Frei
Maximiliano Kolbe, desnudo, esquelético como um crucifixo românico,
estava ainda sentado na posição dos últimos três dias, com a cabeça
levemente inclinada para a esquerda, a suavidade dum sorriso nos lábios,
os braços abandonados sobre o corpo, as costas apoiadas na parede do
fundo. Diante dele, três corpos descarnados pela fome e pela sede,
estendidos no chão sem sentidos, mas ainda vivos. O Dr. Boch moveu-se,
frio, impassível, em direção dos quatro últimos sobreviventes da longa
agonia de vinte e um dias. Pôs um joelho ao chão, amarrou o
laço hemostático
no braço esquerdo do primeiro, enfiou a agulha na veia, desfez o laço e
comprimiu o êmbolo. Repetiu, depois, a mesma operação nos outros dois
que jaziam ao solo, e cada vez, antes mesmo que a agulha fosse extraída
da veia, o
ácido fênico
injetado já havia cumprido sua obra. A imobilidade da morte o
testemunhava. Agora era a vez de Maximiliano Kolbe. O carrasco de
uniforme branco levantou-se e dirigiu-se até ele. Então frei
Kolbe - contara Bruno Borgoviec - com uma prece aos lábios ofereceu, ele
mesmo, o seu braço ao
algoz.
Eu não pude mais resistir, os meus olhos não quiseram mais ver e,
murmurando um pretexto - que devia trabalhar no escritório - fugi ... »
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