quinta-feira, setembro 03, 2026
São Gregório Magno foi eleito Papa há 1436 anos
Postado por Fernando Martins às 14:36 0 comentários
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terça-feira, junho 09, 2026
Porque um Poeta nunca morre, se ainda nos tocar o coração...
Vimos a pedra vazia no interior da terra
Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava
Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer
in Dos Líquidos (2000) - Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 22:22 0 comentários
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Fazes-nos tanta falta, Daniel Faria...
Pedra de Sisifo II
Agora medirei o tempo
Pela vara erguida ao meio-dia
Pela areia a descer o coração
E o sono
Pela cinza no cabelo de Jacob
Pelas agulhas no colo de Penélope
Agora lavarei a minha face
Sem perturbar os círculos da água
Medirei o tempo pelo peso da pedra
De Sísifo, perto do cimo
E pelo musgo que dificulta
A firmeza dos seus pés
Partirei sozinho na viagem
Sem nenhuma pedra ou senda repetida
E no tempo repetido acharei uma saída
Uma manhã depois de uma manhã
Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 02:07 0 comentários
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O poeta Daniel Faria deixou-nos há vinte e sete anos...
Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem
Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas
Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas
Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar
Daniel Faria
Postado por Fernando Martins às 00:27 0 comentários
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sexta-feira, abril 10, 2026
Para recordar um Monge, um Místico e um Poeta...

(imagem daqui)
EXPLICAÇÃO DO POETA
Pousa devagar a enxada sobre o ombro
Já cavou muito silêncio
Como punhal brilha em suas costas
A lâmina contra o cansaço
Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 10:01 0 comentários
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Hoje é dia de recordar um Poeta...
Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.
in Explicação das Árvores e de Outros Animais (1998) - Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 05:50 0 comentários
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Daniel Faria nasceu há cinquenta e cinco anos...
AS MANHÃS
Das manhãs
apenas levarei a tua voz
Despovoada
Sem promessas
sem barcos
E sem casas
Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas
Da tua voz
levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas
As pedras
As nuvens
O teu canto
Levarei manhãs
E madrugadas
Daniel Faria
Postado por Fernando Martins às 00:55 0 comentários
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Poema para recordar um poeta-monge...

(imagem daqui)
Conserto a palavra
Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a
Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em enxame
Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome
Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela
E ilumino-a
Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 00:05 0 comentários
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sábado, março 21, 2026
São Bento de Núrsia, padroeiro da Europa, morreu há 1479 anos
Postado por Fernando Martins às 01:47 0 comentários
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quarta-feira, setembro 03, 2025
São Gregório Magno foi eleito Papa há 1435 anos
Postado por Fernando Martins às 14:35 0 comentários
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segunda-feira, junho 09, 2025
Porque, enquanto é recordado, um Poeta nunca morre...
Vimos a pedra vazia no interior da terra
Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava
Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer
in Dos Líquidos (2000) - Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 11:11 0 comentários
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Hoje é dia de ler Poesia...
Pedra de Sisifo II
Agora medirei o tempo
Pela vara erguida ao meio-dia
Pela areia a descer o coração
E o sono
Pela cinza no cabelo de Jacob
Pelas agulhas no colo de Penélope
Agora lavarei a minha face
Sem perturbar os círculos da água
Medirei o tempo pelo peso da pedra
De Sísifo, perto do cimo
E pelo musgo que dificulta
A firmeza dos seus pés
Partirei sozinho na viagem
Sem nenhuma pedra ou senda repetida
E no tempo repetido acharei uma saída
Uma manhã depois de uma manhã
Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 09:06 0 comentários
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Daniel Faria partiu há vinte e seis anos...
Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem
Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas
Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas
Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar
Daniel Faria
Postado por Fernando Martins às 00:26 0 comentários
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quinta-feira, abril 10, 2025
Hoje é dia de recordar Daniel Faria...
Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.
in Explicação das Árvores e de Outros Animais (1998) - Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 05:40 0 comentários
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Daniel Faria nasceu há cinquenta e quatro anos...
O homem lança a rede e não divide a água
O homem lança a rede e não divide a água
O pobre estende a mão e não divide o reino
É tempo de colheitas e não tenho uma seara
Nem um pequeno rebento de oliveira
in Explicação das Árvores e de Outros Animais (1998) - Daniel Faria
Postado por Fernando Martins às 00:54 0 comentários
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sexta-feira, março 21, 2025
Bento de Núrsia, o padroeiro da Europa, morreu há 1478 anos
Postado por Fernando Martins às 00:14 0 comentários
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domingo, junho 09, 2024
Porque um Poeta nunca morre - enquanto é recordado...
Vimos a pedra vazia no interior da terra
Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava
Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer
in Dos Líquidos (2000) - Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 02:50 0 comentários
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Daniel Faria morreu há vinte e cinco anos...
Queimarás o monte, o filho, a lenha
A morte, as areias, a viagem
O deserto, a túnica, as estrelas
Nunca será bastante o incêndio
in Dos Líquidos (2000) - Daniel Faria
Postado por Fernando Martins às 00:25 0 comentários
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quarta-feira, abril 10, 2024
Hoje é dia de recordar a poesia de Daniel Faria...
Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.
in Explicação das Árvores e de Outros Animais (1998) - Daniel Faria
Postado por Pedro Luna às 05:30 0 comentários
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O poeta Daniel Faria nasceu há cinquenta e três anos...
Vimos a pedra vazia no interior da terra
Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava
Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer
in Dos Líquidos (2000) - Daniel Faria
Postado por Fernando Martins às 00:53 0 comentários
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