quinta-feira, dezembro 01, 2022

Poesia adequada à data...!


 (imagem daqui)


   

“QUEM A TEM...”

Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade. 



in Fidelidade, Poesia-II - Jorge de Sena

2 comentários:

Manuel M Pinto disse...

"Tendo o poema sido escrito em 1956 (Jorge de Sena tinha 37 anos), facilmente se conclui que a ausência de liberdade referida é a que se vivia em Portugal durante o Estado Novo, o regime salazarista."

Fernando Martins disse...

E pode servir para evocar a falta de liberdade noutros momentos da História de Portugal...