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segunda-feira, outubro 05, 2026

Mas dados sobre o que antecedeu a explosão câmbrica da vida...

Evolução animal pode ter começado milhões de anos antes do que se pensava

 

Uma nova coleção de fósseis descoberta na China pode alterar a cronologia da evolução animal, ao revelar que organismos complexos já existiam milhões de anos antes da chamada explosão câmbrica. 


Ilustração do ambiente dos fósseis há cerca de 539 milhões a 554 milhões de anos

 

A vida na Terra surgiu há cerca de 3,5 mil milhões de anos, mas demorou muito tempo a dar origem à diversidade de organismos que existe hoje. A teoria mais aceite indica que essa diversidade aumentou de forma rápida há cerca de 535 milhões de anos, durante a chamada explosão cambriana, um período marcado pela emergência de muitos dos principais grupos animais atuais.

Uma nova coleção de fósseis descoberta na China sugere, no entanto, que esse processo pode ter começado mais cedo. Num estudo publicado a 2 de abril na revista Science, investigadores descrevem organismos complexos que antecedem o período Câmbrico em milhões de anos.

"Estamos certamente a revelar um quadro mais complexo sobre os primórdios da explosão da diversidade animal e quando isso aconteceu", disse o coautor do estudo, Ross Anderson, paleobiólogo da Universidade de Oxford, à New Scientist.

 

Lacunas na transição de períodos

A transição entre o período Ediacarano, que decorreu entre há cerca de 635 e 538 milhões de anos, e o período Câmbrico, entre 538 e 485 milhões de anos, continua a ser um dos grandes enigmas da paleontologia.

Os cientistas debatem se a explosão cambriana representou um verdadeiro salto evolutivo ou se resultou de uma história evolutiva mais longa, ainda pouco documentada.

Até agora, os fósseis do Ediacarano mostravam organismos com formas muito diferentes das dos animais atuais e dos que surgem no Câmbrico, o que dificultava estabelecer uma ligação direta entre estes dois períodos.

Os mais de 700 fósseis agora descobertos no sudoeste da China, datados entre há 554 e 539 milhões de anos, podem ajudar a preencher essa lacuna. Entre eles há organismos semelhantes a espécies do Câmbrico, até agora conhecidas apenas a partir de fósseis desse período, bem como formas que combinam características ediacaranas e cambrianas e ainda espécies nunca antes descritas.

“A nossa descoberta preenche uma lacuna importante nas fases iniciais da diversificação animal. Pela primeira vez, demonstrámos que muitos animais complexos, normalmente encontrados apenas no período Câmbrico, estavam presentes no período Ediacarano, o que significa que evoluíram muito mais cedo do que as evidências fósseis demonstravam anteriormente", afirma em comunicado o coautor do estudo, Gaorong Li, paleobiólogo da Universidade de Yunnan, na China.

 

À esquerda: fóssil semelhante a Haootia da Biota de Jiangchuan (escala: 2 mm) e reconstrução artística. À direita: Fóssil de cambroernídeo deuterostómico da Biota de Jiangchuan (escala: 2 mm) e reconstituição artística. 

 

Simetria bilateral: característica fundamental na evolução animal

Um dos organismos mais comuns, com 185 exemplares identificados, era um animal semelhante a uma minhoca, com cerca do tamanho de um dedo indicador, que possuía um disco usado para se fixar ao fundo do oceano.

Alguns destes organismos apresentavam simetria bilateral, uma característica fundamental na evolução animal, associada à mobilidade, ao desenvolvimento de sistemas nervosos mais complexos e, mais tarde, ao domínio de muitos ecossistemas, explica Frankie Dunn, paleontóloga do Museu de História Natural da Universidade de Oxford e coautora do estudo, à Scientific American.

A maioria dos animais atuais, incluindo os humanos, apresenta este tipo de organização corporal, que se pensava ter surgido sobretudo durante o Câmbrico.

Os investigadores identificaram também possíveis representantes dos deuterostómios mais antigos conhecidos, um grupo que inclui todos os vertebrados. Um dos fósseis corresponde a uma criatura em forma de U, fixada ao fundo marinho, semelhante a organismos extintos do Câmbrico relacionados com as atuais estrelas-do-mar.

Para especialistas externos à investigação, os resultados encaixam naquilo que era esperado.

