Nascido no Norte de
Moçambique, Alberto de Lacerda veio para Lisboa em
1946. Em
1951 fixou-se em Londres trabalhando como
locutor e
jornalista da
BBC, efectuado um notável trabalho de divulgação de poetas como
Camões,
Pessoa e
Sena. Nos anos seguintes viajou pela
Europa e esteve no
Brasil em
1959 e
1960. A partir de
1967 começa a leccionar na
Universidade de Austin, no
Texas,
EUA, onde se manteve durante cinco anos, fazendo uma breve passagem pela
Universidade de Columbia, de
Nova Iorque, até se fixar, em
1972, como professor de poética, na
Universidade de Boston,
Massachusetts.
Estreou-se em Portugal com uma série de poemas publicados na revista
Portucale. Foi um dos fundadores da revista de poesia
Távola Redonda, juntamente com
Ruy Cinatti,
António Manuel Couto Viana e
David Mourão-Ferreira. Os seus poemas foram traduzidos para o inglês, castelhano, alemão e holandês, entre várias outras línguas. É descrito como possuindo uma linguagem pouco adjectivada mas rica em imagística, reveladora de um mundo misterioso oculto na vulgaridade das coisas. Alberto de Lacerda é também autor de colagens, tendo chegado a expor, nos anos 80, na
Sociedade Nacional de Belas Artes, de Lisboa.
Faleceu em
Londres a 26 de agosto de 2007. Apesar do número relativamente pequeno de obras publicadas, Lacerda deixou um vasto espólio e de grande importância, composto, nomeadamente, por correspondência com grandes figuras da cultura, estrangeiras e portuguesas, tais como
Maria Helena Vieira da Silva e o marido
Árpád Szenes ou ainda
Paula Rego.
Poesia
1955 -
77 Poemas
1961 -
Palácio
1963 -
Exílio
1969 -
Selected Poems
1981 -
Tauromagia
1984 -
Oferenda I (77 Poemas, Palácio, Exílio, Tauomagia, Lisboa e Cor: Azul)
1987 -
Elegias de Londres
1988 -
Meio-dia (
Prémio Pen Club)
1991 -
Sonetos
1994 -
Oferenda II (Opus 7, Ariel e a Luz e Mecânica Celeste)
1997 -
Átrio
2001 -
Horizonte
2010 (póstumo) -
O Pajem Formidável dos Indícios
2018 - ‘’Labareda - Poemas Escolhidos’’ (selecção e prefácio de Luís Amorim de Sousa)
Como é belo seu rosto matutino
Como é belo seu rosto matutino
Sua plácida sombra quando anda
Lembra florestas e lembra o mar
O mar o sol a pique sobre o mar
Não tive amigo assim na minha infância
Não é isso que busco quando o vejo
Alheio como a brisa
Não busco nada
Sei apenas que passa quando passa
Seu rosto matutino
Um som de queda de água
Uma promessa inumana
Uma ilha uma ilha
Que só vento habita
E os pássaros azuis
in Exílio (1963) - Alberto de Lacerda
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