Dos botes, os passageiros assistem às sombras do navio afundado para
sempre no meio de milhares de gritos de pavor e pânico. Mais de 1.500
pessoas estavam agora lançadas à água congelante. Após a popa
desaparecer, alguns segundos de silêncio são seguidos por uma fina névoa
branca acinzentada sobre o local do naufrágio. Esta névoa foi provocada
pela fuligem do carvão e pelo vapor que ainda havia no interior do
navio. O silêncio que parecia imenso deu lugar a uma infinita gritaria
por pedidos de socorro. Os que não morreram durante o naufrágio agora
lutavam para se manter vivos nas águas, tentando agarrar qualquer coisa
que boiasse. Aos passageiros dos botes não restava nada a fazer a não
ser esperar passivamente por socorro. Mas um bote não se limitou
esperar. O bote número 14 comandado pelo Quinto Oficial Harold Lowe
aproximou-se de outro, transferiu os seus passageiros e retornou ao
local do naufrágio para recolher alguns possíveis sobreviventes.
Praticamente todos já haviam morrido de
hipotermia. Apenas 6 pessoas foram resgatadas ainda com vida.
Às
04.10 horas de 15 de abril de 1912, o navio
Carpathia
resgata o primeiro bote salva-vidas. No local, apenas duas dezenas de
botes flutuando dispersos entre os destroços. Assim que os primeiros
raios de Sol surgiram no horizonte, outros navios começaram a chegar na
área do naufrágio. Entre eles, o
Californian. Mas nada mais havia a fazer a não ser resgatar os corpos que boiavam.
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