Sophia de Mello Breyner Andresen é filha de Maria Amélia de Mello Breyner e de João Henrique Andresen. Tem origem
dinamarquesa pelo lado paterno. O seu bisavô, Jan Heinrich Andresen, desembarcou um dia no
Porto e nunca mais abandonou esta região, tendo o seu filho João Henrique comprado, em
1895, a Quinta do Campo Alegre, hoje
Jardim Botânico do Porto.
Como afirmou em entrevista, em 1993, essa quinta "foi um território
fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem
numerosa". A mãe, Maria Amélia de Mello Breyner, é filha do
conde de Mafra, médico e amigo do rei
D.Carlos. Maria Amélia é também neta do conde
Henrique de Burnay, um dos homens mais ricos do seu tempo.
Criada na velha aristocracia portuguesa, educada nos valores
tradicionais da moral cristã, foi dirigente de movimentos universitários
católicos quando frequentava
Filologia Clássica na
Universidade de Lisboa (1936-39). Colaborou na revista Cadernos de Poesia, onde fez amizades com autores influentes e reconhecidos:
Ruy Cinatti e
Jorge de Sena.
Veio a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude
política liberal, apoiando o movimento monárquico e denunciando o regime
salazarista e os seus seguidores. Ficou célebre como
canção de intervenção
dos Católicos Progressistas a sua "Cantata da Paz", também conhecida e
chamada pelo seu refrão: "Vemos, Ouvimos e Lemos. Não podemos
ignorar!"
Casou-se, em
1946, com o jornalista, político e advogado
Francisco Sousa Tavares e foi mãe de cinco filhos: uma professora universitária de
Letras, um jornalista e escritor de renome (
Miguel Sousa Tavares),
um pintor e ceramista e mais uma filha que é terapeuta ocupacional e
herdou o nome da mãe. Os filhos motivaram-na a escrever contos infantis.
Desde 2005, no
Oceanário de Lisboa,
os seus poemas com ligação forte ao Mar foram colocados para leitura
permanente nas zonas de descanso da exposição, permitindo aos visitantes
absorverem a força da sua escrita enquanto estão imersos numa visão de
fundo do mar.
Soneto
Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.
Mas como usar o amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês – pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.
Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.
Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.
in Coral (1950) - Sophia de Mello Breyner Andresen
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