Monumento ao Capitão Salgueiro Maia em Santarém
Biografia
Salgueiro Maia, como se tornou conhecido, foi um dos distintos capitães do
Exército Português, que liderou as forças revolucionárias durante a
Revolução dos Cravos, que marcou o final da
ditadura. Filho de um
ferroviário, Francisco da Luz Maia, e de sua mulher Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a Escola Primária em
São Torcato,
Coruche, mudando-se mais tarde para
Tomar, vindo a concluir o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria (hoje Escola Secundária de
Francisco Rodrigues Lobo). Depois da
revolução, viria a licenciar-se em Ciências Políticas e Sociais, no
Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em
Lisboa.
Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do
Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do
16 de Março de
1974 e do «
Levantamento das Caldas», foi Salgueiro Maia, a
25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do
Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de
Marcelo Caetano, no
Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a
António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no
Brasil.
A 24 de setembro de
1983 recebe a Grã-Cruz da
Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da
Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 28 de junho de 1992 e em
2007 a Medalha de Ouro de Santarém. Recusou, ao longo dos anos, ser membro do
Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha,
governador civil do
distrito de Santarém e pertencer à casa Militar da
Presidência da República. Foi promovido a
major em
1981 e, posteriormente, a
Tenente-Coronel.
Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:
"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"
Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.
Sem comentários:
Enviar um comentário