Poeta essencialmente
lírico, o que lhe renderia a alcunha "poetinha", que lhe teria atribuído
Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus
sonetos. Conhecido como um
boémio inveterado,
fumante e apreciador do
uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O
poetinha casou-se nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respetivamente:
Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como
Tati de Moraes),
Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de
Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a
Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.
A sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música.
Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi a sua primeira e maior
vocação, e que toda sua atividade artística deriva do facto de ser poeta. No campo musical, o
poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim,
Toquinho,
Baden Powell,
João Gilberto,
Chico Buarque e
Carlos Lyra.
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes
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