imaginário popular, terá
sido inserida pela primeira vez nas narrativas espanholas do final do século XVI.
Corpos feitos de pedra - para sempre aqui nesta nave de gelo e de sombra, no incandescente sono a que chamamos eternidade. Quem desperta o teu rosto? Quem move as tuas mãos no gesto com que iludes a distância dos vivos? Não sabemos morrer e repetimos hoje o mesmo abraço fiel à órbita dos astros e a esta certeza de que fomos e somos e seremos um do outro. É assim o amor - uma palavra sonâmbula, uma bênção que os séculos não apagam sob as pequenas asas de alguns anjos guardando e protegendo o nosso imenso segredo. Corpos feitos de pedra - ainda e sempre aqui até ao fim do mundo, até ao fim.
in Pena Suspensa (2004) - Fernando Pinto do Amaral
Eduardo tornou-se rei com a morte do seu pai, no início de 1936, e
mostrava-se impaciente com os protocolos da corte; a sua aparente
indiferença para com as convenções constitucionais estabelecidas
preocupava os políticos. Com poucos meses de reinado, causou uma crise
constitucional ao propor casamento à socialite americana Wallis Simpson, divorciada do primeiro marido e em vias de se divorciar do segundo. Os primeiros-ministros do Reino Unido e dos Domínios
eram contrários ao casamento, argumentando que o povo nunca aceitaria
uma mulher divorciada com dois ex-maridos vivos como rainha. Além disso,
tal casamento entraria em conflito com o status de Eduardo como Governador Supremo da Igreja de Inglaterra,
que proibia o casamento de pessoas divorciadas enquanto os seus
ex-cônjuges ainda estivessem vivos. Eduardo sabia que o governo liderado
pelo primeiro-ministro britânicoStanley Baldwin renunciaria se os planos de casamento fossem em frente, o que poderia arrastar o rei para uma eleição geral e arruinar o seu status de monarca constitucional politicamente neutro. Optando por não encerrar o seu relacionamento com Wallis Simpson, Eduardo acabou por abdicar, tendo-lhe sucedido o seu irmão mais novo, Alberto, que escolheu o nome de reinado de Jorge VI. Ocupando o trono por apenas 326 dias, Eduardo foi um dos monarcas com o reinado mais curto em toda a história britânica e da Commonwealth - e nunca foi coroado.
Após a sua abdicação, foi-lhe concedido o título de duque de Windsor.
Casou-se com Wallis Simpson na França, a 3 de junho de 1937, após a
confirmação do seu segundo divórcio. Nesse mesmo ano, o casal visitou a Alemanha. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele serviu inicialmente na missão militar britânica na França, mas, após acusações de que nutria simpatias pelos nazis, foi designado governador das Bahamas. Com o final da guerra nunca mais desempenhou outra função oficial, passando o resto de sua vida retirado na França.
Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (Veinte poemas de amor y una canción desesperada) é um livro de poesia de Pablo Neruda, onde se cruza o erotismo da poesia que celebra o corpo da mulher,
com o gosto que Neruda tinha pela natureza. Nestes poemas, é frequente
que os dois planos se cruzem, havendo uma certa identificação entre o
corpo feminino e o mundo natural (as paisagens, a terra...).
Neruda escreveu o livro destes poemas quando tinha cerca de vinte anos,
mas são alguns dos mais conhecidos da sua obra. O livro foi publicado
em 15 de junho de 1924.
Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte como eras entonces cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo solo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
in Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924) - Pablo Neruda
Nota: para os não entendem muito bem a língua de Cervantes, a brilhante tradução do poeta Fernando Assis Pacheco:
Poema 14 (Brincas todos os dias)
Brincas todos os dias com a luz do universo. Subtil visitadora, chegas na flor e na água. És mais do que a pequena cabeça branca que aperto como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo. Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas. Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas do sul? Ah deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada. O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios. Aqui vêm soprar todos os ventos, todos. Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros. O vento. O vento. Eu só posso lutar contra a força dos homens. O temporal amontoa folhas escuras e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges. Tu responder-me-ás até ao último grito. Enrola-te a meu lado como se tivesses medo. Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.
Agora, agora também, pequena, trazes-me madressilva, e tens até os seios perfumados. Enquanto o vento triste galopa matando borboletas eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
O que te haverá doído acostumares-te a mim, à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos escorraçam. Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos os olhos e sobre as nossas cabeças destorcerem-se os crepúsculos em leques rodopiantes. As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te. Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno. Creio-te mesmo dona do universo. Vou trazer-te das montanhas flores alegres, «copihues», avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos. Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras.
O Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa
entre casais sendo comum a troca de cartões e presentes com simbolismo
de mesmo intuito, tais como as tradicionais caixas de bombons. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho. Em Portugal também acontecia o mesmo até há poucos anos, mas atualmente é mais comum a data ser celebrada a 14 de fevereiro.
Origem
A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.
O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.
Além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente,
apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim
foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe
enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.
Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se
apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente,
devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem
de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu
Valentim”.
Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera de Lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimónio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade,
em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as
mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.
Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine's Day. E, na Idade Média,
dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento
dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião
para deixar mensagens de amor na soleira da porta do(a) amado(a).
Atualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados
de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a
silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos
deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.
Estima-se que, mundo fora, aproximadamente mil milhões de cartões com mensagens românticas são enviados a
cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se
estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes
no Brasil.
O dia de São Valentim era até há algumas décadas uma festa comemorada
principalmente em países anglo-saxões, mas, ao longo do século XX, o
hábito estendeu-se a muitos outros países.