(...)
Primeira tentativa de golpe de estado
A primeira tentativa de golpe resultou de uma aliança entre o
Patria y Libertad
e militares chilenos, quando essa organização se aliou a um setor do
exército que ocupava altos postos através do Chile, num projeto -
fracassado - que pretendia tomar de assalto o
Palácio de La Moneda e derrubar o governo. A operação ficou conhecida como
El Tanquetazo e foi realizada em 29 de junho de 1973. A inteligência do exército, então comandado pelo general constitucionalista
Carlos Prats, detectou a tentativa de golpe e ele teve que ser abortado, não sem antes alguns tanques terem saído às ruas e se dirigido a
La Moneda.
Estado de sítio
Logo após ter debelado
El Tanquetazo, ainda envergando capacete e uniforme de combate, o Comandante em Chefe das Forças Armadas chilenas, o general
Carlos Prats, dirigiu-se pessoalmente a Allende para dizer que era imperiosa a instauração imediata do
estado de sítio
no Chile, sem o que ele considerava ser impossível às forças armadas
sufocar os atentados terroristas de direita e de esquerda, que já se
multiplicavam, e assegurar a ordem constitucional no Chile. Em 2 de
junho de 1973 a requisição de
Allende, solicitando a instauração do
estado de sítio, fora negada pelo Congresso Nacional, por 51 votos a 82.
O
Povo, revoltado, clamava em uníssono nas ruas de
Santiago do Chile pelo fechamento do Congresso Nacional, aos gritos de:
"a cerrar, a cerrar, el Congresso Nacional…". Diante disso, Allende fez um discurso, no qual chegou até a ser vaiado pela multidão:
 |
Faremos as mudanças revolucionárias em pluralismo, democracia e
liberdade. Mas isso não significa, tolerância com antidemocratas, nem
tolerância com os subversivos, nem tolerância com os fascistas,
camaradas! Mas vocês devem entender qual é a real posição deste governo.
Não vou, porque seria absurdo, fechar o Congresso. Não o farei. Já
disse eu repito. Mas caso necessário, enviarei um projeto de lei de
plebiscito para que o povo resolva esta questão. |

— Salvador Allende
|
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- O cerco se fecha
- Em setembro o cerco se fechou. O general Prats, de fortes tendências constitucionalistas, e que se recusava a participar de qualquer golpe militar,
desacatado publicamente por uma manifestação de esposas de oficiais
golpistas diante de sua residência, se viu obrigado a renunciar ao seu
posto de Comandante em Chefe das Forças Armadas, e, em 11 de setembro, o
seu sucessor, o general Pinochet,
um antigo homem de confiança de Allende, terminou com o que restava da
democracia chilena, encerrando com sua ditadura o chamado período
presidencialista do Chile (1925-1973). O general Prats foi assassinado pela DINA - a polícia secreta pinochetista - no seu exílio em Buenos Aires, num atentado à bomba.
Morte de Salvador Allende
Havia duas versões aceitas sobre a morte de Allende: uma era que ele se
suicidara no
Palácio de La Moneda, cercado por tropas do exército, com a
arma que lhe fora dada por
Fidel Castro; a outra versão é que ele fora assassinado pelas tropas invasoras. A sua sobrinha
Isabel Allende Llona era uma das que acreditam que seu tio fora
assassinado. A filha do Presidente, a deputada Isabel Allende, declarou que a versão do suicídio era a correta.
Allende foi inicialmente enterrado numa cova comum, num caixão com as iniciais "NN". Com o
terminus da
ditadura de
Pinochet, Allende teve um funeral com honras militares, em
1990, no Cemitério Geral de Santiago.
Os restos mortais do ex-presidente do Chile Salvador Allende foram exumados a
23 de maio de
2011
para determinar a causa da morte. A exumação foi ordenada pelo juiz
Mário Carroza, na sequência de um pedido feito em representação dos
familiares pela senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente chileno,
para determinar com "certeza jurídica as causas da sua morte". No dia
19 de julho
de 2011, a perícia realizada nos restos mortais do ex-presidente
confirmou que sua morte fora ocasionada "por ferimento de projétil" e de
"forma corresponde a suicídio".
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