D. Dinis no Compendio de crónicas de reyes (circa 1312-1325)
Filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela , foi aclamado em Lisboa em 1279, tendo subido ao trono com 17 anos. Em
1282 desposou
Isabel de Aragão, que ficaria conhecida como Rainha Santa. Ao longo de 46 anos a governar os Reinos
Portugal e dos
Algarves foi um dos principais responsáveis pela criação da
identidade nacional e o alvor da consciência de Portugal enquanto
estado-nação: em 1297, após a conclusão da
Reconquista pelo seu pai, definiu as
fronteiras de Portugal no
Tratado de Alcanizes, prosseguiu relevantes reformas judiciais, instituiu a
língua Portuguesa como
língua oficial da corte, criou a
primeira Universidade portuguesa, libertou as
Ordens Militares
no território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um
sistemático acréscimo do centralismo régio. A sua política
centralizadora foi articulada com importantes ações de fomento
económico - como a criação de inúmeros concelhos e feiras. D. Dinis
ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e
organizou a exportação da produção excedente para outros países
europeus. Em 1308 assinou o primeiro acordo comercial português com a
Inglaterra. Em
1312 fundou a
Marinha Portuguesa, nomeando primeiro
Almirante de Portugal, o genovês
Manuel Pessanha, e ordenando a construção de várias docas.
Foi grande amante das artes e letras. Tendo sido um famoso
trovador, cultivou as
Cantigas de Amigo, de
Amor e a sátira, contribuindo para o desenvolvimento da
poesia trovadoresca
na península Ibérica. Pensa-se ter sido o primeiro monarca português
verdadeiramente alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo.
Culto e curioso das letras e das ciências, terá impulsionado a
tradução de muitas obras para português, entre as quais se contam os
tratados de seu avô
Afonso X, o Sábio. Foi o responsável pela criação da
primeira Universidade portuguesa, inicialmente instalada na zona do actual
Largo do Carmo, em
Lisboa e por si transferida, pela primeira vez, para
Coimbra,
em 1308. Esta universidade, que foi transferida várias vezes entre as
duas cidades, ficou definitivamente instalada em Coimbra em 1537, por
ordem de
D. João III.
Entre 1320 e 1324 houve uma guerra civil que opôs o rei ao futuro Afonso IV. Este julgava que o pai pretendia dar o trono a
Afonso Sanches.
Nesta guerra, o rei contou com pouco apoio popular, pois nos últimos
anos de reinado deu grandes privilégios aos nobres. O infante contou com
o apoio dos concelhos. Apesar dos motivos da revolta, esta guerra foi
no fundo um conflito entre grandes e pequenos. Após a sua morte, em
1325 foi sucedido pelo seu filho legítimo,
Afonso IV de Portugal, apesar da oposição do seu favorito, o filho natural
Afonso Sanches.
PINHAL DO REI
Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e se esconde
e onde ecoando a cantar
se alonga e se prolonga a longa voz do mar,
ditoso o Lavrador que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim;
ditoso o Poeta que lançou ao vento
esta canção sem fim...
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
são as caravelas, teu corpo cortado,
é lo verde pino no mar a boiar,
Pinhal de heróicas árvores tão belas
foi teu corpo e da tua alma também
que nasceram as nossas caravelas
ansiosas de todo o Além;
foste tu que lhes deste a tua carne em flor
e sobre os mares andaste navegando,
rodeando a Terra e olhando os novos astros,
oh gótico Pinhal navegando,
em naus erguida levando
tua alma em flor na ponta alta dos mastros!...
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que grande saudade, que longo gemido
ondeia nos ramos, suspira no ar.
Afonso Lopes Vieira