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sábado, maio 28, 2022
A revolta da Comuna de Paris acabou há 151 anos
Exécution en masse des communards capturés dans les cours de la
caserne Lobau près de l'Hôtel de Ville
(Gravure de Frédéric Lix pour
L'Illustration du 10 juin 1871)
A Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa, durante a resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia e II Reich.
A história moderna regista algumas experiências de regimes comunais,
impostos como afirmação revolucionária da autonomia da cidade. A mais
importante delas - a Comuna de Paris - veio na sequência da insurreição popular de 18 de março de 1871. Durante a guerra franco-prussiana, as províncias francesas elegeram para a Assembleia Nacional Francesa
uma maioria de deputados monárquicos, francamente favorável à
capitulação ante a Prússia. A população de Paris, no entanto, opunha-se a
essa política. Louis Adolphe Thiers, elevado à chefia do gabinete conservador, tentou esmagar os insurretos. Estes, porém, com o apoio da Guarda Nacional, derrotaram as forças legalistas, obrigando os membros do governo a abandonar precipitadamente Paris, onde o comité central da Guarda Nacional passou a exercer a sua autoridade. A Comuna de Paris - considerada a primeira república proletária da história - adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional dos Trabalhadores.
O poder comunal manteve-se durante cerca de quarenta dias. O seu esmagamento revestiu-se de extrema crueldade. De acordo com a enciclopédia Barsa, mais de 20.000 communards foram executados pelas forças de Thiers.
O governo durou oficialmente de 26 de março a 28 de maio, enfrentando
não só o invasor alemão como também tropas francesas, pois a Comuna era
um movimento de revolta ante o armistício assinado pelo governo nacional (transferido para Versalhes) após a derrota na guerra franco-prussiana. Os alemães tiveram ainda que libertar militares franceses feitos prisioneiros de guerra para auxiliar na tomada de Paris.
O Governo Provisório, com sede na prefeitura de Paris, iniciou um processo de capitulação da França
entregando a maior parte de seu exército permanente, bem como as suas
armas, a contragosto da população parisiense. O único contingente agora
armado era a Guarda Nacional, formada na sua maior parte por operários
e alguns membros da pequena burguesia.
Convictos na resistência ao exército estrangeiro, a Guarda Nacional
assaltou a prefeitura e expulsou os membros da assembleia, que se
instalariam em Versalhes.
A administração pública de Paris, que agora se encontrava nas mãos do
Comité Central da Guarda Nacional, manteria conversações com Versalhes
até 18 de março, quando o presidente Thiers mandou desarmar a Guarda
Nacional numa operação sigilosa, durante a madrugada daquele dia.
Apanhada de surpresa, a população parisiense expulsa o contingente de
Thiers, dando início à independência política de Paris frente à
Assembleia de Versalhes, culminando com a eleição e a declaração da
Comuna, em 26 e 28 de março.
Apesar da evidente disposição do povo parisiense em resistir, a Assembleia de Versalhes acabou assinando a paz com os alemães. Num episódio humilhante, Guilherme I, o soberano alemão, foi coroado imperador do Segundo Reich na sala dos espelhos do Palácio de Versalhes.
O governo revolucionário foi formado por uma federação de
representantes de bairro (a guarda nacional, uma milícia formada por
cidadãos comuns). Uma das suas primeiras proclamações foi a "abolição do
sistema da escravidão do salário
de uma vez por todas". A guarda nacional misturou-se aos soldados
franceses, que se amotinaram e massacraram os seus comandantes. O
governo oficial, que ainda existia, fugiu, juntamente com as suas
tropas leais, e Paris ficou sem autoridade. O Comité Central da
federação dos bairros ocupou este vácuo, e instalou-se na prefeitura. O
comité era formado por Blanquistas, membros da Associação Internacional dos Trabalhadores, Proudhonistas e uma miscelânea de indivíduos não-afiliados politicamente, a maioria trabalhadores braçais, escritores e artistas.
O governo oficial, agora instalado em Versalhes e sob o comando de Thiers, fez a paz com o Império Alemão para que tivesse tempo de esmagar a Comuna de Paris. Como acordado entre os dois países, a Alemanha libertou prisioneiros de guerra para compor as forças que o exército francês usaria contra a Comuna.
Esta possuía menos de 15.000 milicianos, defendendo a cidade contra o
exército de 100.000 soldados, sob o comando de Versalhes.
Assim como durante o período da comuna, na sua queda os revolucionários destruíram os símbolos do Segundo Império Francês - prédios administrativos e palácios - e executaram reféns, em sua maioria clérigos, militares e juízes. Na persectiva dos communards, derrubar a velha ordem e tudo que com ela tinha vínculo era preciso para que novas instituições pudessem florescer.
Ao todo, a Comuna de Paris executou cem pessoas e matou outras
novecentas na defesa da cidade. As tropas de Thiers, por outro lado,
executaram 20.000 pessoas, número que, somado às baixas em combate,
provavelmente alcançou a cifra dos 80.000 mortos. 40.000 pessoas foram
presas e muitas delas foram torturadas e executadas sem qualquer
comprovação de que fossem de facto membros da Comuna. As execuções só
pararam por medo de que a quantidade imensa de cadáveres pudesse causar
uma epidemia de doenças.
A Comuna é considerada, por grupos políticos revolucionários posteriores
(anarquistas, comunistas, situacionistas), como a primeira experiência
moderna de um governo popular. Um acontecimento histórico resultante
da iniciativa de grupos revolucionários e da espontaneidade política
das massas, no meio de circunstâncias dramáticas, de uma guerra perdida
(Guerra franco-prussiana) e de uma guerra civil em curso.
Cadáveres de communards executados
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 01:51
Marcadores: anarquia, Comuna de Paris, guerra civil, Guerra franco-prussiana, II Império, II Reich, revolução
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