Alguns historiadores consideram-no o iniciador do
ciclo dos Castros, pois as suas trovas referentes à morte de
Inês de Castro são o mais antigo documento poético conhecido versando sobre o assunto. Escreveu a
Miscelânea em
redondilhas, curiosa anotação de personagens e de acontecimentos, nacionais e
europeus. Mas o que o tornou conhecido foi o
Cancioneiro Geral, publicado em 1516, que reuniu as composições poéticas produzidas nas cortes de
D. Afonso V (1438-81), D. João II e D. Manuel I, tendo-lhe redigido um prólogo dedicado ao
príncipe D. João e composto as quarenta e oito
trovas com que encerra a obra.
À Janela de Garcia de Resende
Janela antiga sobre a rua plana…
Ilumina-a o luar com seu clarão…
Dantes, a descansar de luta insana,
Fui, talvez, flor no poético balcão…
Dantes! Da minha glória altiva e ufana,
Talvez… Quem sabe?… Tonto de ilusão,
Meu rude coração de alentejana
Me palpitasse ao luar nesse balcão…
Mística dona, em outras Primaveras,
Em refulgentes horas de outras eras,
Vi passar o cortejo ao sol doirado…
Bandeiras! Pajens! O pendão real!
E na tua mão, vermelha, triunfal,
Minha divisa: um coração chagado!…
in Reliquiae (1934) - Florbela Espanca
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