Políbio frequentou o
Instituto Militar dos Pupilos do Exército em Lisboa e terminou os seus estudos liceais em
Coimbra, tendo aí ingressado na
Faculdade de Letras e Direito.
Devido a ter adoecido, em setembro de 1938, com
tuberculose, esteve internado no
Sanatório da
Guarda.
Foi um dos colaboradores dos
Cadernos da Juventude, da
Presença, do
Sol Nascente e do
O Diabo, assim como fez parte do grupo
Novo Cancioneiro, de tendência neo-realista.
Actualmente, existe o prémio literário Políbio Gomes dos Santos, em homenagem ao poeta.
Poema da Voz Que Escuta
Chamam-me lá em baixo.
São as coisas que não puderam decorar-me:
As que ficaram a mirar-me longamente
E não acreditaram;
As que sem coração, no relâmpago do grito,
Não puderam colher-me.
Chamam-me lá em baixo,
Quase ao nível do mar, quase à beira do mar,
Onde a multidão formiga
Sem saber nadar.
Chamam-me lá em baixo
Onde tudo é vigoroso e opaco pelo dia adiante
E transparente e desgraçado e vil
Quando a noite vem, criança distraída,
Que debilmente apaga os traços brancos
Deste quadro negro - a Vida.
Chamam-me lá em baixo:
Voz de coisas, voz de luta.
É uma voz que estala e mansamente cala
E me escuta.
Políbio Gomes dos Santos
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