Foi director, em
1931, da revista "
Presença", depois da demissão de
Branquinho da Fonseca, ainda que não tenha sido um dos seus fundadores. A revista viria ter o seu fim em
1940,
tendo provavelmente contribuído para o seu encerramento as opções
políticas de Casais Monteiro, que acabaria por se instalar no Brasil em
1954, após ter participado nas comemorações do 4º centenário da Cidade
de São Paulo. Dele se afirma que, sendo um heterodoxo, tal como
Eduardo Lourenço,
é natural que viesse a exilar-se, já que a própria oposição ao regime
se regia por normas (ortodoxias) que não se adequavam ao seu modo de
ser.
Leccionou, então,
Literatura Portuguesa em diversas universidades brasileiras, incluindo a da
Bahia (Salvador), até se fixar em 1962 na
Universidade Estadual Paulista
(UNESP), Campus de Araraquara - São Paulo. Escreveu por essa altura
vários ensaios, ao mesmo tempo que escrevia, como crítico, para vários
jornais brasileiros, tendo deixado contributos para o estudo de
Fernando Pessoa e do grupo da "Presença".
Entre os seus trabalhos de tradução conta-se "A Germânia", de
Tácito, em
1941. O seu único romance, de 1945, intitulava-se "Adolescentes".
A sua obra poética, iniciada em 1929 com "Confusão", foi influenciada
pelo primeiro modernismo português, aproximando-se estilisticamente do
esteticismo de
André Gide. As suas críticas ao concretismo baseavam-se na ideia de que esta corrente estética promovia a impessoalidade, partindo da "
mais pura das abstracções" na construção de uma "
uma linguagem nova ao serviço de nada, uma pura linguagem, uma invenção de objectos - em resumo: um lindo brinquedo". Enquanto alguns autores o descrevem como independente do
Surrealismo
outros acentuam a influência que esta corrente estética teve no autor,
como se pode verificar nos seus ensaios sobre autores como
Jules Supervielle,
Henri Michaux e
Antonin Artaud (designando o último como "
presença insustentável). Muita da sua obra poética dedica-se ao período histórico específico por ele vivido, como acontece no poema "Europa", de
1945, que foi lido por António Pedro na BBC de Londres, no decorrer da
Segunda Guerra Mundial.
Vem, Vento, Varre
Vem, vento, varre
sonhos e mortos.
Vem, vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.
Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.
Vem, vento, varre!
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