Foram encontrados animais (do grupo dos humanos) que não deviam existir

Reconstrução artística da biota de Jiangchuan
Será a primeira evidência fóssil de que muitos animais complexos, até agora considerados típicos do Câmbrico, já existiam no Ediacarano. Biota na China será uma comunidade de transição entre dois momentos fundamentais da história da vida.
Vários dos principais grupos animais surgiram milhões de anos antes do que a Ciência pensava até agora, segundo um novo estudo publicado a 2 de abril na Science.
A conclusão assenta numa descoberta fóssil na China, tida como marcante por antecipar a diversificação que durante décadas foi associada quase exclusivamente à chamada “explosão câmbrica”.
Os novos achados, com mais de 540 milhões de anos, indicam que a transformação evolutiva que deu origem a animais mais complexos já estava em curso no final do período Ediacarano, pelo menos quatro milhões de anos antes do início do Câmbrico, tradicionalmente datado de há cerca de 535 milhões de anos.
No centro desta descoberta está a biota de Jiangchuan, na província chinesa de Yunnan, onde os cientistas recolheram mais de 700 fósseis com idades entre 554 e 539 milhões de anos. O conjunto revela um ecossistema surpreendentemente diverso, com organismos que incluem parentes primitivos de estrelas-do-mar, animais vermiformes com simetria bilateral e até formas ancestrais ligadas à linhagem dos deuterostómios - o grande grupo que inclui os vertebrados, como peixes e seres humanos.
Esta será a primeira vez que há evidência fóssil clara de que muitos animais complexos, até agora considerados típicos do Câmbrico, já existiam no Ediacarano. A descoberta “fecha uma grande lacuna” nas fases iniciais da diversificação animal, admite o investigador principal, Gaorong Li, citado pela Science Daily.
Entre os fósseis mais importantes estão os exemplares interpretados como os parentes mais antigos conhecidos dos deuterostómios. A presença destes organismos empurra pela primeira vez o registo fóssil deste grupo para o Ediacarano. Os investigadores encontraram também representantes primitivos dos ambulacrários, grupo que inclui as estrelas-do-mar e os seus parentes próximos, como os vermes-bolota. Estes animais apresentavam corpos em forma de U, fixação ao fundo marinho por um pedúnculo e tentáculos junto da cabeça, provavelmente usados para capturar alimento.
A equipa destaca ainda a presença de organismos bilaterianos semelhantes a vermes, alguns com estratégias de alimentação complexas, bem como raros fósseis que poderão corresponder a formas iniciais de ctenóforos, ou geleias-de-pente.
Muitos dos exemplares exibem combinações anatómicas invulgares - tentáculos, discos de fixação, estruturas alimentares reversíveis e pedúnculos - que não coincidem com nenhuma espécie conhecida, nem do Ediacarano nem do Câmbrico.
Essa mistura de características reforça a ideia de que Jiangchuan regista uma comunidade de transição entre dois momentos fundamentais da história da vida.
O ecossistema pode ajudar a resolver um problema antigo da biologia evolutiva. Estudos genéticos e vestígios fósseis já sugeriam há anos que várias linhagens animais deveriam existir antes da explosão câmbrica, mas faltava prova fóssil direta e robusta. E, ao contrário da maioria dos sítios ediacarianos, onde os organismos surgem como simples impressões em arenito, os fósseis de Jiangchuan foram conservados sob a forma de filmes carbonosos — um tipo de preservação que permite observar detalhes finos da anatomia, incluindo estruturas de alimentação, sistemas digestivos e órgãos associados ao movimento.
in ZAP


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