Este massacre é nomeado desta forma devido ao facto de que ele ocorreu num dos dias litúrgicos de
Papa São Bonifácio I.
A maioria dos garimpeiros era católicos devotos, e naquele dia clamava
pela unidade de luta dos trabalhadores, mimetizando o Papa São Bonifácio
I, que clamou pela unidade da
igreja. Alguns fontes se referem ao caso como o "Massacre da Ponte" ou "Chacina da Ponte".
Antecedentes
As prováveis causas do surgimento de tal conflito foram a desativação
da Serra Pelada e a insatisfação dos garimpeiros pela falta de
condições de trabalho no garimpo. A manifestação, portanto - em primeiro
momento pacífica - era uma forma de chamar a atenção das autoridades
nacionais para a questão do garimpo.
De facto, entretanto, a revolta começou no ano anterior, quando o
garimpeiro João Edson Borges foi espancado e morto por um polícia. Como
reação, um polícia foi morto e a Polícia Militar acabou expulsa de
Serra Pelada. Dali em diante, os garimpeiros receberam ameaças de
vingança.
Protestos
Os garimpeiros organizaram-se em dezembro de 1987 e foram para
Marabá,
para solucionar tal impasse. Os garimpeiros haviam deixado Serra Pelada
na madrugada do dia anterior. Queriam o rebaixamento da cava do
garimpo. Após percorrerem, em autocarros e camiões, 160 quilómetros,
eles acamparam na cidade, não havendo movimentações políticas para a
resolução ou negociação das reivindicações. Então aproximadamente mil
garimpeiros se deslocaram até à
Ponte Mista de Marabá - trecho da
BR-155 a mesma estrada onde ocorreu mais tarde o
Massacre de Eldorado dos Carajás - e bloquearam o acesso de veículos, pessoas e das locomotivas que circulavam no
Caminho de Ferro de Carajás
(que também atravessa a ponte), a fim de chamar atenção para sua
manifestação. A ponte bloqueada é a principal ligação entre os distritos
periféricos e o centro da cidade, além de fazer a ligação rodoviária e
ferroviária de Marabá com a costa norte do Brasil. Na serra, sob o
comando de Victor Hugo Rosa, permaneceram dez mil "formigas"
(garimpeiros) em assembleia, acompanhando colegas e recolhendo comida
para os revoltosos.
Conflito
O então governador
Hélio Gueiros
deu ordem para que a Polícia Militar desobstruísse a ponte. O grupo da
ponte liderado por Jane Resende – primeira líder feminina de um
garimpo –, colocou os restos de um camião e brita no trilho da ponte.
Quinhentos soldados do 4º batalhão da Polícia Militar do Pará
encurralaram os garimpeiros e avançaram por uma das cabeceiras da ponte,
atirando na multidão, enquanto o Exército fechava o acesso na outra
cabeceira. Os policiais atiraram durante 15 minutos com
metralhadoras e
espingardas. Muitos garimpeiros atiraram-se do vão, de 76 metros, da ponte.
Mortos
O governo informou inicialmente que duas pessoas morreram, depois
aumentou esse número para nove, contudo há registos que constatam que
houve setenta e nove (79) garimpeiros desaparecidos no decorrer do
conflito. Por parte das
tropas da Polícia e do Exército não houve registo de baixas.
Um garimpeiro, de nome Francisco, que disse ter visto oito cadáveres,
foi assassinado à paulada por um grupo desconhecido, no centro de
Marabá, um dia depois de dar entrevista à
TV Liberal. A morte de Francisco amedrontou outras testemunhas do conflito e silenciou-as mais de vinte anos.