(...)
Em
1919, aos dezoito anos de idade, Cecília Meireles publicou seu primeiro livro de poesias,
Espectro, um conjunto de
sonetos simbolistas. Embora vivesse sob a influência do
Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do
Classicismo,
Gongorismo,
Romantismo,
Parnasianismo,
Realismo e
Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.
Teve ainda importante atuação como
jornalista, com publicações diárias sobre problemas na
educação, área à qual se manteve ligada, tendo fundado, em
1934, a primeira
biblioteca infantil do Brasil. Observa-se ainda seu amplo reconhecimento na poesia infantil com textos como
Leilão de Jardim,
O Cavalinho Branco,
Colar de Carolina,
O mosquito escreve,
Sonhos da menina,
O menino azul e
A pombinha da mata, entre outros. Com eles traz para a poesia infantil a musicalidade característica de sua poesia, explorando versos regulares, a combinação de diferentes metros, o verso livre, a
aliteração, a
assonância e a
rima. Os poemas infantis não ficam restritos à leitura infantil, permitindo diferentes níveis de leitura.
Nos
Açores, de onde eram oriundos os seus pais, o nome de Cecília Meireles foi dado à escola básica da freguesia de
Fajã de Cima, concelho de
Ponta Delgada.
Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão ,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e não guardo o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meireles
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