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domingo, outubro 11, 2026

Os bichos estranhos que os paleontólogos descobrem...

 Era um mamífero? Era um ornitorrinco? Era uma quimera do tempo dos dinossauros

 

Conceito artístico do Megacauda sungei, semelhante ao ornitorrinco, do período Jurássico

 

Um estranho parente dos mamíferos, semelhante a um ornitorrinco, viveu na China ao lado dos dinossauros, há 168 milhões de anos.

Um animal predador, parecido com um mamífero, do Jurássico parece ter características de ornitorrinco e de lontra.

Uma criatura recém-descoberta, semelhante a um ornitorrinco, é o maior parente dos mamíferos conhecido de todo o período Jurássico, conclui um novo estudo. Mesmo assim, não pesava mais do que um chihuahua.

O bicho, que caçava salamandras nos lagos e rios de água doce do que é hoje a Mongólia Interior, na China, viveu em meados do Jurássico, entre há 168 milhões e 163 milhões de anos. 

Parece ser o mais antigo animal do tipo mamífero que se conhece com uma vida semiaquática.

Os investigadores desenterraram o fóssil, delicado e pormenorizado, em 2016. Mostrou que o animal pesaria cerca de 1 a 2 quilos. Era grande para um parente dos mamíferos no Jurássico, mas o nome, Megacauda sungei, foi inspirado na cauda: megacauda significa “cauda grande”.

A descoberta foi descrita num artigo publicado na quarta-feira na revista Nature.

O predador peludo combinava características de animais atuais: uma cauda larga e achatada, que o marca como um bom nadador, e patas traseiras curtas com pés relativamente compridos.

“Parece uma quimera”, disse à Live Science Zhe-Xi Luo, paleontólogo da University of Chicago e coautor do estudo. “A metade de trás deste animal é muito parecida com a de um ornitorrinco. Tal como os membros, que seriam capazes de nadar ou de escavar túneis nas margens dos rios.”

Mas os dentes “não são nada como os de um ornitorrinco”, afirmou Luo. Tinha caninos robustos e dentes laterais cortantes, que trinchavam e mastigavam a carne de forma diferente da dos mamíferos carnívoros atuais. “É um predador com caninos gigantescos e muito especializados”, disse Luo. “Por isso, é em parte como uma lontra e em parte como um ornitorrinco.”

 

Um fóssil revelador

Pequenos fragmentos de ossos de vertebrados encontrados no que teria sido o estômago do animal, e nas camadas de fóssil em redor, sugerem que o M. sungei comia salamandras, disse Luo.

Acrescentou que o M. sungei talvez se abrigasse em tocas em terra, num clima temperado e cheio de vegetação, e que caçava peixes e invertebrados nos lagos e rios.

Outro aspeto notável do fóssil é a garganta. Os mamíferos atuais, incluindo os humanos, têm na garganta ossos hioides dispostos numa sela em forma de “U”. Ajudam-nos a usar os músculos da garganta para engolir a comida mastigada aos poucos, em vez de abocanhar grandes dentadas ou presas inteiras. Estas estruturas permitem também que as crias mamem o leite da mãe.

O M. sungei parece ter tido o aparelho necessário para isto, diz Thomas Martin, paleontólogo da University of Bonn, na Alemanha, e coautor do estudo.

“Trata-se de uma inovação evolutiva extremamente importante”, disse Luo, acrescentando que esta capacidade foi uma das coisas que ajudaram os primeiros mamíferos a diversificar-se em carnívoros, insetívoros, herbívoros ou omnívoros, para aproveitarem todo o tipo de alimentos.

Encontrá-lo no M. sungei sugere que o aparelho necessário para mamar e engolir já tinha evoluído no Jurássico Médio (há cerca de 174 milhões a 164 milhões de anos).

Isto é anterior ao momento em que se julga que os marsupiais, como os cangurus, e os mamíferos placentários, como os primatas e os ursos, se separaram uns dos outros, há 160 milhões de anos. Descendiam de um antepassado comum que punha ovos e que viveu há cerca de 180 milhões de anos.

“Agora recuamos essa história para antes da separação entre os marsupiais modernos e os mamíferos eutérios [placentários] modernos”, conclui Luo.

 

in ZAP 

quarta-feira, fevereiro 28, 2024

Desextinguir animais será boa ideia...?

Descobertos os segredos que podem trazer de volta o extinto Tigre da Tasmânia

 

 

Tigre da Tasmânia, no Jardim Zoológico de Hobart, em 1933

 

Os cientistas descobriram segredos de RNA que os deixaram mais perto da recriação do Tigre da Tasmânia, extinto há quase 90 anos.

Pela primeira vez, investigadores conseguiram extrair RNA de um animal extinto, o Tigre da Tasmânia ou Tilacino.

Esta descoberta pode abrir caminho para uma compreensão mais profunda da espécie, extinta há quase de 90 anos.

Os Tilacinos, vulgarmente referidos como Tigres da Tasmânia eram marsupiais carnívoros nativos da Austrália, Tasmânia e Nova Guiné.

A extinção deste animal foi, fundamentalmente, consequência de fatores como a caça intensiva, doenças e alterações climáticas.

O último Tilacino conhecido morreu no Jardim Zoológico em Hobart, na Tasmânia, em 1936. No entanto, a espécie foi oficialmente declarada extinta apenas em 1982.

 

 

Descoberta pioneira

Emilio Mármol Sánchez e a sua equipa da Universidade de Estocolmo conseguiram agora extrair e analisar RNA de um exemplar de Tilacino, conservado no Museu Sueco de História Natural durante 130 anos.

Antes disto, a extração de RNA era “exclusiva” a seres vivos e a algumas plantas antigas. Os especialistas acreditavam que a recuperação de RNA de uma espécie tão antiga não era viável, devido à sua natureza mais frágil em comparação com o DNA.

O RNA oferece uma visão mais completa de um organismo do que o DNA.

O sucesso deste estudo indica potenciais oportunidades para extrair RNA de outras espécies preservadas, revolucionando potencialmente a nossa compreensão sobre espécies extintas.

Mármol Sánchez esclareceu, à New Scientist, que a recriação deste animal não é o principal foco dos investigadores.

O que vale a pena destacar, considera o cientista, são as pistas valiosas sobre o genoma do Tigre da Tasmânia que a investigação vem dar, enfatizando que o RNA vem fornecer uma visão mais abrangente de como as células de um organismo funcionam.

 

in ZAP