Inicia-se no teatro, como amador, em 1942, no Grupo da
Mocidade Portuguesa, com a peça
O Jogo para o Natal de Cristo, com encenação de
Ribeirinho. De 1945 a 1950, frequentou o
Conservatório Nacional, cujo Curso de Teatro/ Formação de Actores terminou em 1950, com 18 valores. Teve dois irmãos actores, João de Almeida e Maria Cristina, falecida em 2003.
Estreia-se profissionalmente, em 1947, no
Teatro Nacional (Companhia
Rey Colaço/Robles Monteiro), na comédia
Rapazes de Hoje, de
Roger Ferdinand. Em 1950 fica conhecido pela sua interpretação de Eric Birling em
Está lá Fora um Inspector, de
Priestley (1951), estreado no Teatro Avenida. Nesse mesmo ano ingressa no Teatro do Povo (mais tarde Teatro Nacional Popular), onde faz todas as temporadas de verão, sob a direcção de Ribeirinho, até 1958. Importante actor da sua geração, funda, em 1961, o Teatro Moderno de Lisboa, um grupo teatral progressista, que revela autores nunca representados em
Portugal, à revelia da censura. Em 1963 vai para o Porto e assume a direcção artística do
Teatro Experimental do Porto (TEP), onde realiza a sua única experiência como encenador, em
Terra Firme, de
Miguel Torga.
Faz ainda parte de outras companhias, como a companhia de
Laura Alves, a
Companhia Rafael de Oliveira ou a companhia sediada no Teatro Maria Matos, com as quais efectua digressões ao
Brasil e
África. Em 1977, está no relançamento do
Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII), a cuja companhia pertence até à sua extinção. Trabalha com
Filipe La Féria em espectáculos como
Passa Por Mim no Rossio, (TNDMII, 1992),
Maldita Cocaína (
Teatro Politeama, 1994) ou
A Casa do Lago, de Ernest Thompson (Teatro Politeama, 2002).
Interpreta outros autores como
Molière,
Tennessee Williams,
Bernard Shaw,
Anton Tchekov,
D. Francisco Manuel de Melo,
Eça de Queirós,
Luís de Sttau Monteiro,
Luiz Francisco Rebello, entre outros. Cumprindo um velho sonho, protagoniza em 1998, sob a direcção de
Richard Cotrell, o clássico
Rei Lear, de
William Shakespeare, integrado nas comemorações dos 150 anos do Teatro Nacional e dos 50 anos da sua carreira de actor.
Em Espanha participa no concerto de encerramento da temporada do Teatro Monumental de
Madrid, intitulado
Orfeu, com textos de
Fernando Pessoa e música especialmente concebida para si pelo compositor Pablo Rivière. A convite do encenador Simon Suarez, é protagonista da ópera
Fígaro, de José Ramon Encinar, levada à cena no Teatro Lírico La Zarzuela.
A sua actividade estende-se igualmente à rádio e à televisão, tendo participado, nomeadamente na
RTP, no
Monólogo do Vaqueiro (1957), séries e telenovelas.
No cinema, estreou-se em 1951, com
Eram 200 Irmãos, de Armando Vieira Pinto, mas foi nos anos 60 que o seu trabalho se tornou mais relevante nesse campo. Da sua filmografia destacam-se
Pássaros de Asas Cortadas, de
Artur Ramos (1963),
Domingo à Tarde, de
António de Macedo (1965) que também o dirigiu em
A Bicha de Sete Cabeças (1978),
O Cerco, de
António da Cunha Telles (1969),
Cântico Final, de
Manuel Guimarães (1974),
O Processo do Rei, de
João Mário Grilo (1990), entre outros. Com
Manoel de Oliveira deixou marca em
Non ou a Vã Glória de Mandar (1990),
A Caixa (1994) e
O Quinto Império - Ontem Como Hoje (2004). Para além dos seus filmes como actor, Ruy de Carvalho tem emprestado a sua voz, diversas vezes, ao cinema. Participou também em numerosos teatros radiofónicos e trabalhos de dobragem de desenhos animados.
Foi Presidente do Conselho Nacional para a Política da 3.ª Idade e mandatário da campanha de candidatura de
Pedro Santana Lopes à
Câmara Municipal de Lisboa e da campanha de candidatura de Carmona Rodrigues à Câmara Municipal de Lisboa, em 2007.
Viúvo de Ruth de Carvalho (Funchal, 1927 - Lisboa, 9 de setembro de 2007), tem um filho e uma filha, Ana Paula Aragão Pires de Carvalho, casada segunda vez com Paulo de Mira Coelho, e três netos, um dos quais o actor Henrique de Carvalho (1 de fevereiro de 1991), e um filho, João de Carvalho que também seguiu a carreira teatral. É bisavô, pois o neto, Diogo Carvalho, foi pai de uma menina em 26 de novembro de 2015.