Fotografia em preto e branco, 1916, cabeça enfaixada após ferimento na têmpora
Filho da
condessa polaca Angelica Kostrowicka e de pai desconhecido- suspeita-se de um aristocrata suiço-italiano chamado Francesco Flugi d'Aspermont,passa seus primeiros anos entre
Roma,
Mónaco,
Nice,
Cannes,
Baratier e
Lyon. Desde
1902 foi um dos membros mais populares do bairro artístico
parisiense de
Montparnasse. Foram seus amigos e colaboradores
Pablo Picasso,
Max Jacob,
André Salmon,
Marie Laurencin,
André Derain,
Blaise Cendrars,
Pierre Reverdy,
Jean Cocteau,
Erik Satie,
Ossip Zadkine,
Marcel Duchamp e
Giorgio de Chirico.
A sua obra literária e crítica anunciava os princípios de uma nova estética que tinha como fundamento a ruptura com os valores do passado. Os seus poemas,
O bestiário ou o cortejo de Orfeu (
1911),
Álcoois (
1913) e
Calligrammes (
1918), Zona, carregado de apologia ao cristianismo mesclado aos ideais futuristas, refletem a influência do
simbolismo, com importantes inovações formais. Ainda em 1913, apareceu o ensaio crítico
Os pintores cubistas, em defesa do novo movimento como superação do
realismo. Também foi autor de importantes manifestos futuristas e inventor, conforme comentários dos artistas contemporâneos reconhecidos por
Breton, do termo
surrealismo, para descrever a última das vanguardas do início do século XX.
(...)
Em setembro de 1911, quando já era reconhecido como um dos poetas mais importantes da vanguarda parisiense, Apollinaire é acusado de cumplicidade no roubo de uma obra do Museu Louvre, nada menos que a
Mona Lisa de
Leonardo da Vinci, roubo no qual
Pablo Picasso, também já muito famoso, foi igualmente implicado. Ele é preso durante uma semana e depois liberado. Esta experiência o marcará. Aos olhos dos defensores das tradições clássicas, que se aproveitaram da situação para denunciar "atos de barbárie" dos estrangeiros contra a cultura nacional, pouco importava a inocência de Apollinaire no caso, visto que ele era acusado de atentar contra os valores da civilização, acusação esta estendida a outros estrangeiros radicados em Paris, como
Pablo Picasso,
Gertrude Stein e
Stravinski.
(...)
Em abril de 1915, ele parte com o regimento de artilharia de campo, N° 38, para a frente da batalha. Em março de 1916, é naturalizado francês, sendo que naquele mesmo mês é ferido gravemente na cabeça. Após longa convalescença, volta gradativamente ao trabalho. Em junho de 1917, a sua peça Les Mamelles de Tirésias, drama surrealista mesclando desespero com humor e escrita durante sua recuperação do ferimento, é encenada. Ele também publicou um manifesto artístico chamado L'Esprit Noveau Et Les Poétes. Em 1918, publica os famosos Calligrammes, poemas gráficos sobre a paz e a guerra de notável lirismo visual. Casa com Jacqueline, a "bela russa" do poema "La Joulie Rousse", que publicará muitas das suas obras póstumas.
Morreu jovem, com apenas 38 anos de idade, a 9 de novembro de 1918, vítima da
gripe espanhola, doença pandémica que fez vítimas em todo o mundo. Foi enterrado no cemitério de Père-Lachaise em Paris, tendo o seu túmulo uma escultura em forma de
menir feita por
Picasso.
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