Mostrar mensagens com a etiqueta Carbónico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carbónico. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 26, 2023

Descobertas paleontológicas de investigadores da UC em destaque...!

Descoberto no Buçaco fóssil de planta primitiva - do tempo em que Portugal era um país tropical

   

Fóssil da nova espécie Florinanthus bussacensis corresponde a um cone (estróbilo) masculino de uma gimnospérmica da já extinta ordem das Cordaitales

 

Investigadores da Universidade de Coimbra descobriram o fóssil de uma nova espécie de planta, com 300 milhões de anos, nas formações geológicas da Serra do Buçaco.

Uma equipa de investigadores do Centro de Geociências do Departamento das Ciências da Terra da Universidade de Coimbra descobriu uma nova espécie de um fóssil de planta com 300 milhões de anos.

O fóssil descoberto corresponde ao estróbilo masculino de uma planta arborescente que existiu na região do Buçaco há cerca de 300 milhões de anos.

A espécie agora descoberta recebeu o nome de Florinanthus bussacensis.

A descoberta, apresentada num estudo científico publicado na edição de setembro da Review of Palaeobotany and Palynology, permite saber como estas plantas extintas se reproduziam e qual a sua diversidade morfológica e taxonómica no final do Período Carbónico.

“O fóssil é de uma conífera primitiva e extinta que existiu na região de Algeriz quando Portugal era um país tropical, durante a formação do supercontinente Pangeia, muito antes da existência dos dinossauros“, explicou ao ZAP o paleontólogo Pedro Correia, corresponding author do estudo e líder da equipa de investigadores.

Atualmente extintas, as Cordaitales são as primeiras gimnospérmicas com cones ou estróbilos (estruturas reprodutoras). Apareceram no final do Paleozoico e durante os períodos Carbónico e Pérmico cobriam grandes áreas da superfície da Terra.


Detalhes da morfologia e anatomia dos sacos de pólen da nova espécie Florinanthus bussacensis

 

As Cordaitales são amplamente reconhecidas como árvores de grande porte que podiam atingir até 40 metros de altura, com copas densamente ramificadas.

As suas folhas estavam dispostas em hélice, tinham forma de alça ou língua, e os órgãos reprodutores são considerados cones compostos contendo pólen monossacado ou óvulos platispérmicos. Estruturas reprodutoras como estróbilos de Cordaitales são raras no registo fóssil.

A descoberta deste novo fóssil fornece uma maior visão sobre a variabilidade das características morfológicas e ontogenéticas destas plantas primitivas. Devido à difícil preservação e reconhecimento destas estruturas reprodutoras, a diversidade deste grupo de plantas é ainda pouco conhecida.

As floras do Carbónico do Buçaco estavam adaptadas a climas secos e habitaram ambientes intramontanhosos, nos quais sistemas fluviais funcionaram como mecanismos de transporte de muitos restos vegetais e de sedimentos erodidos de rochas circundantes.

“A maior dificuldade em trabalhar com fósseis vegetais é conectar as diferentes partes fossilizadas destas plantas e estabelecer uma relação de parentesco“, esclarece Pedro Correia.

“A maioria dos restos destas floras preservados no registo fóssil corresponde a folhas, caules, raízes e sementes”, acrescenta o investigador, especialista em paleobotânica do Centro de Geociências e Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra.

Além de Pedro Correia, fazem parte da equipa responsável pela descoberta a paleontóloga portuguesa Sofia Pereira, também investigadora do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, e os investigadores Zbynĕk Šimůnek, da República Checa, e Christopher Cleal, do Reino Unido.

No ano passado, os dois investigadores portugueses tinham já descoberto o primeiro fóssil de uma barata primitiva nas formações carbónicas da região.

 

in ZAP 


NOTA - os nossos parabéns aos investigadores do Centro de Geociências do DCT da Universidade de Coimbra envolvidos nesta descoberta, Pedro Correia e Sofia Pereira:


sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Floresta paleozóica encontrada perfeitamente preservada na China!

Descoberta floresta fossilizada com 298 milhões de anos

Uma representação da floresta encontrada na China
 
Na China desenterrou-se uma Pompeia do mundo natural com 298 milhões de anos. As cinzas de uma erupção cobriram uma floresta de fetos arbóreos, que ficou preservada até agora. O retrato deste pântano tropical está descrito na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences desta semana e permite compreender melhor a evolução das florestas da Terra numa altura em que ainda não havia flores.

“É como [a cidade romana] Pompeia”, disse em comunicado Herrmann Pfefferkorn, um dos autores do estudo, que pertence à Universidade de Pensilvânia, referindo-se à cidade situada na Itália que ficou cristalizada pelas cinzas do Vesúvio durante a erupção de 79 d.C. “Pompeia dá-nos um conhecimento profundo sobre a cultura romana, mas não nos diz nada sobre a história da [civilização] romana em si mesmo.”

Por outro lado, permite a comparação. Pompeia “elucida-nos o tempo que veio antes e que veio depois. Esta descoberta é semelhante. É uma cápsula do tempo, e desse ponto de vista permite-nos interpretar muito melhor o que aconteceu antes e depois”, disse o cientista.

E que tempo é este? Na cronologia da história geológica, há 298 milhões de anos, a Terra encontrava-se no início do período Pérmico, antes da era dos dinossauros. Nesta altura os mamíferos e as plantas com flor ainda não existiam e os répteis e as coníferas – o grupo de plantas a que os pinheiros pertencem – eram uma aquisição recente da evolução.

O mundo terrestre era dominado por anfíbios e por fetos com porte de árvore. E as placas tectónicas estavam a acabar de se juntar para formar a Pangeia. O local arqueológico que os cientistas da Academia de Ciência chinesa estudaram, na região da antiga Mongólia, no Norte da China, era na altura uma super ilha separada do continente, que se situava a latitudes tropicais, no Hemisfério Norte.

Os cientistas fizeram um verdadeiro trabalho de ecologia paleontológica com estratos soterrados que desenterraram, analisando 1000 metros quadrados de área florestal em três sítios diferentes. Se não tivesse havido erupção, ao longo de milhões de anos aquela paisagem ter-se-ia transformado em carvão no interior da Terra, como aconteceu em muitos locais semelhantes a norte a sul da formação.

Mas a cinza fez fossilizar a floresta, que ficou comprimida em 66 centímetros de solo e fez com que a equipa pudesse recriar um retrato detalhado da floresta. “Está maravilhosamente preservada”, disse Pfefferkorn. “Podemos estar ali a olhar e encontrar um ramo com folhas, e depois encontramos o outro ramo e o outro ramo. Depois encontramos um cepo da mesma árvore. É realmente emocionante.”

Os cientistas encontraram seis grupos de plantas diferentes com várias espécies em cada grupo. Há um estrato mais basal com fetos arbóreos, de onde de quando em vez saem árvores mais finas e altas que parecidas a um espanador de penas, com 25 metros de altura. Encontraram também um grupo de plantas extinto que libertava esporos e árvores que parecem ser antepassados das cicadófitas, plantas sem flores que fazem lembrar palmeiras.

"Isto agora é a base. Qualquer outra descoberta, normalmente muito menos completa do que esta, tem que ser avaliada com base no que determinámos aqui", disse Pfefferkon, referindo-se à evolução da flora daquela altura.


NOTA: há pequenas imprecisões na notícia - há 298 M.a. estávamos mesmo no limite entre Carbónico e o Pérmico e a cidade de Pompeia não ficou cristalizada (ficou, parcialmente, bem preservada...). Mas tirando isto e alguns termos de botânica que podiam ser melhor explanados, a notícia não está má...