“Como o período Ediacarano contém animais, sabemos que deve ter havido uma fase de transição entre ele e a fauna do Câmbrico. Mas, até agora, não tínhamos qualquer evidência disso”, afirma Emily Mitchell, paleontóloga da Universidade de Cambridge, à Associated Press.

 

Parte da equipa de investigação da Universidade de Oxford e da Universidade de Yunnan durante o trabalho de campo em junho de 2024 na secção de Biota de Jiangchuan; da esquerda para a direita: Dr. Wenwen Wen, Professor Peiyun Cong, Dr. Frances Dunn, Professor Associado Luke Parry, Professor Associado Fan Wei e Dr. Gaorong Li

  

in MSN Notícias 

quarta-feira, abril 08, 2026

Notícia sobre os nossos antepassados do Pré-Câmbrico...

 Foram encontrados animais (do grupo dos humanos) que não deviam existir

 

Reconstrução artística da biota de Jiangchuan

   

Será a primeira evidência fóssil de que muitos animais complexos, até agora considerados típicos do Câmbrico, já existiam no Ediacarano. Biota na China será uma comunidade de transição entre dois momentos fundamentais da história da vida.

   

Vários dos principais grupos animais surgiram milhões de anos antes do que a Ciência pensava até agora, segundo um novo estudo publicado a 2 de abril na Science.

A conclusão assenta numa descoberta fóssil na China, tida como marcante por antecipar a diversificação que durante décadas foi associada quase exclusivamente à chamada “explosão câmbrica”.

Os novos achados, com mais de 540 milhões de anos, indicam que a transformação evolutiva que deu origem a animais mais complexos já estava em curso no final do período Ediacarano, pelo menos quatro milhões de anos antes do início do Câmbrico, tradicionalmente datado de há cerca de 535 milhões de anos.

No centro desta descoberta está a biota de Jiangchuan, na província chinesa de Yunnan, onde os cientistas recolheram mais de 700 fósseis com idades entre 554 e 539 milhões de anos. O conjunto revela um ecossistema surpreendentemente diverso, com organismos que incluem parentes primitivos de estrelas-do-mar, animais vermiformes com simetria bilateral e até formas ancestrais ligadas à linhagem dos deuterostómios - o grande grupo que inclui os vertebrados, como peixes e seres humanos.

Esta será a primeira vez que há evidência fóssil clara de que muitos animais complexos, até agora considerados típicos do Câmbrico, já existiam no Ediacarano. A descoberta “fecha uma grande lacuna” nas fases iniciais da diversificação animal, admite o investigador principal, Gaorong Li, citado pela Science Daily.

Entre os fósseis mais importantes estão os exemplares interpretados como os parentes mais antigos conhecidos dos deuterostómios. A presença destes organismos empurra pela primeira vez o registo fóssil deste grupo para o Ediacarano. Os investigadores encontraram também representantes primitivos dos ambulacrários, grupo que inclui as estrelas-do-mar e os seus parentes próximos, como os vermes-bolota. Estes animais apresentavam corpos em forma de U, fixação ao fundo marinho por um pedúnculo e tentáculos junto da cabeça, provavelmente usados para capturar alimento.

A equipa destaca ainda a presença de organismos bilaterianos semelhantes a vermes, alguns com estratégias de alimentação complexas, bem como raros fósseis que poderão corresponder a formas iniciais de ctenóforos, ou geleias-de-pente.

Muitos dos exemplares exibem combinações anatómicas invulgares - tentáculos, discos de fixação, estruturas alimentares reversíveis e pedúnculos - que não coincidem com nenhuma espécie conhecida, nem do Ediacarano nem do Câmbrico.

Essa mistura de características reforça a ideia de que Jiangchuan regista uma comunidade de transição entre dois momentos fundamentais da história da vida.

O ecossistema pode ajudar a resolver um problema antigo da biologia evolutiva. Estudos genéticos e vestígios fósseis já sugeriam há anos que várias linhagens animais deveriam existir antes da explosão câmbrica, mas faltava prova fóssil direta e robusta. E, ao contrário da maioria dos sítios ediacarianos, onde os organismos surgem como simples impressões em arenito, os fósseis de Jiangchuan foram conservados sob a forma de filmes carbonosos — um tipo de preservação que permite observar detalhes finos da anatomia, incluindo estruturas de alimentação, sistemas digestivos e órgãos associados ao movimento.

 

in ZAP