quarta-feira, março 09, 2011

Barco ao fundo


Um navio de loucos

O capitão, engenheiro relativo de profissão, berra contra as ondas, as rajadas de vento e a chuva.

Garante que vai no rumo certo e que os penhascos cada vez mais próximos não passam de ilusões fabricadas por pessimistas e bota-abaixistas.

O imediato, economista relativo de profissão, esboça uns tímidos protestos, sugere uma rota ligeiramente alternativa, mas admite que os rochedos podem, afinal, ser apenas um mero cenário de papel fabricado por sabotadores.

Os passageiros, coitados, desorientados e muito à rasca, não sabem bem o que fazer. Uns gemem, outros ouvem umas canções parvas, há quem passe o tempo que resta a pilhar os camarotes e os mais desesperados atiram-se ao mar à procura de terra firme. Os indígenas assistem hoje à posse do Presidente de um navio de loucos.

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