Biografia
Nascido no
Bairro da Ajuda, ficou órfão de mãe precocemente, aos seis anos de idade. A profissão do pai, tipógrafo - viria a ser chefe de tipografia em
O Século - despertará em Baptista-Bastos um interesse pela imprensa e,
reflexamente, pela literatura, que o acompanhará pela vida fora.
Contudo, na infância, Baptista-Bastos aspirava tornar-se arquiteto,
tendo frequentado com esse intuito a
Escola de Artes Decorativas António Arroio, em
Lisboa. Também estudou francês no Liceu Francês Charles Lepierre
.
Aos 14 anos publicou os seus primeiros contos na secção infantil do
Diário Popular. Aos 19 entrou como estagiário para a redação d'
O Século, instituição conhecida à época no meio da imprensa por «universidade» do jornalismo. O chefe de redacção,
Acúrsio Pereira
foi decisivo nos primeiros anos de Baptista-Bastos como jornalista,
fazendo-o trabalhar em rotatividade em todas as secções do jornal. Em
1953 tornou-se subchefe de redação da revista
O Século Ilustrado, assinando uma coluna de crítica, comentário de cinema
, e iniciando, assim, um estilo jornalístico próprio, inovador, mas frequentemente tido como controverso e polémico
.
Baptista-Bastos participou na
Revolta da Sé em
1959, e embora não tenha sido sequer julgado, foi despedido d'
O Século em
abril de
1960,
dada a inconveniência para o jornal em manter um opositor declarado do
regime salazarista na sua redação. Desempregado e sob o controlo da
polícia política, chegou a pensar exilar-se em
Paris, mas conseguiu subsistir, na clandestinidade. Sob o pseudónimo de
Manuel Trindade, redigiu notícias para a
RTP e colaborou em diversos documentários da estação pública, realizados por
Fernando Lopes (
Cidade das Sete Colinas,
Os Namorados de Lisboa,
Este século em que vivemos) e
Baptista Rosa (
O Forcado, a que ficaria associada a imagem de
Augusto Cabrita e a música
Scketchs of Spain, de
Miles Davies).
Proibido de colaborar na
RTP por ordem direta do diretor do
Secretariado Nacional de Informação,
César Moreira Baptista, ficou mais uma vez no desemprego, passando sazonalmente pela redação da
Agence France Press, em
Lisboa. Pouco tempo depois, entrou para o jornal
República. No entanto, resolveu aceitar o convite de
Raúl Solnado, que então procurava lançar-se como ator no
Brasil,
e que tinha sido contratado pela TV Rio, e acompanhá-lo na qualidade de
seu secretário. Por coincidência, quando o jornalista chegou ao
Brasil
deu-se o golpe militar contra o presidente Goulart, fazendo
Batista-Bastos a cobertura dos acontecimentos subsequentes, redigindo
notícias para o jornal
República, que nunca chegarão a ser publicadas, por impedimento da censura.
Volvidos oito meses, de regresso a
Portugal, Baptista-Bastos regressa ao
República, mas não por muito tempo, pois é convidado para integrar o
Diário Popular. Neste matutino irá permanecer por cerca de duas décadas
, mais precisamente, 23 anos, desde
1965 até
1988,
ficando para sempre associado a este jornal, onde assinou centenas de
peças, entre reportagens, entrevistas e crónicas. Foi também aí que teve
oportunidade de viajar e escrever sobre
Portugal
e muitos outros países europeus, americanos, africanos, e contactar e
entrevistar inúmeras personalidades, da política, à cultura e ao
desporto, mas sem deixar de revelar a opinião e o sentimento do povo
anónimo
.
Foi um dos fundadores do semanário O Ponto, periódico onde
registou uma série de entrevistas semanais, entre outros textos e
reportagens, posteriormente editadas no livro O Homem em Ponto.
Apresentou na televisão o programa de entrevistas
Conversas Secretas, emitido na
SIC. A convite do jornal
Público, realizou também uma série de 16 célebres entrevistas, com o título «
Onde é que você estava no 25 de Abril?»,
posteriormente editadas em CD-ROM, uma pergunta que se tornou icónica
da imagem de Baptista-Bastos e recorrente em entrevistas de caráter
biográfico, por outros jornalistas.
Faleceu a 9 de maio de 2017, aos 84 anos de idade, no
Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontrava internado há várias semanas.
Obras
- O Cinema na Polémica do Tempo (ensaio, 1959)
- O Filme e o Realismo (ensaio, 1962)
- O Secreto Adeus (romance 1963)
- O Passo da Serpente (romance, 1965)
- A Palavras dos Outros (crónicas e reportagens, 1969)
- Cidade Diária (crónicas, 1972)
- Cão Velho entre Flores (romance, 1974)
- Capitão de Médio Curso (crónicas, 1979)
- Viagem de um Pai e de Um Filho pelas Ruas da Amargura (romance, 1981)
- Elegia para um Caixão Vazio (romance, 1984)
- O Homem em Ponto (entrevistas, 1984)
- A Colina de Cristal (romance, 1987)
- Um Homem Parado no Inverno (romance, 1991)
- O Nome das Ruas (crónicas, com António Borges Coelho, 1993)
- O Cavalo a Tinta da China (romance, 1995)
- Fado Falado (reportagem, 1999)
- Lisboa Contada pelos Dedos (crónicas, 2001)
- No Interior da Tua Ausência (romance, 2002)
- As Bicicletas em Setembro (romance, 2007)
- A Bolsa da Avó Palhaça (romance, 2007)
- A Cara da Gente (crónicas, 2008)
- Tempo de Combate (crónicas, 2014)
Prémios- Prémio Literário Município de Lisboa (Prémio de Prosa de Ficção), 1987 - A Colina de Cristal
- Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, 1987 - A Colina de Cristal
- Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (ex-aequo), 2002 - No interior da tua ausência
- Prémio de Crónica João Carreira Bom - 2006
- Prémio Clube Literário do Porto - 2006
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