Estreou-se como autora com
Em Cada Pedra Um Voo Imóvel (1957), obra que lhe valeu o Prémio
Adolfo Casais Monteiro. Ganha notoriedade no meio literário com a revista/movimento
Poesia 61,
em que publica o texto «Morfismos». É considerada como uma das mais
importantes escritoras do movimento, que revolucionou a poesia nos
anos 60. Foi premiada, em 1996, com o Grande Prémio de Poesia da
Associação Portuguesa de Escritores. O seu livro
Cenas Vivas foi distinguido, em 2001, com o prémio literário do
P.E.N. Clube Português.
A sua actividade no
teatro iniciou-se com um estágio, em 1964, no Teatro Experimental do Porto e com a frequência de um seminário de teatro de
Adolfo Gutkin na
Fundação Calouste Gulbenkian, em 1970. Em 1974, foi um dos fundadores do
Grupo Teatro Hoje, sendo a sua primeira encenação a obra
Marina Pineda, de
Federico García Lorca. Em 1961 recebeu o Prémio Revelação de Teatro, pela obra
Os Chapéus de Chuva. É autora de várias peças de teatro.
Vozes Minhas
O súbito fraseador que mimava
a sua fala pela do vento
não me disse Heraclito fui,
tal como eu o pensei.
Disse só deste lado do recorte
da serra sopra mais.
Ouvir por dentro. Clarear
traços que nos separam
da figura falante. O amanho
da Terra liga-nos.
Ouvinte do vento, não me
disse como eu: Verdade
e substância, na primeira apanha.
Quietude. Êxtase, na eclosão.
Cavou ao longo da esticada corda
que orienta as leiras. Esteve
em movimento ali um dia: Ó terra,
tudo está nos sentidos
antes do senso, voz certa,
som áspero, vento de rajadas grossas.
in Três Rostos - Ecos (1989) - Fiama Hasse Pais Brandão
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