As causas e origens da conquista de Ceuta não são hoje suficientemente claras: uma das razões, a
Causa Bélica, teria sido a oportunidade dos infantes (
D. Duarte,
D. Pedro e
D. Henrique) serem armados
cavaleiros por um feito de guerra. Outra, a
Causa Religiosa, defendida por historiadores como
Joaquim Bensaúde (1859-1951), viram na figura do infante D. Henrique um símbolo do espírito de
cruzada, defendendo ter havido na génese da expansão um zelo religioso; outra, a
Causa Política, talvez a ameaça castelhana constante sobre a cidade, defendida por historiadores como
Jaime Cortesão (1884-1960), que realçava o desejo da antecipação a
Castela na expansão para o norte de África. Estes motivos não são incompatíveis com a
Causa Económica, defendida por
António Sérgio (1883-1969) e, mais recentemente,
Vitorino Magalhães Godinho: Ceuta era uma cidade rica e teriam sido levados pela
burguesia comercial, que queria canalizar para
Lisboa o tráfego do
Mediterrâneo ocidental feito por aquela cidade. Para se informar de todos os pormenores da cidade, D. João I enviou à
Sicília dois embaixadores com o pretexto de pedirem a mão da rainha para o infante D. Pedro; estes na passagem colheram todas as informações sobre Ceuta.
Manter a cidade constituía-se em um problema
logístico: era necessário enviar suprimentos, armas e munições; a maior parte dos soldados era recrutada à força, recorrendo-se a condenados e criminosos a quem o rei comutava a pena desde que fossem para Ceuta e ainda recompensar generosamente os nobres que ocupavam postos de chefia. Julgaram consegui-lo, quando do desastre português de
Tânger, pedindo como resgate do infante de D. Fernando a cidade de Ceuta. Mas D. Fernando faleceu no cativeiro e a cidade continuou portuguesa (
1443).
Ceuta teve que se aguentar sozinha, durante 43 anos, até que a posição da cidade ser consolidada com a tomada de
Alcácer Seguer (1458),
Arzila e Tânger (1471).
A cidade foi reconhecida como possessão portuguesa pelo
Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo
Tratado de Tordesilhas (1494).
Quando da
Dinastia Filipina, Ceuta manteve a administração portuguesa do
Reino de Portugal, assim como
Tânger e
Mazagão. Todavia, quando da
Restauração Portuguesa, não aclamou o
Duque de Bragança, como rei de Portugal, mantendo-se espanhola. A situação foi oficializada em
1668 com a assinatura do
Tratado de Lisboa entre os dois países, e que pôs fim à
guerra da Restauração.
Bandeira atual da Cidade de Ceuta
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